Ensaios de proficiência ou programas interlaboratoriais

Metrologia Dimensional - A Ciência da Medição (ISBN 9780955613302)

Metrologia Dimensional

Esta obra reúne toda uma vasta experiência prática, organizada de uma forma muito didática e agradável. São mais de 240 páginas coloridas, ricamente ilustradas com mais de 380 fotografias e muitas tabelas e desenhos explicativos. Clique para mais informações.

Uma leitora quer saber mais explicações sobre ensaios de proficiência ou comparações interlaboratoriais. As medições em ensaios, quer sejam para o controle da qualidade de processos e produtos ou destinadas ao acompanhamento de trabalhos de pesquisa e desenvolvimento, quando são consideradas erradas ou não confiáveis, podem representar grande desperdício de tempo e dinheiro. Assim, os laboratórios de medições buscam suas fontes de erros e, para eliminá-los ou minimizar seus efeitos, a participação em trabalhos de comparação interlaboratorial pode substituir o controle interno da qualidade laboratorial.

O planejamento para o desenvolvimento de um programa interlaboratorial visa atingir as finalidades: a avaliação da competência técnica de laboratórios; a compatibilização de resultados de diversos laboratórios, quando não existem valores de referência a serem atribuídos à propriedade desejada; o estudo para determinação de parâmetros de precisão de metodologias; a identificação de problemas em laboratórios e iniciar ações corretivas que podem estar relacionadas ao desempenho individual do pessoal ou à calibração do instrumental; o monitoramento contínuo do desempenho de laboratórios; a atribuição de valores para materiais de referência e avaliar sua adequação para utilização em ensaios específicos ou procedimentos de medição; e proporcionar confiança adicional aos usuários dos resultados do laboratório.

Para o Inmetro, participação dos laboratórios em atividades de ensaio de proficiência é um dos mecanismos de controle da qualidade dos resultados previstas na NBR ISO/IEC 17025. Os benefícios advindos desta participação em ensaios de proficiência incluem:

  • O laboratório participante dispõe de uma avaliação externa regular e independente da qualidade de seus resultados de ensaios e calibrações;
  • O laboratório pode comparar o seu desempenho com o de outros laboratórios semelhantes;
  • Os dados obtidos servem de subsídio para a implementação de ações preventivas para melhoria dos procedimentos do laboratório;
  • Alguns estudos podem fornecer informação sobre as características de desempenho de métodos analíticos;
  • O laboratório pode obter do organizador do programa uma fonte de assessoria técnica e orientação sobre problemas analíticos e nos procedimentos de medição e calibração.

A participação dos laboratórios de calibração e de ensaio em atividades de ensaio de proficiência é uma indicação da competência do laboratório para realizar determinados ensaios e calibrações, sendo, portanto, parte integrante do processo de avaliação e acreditação do laboratório pela Coordenação Geral de Acreditação (Cgcre/Inmetro). A Cgcre/Inmetro  estabelece no documento NIT-Dicla-026 requisitos de participação em atividades de ensaio de proficiência, antes da acreditação após a sua concessão. No processo de acreditação de laboratórios de calibração e de laboratórios que realizam calibrações internas, o Setor de Confiabilidade Metrológica da Cgcre (Secme) , após solicitação dos avaliadores e do Gestor de Acreditação realiza auditorias de medição, que são comparações interlaboratoriais utilizando padrões da própria Cgcre cujos valores de referência são previamente conhecidos pela Cgcre/Inmetro.

Os laboratórios recebem relatórios sobre seu desempenho nas auditorias de medição, que tem por base o Erro Normalizado (En). Para que os resultados seja considerados satisfatórios o En deve ser menor ou igual a 1.O Secme também realiza auditorias de medição para avaliar o desempenho dos laboratórios já acreditados. A participação nessas auditorias de medição é obrigatória.

As Comissões Técnicas da Cgcre/Inmetro também organizam ensaios de proficiência, tanto para laboratórios de calibração quanto para laboratórios de ensaio. A participação dos laboratórios acreditados nessas comparações é normalmente obrigatória, sendo a decisão sobre a obrigatoriedade de tomada pela Dicla. Algumas vezes estas comparações são abertas à participação de laboratórios em processo de acreditação ou outros laboratórios que ainda estão se preparando para solicitar a acreditação.

Ensaios de proficiência organizados pela Diretoria de Metrologia Cientiífica e Industrial (Dimci) do Inmetro são também utilizados pela Cgcre/Inmetro no processo de acreditação de modo equivalente às auditorias de medição e comparações das Comissões técnicas. Veja os programas disponíveis em PEP-Dimci. Cabe ao laboratório tomar a iniciativa de se inscrever nesses programas.

Veja ainda na NIT-Dicla-026 outras comparações que são consideradas equivalentes às auditorias de medição e comparações interlaboratoriais de Comissões Técnicas, podendo substituí-las. É política da Cgcre/Inmetro encorajar a participação dos laboratórios em atividades de ensaio de proficiência, com a maior freqüência possível, como um complemento do processo de avaliação, bem como uma ferramenta para controle e melhoria do desempenho do laboratório. Neste sentido a Cgcre/Inmetro tem divulgado informações sobre programas disponíveis no Brasil e no exterior. Informações sobre provedores de ensaios de proficiência brasileiros estão disponíveis no banco de dados internacional EPTIS. Podem também ser encontradas informações sobre provedores de ensaios de proficiência de outros países das Américas e da Europa. A inclusão de um provedor ou um programa de ensaios de proficiência no EPTIS ou nesta página não implica em sua aprovação formal por parte do da Cgcre/Inmetro.

A Cgcre/Inmetro recomenda aos interessados contatar os provedores dos programas para obter detalhes específicos sobre o programa, custos da participação, protocolo e outras informações técnicas relevantes. Como orientação aos laboratórios na seleção qualificação e utilização de programas de ensaio de proficiência, recomenda-se que estes sejam organizados de acordo com as disposições contidas no ABNT ISO/IEC Guia 43. No link http://www.inmetro.gov.br/laboratorios/22998_ILACPTPortugeseR.pdf há um documento que explica melhor sobre o assunto.

José Carlos Olivieri (jcolivieri@uol.com.br), consultor em qualidade e confiabilidade metrológica para laboratórios, informa que o objetivo principal desse tipo de programa é prover os laboratórios participantes de um mecanismo, através do qual um determinado laboratório possa, periodicamente, comparar seus resultados, exatidão e precisão, obtidos em processos metrológicos, com os resultados de outros laboratórios que atuam em um mesmo setor tecnológico.

“Essa comparação permite identificar se os desvios cometidos são devidos a erros aleatórios ou sistemáticos, e tomar as ações corretivas necessárias, obtendo assim uma maior confiabilidade metrológica dos resultados. Visa, ainda, o aprimoramento das técnicas operacionais, orientando os laboratórios participantes a atentarem à metodologia, à calibração dos equipamentos e ao treinamento do analista. Este aprimoramento permite um melhor entendimento entre fornecedores, transformadores, e consumidores, refletindo-se inclusive nos fabricantes de equipamentos para laboratórios”, explica.

Ele diz, ainda, que com a participação efetiva em Programas Interlaboratoriais para Compatibilização de Resultados, os laboratórios podem alcançar os seguintes benefícios:

  • redução do custo de calibração

A calibração do equipamento ou instrumental analítico a intervalos regulares é custosa e pode ser desnecessária. Uma verificação regular por meio da participação em Programa Interlaboratorial mostrará, tão economicamente quanto possível, se um determinado equipamento necessita de calibração ou manutenção.

  • verificação simultânea do equipamento e do operador

A calibração de um equipamento restringe-se apenas ao aparelho, enquanto que os resultados podem ser afetados por técnicas inadequadas de operação ou por erros do operador. O Programa Interlaboratorial verifica ambos, o equipamento e o operador, sob condições efetivas de ensaio.

  • redução dos custos de produção

Um resultado de ensaio consideravelmente alto ou baixo, ou ainda a sua incerteza com relação ao valor mais provável, pode aumentar o custo de fabricação ao requerer quantidades adicionais de matérias-prima caras para assegurar a obtenção de níveis satisfatórios. O Programa Interlaboratorial evitará resultados errôneos e melhorará a precisão dos resultados de seus ensaios.

  • manutenção da confiança de clientes

O risco de um desentendimento com clientes, devido a erros em ensaios, pode ser minimizado por meio da participação em programas interlaboratoriais.

  • obtenção da documentação quanto a sua capacitação de realização de ensaios

Laboratórios independentes podem documentar sua capacitação na realização de ensaios perante seus clientes potenciais, e fabricantes podem assegurar a consumidores em perspectivas, seu rigor na observância das especificações.

  • aperfeiçoamento da uniformidade de fornecimento

Os transformadores, por meio da participação própria em Programas Interlaboratoriais ao lado dos fornecedores de matérias-prima, podem assegurar-se de um controle mais uniforme da qualidade dos materiais recebidos.

  • comparação do nível de precisão em ensaios, com o de competidores

A análise dos dados obtidos em Programas Interlaboratoriais permite a comparação de seus resultados com a média da indústria setorial, bem como um posicionamento relativo quanto ao seu desempenho.

“Dessa forma, um Programa Interlaboratorial para Compatibilização de Resultados pode ser definido em função da necessidade de melhoramento de um ou mais processos metrológicos fundamentais para um determinado setor industrial. A coordenação do programa é assumida por um laboratório atuante no setor em questão, que esteja familiarizado com a metodologia e sua aplicação”.

O esquema de funcionamento do Programa, segundo ele, é o seguinte:

  • O laboratório coordenador define o Programa e o divulga a seus pares técnicos.
  • Os laboratórios participantes selecionam os ensaios de interesse dentro da listagem preestabelecida pela coordenação. É prevista a possibilidade de sugestão, pelos participantes, de outros ensaios de interesse para programação futura.
  • Duas amostras, para cada ensaio, são preparadas e distribuídas pela coordenação, periodicamente.
  • Cada participante realiza os ensaios, no par de amostras recebido, de acordo com a metodologia prescrita e envia os resultados à coordenação, para análise e interpretação.
  • A coordenação, após a análise e interpretação dos resultados, envia a cada laboratório participante, identificado por um código, um relatório contendo médias desvios padrão e um gráfico com a posição dos laboratórios.
  • O relatório apresenta, ainda, para os participantes cujos resultados se afastam demasiadamente dos demais, comentários quanto ao provável motivo do desvio, sugerindo ações corretivas direcionadas ao eventual problema em questão.

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