Serra Pelada: uma história de ilusões e muito sofrimento

NBR ISO 26000

Publicada em 01 de novembro de 2010 a norma sobre as diretrizes sobre responsabilidade social, a NBR ISO 26000 foi baseada na ISO 26000. Esta norma fornece orientações para todos os tipos de organizações, independentemente do porte ou localização, sobre conceitos, termos e definições referentes à responsabilidade social; o histórico, tendências e características da responsabilidade social; princípios e práticas relativas à responsabilidade social; os temas centrais e as questões referentes à responsabilidade social; integração, implementação e promoção de comportamento socialmente responsável em toda a organização e por meio de suas políticas e práticas dentro de sua esfera de influência; identificação e engajamento de partes interessadas; e comunicação de compromissos, desempenho e outras informações referentes à responsabilidade social. Clique para mais informações.

Nos idos de 1980 começou a corrida do ouro em Serra Pelada, uma região no estado do Pará, onde hoje está localizada a cidade de Curionópolis. A população de garimpeiros chegou a mais de 30.000 pessoas e em 1981 cerca de 10 toneladas de ouro tinham sido extraídos de seus barrancos. As péssimas condições de trabalho no garimpo legaram uma perda na qualidade de vida dos trabalhadores e de suas famílias. Diversos garimpeiros morreram com os freqüentes desmoronamentos das frentes de lavras. Após quatro anos de extração, onde havia morro, surgiu uma imensa cratera com 200 metros de profundidade. Hoje, a região se transformou numa favela com cerca de mil habitantes e a atividade garimpeira realizada sem estudos no impacto ambiental causou erosão, poluição de rios, arrasou a mata nativa e gerou complexas implicações sócio-econômicas e na saúde pública. Agora, anuncia-se um projeto mineral para a região que poderá chamar a atenção mais pelo seu simbolismo do que pelos minérios identificados no subsolo: a mina Nova Serra Pelada.

A mina representa – como o nome diz – a nova fase de Serra Pelada, que abrigou por vários anos a mais rica e densamente povoada área de garimpo do País. Com a extinção da atividade nos anos 90 pelo governo federal, restou a desestruturada Vila de Serra Pelada, com moradores que não usufruíram as riquezas proporcionadas pelo ouro, a platina e o paládio encontrados naquela região.

Nova Serra Pelada é a redenção da antiga Vila. O garimpo extraía o ouro de maneira artesanal, impactando negativamente o meio ambiente. Já a mina empresarial é fruto de amplo planejamento. É um projeto que evidencia a sustentabilidade. Prevê investimentos diretos na melhoria da qualidade de vida da população local, com estímulos ao comércio e a agroindústria, além de promover a recuperação do meio ambiente após a fase de mineração.

A mina subterrânea será acessada por meio de 4km de plano inclinado e galerias e utilizará o método “corte e preenchimento descendente” para a lavra do minério. O túnel já está sendo perfurado. A mina está projetada para produzir 1000 toneladas/dia de minério que serão beneficiados em uma planta convencional construída junto à mina e que produzirá aproximadamente três toneladas de ouro, além de platina e paládio, por ano. Esta planta industrial irá processar o minério bruto, transformando-os em barras prontas para comercialização.

O investimento efetuado em pesquisa mineral até agosto de 2010 foi de R$49 milhões. Para a abertura da mina e a construção da planta serão necessários adicionais R$115 milhões, a serem investidos até dezembro de 2011. O projeto mineral de Nova Serra Pelada resulta da sociedade entre a mineradora Colossus Geologia e Participações – empresa brasileira do grupo canadense Colossus Minerals Inc. – e a cooperativa de ex-garimpeiros de Serra Pelada, a Coomigasp. A parceria pode ser encarada como um importante teste – um laboratório em tempo real – de uma solução que pode vir a ser aplicada às demais áreas em que ainda há atividade garimpeira, especialmente na região amazônica.

A mineradora Colossus identificou em Serra Pelada concentração de ouro que pode variar de 7,5 a 20 gramas por tonelada. É um teor considerado elevado, em comparação com outras minas em atividade no Brasil. Para efeito de comparação, a mina de ouro em Paracatu, em Minas Gerais, apresenta uma concentração média de 0,45 grama de ouro por tonelada, e ainda assim é rentável por causa do alto preço do metal.

O empreendimento só deverá começar a extrair minérios em meados de 2012, mas os moradores de Serra Pelada e da sede do Município de Curionópolis já sentem as vantagens de contar com uma mineradora em suas redondezas. Ou seja, não é preciso esperar pelo ouro, platina ou paládio para usufruir as melhorias advindas da mineração.

Muitas obras foram e estão sendo feitas ou custeadas pela mineradora Colossus em estreita parceria com a prefeitura de Curionópolis. Assim é que foi possível recuperar a estrada de chão que liga a Vila de Serra Pelada à rodovia PA-275 e, consequentemente, às cidades próximas. Até então, o trajeto na esburacada estrada era feito em 1h30 e agora os moradores trafegam livremente e contam com serviços de van e transporte público.

As escolas públicas e o posto de saúde da Vila também foram beneficiados com obras de recuperação. Em breve, será implantado um posto policial para a Polícia Militar. A mineradora sustenta campanhas de assistência à população da vila, conduz programas de requalificação profissional, entre outras ações voltadas a promover saúde, educação e infraestrutura.

Com essas intervenções positivas, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de Serra Pelada poderá dar um salto em pouco tempo; algo muito significativo em um local desprovido de saneamento básico, calçamento e casas de alvenaria e com elevados índices de incidência de doenças graves, como AIDS e hanseníase. “Agora, a região tem nova oportunidade de organizar seu desenvolvimento, dessa vez, de forma sustentável graças à mineração empresarial moderna, consciente das responsabilidades com a comunidade e com o meio ambiente ao exercer sua atividade produtiva”, diz o diretor da companhia, Darci Henrique Lindenmayer.

A garantia de que a operação de mineração seguirá os preceitos da sustentabilidade está lastreada em cada dólar investido em papéis da Colossus Minerals Inc. na bolsa de Toronto. Afinal, qualquer desvio nessa trajetória é um risco à imagem da companhia e, consequentemente, à valorização dos títulos negociados. “Os minérios ao serem extraídos se tornarão riquezas para o Brasil. Serão destinados à indústria nacional e exportados, gerando bens de consumo e divisas”, diz Lindenmayer, assegurando que as intervenções no ambiente serão compensadas conforme a legislação.

Essas intervenções ocorrem apenas no período de mineração e depois as áreas são totalmente recuperadas. Em vez do mercúrio que poluiu rios e a terra em Serra Pelada na fase final do garimpo, a companhia utilizará tecnologia de ponta para evitar danos ao ambiente. “O processo é transparente, é auditado (auditoria externa internacional) e todos os dados sobre o projeto são públicos, afinal, a Colossus é uma empresa de capital aberto”, afirma Darci. Essas informações podem ser acessadas pela internet no endereço www.sedar.ca, onde as empresa registradas na bolsa de Toronto são obrigadas por regulamento a disponibilizar dados detalhados sobre suas operações.

Apesar das evidentes vantagens para aquela região paraense, o projeto foi recentemente contestado pelo Ministério Público Federal (MPF). No entanto, por decisão do Juiz Federal da Vara Única de Marabá, Carlos Henrique Haddad, o pedido do MPF para interromper a mina não foi aceito e o projeto segue em implantação. A direção da Colossus sustenta que Nova Serra Pelada está embasada em contrato perfeitamente respaldado pela legislação brasileira, devidamente acompanhado pelo Ministério de Minas e Energia. E toda a documentação foi colocada à disposição da Justiça para evitar outras ações judiciais que prejudiquem o cronograma de desenvolvimento da mina.

A mina de Nova Serra Pelada está situada em um terreno de 100 hectares, bem próxima ao antigo garimpo.  A área corresponde à Portaria de Lavra concedida à Serra Pelada Companhia de Desenvolvimento Mineral, ou SPCDM. Esta empresa é fruto da parceria entre a Coomigasp e a brasileira Colossus, após o desenvolvimento de trabalhos de pesquisa realizados durante os anos de 2007, 2008 e 2009. O relatório final foi aprovado pelo Departamento Nacional da Produção Mineral (DNPM), órgão do Ministério de Minas e Energia.

Depois de duas assembléias, as últimas realizadas em 28 de agosto e em 27 de outubro deste ano, em Curionópolis, com cerca de 15 mil garimpeiros filiados, a Coomigasp cedeu os direitos sobre a Portaria de Lavra à empresa SPCDM, que tem participação acionária da Colossus e da Coomigasp. Como a cooperativa não dispõe de recursos para investir e são necessários muitos milhões de reais para bancar o projeto, a participação da Coomigasp na SPCDM foi estabelecida em 25% em comum acordo. Por orientação do Ministério de Minas e Energia, o contrato prevê que este percentual não poderá ser reduzido. Ou seja, sem fazer investimentos, mas tendo cedido a Portaria de Lavra, a Coomigasp terá um quarto da SPCDM, além de prêmios relacionados às quantidades de ouro, platina e paládio que serão retirados do subsolo.

Alguns usos do ouro, do paládio e da platina

Ouro Paládio Platina
Em barra, serve como padrão monetário internacional Utilizado na fabricação de relógios, como na Suíça Usada na indústria joalheira
Usado para confeccionar jóias Usado para fabricação de eletrodos e jóias e em reações químicas como catalisador Serve para fabricar implantes ortopédicos utilizados pela medicina
Reveste películas de vidros utilizados em edifícios para conter calor excessivo ou evitar efeitos do frio intenso Utilizado para revestir contactos elétricos em dispositivos de controle automáticos Empregada na fabricação de projéteis, principalmente para engastes de armas com cano raiados
Empregado em alguns tratamentos de câncer e como antiinflamatórios no tratamento de artrites reumatóides Pesquisas indicam uso do paládio para motores movidos a hidrogênio – o metal tem alta capacidade de absorção desse elemento Utilizada para a produção de luvas que resistem a altas temperaturas;
Utilizado como cobertura protetora em muitos satélites e na indústria eletroeletrônica   Matéria prima para fabricação de instrumentos musicais, odontológicos e eletromagnéticos

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Uma resposta

  1. tomara q eu consiga tirar uma nota boa

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