Norma Regulamentadora nº 01 de Segurança e Saúde no Trabalho está em consulta pública

A Norma Regulamentadora nº 01 (NR 01), que estabelece requisitos mínimos para prevenção em segurança e saúde no trabalho (SST), está em consulta pública até 25 de setembro. As sugestões da sociedade podem ser encaminhadas ao Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho – DSST pelo e-mail normatizacao.sit@mte.gov.br “Ainda existem algumas imperfeições que precisam ser corrigidas, por isso sugestões são bem vindas”, acredita Gilmar Trivelato, que participou do Grupo de Estudo Tripartite (GET) responsável pela elaboração da NR 01. Por outro lado, destaca que a nova norma forçará as empresas a fazerem a prevenção de forma organizada. “A gestão de papel tem que acabar”.

A criação da NR 01 foi motivada por uma necessidade de coerência e harmonização conceitual entre todas as NRs. Assim ela harmoniza conceitos e traz uma abordagem integral de todos os riscos, visando à prevenção. “Os elementos mínimos e os princípios estruturantes precisam ser comuns a todas NRs. Por isso a NR 01 será base para todas as demais. Claro que há normas específicas para tratar da mineração, de frigoríficos, entre outras, mas a linha de raciocínio tem que ser comum”, explica o pesquisador Gilmar Trivelato.

O objetivo da NR 01 é eliminar e reduzir os riscos à saúde e integridade física e moral dos trabalhadores. A empresa precisa fazer uma prevenção integrada, olhando o conjunto de riscos e não se limitar a uma abordagem segmentada. Além da prevenção do acidente, não se pode esquecer as questões ligadas à saúde, à higiene do trabalho, à ergonomia e à organização do trabalho.

A norma se aplica a todas as organizações e ao trabalho executado no domicílio do empregado e o realizado a distância, que não se distinguem do trabalho realizado no estabelecimento do empregador, desde que estejam caracterizados os pressupostos da relação de emprego. “A NR 01 será uma norma em que os aspectos de gestão terão validade para todos os setores, e os aspectos conceituais serão os mesmos”, afirma o pesquisador da Fundacentro.

Outro ponto ressaltado é que a prevenção não pode se basear exclusivamente no uso continuado do Equipamento de Proteção Individual. “Claro que há atividades em que é necessário o uso de EPI, mas a prevenção não é só isso. É preciso mudar o processo de trabalho, substituir equipamentos e materiais, eliminar fontes de risco, adotar medidas preventivas coletivas que não dependam do comportamento das pessoas”, completa Trivelato.

Uma das novidades é que o empregador terá autonomia para organizar e integrar o processo de prevenção em SST em planos, programas, ações e sistemas de gestão de riscos voluntários, que poderão ser considerados pela Inspeção do Trabalho como substitutos ou equivalentes aos programas de prevenção e gestão obrigatórios nas Normas Regulamentadoras. No entanto, deve ficar demonstrado o atendimento a todos os preceitos e exigências previstos legalmente. Todos os empregadores deverão elaborar o Documento Síntese (DS), que conterá os registros das avaliações de riscos e ações de prevenção referentes a cada estabelecimento da organização. Esse material será assinado por um responsável legal pela empresa e revisto a cada dois anos, no mínimo, ou sempre que houver modificações significativas nos riscos existentes.

“Esse é um documento administrativo e fiscal, muito similar a uma declaração de imposto de renda. Nossa lógica é a seguinte, empresas que não têm risco simplesmente vão assinar uma declaração que comprove isso. Mas terão de fazer o controle médico da saúde de seus empregados. Caso seja identificado algum problema, a empresa terá de sair dessa condição”, relata Gilmar Trivelato.

Já para as empresas onde forem identificados riscos importantes, o Documento Síntese será proporcional à complexidade de cada situação. “Uma empresa de grande porte tem vários documentos em relação à SST. O que a norma exige é que se elabore um documento síntese da sua prevenção. Muitas vezes você chega a uma grande empresa e encontra muitos documentos relativos à gestão da segurança e saúde no trabalho, mas é tudo fragmentado. No caso de uma grande empresa, será possível elaborar um documento síntese para cada unidade, conforme a conveniência. Em uma empresa de pequeno porte, provavelmente será um único documento”, esclarece Gilmar.

Como o documento tem caráter administrativo e fiscal, será assinado pelo dono da empresa. O raciocínio para elaborá-lo é o mesmo da declaração do imposto de renda. Se não houver riscos significativos, é possível fazer sozinho; se for complexo, é necessário um especialista.

Houve ainda o compromisso de se criar uma norma que atendesse a pequena empresa. “Embora não esteja explicitamente mencionado no texto submetido à consulta pública, na prática isso vai ocorrer”, diz o pesquisador. A Fundacentro se comprometeu a lançar um manual de como implementar a prevenção e elaborar um documento síntese para as empresas de pequeno porte. Em relação à avaliação dos riscos, o Grupo de Estudo Tripartite estabeleceu alguns critérios mínimos e deixou flexibilidade para que a empresa se ajuste e desenvolva sua própria abordagem.

A nova norma, além de priorizar a prevenção, chama a atenção por dar visibilidade ao trabalhador nesse processo. O direito de recusa, por exemplo, é ressaltado no texto. O trabalhador tem o direito de interromper uma atividade ou se recusar a executá-la quando houver evidência ou suspeita de riscos à saúde, segurança ou integridade do trabalhador.

Da mesma forma, em diferentes momentos, preconiza-se que a gestão seja feita com a participação do trabalhador, que deve ser ouvido e informado sobre os riscos. Assim o direito à informação e o direito a ter voz também estão presentes na NR 01.

“Tentamos enfatizar a participação dos trabalhadores. Não se trata de uma questão ideológica, mas de um aspecto técnico fundamental. Ouvir o trabalhador é uma questão metodológica, não ouvi-lo é um erro técnico grave. O trabalhador precisa proporcionar informações sobre o trabalho real e apontar o que está inadequado. O mesmo deve ocorrer no que diz respeito ao direito de recusa, que já está previsto em Convenção da OIT”, defende Trivelato.

Inspirada na ISO 31000 – gestão de riscos, a NR 01 ainda separa a estrutura da gestão (parte administrativa da gestão da saúde e segurança) e o processo de gestão de riscos (processo preventivo ocorrendo). Outro aspecto importante é a corresponsabilidade em relação aos riscos no caso de contrato de serviço, mas a responsabilidade primária é de quem gera o risco. “É comum encontrar empresas contratantes que fazem exigências tiranas, que nem elas cumprem e nem sempre oferecem condições para que a prevenção seja feita”, alerta o pesquisador da Fundacentro.

PROPOSTA DE TEXTO NORMATIVO

NR 01 – PREVENÇÃO EM SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO

SUMÁRIO

1. Objetivo e Aplicação

2. Definições Básicas

3. Prevenção em Segurança e Saúde no Trabalho

3.8. Organização para a Prevenção em SST

3.9. Avaliação de Riscos

3.9.6. Identificação de Riscos

3.9.7. Análise e Julgamento de Riscos

3.10. Eliminação e Redução de Riscos

3.11. Acompanhamento, Medição de Desempenho e Revisão das Ações Preventivas

4. Documentação

5. Obrigações dos Empregadores

6. Participação dos Trabalhadores na Prevenção em Segurança e Saúde no Trabalho

7. Preparação para Emergências

8. Acompanhamento da Saúde dos Trabalhadores

9. Análise de Acidentes e Agravos à Saúde dos Trabalhadores

10. Relações Contratantes e Contratadas

11. Capacitação de Trabalhadores

12. Prevenção em SST para Trabalhadores com Deficiência, Reabilitados, Readaptados ou em Situação de Maior Vulnerabilidade

- Glossário e Definições

Para acessar o texto completo e participar do processo de consulta, acesse o link https://qualidadeonline.files.wordpress.com/2014/08/consulta-pc3bablica-da-nr-01-gsst.doc

congresso

Ergonomia: muito além do mobiliário

NORMAS COMENTADAS

NBR 14039 – COMENTADA
de 05/2005

Instalações elétricas de média tensão de 1,0 kV a 36,2 kV. Possui 140 páginas de comentários…

Nr. de Páginas: 87

NBR 5410 – COMENTADA
de 09/2004

Instalações elétricas de baixa tensão – Versão comentada.

Nr. de Páginas: 209

NBR ISO 9001 – COMENTADA
de 11/2008

Sistemas de gestão da qualidade – Requisitos. Versão comentada.

Nr. de Páginas: 28

ergonomiaAmbiente de trabalho precisa oferecer atmosfera saudável aos colaboradores

Com um conceito bem mais abrangente do que muita gente visualiza, a ergonomia visa proporcionar o máximo de conforto, segurança e desempenho eficiente aos colaboradores. Para ser considerado ergonômico não basta apenas um mobiliário adequado, é preciso que o ambiente de trabalho esteja totalmente adaptado às características psicológicas e também fisiológicas dos trabalhadores. Por esse motivo, questões como materiais, ruído, iluminação, vibrações, ambiente térmico, duração da tarefa, horários das pausas, modelo de treinamento e aprendizagem, são parâmetros levados em conta na análise de risco ergonômico.

No Brasil, a NR 17 é a norma reguladora que abrange todas as questões relacionadas ao tema. Segundo ela, cabe ao empregador oferecer aos seus colaboradores, no mínimo, as condições de trabalho estabelecidas na legislação. “Todas as empresas, independente do porte e das atividades exercidas, precisam estar em conformidade com a NR 17. Quando pensamos em ergonomia, devemos considerar tudo o que sobrecarrega o corpo humano. O mercado de trabalho precisa se adequar para oferecer condições saudáveis para seus colaboradores”, explica Janaína Abou-Rejale, fisioterapeuta do trabalho e ergonomista do Imtep Saúde Empresarial..

O descumprimento das exigências da NR 17 pode ocasionar em multas e processos trabalhistas. Os órgãos públicos, como a Vigilância Sanitária e o Ministério do Trabalho, são responsáveis por fiscalizar e solicitar, quando necessário, a análise ergonômica do ambiente de trabalho. “Muitas vezes vemos que as empresas dispõem de todos os materiais necessários para o atendimento da norma, como os apoios para pés, tão populares nos escritórios.

Porém os próprios colaboradores por desconhecimento ou desinteresse utilizam o mobiliário de forma incorreta. É preciso que os profissionais levem a sério as orientações, que zelem por sua saúde e que busquem refletir sobre as consequências que essas negligências podem trazer a curto e longo prazo”, explica a ergonomista. Uma gestão do capital humano voltada para a conscientização e prevenção pode auxiliar no aumento da adesão as medidas de confortabilidade.

Entre as vantagens de um ambiente ergonomicamente confortável estão a otimização do desempenho profissional, a diminuição da ocorrência de doenças ocupacionais, redução de ações trabalhistas, do estresse ocupacional, das faltas e a conformidade com a legislação trabalhista. “Existem várias soluções simples e econômicas que podem transformar o local de trabalho em um ambiente adequado. O ideal é sempre buscar a orientação de um especialista”, finaliza.

 

No escritório: Na indústria: Dicas:
  • Sempre que o trabalho puder ser executado na posição sentada, o posto de trabalho deve ser planejado ou adaptado para esta posição.
  • Bancadas, mesas, escrivaninhas e os painéis devem proporcionar ao trabalhador condições de boa postura, visualização e operação.
  • Os assentos utilizados nos postos de trabalho devem possuir altura ajustável à estatura do trabalhador e à natureza da função exercida.
  • Nas atividades que exijam sobrecarga muscular estática ou dinâmica do pescoço, ombros, dorso e membros devem ser incluídas pausas para descanso.
  • Não deverá ser exigido nem admitido o transporte manual de cargas, por um trabalhador cujo peso seja suscetível de comprometer sua saúde ou sua segurança.
  • Para as atividades em que os trabalhos são realizados em pé, devem ser colocados assentos para descanso em locais de circulação dos trabalhadores durante as pausas.
  • Educar e orientar os colaboradores em relação a boa postura com cartazes educativos e instruções constantes.
  • Substituir sacas pesadas por sacas mais leves.
  • Implantar pausas para recuperação da fadiga.
  • Treinar os colaboradores em diversas tarefas, o que permite um trabalho em sistema de rodízio.
  • Baseado na altura do colaborador, regular a altura do monitor de vídeo e da bancada de trabalho.
  • Evitar horas extras.
  • Ter profissionais suficientes para suprir as faltas e épocas de grande produção.

 

Trabalho: fisioterapeuta alerta sobre o adoecimento a longo prazo

TRAGÉDIAS, CRIMES E PRÁTICAS INFRATIVAS DECORRENTES DA NÃO OBSERVÂNCIA DE NORMAS TÉCNICAS BRASILEIRAS – NBR

R$ 63,90

Capa da publicação E1324
Essa publicação aborda, através da apresentação de casos reais, como o cumprimento de normas técnicas NBR – ABNT está diretamente ligado à segurança, à saúde e à qualidade de vida em nosso dia a dia. O autor explica de forma prática, e infelizmente mostrando tragédias, como as normas técnicas estão presentes no nosso cotidiano. Elas devem ser levadas a sério quanto à sua observância obrigatória e o poder público precisa fazer gestão para fomentar esse cumprimento por parte da sociedade produtiva e de serviço. Mais informações: https://www.target.com.br/livros/target/livro_2013.aspx

Falta de prevenção de lesões pode ocasionar degenerações e até incapacitações, nos casos mais graves

As dorsalgias (doenças nas costas) e as Doenças Osteomusculares Relacionadas ao Trabalho (DORT) são as principais responsáveis por afastamentos do trabalho atualmente, sobretudo, na administração pública. Em 2012, o Brasil registrou 705 mil acidentes de trabalho, sendo 15 mil relacionados às doenças ocupacionais, segundo a Previdência Social. No mesmo período, foram emitidos 840 mil benefícios acidentários (aposentadoria por invalidez, pensão por morte, auxílio-doença e auxílio-acidente), que resultou em mais de 8 bilhões aos cofres públicos. A fisioterapeuta Angela Lepesqueur, diretora do Instituto da Coluna Vertebral (ITC Vertebral) de Brasília e representante da Associação Brasileira de Reabilitação da Coluna (ABR Coluna) no Distrito Federal, especialista em coluna vertebral, defende mais conscientização e maior empenho dos poderes público e privado na prevenção de acidentes e doenças ocupacionais.

Dentre os 50 códigos de CID com maior incidência nos acidentes de trabalho, segundo dados de 2012, a dorsalgia ocupa o terceiro lugar com 5,02% do total de acidentes, atrás do ferimento do punho e da mão (9,84%) e fratura ao nível do punho ou da mão (6,99%). Nas doenças ocupacionais, os CIDs mais incidentes são lesões no ombro (21,08%), sinovite (13,85%), tenossinovite (6,93%) e dorsalgia. As principais consequências dos acidentes de trabalho foram incapacidades temporárias com menos e mais de 15 dias, com participações que atingiram 43,5% e 39,1% do total, respectivamente. Só em 2013, as LER/DORT provocaram 2.191 afastamentos em decorrência de danos ao sistema osteomuscular e tecido conjuntivo.

Angela Lepesqueur explica que os tipos mais comuns de doenças laborais são tendinites, sinovites e compressões de nervos periféricos. Ela alerta que sobrecargas das estruturas musculoesqueléticas causadas por posturas mantidas por longos períodos de tempo e/ou esforços excessivos das estruturas podem gerar incapacitações e degenerações nos casos mais graves. “Todas as vezes que mantemos posturas por mais de 50 minutos a 1 hora, devemos ficar atentos, pois pode ocorrer deformidades nas fibras musculares que geram processos compensatórios nas articulações e estes processos podem levar a degenerações. Outro ponto alarmante é a presença de dores relacionadas aos esforços ou as posturas prolongadas.”, comenta.

Ela recomenda a procura de profissionais da saúde desde os primeiros sintomas das doenças, como dores, inchaços, contraturas musculares e processos inflamatórios. “Nosso organismo vai se defendendo da maneira como pode, gerando compensações, mecanismos de proteção, etc. até que um dia o corpo não consegue mais compensar e o problema fica mais grave. Neste ponto normalmente ocorre o aparecimento de dores mais contínuas e com maior intensidade, e ocorre a perda da função. Somente neste ponto é que a maioria das pessoas que procuram ajuda e, infelizmente, nem sempre a ajuda é eficaz.”

Pesquisa recente da Previdência Social aponta que as dorsalgias foram as principais causadoras dos mais de 2,7 milhões de afastamentos acidentários entre 2000 e 20011. Motivadas por fatores de riscos ergonômicos (como má postura e esforços repetitivos) e sobrecarga mental, as dorsalgias e os distúrbios osteomusculares superaram os casos traumáticos em número de afastamentos. “Enquanto as primeiras, responsáveis pelos afastamentos por doenças do trabalho, alcançaram peso de 20,76% de todos os afastamentos, aquelas do grupo traumático, responsáveis pelos acidentes típicos, representaram 19,43% do total. Juntas elas respondem por 40,25% de todo o universo previdenciário.”, afirma o estudo.

De acordo dados de 2013 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), 2,02 milhões de pessoas morrem a cada ano devido a enfermidades relacionadas com o trabalho; 321 mil por consequência de acidentes no trabalho; 160 milhões sofrem de doenças não letais relacionadas com o trabalho. Também aponta que 317 milhões de acidentes laborais nãos mortais ocorrem a cada ano. A cada 15 segundos, um trabalhador morre de acidente ou doença relacionada ao trabalho; e a cada 15 segundos, 115 trabalhadores sofrem um acidente laboral. Segundo estes dados, o Brasil ocupa o quarto colocado no ranking mundial de acidentes fatais de trabalho.

Segundo Angela Lepesqueur, medidas simples como adoção de mobiliários ergonômicos, alternância de posturas e práticas de exercícios ocupacionais podem fazer grande diferença para trabalhadores, empresários, sociedade (contribuintes do INSS) e governo. “A nossa sociedade infelizmente não possui a mentalidade preventiva, pois na maioria das vezes, não temos uma visão de longo prazo da longevidade dos nossos trabalhadores. O sistema econômico que vivemos não favorece um tempo de trabalho muito longo para os funcionários, com exceção dos cargos em que há maior estabilidade, como os empregos públicos. Temos que conscientizar tanto o governo quanto a iniciativa privada de que é muito mais barato prevenir lesões do que tratá-las, fora a questão moral que envolve o assunto.”, opina.

O controle das pragas urbanas precisa ser feito de acordo com as normas técnicas

pragasAtualmente, os insetos e animais estão invadindo o ambiente urbano e provocando danos à saúde humana podendo picar, morder, danificar alimentos e objetos. São, também, considerados vetores quando transmitem uma determinada doença ao homem, como, por exemplo, o rato que transmite a leptospirose e o mosquito que transmite a dengue.

Normalmente as pragas geram seus filhotes no inverno e se propagam no verão, época em que as baratas, ratos, mosquitos, moscas, cupins, pombos, formigas e outros são mais vistos. Com a chegada do verão as pragas urbanas começam a se proliferar, pois é na alta temperatura que elas aparecem.

As pragas migram para as zonas urbanas buscando alimentação e abrigo, o que é proporcionado pelo próprio homem, quando esses mantêm ambientes sujos e quando depositam lixo em locais inadequados. Dentre as principais espécies encontradas em áreas urbanas destaca-se as baratas, os pombos, as formigas e os roedores.

As baratas, com aproximadamente 4.000 diferentes espécies, se proliferam com grande facilidade e podem viver até três anos, além de provocar intoxicação alimentar, infecções, diarréia e contaminações. Os pombos vivem em grupos, mas quando esse toma grandes proporções as aves passam a disputar território. Além de estarem presentes em toda a cidade, transmitem inúmeras doenças ao homem. As formigas, que formam inúmeras colônias numa pequena área, podem provocar infecções e doenças, pois são vetores de micróbios. Ratos, ratazanas e camundongos adaptaram-se muito bem à maneira de viver do homem, tornando- se uma praga de grande relevância. Atualmente os ratos e suas pulgas espalham diversos tipos de doenças como: tifo, febre da mordida, leptospirose, hantavírus, triquinose, salmonelose e outras.

Para prevenir o deslocamento de pragas para as áreas urbanas algumas ações são necessárias, como: não amontoar lixo ou materiais em desuso, manter alimentos em locais fechados, vistoriar depósitos e locais onde alimentos são armazenados periodicamente, mantendo o local sempre limpo. Ao detectar a presença de qualquer espécie é importante acionar uma equipe especializada em controlar pragas e vetores para que o local seja inspecionado e, após a inspeção, seja realizada a erradicação de tais espécies.

A NBR 15584, sob o título geral “Controle de vetores e pragas urbanas”, contém as seguintes partes: Parte 1: Terminologia; Parte 2: Manejo integrado; Parte 3: Sistema de gestão da qualidade – Requisitos particulares para aplicação da ABNT NBR ISO 9001:2000 para empresas controladoras de pragas. A parte 2 estabelece princípios para o manejo de vetores e pragas urbanas, que ofereçam riscos e danos à saúde humana e animal, bem como prejuízos ambientais e econômicos.

Aplica-se à atuação das empresas controladoras de praga (ECP) nos diversos ambientes, tais como indústrias em geral, instalações de produção, manipulação, armazenagem, transportes e distribuição, comercialização de alimentos, produtos farmacêuticos e cosméticos para saúde humana e animal, fornecedores de matéria prima, áreas hospitalares, clínicas, clubes, escolas, hotéis, shopping centers, residências e condomínios residenciais e comerciais, veículos de transporte coletivo, aeroportos, portos, locais de entretenimento e órgãos públicos e privados, entre outros.

O manejo integrado de vetores e pragas urbanas envolve um conjunto de ações a serem implementadas, visando impedir que vetores e pragas sinantrópicas se instalem e reproduzam no ambiente, através da adoção de medidas preventivas e corretivas, utilizando-se o máximo de competência técnica, bem como a correta aplicação de desinfestantes domissanitários. A inspeção do ambiente para identificação do problema e das pragas é indispensável.

As decisões são baseadas nas informações coletadas em cada caso, com as partes envolvidas, com as quais se devem ter uma boa e constante comunicação para se alcançar o êxito geral do programa, visando a proteção da saúde humana e a preservação do meio ambiente. A solução para controlar a ação dos vetores e pragas nos ambientes exige integração dos métodos possíveis de serem executados, sistema de monitoramento eficiente, associados às medidas preventivas e corretivas, controle químico e/ou biológico, evitando perdas econômicas e mantendo a qualidade para comercialização e consumo dos produtos, bem como o ambiente saudável.

O controle químico e/ou biológico, a partir da utilização de desinfestantes domissanitários. visa controlar vetores e pragas. atuando como importante coadjuvante. Todas essas medidas consistem no manejo integrado de vetores e pragas urbanas.

Um programa de manejo integrado de vetores e pragas em ambientes urbanos pode ser dividido em duas etapas distintas: planejamento e execução. O planejamento refere-se a todas as atividades envolvidas previamente a qualquer ato de controle. Para esta etapa é fundamental ampla integração entre as partes envolvidas, tanto entre os responsáveis pela execução futura, como aqueles que, embora venham a receber a referida prestação de serviço, contribuem nos resultados a serem alcançados.

A inspeção do local envolve a avaliação do local, incluindo a de estruturas edificadas, seu entorno e de pontos propicias para o acesso, desenvolvimento e instalação de vetores e pragas, identificação dos fluxos de entrada e salda de veículos, equipamentos, pessoas, animais, materiais, resíduos sólidos e afluentes. A identificação das espécies existentes e potenciais deve ser feita a partir da inspeção do local, através dos vestígios ou espécimes encontrados e de histórico relatado pelo contratante. Tais informações servem como indicativo para identificar o potencial de se tornarem pragas frente às condições ambientais.

A determinação de objetivos deve ser realizada dentro do conceito de nível de dano, seja à saúde, ao ambiente ou econômico, deve-se nesse momento estabelecer objetivos, metas e práticas a serem seguidas na execução. Quanto à execução, compreende as medidas preventivas e curativas desenvolvidas em conformidade com os objetivos previamente estabelecidos na inspeção do local. Compreende as práticas higiênico-sanitárias e adequação de estruturas utilizando barreiras físicas, visando redução e exclusão de pontos falhos, reduzindo/impedindo o acesso de vetores e pragas oriundos de ambientes externos ou existentes no ambiente interno. Esse conjunto de medidas tem como finalidade a proteção do local.

Quando as medidas preventivas forem insuficientes para atingir os objetivos traçados, métodos de controle devem ser empregados. Utilizando os dados obtidos durante a inspeção do local e de suas atividades, estabelecer qual técnica de controle pode ser implementada, podendo essa ser física, biológica, química ou a combinação dessas. As ações executadas devem ter os seus resultados monitorados constantemente, visando determinar seu nível de eficácia, ajustes ou mudanças estratégicas. A frequência do monitoramento é variável conforme os objetivos estabelecidos.

Os dados do monitoramento devem ser compilados de forma a organizar um histórico do local manejado, propiciando condições de análises de sazonalidade e rastreabilidade de ocorrências, facilitando assim os ajustes para objetivos futuros. É parte fundamental do conceito de manejo integrado valorizar a informação contemplando a proteção ao operador, ao contratante e á sustentabilidade ambiental.

Já a parte 3 visa compatibilizar os requisitos da NBR ISO 9001 com os requisitos específicos aplicáveis às ECP. Esta norma especifica requisitos para um sistema de gestão da qualidade de uma ECP, que podem ser usados para aplicação interna, para certificação ou para fins contratuais e que, uma vez atendidos, demonstram que a ECP possui um sistema de gestão da qualidade adequado ao fornecimento de serviços que atendam aos requisitos dos clientes, bem como aos requisitos regulamentares aplicáveis.

A norma promove a adoção de uma abordagem de processo para o desenvolvimento, implementação e melhoria da eficácia de um sistema de gestão da qualidade para aumentar a satisfação do cliente pelo atendimento aos seus requisitos. Para uma organização funcionar de maneira eficaz, ela tem que identificar e gerenciar diversas atividades interligadas. Uma atividade que usa recursos e que é gerenciada de forma a possibilitar transformação de entradas em saídas pode ser considerada um processo.

Frequentemente a saída de um processo é a entrada para o processo seguinte. A aplicação de um sistema de processos em uma organização, junto com a identificação, interações desses processos e sua gestão, pode ser considerada como a abordagem de processo.

Uma vantagem da abordagem de processo é o controle contínuo que ela permite sobre a ligação entre os processos individuais dentro do sistema de processos, bem como sua combinação e interação. Quando usado em um sistema de gestão da qualidade, esta abordagem enfatiza a importância de entendimento e atendimento dos requisitos; a necessidade de considerar os processos em termos de valor agregado; a obtenção de resultados de desempenho e eficácia de processo; e melhoria contínua de processos baseada em medições objetivas.

Cremes protetores são considerados Equipamentos de Proteção Individual (EPI)

cremeA pele humana tem diversas funções: tato, regulação térmica, proteção do corpo contra ataques mecânicos, físicos, químicos e biológicos. É formada por três camadas: epiderme, derme e hipoderme. Por estar em contato direto com o meio externo, está sujeita a sofrer todos os tipos de agressões: sol, contaminantes diversos, bactérias, insetos, entre tantas outras exposições.

Para garantir que a pele esteja protegida contra as exposições no ambiente de trabalho, é necessário a utilização correta nesse caso em específico, dos cremes ocupacionais. Existe uma grande variedade de cremes ocupacionais no mercado: protetor solar, repelentes, cremes para proteção contra químicos, entre outros. Para a escolha adequada do creme ocupacional é necessário saber o agente de exposição.

Dessa forma, os cremes para proteção da pele são produzidos com alguma substância que se aplica antes do trabalho para proteger a pele, formando uma espécie de barreira protetora entre a pele e os agentes agressores. E quando utilizar os cremes protetores da pele? Água: o contato prolongado com a água deixa a pele suscetível a rachaduras; substâncias oleosas: estes contaminantes possuem agentes irritantes e sensibilizantes podendo trazer riscos de alergias; solventes: removem a camada de gordura da pele, deixando-a suscetível a irritações; micro-organismos: presença de fungos e bactérias causam dermatoses, ou ainda um fator desencadeante de diversas doenças; sol (radiação UV): a ação dos raios ultravioletas pode ser percebida em alguma horas, ou ainda ter efeitos a longo prazo, como o câncer de pele.

Os cremes de proteção são fabricados em algumas classes: Grupo 1- água- resistentes: são aqueles que, quando aplicados à pele do usuário, não são facilmente removidos com água; Grupo 2- óleo- resistentes: são aqueles que, quando aplicados à pele do usuário, não são facilmente removíveis na presença de óleo; e Grupo 3- cremes especiais: são aqueles com indicações de uso definidos, especificados pelo fabricante.

Assim, substâncias como solventes (thinner, gasolina, querosene, xileno, tolueno, acetona e outros), óleos minerais e vegetais, tintas, resinas, ácidos, álcalis (cimento, cal, ácidos clorídrico, sulfúrico, nítrico), metais (cobalto, níquel, cromo), são irritantes da pele e, alguns, alérgenos, provocando dermatites de contato que vão desde o ressecamento até uma cronificação irreversível, incapacitando o trabalhador. Há também as dermatites provocadas por agentes físicos, como as radiações UVA e UVB, e agentes biológicos, como as bactérias, fungos, picadas de insetos.

Lembrando, ainda, que agentes químicos e biológicos são absorvidos pela pele, passando para a corrente sanguínea. As dermatites de contato dos trabalhadores, ou dermatoses ocupacionais, são a doença ocupacional que acomete grande número de trabalhadores no Brasil, principalmente nas áreas da construção civil, limpeza, mecânica e metalurgia.

No Brasil, os cremes protetores já eram utilizados por empresas multinacionais desde a década de 1960, entretanto a maioria das empresas brasileiras só passou a implantar o creme protetor depois que ele foi incluído no inciso II do item 6.3 da NR 6 entre os EPIs destinados a proteção dos membros superiores, por meio da Portaria nº 3 de 20/02/1992. Com o uso difundido do creme protetor, principalmente nas regiões Sul e Sudeste, uso que não se limitava à proteção dos membros superiores, mas de todas as partes do corpo que entram em contato com o agente químico, como rosto, tórax, pernas e pés. A NBR 16276 de 03/2014 – Cremes protetores de segurança contra agentes químicos – Requisitos e métodos de ensaio estabelece os requisitos, métodos de ensaio para cremes protetores de segurança contra agentes químicos.

A pele tem diversas funções: tato, regulação térmica, proteção do corpo contra ataques mecânicos, físicos, químicos e biológicos. É formada por três camadas: epiderme, derme e hipoderme. Por estar em contato direto com o meio externo, está sujeita a sofrer todos os tipos de agressões: sol, contaminantes diversos, bactérias, insetos, entre tantas outras exposições.

Para garantir que a pele esteja protegida contra as exposições no ambiente de trabalho, é necessário a utilização correta nesse caso em específico, dos cremes ocupacionais. Existe uma grande variedade de cremes ocupacionais no mercado: protetor solar, repelentes, cremes para proteção contra químicos, entre outros. Para a escolha adequada do creme ocupacional é necessário saber o agente de exposição. Segundo a norma, o creme protetor é um equipamento de proteção individual (EPI) destinado à proteção da pele do trabalhador contra agentes químicos externos predefinidos. O creme protetor é classificado de acordo com os critérios da Agência Nacional de Vigilância Sanitária como produto Cosmético com registro Grau 2.

Os cremes protetores devem se enquadrar na categoria cosmético grau de risco 2: “Creme para as mãos com ação antisséptica, com ação fotoprotetora, com indicação de ação protetora individual para o trabalho como equipamento de proteção individual (EPI) e/ou com outras finalidades, além de hidratação e/ou refrescância”. A Anvisa é a responsável pelo registro dos cremes protetores como “Cosmético Grau 2”. Os cremes protetores devem ser desenvolvidos de forma que: nas condições de utilização previsíveis para as quais se destinam, o usuário possa desenvolver a atividade que lhe expõe a riscos, dispondo de uma barreira protetora adequada; nas condições de uso promovam a proteção da pele do usuário, desde que utilizados conforme a orientação do texto de rotulagem; não gerem efeitos colaterais, desde que o produto adquirido atenda à finalidade a que se destina; e seja observado o princípio da vinculação à rotulagem, ou seja, a finalidade do produto deve ser descrita no rótulo, e somente podem constar as aplicações comprovadas através dos ensaios de barreira.

Os materiais empregados para a fabricação dos cremes protetores devem ser controlados com relação aos seus lotes de produção para permitir rastreabilidade. Recomenda-se que o fabricante dos cremes protetores tenha a certificação do seu sistema de gestão da qualidade e que este esteja implantado e seja eficaz para a manutenção de seus processos internos. Durante a fabricação dos cremes protetores, convém que ensaios de rotina devem ser realizados em 100 % dos lotes: análise físico-química; e ensaio microbiológico. O texto de marcação deve estar escrito em português, de forma legível e indelével, por método apropriado, na embalagem do creme protetor. Além disso, a marcação deve conter as seguintes informações: identificação do nome do fabricante, do fornecedor e da marca comercial; identificação clara do nome do produto; número do lote da produção do fabricante, data de fabricação e data de validade; e número desta norma.

Os cremes protetores devem ser fornecidos em embalagens individuais que atendam o seguinte: os cremes protetores devem ser embalados de forma que suas características e níveis de proteção, em função da utilização adequada, não sofram alterações no decurso do armazenamento, do uso e do transporte; e o diâmetro da embalagem para vazão do creme protetor deve ser igual ou inferior a 20 mm. Os cremes protetores devem atender aos requisitos da Tabelas 1 e 2.

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Importante é que as instruções fornecidas pelo fabricante devem estar escritas em português, na embalagem individual do produto, de forma indelével. Devem ser incluídas orientações sobre o seguinte: a forma de aplicar o produto sobre a pele; os cuidados a serem tomados em regiões do corpo que não podem receber o produto; o tempo de ação do produto em condições normais de uso; a forma de remover o produto; e os cuidados no manuseio e armazenamento do produto.

Manual de controle médico ocupacional da exposição a substâncias químicas

Segurança em Instalações e Serviços com Eletricidade de Acordo com a NR 10 – Básico – A partir de 3 x R$ 554,02 (56% de desconto)

Armazenamento de Líquidos Inflamáveis e Combustíveis de acordo com a Revisão da Norma ABNT NBR 17505 – A partir de 3 x R$ 257,81 (56% de desconto)

Interpretação e Aplicações da Norma Regulamentadora Nº 13 (NR-13) do MTE (Inspeção de Segurança de Caldeiras e Vasos de Pressão) – A partir de 3 x R$ 257,81 (56% de desconto)

Instalações Elétricas em Atmosferas Explosivas – A partir de 3 x R$ 257,81 (56% de desconto)

capa_manualA Fundacentro disponibilizou para downlad o Manual de orientação sobre controle médico ocupacional da exposição a substâncias químicas, uma obra considerada de grande importância aos profissionais que atuam na elaboração do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO). De autoria do médico toxicologista e pesquisador da Fundacentro, José Tarcísio Penteado Buschinelli, que também é professor do Curso de Pós Graduação da entidade, a obra mostra como a má interpretação na dosagem das substâncias químicas pode ser desastrosa ao trabalhador. A má interpretação de indicadores biológicos pode levar trabalhadores saudáveis ao afastamento do trabalho e vice-versa.

Os profissionais devem fazer o controle médico recomendado pela NR 7, mas no entanto, não há critérios para medir a exposição dos trabalhadores. Para Tarcísio, este Manual vem em um momento oportuno para auxiliar os médicos da iniciativa privada e de instituições governamentais a não cometerem erros e conscientizá-los na elaboração desses indicadores. Tarcísio reforça ainda que é muito comum no Brasil se fazer dosagem de substâncias químicas sem que haja um indicador.

O médico ressalta que a elaboração do Manual não se deu somente pelo teor técnico, mas também pelo didático. Em cada capítulo abordado, há palavras de advertência como forma de chamar a atenção do leitor para melhor assimilação do assunto em questão. Outro capítulo que merece atenção é o Apêndice. Nele, o autor reuniu em tabelas, os indicadores biológicos estabelecidos por instituições internacionais que mostram análises coletadas de urina e sangue divididos de acordo com o agente, indicador, coleta e índice de exposição biológica. Idealizado tecnicamente por Tarcísio Buschinelli, o Manual contou com a participação de Eduardo Mello De Capitani, que contribuiu nos aspectos científicos da toxicologia, Marco Antônio Bussacos, na área de Estatística, Mário Parreiras de Faria, Médico e Auditor Fiscal do MTE na área de fiscalização do trabalho e Ricardo Luiz Lorenzi, na redação e compreensão do texto.

Segundo a publicação, os exames ocupacionais podem ser classificados de acordo com seus objetivos, os quais devem estar claros para o médico antes da sua realização. O que define o objetivo do exame é qual decisão deve ser tomada a partir do de seu resultado. Entre as principais decisões, estão: os agentes agressivos do ambiente de trabalho estão em níveis aceitáveis ou poderão causar, ou já estão causando, algum agravo à saúde dos trabalhadores?; o trabalhador está apto ou inapto para a função que exerce? Tem alguma restrição?; necessita tratamento/acompanhamento especial de sua saúde? Se o exame não esclarece nenhum desses itens, deve-se questionar se há sentido realizá-lo.

O Comitê Misto CCE/NIOSH/OSHA apresentou, em 1980, algumas definições clássicas: monitoramento: atividade sistemática, contínua ou repetitiva, planejada para implementar, se necessário, medidas corretivas relacionadas à saúde; monitoramento do ambiente: consiste na avaliação de agentes no ambiente de trabalho para quantificar a exposição dos trabalhadores e avaliar o risco à saúde, comparando os resultados com referências apropriadas; Monitoramento Biológico (MB) que consiste na avaliação de agentes químicos ou seus metabólitos em tecidos, secreções, excreções, ar exalado ou qualquer combinação destes para avaliar o risco à saúde quando comparado com referências apropriadas; e vigilância à saúde: consiste no exame médico periódico de trabalhadores expostos com o objetivo de proteger a saúde e prevenir o aparecimento de doenças relacionadas com o trabalho. As definições mostram que a proteção dos trabalhadores expostos a agentes químicos não é apenas uma tarefa médica, mas envolve uma série de atividades que devem ser realizadas de forma a articular a avaliação ambiental e a avaliação da saúde. Uma parcela da responsabilidade é do médico, e este deve realizar suas atividades com todo o cuidado.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) considera como principal objetivo dos exames médicos ocupacionais a avaliação da efetividade das medidas de controle do ambiente de trabalho. Além do escopo principal, complementa com outros objetivos: detecção de anormalidades clínicas ou pré-clínicas em um momento em que uma intervenção é benéfica à saúde dos indivíduos; prevenção de futura deterioração da saúde dos trabalhadores; reforço do aconselhamento referente aos métodos de trabalho seguros e de manutenção da saúde; avaliação da aptidão para um determinado tipo de trabalho, sendo a preocupação presente a adaptação do local de trabalho para o trabalhador.

A OIT ainda reforça o objetivo principal da avaliação médica ocupacional quando afirma que: a investigação da origem e causas subjacentes dos incidentes, lesões e enfermidades deveria permitir a identificação de qualquer deficiência em um sistema de gestão de Saúde e Segurança no Trabalho (SST) e estar documentada [...] as medidas corretivas resultantes das investigações deveriam aplicar-se com o fim de evitar que se repitam os casos de lesão, enfermidades ou incidentes relacionados ao trabalho. O monitoramento da saúde dos trabalhadores expostos a agentes químicos tem duas vertentes principais: a vigilância à saúde e o MB da exposição.

Como espantar o estresse e garantir a saúde no trabalho

SOLUÇÕES PARA A GESTÃO DE ACERVOS

Controlar e manter o seu acervo de normas técnicas e de documentos internos e externos sempre atualizados e disponíveis para compartilhamento entre todos os usuários é hoje um grande desafio em diversas organizações por envolver a dedicação e o esforço de vários profissionais. As Normas de Sistemas da Qualidade – série ISO 9000, são rigorosas quanto aos critérios de controle, atualização e disponibilização de documentos corporativos aos seus usuários. Tanto os documentos de origem interna como externa, devem ser controlados para evitar a utilização de informações não-válidas e/ou obsoletas, cujo uso pode trazer sérios problemas aos sistemas, produtos e negócios da empresa. É por isso que a Target Engenharia e Consultoria desenvolveu Sistemas que gerenciam e controlam estes documentos de forma rápida, ágil e segura, facilitando o acesso à informação e ajudando os seus clientes a garantirem suas certificações.

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O Target GEDWeb – Gerenciador Eletrônico de Documentos via Web da Target – é o único Portal Corporativo no mercado que possibilita o gerenciamento de grandes acervos…

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O Dia Mundial da Saúde, comemorado em 7 de abril, alerta para várias questões que muitas vezes são deixadas de lado: e uma delas é o estresse causado no trabalho. O trabalhador, além de ter os exames médicos em dia, precisa tomar cuidado com pequenas atitudes para não ser consumido pelo estresse do cotidiano – e, consequentemente, deixar que isso abale a sua saúde. O trabalho pode abalar a paciência e a calma das pessoas, porém, para lidar com essas questões do dia-a-dia da melhor forma e manter a saúde intacta, existem algumas regrinhas básicas que podem ser seguidas.

Madalena Feliciano, diretora de projetos da empresa Outliers Careers, explica que as pessoas não devem se sentir em uma prisão enquanto estão no trabalho. “Com esperteza, responsabilidade e mantendo um bom ritmo, é possível fazer com que o bem-estar seja preservado, sem que a sua vida pessoal seja prejudicada – assim como o seu rendimento profissional”, comenta. Para isso, ela oferece algumas dicas.

“Entre no ritmo: logo cedo, escolha sua trilha sonora e garanta o bom humor para o dia. A música tem o poder de transformar os sentimentos, por pior que seja o seu dia. Ouvir uma música de que você gosta pode ajudar a aumentar o foco e a concentração no trabalho, e, além disso, deixa o clima mais leve”, exalta Madalena.

Reserve uns cinco minutos para você levantar e se alongar, sempre que puder – e aproveite o quanto puder para ficar descalço e caminhar por alguns minutos. Confira se a sua cadeira está na posição correta antes de começar a trabalhar – a melhor postura é com os joelhos formando um ângulo de 90 graus e os pés inteiros apoiados no chão. Os braços e ombros devem ficar relaxados quando você usa o teclado. “Com o passar das horas, policie-se para manter as costas retas e o corpo virado para a frente. Evite sentar sobre uma das pernas, pois isso reduz a circulação e pode chegar a dar dores”, explica.

Porém, lembre-se que além do corpo, os olhos também precisam de descanso durante o dia de trabalho. Para evitar maiores problemas, o ideal é que a tela do computador fique na altura do olhar e que os funcionários façam uma pausa de cinco minutos de hora em hora.

Tenha sempre no escritório alguns lanches saudáveis para não ficar com muita fome entre as refeições principais – e, ao mesmo tempo, não precisar interromper o trabalho ou sair da dieta. Frutas, barrinhas de cereais, iogurte e sanduíches naturais são boas pedidas. Ainda sobre a alimentação, o ideal é não comer nada muito “pesado” no almoço, para evitar o sono – e a consequente queda de produção. “A refeição na hora do almoço deve ser leve e completa. Evite alimentos gordurosos e, para sobremesa, a fruta é sempre uma boa escolha, mas o chocolate não é ‘proibido’ – as melhores opções são o meio amargo ou o amargo” ressalta Madalena.

Outra dica é não exagerar no café – você pode substituí-lo pelo chá verde. “O chá, além de cafeína, contém L-teanina, substância que melhora as funções cognitivas e diminui o stress. Três xícaras por dia é a dose ideal”, fala.

Quando, mesmo assim, o estresse ou as dores de cabeça tomarem conta, não se desespere ou perca o controle. Para as dores de cabeça faça uma automassagem, e, para o autocontrole, encontre uma medida mais inteligente: alguns meditam, outros se isolam por alguns minutos, outros respiram profundamente com calma e mudam o foco da tensão, outros tiram cinco minutos para um café, outros chamam algum amigo para conversar. “Passados esses minutos, o problema provavelmente vai parecer menor – e você, de cabeça menos quente, encontrará mais fácil uma solução para ele”.

E, muito importante: entenda que você pode ser produtivo e comprometido com o seu trabalho sem precisar ignorar o mundo lá fora. “Distrair-se é preciso. Entrar no Facebook por alguns instantes ou ler alguma matéria interessante, por exemplo, não irá afetar o seu desempenho. Só é preciso ter bom senso e não deixar o trabalho em segundo plano.

Parar alguns minutos de manhã e à tarde ajudam a tornar o trabalho menos estressante”, comenta Madalena, que sugere que as pessoas reservem cerca de 15 minutos para cuidarem da sua vida pessoal no começo da manhã e no fim da tarde, por exemplo. “Mas organize-se: se você não controlar o tempo, o estresse depois pode ser maior devido a pendências e cobranças”, conclui.

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A manutenção dos sistemas de refrigeração, condicionamento de ar, ventilação e aquecimento

A NBR 13971 estabelece orientações básicas para as atividades e serviços necessários na manutenção de conjuntos e componentes, em sistemas e equipamentos de refrigeração, condicionamento de ar, ventilação e aquecimento

air-conditioning-unitAtualmente, o edifícios se tornaram cada vez mais fechados e grau de automatização interna também aumentou. A dependência de controles computadorizados, sistemas forçados de ventilação, sistemas de ar condicionado, dentre outros, foi crescendo. Sistemas de ventilação tornaram-se mais sofisticados. Reduções nos gastos de energia foram possíveis pelo emprego de computadores para variar as quantidades de ar introduzidas no edifício, baseadas unicamente em requisitos de carga térmica nos espaços ocupados.

O único critério utilizado, no que diz respeito ao ar interior, foi a temperatura e a umidade. Outros parâmetros envolvendo a qualidade do ar utilizado dentro dos edifícios foram ignorados. Se, por um lado, houve uma preocupação crescente com a economia de energia, por outro, a qualidade do ar interno foi deixada de lado. Controles e avanços nos sistemas automatizados causaram uma redução dramática nas perdas de energia nos últimos 30 anos e as taxas de infiltração de ar caíram.

O resultado de tudo isso foi que as concentrações médias dos vários poluentes no ar interno aumentaram substancialmente. Registros externos de entrada de ar eram dispostos de modo a permitir um mínimo de captação de ar, ou mesmo eram fechados para diminuir os gastos com refrigeração.

Hoje já se sabe que uma série de poluentes – dentre eles, monóxido de carbono, dióxido de carbono, amônia, óxido de enxofre e nitrogênio – é produzida dentro do edifício por materiais de construção baseados em solventes orgânicos, por materiais de limpeza, mofo, bolor, metabolismo humano e também pelas próprias atividades do homem, como cozinhar ou lavar e secar roupas. Tais poluentes comprometem a saúde e o rendimento do trabalho dos usuários.

Alguns edifícios já estão sendo chamados de doentes, devido à péssima qualidade do ar em seus recintos. Isso levou a um estado doentio transitório dos usuários, já que os sintomas normalmente desaparecem quando as pessoas afetadas deixam o edifício. Sua origem está relacionada ao fato de que aqueles com manutenção inadequada de suas torres de resfriamento e sistema de ventilação são fontes de microorganismos.

Dessa forma, a NBR 13971 de 01/2014 – Sistemas de refrigeração, condicionamento de ar, ventilação e aquecimento – Manutenção programada pode ajudar a melhorar esse quadro. A norma estabelece orientações básicas para as atividades e serviços necessários na manutenção de conjuntos e componentes, em sistemas e equipamentos de refrigeração, condicionamento de ar, ventilação e aquecimento. Esta norma, em conformidade com a NBR 16401-1, aplica-se a equipamentos de refrigeração, condicionamento de ar, ventilação e aquecimento voltados ao atendimento das exigências de qualidade do ar, conforto e processo, respeitando-se as condições de referência.

Para a execução da manutenção programada, a instalação deve atender aos seguintes itens: a) facilidade de acesso; b) iluminação adequada para a prática das atividades; c) ponto de energia elétrica compatível com as atividades a serem desenvolvidas; d) pontos de água e de drenagem; e) ponto de ar comprimido (recomendável); f) ponto de internet (recomendável); g) sala de máquinas limpa e desimpedida, livre de objetos que não tenham uma função determinada neste local; h) estar operando sem pendências provenientes da necessidade de intervenções corretivas, ou seja, nas condições de referência.

Quanto à documentação, é necessário disponibilizar para a equipe de manutenção os documentos técnicos referentes à instalação, como: projeto, memorial descritivo, folhas de dados, manuais de operação e manutenção, fichas de partida e outros. Os intervalos para as atividades periódicas não estão indicados nesta norma e devem ser definidos pelo profissional habilitado, considerando-se os seguintes aspectos: a) tipo de equipamento; b) tempo efetivo de operação; c) regime de operação; d) tipo de aplicação; e) grau de agressividade do ambiente; f) disponibilidade da instalação para manutenção; g) fatores específicos da instalação.

As atividades apresentadas nesta norma definem as tarefas aplicáveis à maioria dos conjuntos e dos componentes dos sistemas e equipamentos de refrigeração, condicionamento de ar, ventilação e aquecimento. As atividades estão estabelecidas nas Tabelas 2 a 14 (disponíveis na norma), classificadas em dois tipos: a) P = atividades periódicas a serem executadas em intervalos de tempo regulares, preestabelecidos; b) S = atividades a serem executadas, se necessário, em função de avaliação durante os serviços de campo.

O trabalho da manicure

NORMAS TÉCNICAS COMENTADAS

NBR 14039 – COMENTADA
de 05/2005

Instalações elétricas de média tensão de 1,0 kV a 36,2 kV. Possui 140 páginas de comentários…

Nr. de Páginas: 87

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NBR 5410 – COMENTADA
de 09/2004

Instalações elétricas de baixa tensão – Versão comentada.

Nr. de Páginas: 209

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NBR ISO 9001 – COMENTADA (EM VÍDEO)
de 11/2008

Sistemas de gestão da qualidade – Requisitos. Versão comentada.

Nr. de Páginas: 28

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manicureCompreender as diferentes faces do trabalho da manicure, com enfoque na interação pessoal foi a principal razão que moveu Juliana Andrade Oliveira, socióloga da Fundacentro a realizar estudo na Universidade de Quebec, Canadá, como parte do estágio de doutorado, no período de agosto de 2012 a julho de 2013, sob co-orientação do Prof. Dr. Angelo Soares. No estudo, considerado pioneiro tanto no Canadá quanto no Brasil , Juliana pontua aspectos voltados para as relações interpessoais no ambiente de trabalho (manicure X manicure) e a relação da manicure com a cliente na sua conciliação entre a gestão das emoções e a execução do trabalho minucioso nas unhas.

A socióloga explica ainda que no Brasil há uma maior relação de servilidade entre manicures e clientes com a cliente no comando da situação. Com isso, a manicure precisa colocar seu comportamento também a serviço da cliente, e não somente seu trabalho nas unhas. Essa situação é amenizada pelas manicures autônomas, que podem escolher a cliente, por uma relação de afinidade. Já nos salões, a profissional não tem o direito de escolher, apenas a realizar a sua função.

Em plena expansão, a cada dia surgem no Brasil mais e mais institutos de beleza, ou simplesmente salões que são criados como forma de atrair o público feminino em busca da transformação corporal e da melhoria visual. No entanto, Juliana destaca que não se tem imagem da manicure como trabalhadora fazendo com que a profissão seja muito estigmatizada e as manicures negligenciadas do ponto de vista social.

Não há exigência legal de qualificação adequada para exercer a profissão. Na maioria dos casos, são mulheres que aprenderam o ofício sozinhas ou com algum ente da família, e que exercem a função para o seu próprio sustento e para o sustento da família, predominantemente das classes C, D e E. Parte delas trabalha e estuda para concluir um curso de qualificação e, assim, conseguir emprego em melhores salões de beleza. Mas, segundo a socióloga, a ascensão na profissão em geral se dá quando a manicure monta o seu próprio salão.

Na pesquisa conduzida por Juliana, foram entrevistadas 12 mulheres no Brasil (estado de SP), três proprietários de salão e um proprietário de escola de formação de manicure. No Canadá, foram entrevistadas quatro brasileiras e duas vietnamitas, além da observação do trabalho em 12 salões de beleza. A pesquisa mostra manicures solteiras jovens tentando pagar faculdade, casadas com filhos e solteiras com filhos. Apesar do perfil variado, o que há em comum é que sustentam famílias com essa profissão como ocupação principal. A metodologia utilizada pela socióloga no Canadá para entrevistar as profissionais foi postar uma mensagem no Facebook contando sobre a realização da pesquisa. A partir daí, algumas pessoas se interessaram e concederam a entrevista.

A tese de doutorado de Juliana será finalizada no primeiro semestre de 2014. Ainda com o título provisório, a servidora está sendo orientada pela Profa. Dra. Maria Helena Oliva Augusto da Faculdade de Filosofia Letras e Ciencias Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP), Programa de Pós-Graduação em Sociologia. A pesquisa foi publicada no site canadense Aquarelamagazine.com e também no site do Centro de Estudos e Pesquisas sobre o Brasil, da UQAM.

Aparentemente, a profissão de manicure pode parecer simples. Entretanto, são vários os riscos presentes no ambiente de trabalho. Entre os riscos químicos estão os produtos presentes na fabricação de esmaltes, como a acetona e outros solventes, que quando em contato freqüente na pele podem causar dermatite e alergias. Há riscos biológicos relacionados às doenças infecciosas principalmente hepatites do tipo A, B e C, AIDS, além dos fungos e micoses contraídos por lixas e alicates.

Os riscos não param por aqui. As principais queixas das manicures estão voltadas para as questões posturais e também pelo emocional. A ocorrência de depressão é quase duas vezes maior entre os profissionais do salão de beleza do que na população em geral, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), 2008, pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A grande maioria das manicures não é assalariada, mas sim comissionada. Elas exercem em média 12 horas de trabalho/dia e em muitos salões, são obrigadas a ter o seu próprio material de trabalho.

A socióloga observa que flexibilizar o trabalho dessa forma acaba trazendo maior competitividade entre as manicures pelo simples fato de serem autônomas. Como resultado, não conseguem trabalhar no coletivo. Além disso, muitas dessas profissionais são registradas como auxiliares e outras nem mesmo possuem registro em carteira.

A socióloga sustenta que no caso das manicures ocorre uma “formalização simulada”: a manicure tem o registro formal na sua carteira de trabalho como empregada do salão, mas na realidade não possui nenhuma das proteções sociais garantidas pela CLT. Quando fica doente e precisa faltar ao trabalho, perde o ganho daquele dia. Não tem direito à licença médica, e é ela mesma que paga a contraparte do salão para ter FGTS.

Mariazinha, ou Maria dos Anjos Mesquita, presidente do Sindebeleza, Sindicato de Beleza do estado de SP, observa que a Lei no. 12.592, de 18 de janeiro de 2012 foi de grande importância para o segmento da beleza. Contudo, a Lei não é especifica para as manicures, mas aos profissionais de salões.

Para a líder sindicalista, além dos problemas de saúde, como a LER, dores na coluna e o descumprimento das normas da Anvisa no que se refere ao uso de material descartável e a utilização das autoclaves para esterilização de equipamentos, falta conscientização por parte do patronato em promover a segurança e saúde no ambiente de trabalho e registrar as manicures em carteira para que possam ter o vinculo empregatício. “Em todo o Brasil se chegarmos a 30% o número de registro em carteira, é muito”, ressalta Mariazinha.

Em agosto de 2013, foi criado o Projeto de Lei Complementar 255/13, que se aprovado pela Câmara poderá modificar o vínculo empregatício de muitas manicures. No “projeto salão parceiro”, a proposta é que todos os profissionais de beleza passem a ser registrados como parceiros, ou prestadores de serviço. Juliana destaca que a elaboração do projeto deve levar em conta a existência da “formalização simulada” para evitar que manicures que trabalhem em horários e regras estipuladas pelo salão sejam consideradas “parceiras”.

Há também as Normas Regulamentadoras 17 e 32 (Ergonomia e Saúde), que se aplicam aos ambientes de trabalho da manicure, assim como a Norma Regulamentadora 15 (Riscos Químicos) e o Guia da Covisa-Manual de Normas e Procedimentos. Segundo Juliana, vários artigos internacionais recomendam melhorar a ventilação dos salões de beleza em virtude da evaporação dos fortes produtos químicos utilizados. No caso da manicure, um ventilador pequeno em cada mesa é importante na aplicação de unhas postiças. Além disso, recomenda-se iluminação individual adicional, o uso de luvas e máscaras.

A NIOSH (The National Institute for Occupational Safety and Health), órgão americano, em uma de suas normas, recomenda o uso de ventilador individual (um em cada mesinha de trabalho) e o uso de máscaras. A socióloga também recomenda que cada cliente tenha seu alicate (já afiado) e lixa de unha, evitando riscos de compartilhamento.

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As recomendações ergonômicas para o trabalho

ergonomicDor nas costas, tensão nos ombros, braços doloridos e pernas cansadas. Estes sintomas fazem parte da sua vida? Se não aparecem constantemente, provavelmente pode ser que já tenha sentido um deles alguma vez. Os trabalhadores sofrem com os problemas ergonômicos, de ordem musculoesqueléticas. As LERs (lesões por esforços repetitivos) e os DORTs (distúrbios osteomoleculares relacionados ao trabalho), ligados aos problemas de postura, estresse e trabalho excessivo, podem ser caracterizados por: tendinite, bursite e outras doenças do gênero.

Por exemplo, o trabalho em pé por tempo prolongado gera sobrecarga na coluna e fadiga na musculatura. No caso de um professor, por exemplo, há ainda o hábito de escrever no quadro em um ângulo superior a 90°, a correção de um volume grande de provas e trabalhos e a necessidade de carregar muitos livros e papéis de uma sala para outra e, muitas vezes, até mesmo de uma escola para outra. E não é só! Mesmo sentado diante do computador para preparar as aulas, a falta de apoio para os punhos, o monitor acima ou abaixo do nível dos olhos e a cadeira mal regulada podem causar problemas de natureza ergonômica. O resultado: dores.

Mas este não é um problema sem solução. Algumas atitudes simples podem minimizar estes problemas e evitar outros mais sérios. Em relação ao material, por exemplo, é aconselhável levá-lo em mochilas e não nas mãos e braços. Para escrever no quadro, a sugestão é utilizar um quadro móvel ou uma plataforma de madeira no chão. Além disso, em vez de escrever no quadro todo o conteúdo da aula, opte por ditar parte dele ou fornecer um resumo da matéria impresso para os alunos. E quando precisar trabalhar diante do computador, controle o tempo e faça intervalos para descansar.

Também é importante praticar exercícios físicos e, se possível, fazer alongamentos e relaxamentos com regularidade. Se mesmo com todos os cuidados aparecerem sintomas como dor ou desconforto na coluna, nos ombros, nos cotovelos ou nos punhos, procure orientação médica para tentar descobrir logo a causa. Afinal, tão fundamental quanto a prevenção é o diagnóstico precoce.

A NBR ISO 11226 de 10/2013 – Ergonomia – Avaliação de posturas estáticas de trabalho estabelece as recomendações ergonômicas para diferentes tarefas de trabalho. Fornece informações para aqueles envolvidos no projeto, ou reprojeto, do trabalho, tarefas e produtos que estejam familiarizados com os conceitos básicos de ergonomia, em geral, e de posturas de trabalho, em particular. Especifica limites recomendados para posturas estáticas de trabalho sem qualquer ou somente um mínimo de esforço, enquanto leva em conta aspectos como ângulos posturais e tempo.

É projetada para fornecer orientações na avaliação das variáveis de diversas tarefas, permitindo que os riscos à saúde da população trabalhadora sejam avaliados. Ela se aplica à população trabalhadora adulta. As recomendações fornecerão proteção razoável para quase todos os adultos saudáveis. As recomendações a respeito de riscos e proteção à saúde estão baseadas principalmente em estudos experimentais com respeito à carga muscoloesquelética, ao desconforto/dor, e à resistência/fadiga relacionados às posturas estáticas de trabalho.

Dor, fadiga e distúrbios do sistema musculoesquelético podem ser resultado da manutenção de posturas de trabalho inadequadas, que podem ser causadas por situações de trabalho precárias. Fadiga e dor musculoesquelética podem influenciar o controle postural, o que pode aumentar o risco de erros e pode resultar na redução da qualidade do trabalho ou da produção, e em situações perigosas. Um bom projeto ergonômico é uma necessidade básica para evitar esses efeitos adversos.

Esta norma contém uma abordagem para determinar a aceitabilidade de posturas estáticas de trabalho. O seu conteúdo está baseado no conhecimento ergonômico atual e está sujeito a mudanças de acordo com pesquisas futuras. Convém que as tarefas e operações de trabalho possibilitem que haja VARIAÇÕES suficientes tanto físicas quanto mentais. Isso significaca um trabalho completo, com VARIAÇÃO suficiente de tarefas (por exemplo, um número adequado de tarefas organizacionais, uma combinação apropriada de ciclos de tarefas longos, médios e curtos, e uma distribuição equilibrada de tarefas simples e complexas), autonomia suficiente, oportunidades para interação, informação e aprendizado.

Além disso, convém que toda a gama de trabalhadores possivelmente envolvidos com as tarefas e operações seja considerada, em particular as suas medidas corporais. Com relação às posturas de trabalho, convém que o trabalho ofereça variação suficiente entre as posturas sentada, de pé e caminhando. Convém que posturas inadequadas, como ajoelhada e agachada, sejam evitadas, sempre que possível.

A abordagem descrita na norma pode ser utilizada para determinar a aceitabilidade de posturas estáticas de trabalho. O procedimento de avaliação considera vários segmentos corporais e articulações, independentemente, em um ou dois passos. O primeiro passo considera somente os ângulos corporais (as recomendações estão, principalmente, baseadas nos riscos por sobrecarga das estruturas passivas do corpo, como ligamentos, cartilagens e discos intervertebrais). Uma avaliação pode conduzir para o resultado “aceitável”, “vá para o passo 2” ou “não recomendado”. Um resultado da avaliação “aceitável” significa que uma postura de trabalho é aceitável somente se VARIAÇÕES da postura estão também presentes (ver 3.1). Em qualquer eventualidade, convém que todo esforço seja feito para obter uma postura de trabalho mais próxima da postura neutra, se isto já não for o caso.

Um resultado da avaliação “vá para o passo 2” significa que a duração da postura de trabalho também precisará ser considerada (recomendações estão baseadas em dados de resistência). Convém que posições extremas das articulações sejam avaliadas como “não recomendadas”. Há vários meios para determinar as posturas de trabalho, por exemplo, observação, fotografia/vídeo, sistemas de medição tridimensional óptico eletrônico ou por ultrassom, dispositivos de mensuração posicionados sobre o corpo, como inclinômetros e goniômetros. O método apropriado depende, entre outras coisas, da precisão requerida na avaliação.

Na maioria dos casos, a observação direta (sem instrumentos/sistemas de medição) será sufi ciente. Contudo, para determinação mais precisa de posturas de trabalho, instrumentos/sistemas de medição podem ser necessários (para um panorama geral e descrição detalhada. O Anexo A descreve os procedimentos para determinar parâmetros de postura específicos apresentados em 3.4 a 3.7, ou seja, inclinação do tronco, inclinação da cabeça, flexão/extensão de pescoço, elevação do braço e posições extrema das articulações.

Novo manual ISO/TS 16949

Há anos a International Automotive Task Force (IATF) publica o manual Esquema de Certificação Automotiva para a ISO/TS 16949:2009 – Regras para Obtenção do Reconhecimento IATF, publicação técnica que chega à 4ª edição, totalmente reformulado, e passa a valer a partir de 1º de abril de 2014. Os critérios inclusos nesse manual devem ser compreendidos por qualquer indústria que pretende conquistar ou manter sua certificação ISO/TS 16949, assim como prestadores de serviços relacionados ao tema, como consultores, desenvolvedores de sistemas e laboratórios.

Mais conhecido como Regras 4ª Edição, o manual é distribuído com exclusividade no Brasil pelo Instituto da Qualidade Automotiva (IQA). “Esta nova edição do manual substitui a anterior, Regras 3ª Edição, e as edições atuais das Interpretações Sancionadas (SI) e respostas às Questões Feitas com Frequência (FAQ)”, diz Sergio Kina, gerente técnico do IQA. Assim, os organismos de certificação deverão adequar os processos de certificação das empresas em conformidade aos novos requisitos.

O manual Regras foi criado pelas nove montadoras integrantes do IATF (BMW Group, Chrysler Group, Daimler AG, Fiat Group Automobiles, Ford Motor Company, General Motors, PSA Peugeot Citroën, Renault e Volkswagen AG), e por cinco associações nacionais dos fabricantes: ANFIA (Associazione Nazionale Fra Industrie Automobilistiche), da Itália, AIAG (AIAG – Automotive Industry Action Group), dos EUA, FIEV (Fédération des Industries des Équipements pour Véhicules), da França, SMMT (Society of Motor Manufacturers and Traders), do Reino Unido, e VDA (Verband der Automobilindustrie), da Alemanha.

No Brasil, o manual Regras da IATF é adaptado e traduzido com exclusividade por especialistas em engenharia automotiva do IQA, responsável também pela distribuição e comercialização. “O texto é traduzido considerando os termos técnicos usuais da indústria brasileira, de forma que todas as frases tenham a mesma interpretação do original em inglês. Não se trata, assim, de uma simples tradução”, afirma Kina. Quem estiver interessado, acesse www.iqa.org.br ou obtenha mais informações pelo e-mail manuais@iqa.org.br ou pelo telefone (11) 5091-4545.

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