A sustentabilidade na construção civil

Atualmente, já existe uma tendência em se usar na construção civil materiais ecologicamente corretos e adotar soluções tecnológicas e inteligentes para promover o bom uso e a economia de recursos como a água e a energia elétrica, a redução da poluição e a melhoria da qualidade do ar no ambiente interno e o conforto de seus moradores e usuários. O conceito da construção sustentável baseia-se no desenvolvimento de um modelo que enfrente e proponha soluções aos principais problemas ambientais de sua época, sem renunciar à moderna tecnologia e à criação de edificações que atendam as necessidades de seus usuários.

Para o diretor do Centro de Tecnologia de Edificações (CTE), Anderson Benite, em primeiro lugar, é bom esclarecer que um empreendimento totalmente sustentável é algo um tanto quanto utópico. Isto porque, conceitualmente, um empreendimento sustentável deveria apresentar um perfeito e pleno equilíbrio dos aspectos econômicos, ambientais e sociais, visando preservar as gerações futuras, o que é praticamente impossível em qualquer tipo de construção ou atividade humana (dadas às ações antrópicas do homem). “Assim, quando nos referimos hoje a um empreendimento sustentável (seja ele certificado ou não), estamos apenas dizendo que o edifício foi concebido para impactar o mínimo possível o meio ambiente e a sociedade sem prejudicar o seu desempenho econômico como negócio. Ou seja, um edifício Green Building é aquele que tem como objetivo reduzir o seu impacto ambiental, porém sem abordar as questões sociais de forma mais abrangente e consistente, o que já o exclui do conceito plenamente sustentável”, explica.

Quanto mais sustentável uma obra, mais responsável ela será por tudo o que consome, gera, processa e elimina (descarta). Sua característica mais marcante deve ser a capacidade de planejar e prever todos os impactos que pode provocar, antes, durante e depois do fim de sua vida útil (já no processo de demolição).

As diretrizes gerais para edificações sustentáveis podem ser resumidas em nove passos principais, que estão conformes ao que recomendam os melhores sistemas de certificação no mundo, como o BREEAM (Inglaterra), Green Star (Austrália), LEED (Estados Unidos) e HQE (França): 1. Planejamento Sustentável da obra; 2. Aproveitamento passivo dos recursos naturais; 3. Eficiência energética; 4. Gestão e economia da água; 5. Gestão dos resíduos na edificação; 6. Qualidade do ar e do ambiente interior; 7. Conforto termo-acústico; 8. Uso racional de materiais; e 9. Uso de produtos e tecnologias ambientalmente amigáveis.

Também existe a certificação denominada AQUA – Alta Qualidade Ambiental, para os empreendedores que promovem a construção ou a adaptação de edifícios ou gerencia o seu uso. Devido aos recursos consumidos e às emissões, aos efluentes e aos resíduos produzidos, eles causam impactos ao ambiente, qualquer que seja a fase de sua vida (realização, uso e operação, adaptação, desconstrução). A AQUA é definida como sendo um processo de gestão de projeto visando a obter a qualidade ambiental de um empreendimento novo ou envolvendo uma reabilitação. A obtenção do desempenho ambiental de uma construção envolve tanto uma vertente de gestão ambiental como uma de natureza arquitetônica e técnica. Um dos métodos mais confiáveis para tanto é se apoiar numa organização eficaz e rigorosa do empreendimento. Essa é a razão pela qual o referencial técnico de certificação estrutura-se em dois instrumentos permitindo avaliar os desempenhos alcançados com relação aos dois elementos que estruturam essa certificação: o referencial do Sistema de Gestão do Empreendimento (SGE), para avaliar o sistema de gestão ambiental implementado pelo empreendedor; e o referencial da Qualidade Ambiental do Edifício (QAE), para avaliar o desempenho arquitetônico e técnico da construção. A implementação do Sistema de Gestão do Empreendimento permite definir a Qualidade Ambiental visada para o edifício e organizar o empreendimento para atingi-la, ao mesmo tempo em que permite controlar o conjunto dos processos operacionais relacionados às fases de programa, concepção e realização da construção.

A Qualidade Ambiental do Edifício estrutura-se em 14 categorias (conjuntos de preocupações), que se pode reunir em quatro famílias:

Eco-construção

Categoria n°1: Relação do edifício com o seu entorno

Categoria n°2: Escolha integrada de produtos, sistemas e processos construtivos

Categoria n°3: Canteiro de obras com baixo impacto ambiental

Gestão

Categoria n°4: Gestão da energia

Categoria n°5: Gestão da água

Categoria n°6: Gestão dos resíduos de uso e operação do edifício

Categoria n°7: Manutenção – Permanência do desempenho ambiental

Conforto

Categoria n°8: Conforto higrotérmico

Categoria n°9: Conforto acústico

Categoria n°10: Conforto visual

Categoria n°11: Conforto olfativo

Saúde

Categoria n°12: Qualidade sanitária dos ambientes

Categoria n°13: Qualidade sanitária do ar

Categoria n°14: Qualidade sanitária da água

“Uma forma simplificada de se desenvolver um empreendimento mais sustentável é pela identificação inicial de uma extensa lista de aspectos ambientais e sociais que poderão ser abordados, como, por exemplo: consumo de água, destinação de efluentes, consumo de energia, geração de resíduos, manejo de áreas verdes, impacto no trafego local, emissões atmosféricas, geração de emprego, formação profissional, alfabetização, etc. Em seguida, é necessário identificar ações e tecnologias que podem ser utilizadas tanto para reduzir e mitigar impactos adversos como para promover impactos positivos, como, por exemplo, alfabetização (desenvolvimento de escolas em canteiros de obras), consumo de energia (luminárias acionadas por sensores de presença); etc. Outro ponto que deve ser observado é que tais ações e tecnologias devem ser desenvolvidas considerando-se todo o ciclo de vida do empreendimento, ou seja, passando pela escolha do terreno, elaboração do projeto, construção, operação do edifício, futuras manutenções e retrofits até o final da vida útil da edificação”, acrescenta o diretor do CTE.

Praticando o Programa 5S
Autor: Oceano Zacharias
O 5 S, também conhecido como housekeeping, é o melhor caminho para iniciar um programa de Qualidade e Produtividade. Trata-se de um instrumento de mudança nas relações entre pessoas e ambiente de trabalho, motiva a todos à melhoria da qualidade de vida e, por conseguinte, à qualidade como um todo.

 

Tipos de construção sustentável

Os principais tipos resumem-se, basicamente, a dois modelos: construções coordenadas por profissionais da área e com o uso de ecoprodutos e tecnologias sustentáveis modernas, fabricados em escala, dentro das normas e padrões vigentes para o mercado; e sistemas de autoconstrução, feitos pelo próprio interessado ou usuário, sem contar diretamente com suporte de profissionais (daí serem chamados de autoconstrução). Esse tipo de construção ultrapassa mais de 60% das obras civis no Brasil e inclui grande dose de criatividade, vontade pessoal do proprietário e responsável pela obra.

  • Construção com materiais sustentáveis industriais – Construções edificadas com ecoprodutos fabricados industrialmente, adquiridos prontos, com tecnologia em escala, atendendo a normas, legislação e demanda do mercado. É a mais viável para áreas de grande concentração urbana, porque se inserem dentro do modelo socioeconômico vigente e porque o consumidor/cliente tem garantias claras, desde o início, do tipo de obra que estará recebendo.
  • Construção com resíduos não-reprocessados (Earthship) – Consiste na utilização de resíduos de origem urbana com fins construtivos, tais como: garrafas PET, latas, cones de papel acartonado, etc. Comum em áreas urbanas ou em locais com despejo descontrolado de resíduos sólidos, principalmente onde a comunidade deve improvisar soluções para prover a si mesma a habitação. Um dos exemplos mais notórios de Earthship são as favelas. No entanto, também pode ser um modelo criativo de Autoconstrução, com o uso desses mesmos resíduos a partir de concepções de Ecodesign (projeto sustentável).
  • Construção com materiais de reuso (demolição ou segunda mão) – Esse tipo de construção incorpora produtos convencionais descartados e prolonga sua vida útil, evitando sua destinação para aterros sanitários ou destruição por processos perigosos (como queimas ou descarte em botas-fora). Requer pesquisa de locais para compra de materiais, o que limita seu alcance e caráter universal. Esse tipo de construção só pode ser considerado sustentável pelo prolongamento da vida dos materiais reutilizados, uma vez que esses, em geral, não têm origem sustentável.
  • Construção alternativa – Utiliza materiais convencionais disponíveis no mercado, com funções diferentes das originais. É um dos modelos principais adotados em comunidades carentes ou sistemas de autoconstrução. Exemplos: aquecedor solar com peças de forro de PVC como painel para aquecimento de água.
  • Construção natural – É o sistema construtivo mais ecológico, portanto, mais próximo da própria natureza, uma vez que respeita o entorno; usa materiais disponíveis no local da obra ou adjacências (terra, madeira, etc.); utiliza tecnologias sustentáveis de baixo custo (apropriadas) e desperdiça o mínimo de energia em seus processos. Exemplos: tratamento de efluentes por plantas aquáticas, energia eólica por moinho de vento, bombeamento de água por carneiro hidráulico, blocos de adobe ou terra-palha, design solar passivo. É um método adequado principalmente para áreas rurais ou para áreas que permitam boa integração com o entorno, onde haja pouca dependência das habitações vizinhas e das redes de água, luz e esgoto construídas pelo poder público.

 

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4 Respostas

  1. Muito bom o post. As informações me deram uma boa situada o que é construção sustentavel. Parabéns.

  2. Gostei do artigo
    Bastante interessante

  3. PROJETO PARA DIMINUIR O IMPACTO AMBIENTAL NAS CIDADES, GERADOS PELOS RESÍDUOS SÓLIDOS DO SETOR DA CONSTRUÇÃO CIVIL
    A questão ambiental tornou-se uma preocupação central da sociedade e por isso vem tendo uma atenção cada vez maior por parte dos poderes legislativos: federal, estadual e municipal. A Constituição Federal de 1988, tendo um capítulo dedicado ao meio ambiente determina que todas as leis e normas ambientais tenham como objetivo maior que Todas as pessoas têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, devendo o poder público defende-lo e preservá-lo para o uso da população presente e futura, assim como também restaurar os processos ecológicos fundamentais e propiciar o manejo ecológico das espécies e ecossistemas (Constituição Federal, 1988, Capítulo VI do Meio Ambiente, artigo 225).
    Sendo o Brasil o organizador dos dois mais importantes eventos esportivos do mundo – Copa do Mundo e Olimpíadas e ainda programas especiais para a habitação e a premência da construção civil por matérias primas mais sustentáveis, o intento tomou corpo e ficou mais evidente. O momento em que vivemos é oportuno para negócios sociais e sustentáveis – entende-se por sociais e sustentáveis aqueles que geram valor para a sociedade e para o meio ambiente. O setor de construção civil é um gerador de resíduos sólidos de grande intensidade, e é sabido que as questões ambientais têm importância para o sucesso dos negócios. As exigências crescentes da sociedade, refletidas em padrões ambientais cada vez mais exigentes e o aumento das ferramentas de comando e controle dos órgãos ambientais, demonstram claramente esta tendência. As grandes companhias já fazem investimentos contínuos e crescentes no controle da poluição, pois sabem que este controle pode pôr em risco a viabilidade de um negócio, o que as tem forçado a adotar a prevenção da degradação ambiental e instrumentos de gestão ambiental cada vez mais eficiente para novas operações e produtos.
    Em alguns municípios brasileiros, mais de 75% dos resíduos de construção civil são provenientes de construções informais (obras não licenciadas), (obras de construção, reformas e demolições, geralmente realizadas pelos próprios usuários dos imóveis) enquanto 15% a 30% são oriundas de obras formais (licenciadas pelo poder público) Isto caracteriza que o consumo e resíduos de sobra de construção civil nas cidades é pulverizado.
    Assim, com a Política Nacional de Resíduos Sólidos nº 12305, de 02 de agosto de 2010, um marco na gestão de resíduos sólidos no país e sua última regulamentação, por meio de Decreto Presidencial nº 7404 de 23 de dezembro de 2010. Grande parte dos resíduos originados na construção civil é depositada clandestinamente em terrenos baldios, aterros, várzeas e taludes de cursos de água, provocando impactos ao meio ambiente. Alguns destes impactos são plenamente visíveis e provocam comprometimento da paisagem urbana. As interferências no meio ambiente originadas da incorreta deposição dos resíduos nos ambientes urbanos também são os seguintes: degradação de áreas hídricas, tais como: rios, riachos, lagos e mananciais, por aterramento, destruição de fauna e flora, poluição do ar, ocasionado por poeiras, desvios de rios causando alagamentos e cheias, deslizamentos provocados por entulhos em terrenos instáveis.
    Tais impactos ambientais implicam em prejuízos não só à paisagem e à qualidade de vida da população, são situações geradoras de custos sociais interligados, pessoais e públicos em função do comprometimento da capacidade de drenagem nos espaços urbanos e dos resultados em épocas de cheia, comprometimento da capacidade viária, possibilitação da multiplicação de vetores epidêmicos e obrigatoriedade da atuação pública corretiva para minimizar as deposições irregulares de entulhos
    Diante da situação caótica de disposição dos resíduos nas cidades, o poder público municipal atua, freqüentemente, com medidas paliativas, realizando serviços de coleta e arcando com os custos do transporte e da disposição final. Tal prática não soluciona definitivamente o problema de limpeza urbana por não conseguir a remoção da totalidade dos resíduos. Ao contrário, incentiva a continuidade da disposição irregular nos locais atendidos pela limpeza pública da administração municipal. As pequenas atividades construtivas como as pequenas reformas residenciais e autoconstrução geram poucas quantidades de resíduos de construção e demolição e, por não justificarem a contratação de serviços de empresas de remoção, acabam sendo depositados por pequenos coletores ou pelos próprios geradores em locais irregulares que obrigam a atuação corretiva do poder público municipal, gerando gastos excessivos para a administração pública. Os problemas urbanos relacionados à deposição dos resíduos de construção e demolição tendem a se agravar com o aumento da população e da diminuição de locais licenciados e adequados para o recebimento desses resíduos e posteriores tratamentos adequado. A atividade tem o potencial de expandir a geração trabalho e renda. Por isso o projeto troca tudo construção vem em socorro, não com uma solução definitiva para nossos problemas, mas como uma alternativa forte, de apoio as medidas administrativas das prefeituras públicas sobre o tema resíduos da construção civil. Além disso, podem surgir novas oportunidades de negócio como a reutilização ou reciclagem de resíduos. Assim como já é comprovado que existe todo um mercado super aquecido de sobras de construção civil.
    visitem o site:
    http://www.trocatudoconstrucao.com.br

    Rafael Pacchini junior
    043-96496262

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