Aumento do IPI: o despreparo do governo

Qual é a doença de sua empresa?
O que é um diagnóstico empresarial?
É um instrumento utilizado para se fazer o mapeamento da situação global da empresa sob a ótica de seus proprietários, funcionários, clientes internos e principais clientes externos, como etapa essencial anterior ao planejamento. O diagnóstico é realizado por meio da aplicação de um amplo questionário no qual são levantadas as impressões dos funcionários a respeito de questões abrangentes, tais como a prática do planejamento e da gestão, a estrutura organizacional e seu funcionamento, os recursos humanos, as sistemáticas de comunicação e informatização existentes, a visão estratégica da organização; assinalando-se seus pontos fortes e fracos e as medidas adotadas para a solução de problemas. Clique para mais informações.

Marcos Morita

A decisão do Superior Tribunal Federal suspendendo o aumento do IPI para carros importados até dezembro, confunde, atrapalha e em nada ajuda a imagem do Brasil perante os investidores internacionais – os quais sem regras claras colocariam o país abaixo da atual 126ª posição, obtida em pesquisa do Banco Mundial denominada “Doing Business in a More Transparent World”, cujo título se explica por si. Uganda, Bangladesh, Etiópia, Quênia, Jamaica e Kuwait estão à frente. Haiti, Timor Leste, Iraque e Afeganistão talvez nos ultrapassem em um futuro próximo. Trago como exemplo paralelo as políticas das empresas, as quais tais como as diretrizes governamentais, precisam ser claras, transparentes e coerentes, sejam elas aplicadas a clientes, parceiros ou fornecedores. Os mais velhos talvez já tenham experimentado a sensação de trocar uma empresa com planejamento de longo prazo, processos e métodos, por outra no estilo feira livre ou banca de pastéis, sobre as quais valem algumas palavras e causos.

Imperam nestas companhias o improviso e o jogo de cintura em promoções realizadas a toque de caixa, sempre a partir da segunda metade do mês. Com base no desespero para cumprir as quotas de vendas mal planejadas, lançam mão de descontos por volume para faturarem até o último dia do mês, o qual invariavelmente mais parece um campo de batalha. Vencida a guerra é hora de contar os mortos e feridos. Altos níveis de estoques nos parceiros, inadimplência, baixa rentabilidade e eficiência fabril, são alguns dos aspectos visíveis. A primeira metade do mês é dedicada para ajudar os parceiros a escoarem os produtos colocados forçadamente pelo próprio fabricante, os quais não raro, disponibilizam mais promoções e descontos, prejudicando a já sofrida margem.

Uma analogia com a máquina de escrever compararia um mês com uma linha. Ao final do ano, doze linhas escritas da mesma maneira, voltando o carro todo o dia 30. Este ciclo acaba por contaminar o canal de distribuição, o qual espera sempre por melhores condições, pressionado o fabricante em troca de descontos, programas e subsídios para poder vender. Impossível pensar em oferecer valor neste cenário, cuja negociação é sempre pautada no menor preço e no maior prazo. Credibilidade, respeito, confiança e imagem são itens que em geral passam longe destas empresas, nas quais vale a máxima: o melhor negócio é sempre o próximo.

Empresas que ultrapassaram este estágio conseguem planejar em longo prazo, estabelecendo e mantendo políticas e regras de negócio que orientam, sustentam e coíbem a prática da feira livre, agindo com rigor e firmeza com seus parceiros, quando necessário. Quebrar este ciclo leva tempo, haja vista é necessário demonstrar a consistência da política, através de inovações, eficiência, ganhos de escala e margens para os envolvidos. Não obstante a suspensão do IPI consideraria que o estrago já foi feito. Concordo que a decisão tem objetivos nobres, tais como preservar empregos e investimentos das indústrias locais, assim como entendo que outros países aplicam esta prática com frequência. Coloco em questionamento o modo apressado e abrupto com que foi implantada, claramente com base na pressão dos maiores fabricantes.

Faltaram ao governo consistência, firmeza, coerência e visão de longo prazo, avaliando as reais causas da perda de competitividade da indústria. Custo Brasil, alta carga tributária, logística precária e encargos trabalhistas não podem ser desculpas para que o consumidor tenha menos opções de escolha. Concluo lembrando que nossa presidente esteve há alguns meses atrás em solo chinês, distribuindo benefícios e subsídios para que empresários trouxessem suas plantas ao país. Mais contraditório impossível.

Marcos Morita é mestre em administração de empresas, professor da Universidade Mackenzie e professor tutor da FGV-RJ – professor@marcosmorita.com.br

IPI para carros importados é inconstitucional

Parece que a discussão sobre a elevação em 30 pontos percentuais do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para veículos importados não cessou. Países como o Japão e Coreia do Sul acionaram a OMC (Organização Mundial do Comércio) para rever a medida do governo brasileiro em relação aos acordos internacionais. Desde o dia 16 de setembro, carros que possuem menos de 65% de material nacional, mesmo sendo do Mercosul ou México, são tributados em 30% da alíquota de IPI. “Em
1995, o mesmo fato aconteceu e as importadoras recorreram ao Poder Judiciário, pois essa medida é inconstitucional”, afirma o advogado Alessandro Ragazzi, do escritório Ragazzi Advocacia e
Consultoria.

A sul coreana Hyundai foi a mais atingida com a medida, visto que fabrica poucos modelos em terras tupiniquins. Já a preocupação do Japão, que possui as montadoras Toyota, Honda e Nissan, é em relação aos outros países seguirem as medidas do Brasil. Ao longo da última década, o Brasil vem ganhando investidores devido ao crescimento econômico e ao princípio da Segurança Jurídica, que gera credibilidade. “Se investe num país que não tenha oscilações jurídicas e econômicas. A entrada de produtos internacionais trouxe o aumento de empregos e renda. Se o país começa a mudar e quebrar
as regras do jogo, automaticamente, os investidores começam a mudar suas estratégias, negociações e instalações de fábricas”, esclarece o advogado.

Ragazzi questiona, por exemplo, como ficam os veículos já desembaraçados em território nacional, cuja compra foi feita levando-se em consideração os percentuais de IPI estabelecidos à época? E os veículos negociados e embarcados, cujo custo foi calculado também com base na tributação existente? “Alterações nesses moldes ferem a própria Constituição Federal e estremece as relações internacionais – adquiridas há pouco tempo. Não é porque o Brasil é a ‘bola da vez’ que temos que explorar e cometer erros. Esse momento é fundamental para fixarmos de vez nossas relações ou senão daremos vários passos para trás”, conclui o advogado.

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