O futuro dos plugues e tomadas no Brasil

Nathalie Gutierres, jornalista da Revista Banas Qualidade

PLUGUE-TOMADA

A partir de janeiro de 2010, os fabricantes de aparelhos eletroeletrônicos terão que se adaptar ao novo padrão brasileiro de tomadas. Assim, todos os equipamentos terão que sair de fábrica com os plugs de três pinos e com 10 ou 20 ampères. O novo padrão deve ser incorporado até julho de 2011, data em que as lojas ficam proibidas de comercializarem equipamentos e dispositivos elétricos que não venham a cumprir a norma.

A proposta do novo padrão vem com a justificativa de que irá facilitar a vida do usuário e aumentar a segurança dos sistemas. De acordo com informações do Inmetro, a padronização será um benefício ao usuário, pois antes de ser instituído este padrão, existiam mais de 12 tipos de plugues e oito tipos de tomadas, o que exigia a utilização de adaptadores. Outro fator tido como justificativa é que pelo fato de haver diferentes formatos e potências de aparelhos, existia alto risco de choques e curto circuito no momento de conectá-lo ao tomada. Agora, só existirão dois modelos, no formato de dois e três pinos redondos, tornando extinto o pino chato. Entretanto, o Brasil será o único país a utilizar este padrão, que é diferente dos já existentes e conhecidos modelos americano e europeu.

As empresas de plugues, tomadas e adaptadores que ganharão com um lucro bastante significativo a partir do início de 2010. Farei um breve relato do ocorrido comigo na última semana. Minha casa está em reforma e, no último sábado, meu pai fez a compra de todas as tomadas a serem trocadas. Já sabia do novo padrão da ABNT, mas nem tinha me atentado ao detalhe em casa. Quando minha mãe foi encaixar os aparelhos eletrônicos, deparou-se com um grande problema: nada encaixava nas novas tomadas. Resumindo: tivemos que comprar adaptadores para poder utilizar os aparelhos que não se encontram de acordo com os novos formatos exigidos. Todos teremos que nos adaptar a essa nova regra e ainda não se sabe se esta será permanente ou passageira como tantas outras. Enquanto isso, gastamos dinheiro com a troca de todas as tomadas de nossas casas, adaptadores e as empresas mudam seus produtos.

Por que gestão da qualidade?

Hoje, no Brasil e no mundo, qualquer administrador, dono ou gestor de uma empresa precisa perguntar: por que gestão da qualidade? 

A qualidade é hoje uma das principais estratégias competitivas para as mais diversas empresas de setores distintos, estando intimamente ligada à produtividade, melhoria de resultados e aumento de lucros através de redução de perdas e do desperdício, do envolvimento de todos na empresa e conseqüente motivação. O conceito de qualidade foi primeiramente associado à definição de conformidade às especificações. Posteriormente ele evoluiu para a visão de satisfação do cliente, ampliando o horizonte de fatores para além das especificações. Paralelamente, surgiu a visão de que a qualidade é fundamental no posicionamento estratégico da empresa perante o mercado. Hoje, qualidade representa a busca da satisfação, não só do cliente, mas de todos os públicos de uma empresa, e também de sua excelência organizacional.

E onde se garante a qualidade? Nos processos relacionados à concepção, materialização e suporte ao produto. E processo é o conjunto de atividades inter-relacionadas que transforma entradas (insumos) em saídas (produtos).

 qualidade

 

 

 

E para quem é a qualidade? Para os clientes internos e externos. Qual a diferença entre cliente interno e cliente externo? Cliente interno é um indivíduo, grupo de trabalho ou departamento que trabalham na mesma organização que produz/fornece um dado produto/serviço; e cliente externo é o usuário, consumidor final, beneficiário ou segunda parte interessada em se tratando de um produto/serviço.

Como se faz a qualidade? Por um conjunto de atividades planejadas e sistematizadas que objetivam avaliar o desempenho de processos e a conformidade de produtos e serviços com especificações e prover ações corretivas necessárias. Implementando alguns programas de gestão, como os Círculos de Controle de Qualidade, 5 S´s, Perda Zero, Zero Defeito, Seis Sigma, Manutenção Produtiva Total, ISO 9001, ISO 14001, Selos de Qualidade, Acreditações CQH, ONA e Joint Comission/CBA, Boas Práticas de Fabricação, etc.

Para ajudar e disseminar a cultura da qualidade em sua empresa, preparei uma apresentação para você (gestor, dono ou administrador) mostrar aos seus funcionários. Motive-os a buscarem cada vez mais a melhoria contínua. O material está no link https://qualidadeonline.files.wordpress.com/2009/10/apresentacao-gestao-da-qualidade.ppt

E não se esqueça:

  • O problema da má qualidade está na administração dos sistemas.
  • Para resolver os problemas e obter qualidade é preciso estudar os processos, descobrir o que e como deve ser feito para melhorá-los de forma a reduzir os defeitos.
  • O método estatístico embora seja uma excelente ferramenta para o controle de processos, ele não é tudo.
  • É a prevenção que leva à qualidade.

Policloreto de Vinila (PVC)

PVC

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Greenpeace lançou o relatório “PVC no mundo infantil”, com dados que acusam a presença de uma gama de aditivos tóxicos em produtos de uso infantil e doméstico. Laboratórios independentes realizaram análises em 54 produtos de policloreto de vinila (PVC) como acessórios, mobiliários e pisos – em 20 nacionalidades diferentes, incluindo o Brasil.A variedade de produtos de PVC com aditivos tóxicos presente nas residências expõe as famílias, diariamente, a múltiplas fontes de contaminação. Propostas para limitar a exposição aos componentes tóxicos começam a ser apresentadas em todo o mundo, mas estão baseadas na tentativa de calcular o grau de exposição que seria “seguro” para as crianças.

“Calcular o risco de exposição de crianças aos aditivos perigosos do PVC é uma estratégia de grande risco. Todas as tentativas de formular regulamentações neste sentido falharam e é impossível repetir as técnicas utilizadas de forma confiável”, diz Ruth Stringer, cientista do Greenpeace. “A exposição de crianças e adultos a estas substâncias é totalmente desnecessária e pode ser evitada. O bom-senso e a precaução recomendam a eliminação total destes compostos como única forma de proteger nossas crianças”.

Os compostos encontrados nos produtos testados são extremamente tóxicos, incluindo ftalatos, compostos organo- estanhos, bisfenol-A e metais pesados, como chumbo e cádmio. Alguns dos ftalatos são apontados como causadores de câncer de fígado, danos ao rim e ao sistema reprodutivo em animais. A exposição aos organo-estanhos foram relacionadas com deficiências imunológicas e reprodutivas em animais. O bisfenol-A é uma substância química que interfere no sistema endócrino.

Amostra comprada no Brasil de garrafa térmica para mamadeiras apresentou 20% do seu peso do ftalato DEHP, ou seja, a cada 100 gramas do plástico PVC contido na térmica, 20 gramas eram desta substância altamente tóxica. Por norma da ABNT este composto é proibido de ser empregado na fabricação de brinquedos para crianças, mas a legislação não inclui outros produtos de uso infantil. Amostras de cortinas protetoras solares para veículos apresentaram 24% do seu peso de DEHP. Foram encontrados níveis de chumbo, usados como aditivos para PVC, em brinquedos de crianças que ultrapassam o máximo permitido pela ABNT.

A maioria dos produtos testados está disponível e pode ser adquirido em lojas populares. Os testes foram realizados em uma pequena amostra das centenas de produtos de PVC, apresentando aditivos perigosos em produtos de marcas conhecidas, como a brasileira Neopan, e outras como Armstrong, Gerber, Disney, Toys ‘R Us e Safety 1st.

Apenas duas empresas produzem resina de PVC no País: a belga Solvay Indupa do Brasil (5), que detém 40% do mercado, e a Trikem S.A., controlada pelo grupo empresarial brasileiro Odebrecht, que domina os outros 60%. A resina de PVC é a matéria-prima para a fabricação de todos os produtos plásticos de PVC.

“As evidências contra esse plástico nocivo são avassaladoras. Da produção, passando pelo uso até a disposição final, o PVC causa sérios danos ambientais e apresenta riscos para a saúde pública”, diz Karen Suassuna, coordenadora da campanha de Substâncias Tóxicas do Greenpeace. “A responsabilidade de eliminar esse material compete aos produtores e fabricantes do PVC. No entanto, o governo brasileiro precisa implementar medidas eficazes para banir esse plástico imediatamente”.

No link http://www.permear.org.br/2007/07/31/perigos-do-uso-do-pvc/, há um texto condenando o uso do PVC na construção civil. De autoria do professor Joe Thornton, o texto discute os perigos do ciclo-de-vida do PVC e que estão estimulando este movimento em larga escala de eliminação de todos os produtos que contenham PVC.

Defesa

Segundo o Instituto do PVC, tendo em vista o grande número de matérias publicadas sobre a questão ambiental que envolve o segmento de produtos eletroeletrônicos, nos quais o PVC é criticado equivocadamente, foi preciso que a instituição se posicionasse sobre o assunto.

  • Fabricantes têm sido criticados por não cumprirem as exigências da ONG ambientalista Greenpeace que os pressiona, através do “Guia dos Eletrônicos Verdes”, a deixar de utilizar algumas matérias-primas, dentre elas o PVC.
  • O “Guia de Eletrônicos Verdes” do Greenpeace é baseado (talvez principalmente) na Diretiva Européia RoHS – Restriction of the use of Certain Hazardous Substances in Electrical and Electronic Equipment. Através dela a União Européia proíbe o uso de seis substâncias químicas em equipamentos eletroeletrônicos: chumbo, mercúrio, cádmio, cromo hexavalente, polibromato bifenil e PBDE – éter difenil polibromato. A Diretiva RoHS não proíbe o uso do PVC nesses tipos de equipamentos, o que torna no mínimo questionável a forma com que o PVC é tratado neste guia. Assim podemos concluir que o guia não tem qualquer credibilidade científica ou mesmo valor prático, tanto do ponto de vista de meio ambiente quanto de saúde e segurança ao usuário.
  • A principal matéria-prima do PVC é o sal marinho, recurso inesgotável na natureza. Cerca de 57% da resina de PVC, em peso, tem origem nesta matéria-prima, sendo este o único plástico que não é 100% derivado do petróleo (o que contribui para a diminuição da emissão de CO2). Os 43% restantes correspondem ao petróleo que, inclusive, já pode ser substituído pelo eteno produzido a partir da cana-de-açúcar, permitindo que a resina seja derivada de matérias-primas 100% inesgotáveis na natureza.
  • Esclarecemos que não há razões técnicas, científicas ou sequer legislações no mundo para que as empresas do segmento de eletroeletrônicos eliminem o PVC de seus produtos. O PVC é um produto inerte, atóxico, seguro e largamente utilizado no segmento de eletroeletrônicos, principalmente em fios e cabos. O PVC também é utilizado na fabricação de tubos e conexões para o transporte de água potável, embalagens de alimentos e remédios, além de ser o plástico mais utilizado na área médica, com aprovação de órgãos competentes como o Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos, Farmacopéia Européia e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no Brasil, entre outros, o que demonstra sua total segurança.

O PVC é citado como sendo um material difícil de ser reciclado, o que não condiz com a realidade já que é 100% reciclável e é reciclado de fato. Prova disso são os dados obtidos em uma pesquisa realizada sobre a reciclagem mecânica do PVC, encomendada pelo Instituto do PVC, em 2008. Nela verificou-se que o índice de reciclagem mecânica do PVC pós-consumo no Brasil, em 2007, foi de 17%. O número é bastante significativo considerando-se que na União Européia o índice de reciclagem mecânica de todos os plásticos foi de 18,6%, no mesmo período. O índice se torna ainda mais significativo se avaliarmos a reciclagem do PVC flexível, o principal tipo de PVC utilizado na indústria de eletroeletrônicos. Neste caso, o índice chega a 19,6% e supera o da União Européia.

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Além disso, segundo o instituto, o PVC é citado como sendo um material perigoso por conter cloro em sua composição e que causa emissões tóxicas quando incinerado. Não apresenta qualquer problema à humanidade por conter cloro em sua estrutura química, ao contrário do que é divulgado, equivocadamente, bastando lembrar que:

  • Cerca de 85% de todos os medicamentos fabricados pela humanidade ou têm cloro na sua composição final ou ele foi utilizado em alguma etapa de sua fabricação;
  • É o 11º elemento químico mais presente na natureza;
  • O tratamento da água é realizado com cloro, tornando-a potável;
  • O cloro é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma das 100 maiores invenções do homem;
  • O sal de cozinha contém cloro, a partir do qual o PVC é fabricado.

Quanto à incineração, sabe-se que este é um processo bastante evoluído em países desenvolvidos. As legislações que regulamentam os incineradores são extremamente rígidas, exatamente para garantir que as emissões a partir destes equipamentos sejam seguras para o ser humano e meio ambiente. Não existem leis que digam que um determinado resíduo não possa ser incinerado, e sim leis que regulam o processo de incineração, independente do que for ser incinerado. As emissões verificadas na incineração do PVC não são diferentes de quaisquer outras a partir de outros resíduos e estão de acordo com o que exigem as legislações mundiais sobre esse processo.