Policloreto de Vinila (PVC)

PVC

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Greenpeace lançou o relatório “PVC no mundo infantil”, com dados que acusam a presença de uma gama de aditivos tóxicos em produtos de uso infantil e doméstico. Laboratórios independentes realizaram análises em 54 produtos de policloreto de vinila (PVC) como acessórios, mobiliários e pisos – em 20 nacionalidades diferentes, incluindo o Brasil.A variedade de produtos de PVC com aditivos tóxicos presente nas residências expõe as famílias, diariamente, a múltiplas fontes de contaminação. Propostas para limitar a exposição aos componentes tóxicos começam a ser apresentadas em todo o mundo, mas estão baseadas na tentativa de calcular o grau de exposição que seria “seguro” para as crianças.

“Calcular o risco de exposição de crianças aos aditivos perigosos do PVC é uma estratégia de grande risco. Todas as tentativas de formular regulamentações neste sentido falharam e é impossível repetir as técnicas utilizadas de forma confiável”, diz Ruth Stringer, cientista do Greenpeace. “A exposição de crianças e adultos a estas substâncias é totalmente desnecessária e pode ser evitada. O bom-senso e a precaução recomendam a eliminação total destes compostos como única forma de proteger nossas crianças”.

Os compostos encontrados nos produtos testados são extremamente tóxicos, incluindo ftalatos, compostos organo- estanhos, bisfenol-A e metais pesados, como chumbo e cádmio. Alguns dos ftalatos são apontados como causadores de câncer de fígado, danos ao rim e ao sistema reprodutivo em animais. A exposição aos organo-estanhos foram relacionadas com deficiências imunológicas e reprodutivas em animais. O bisfenol-A é uma substância química que interfere no sistema endócrino.

Amostra comprada no Brasil de garrafa térmica para mamadeiras apresentou 20% do seu peso do ftalato DEHP, ou seja, a cada 100 gramas do plástico PVC contido na térmica, 20 gramas eram desta substância altamente tóxica. Por norma da ABNT este composto é proibido de ser empregado na fabricação de brinquedos para crianças, mas a legislação não inclui outros produtos de uso infantil. Amostras de cortinas protetoras solares para veículos apresentaram 24% do seu peso de DEHP. Foram encontrados níveis de chumbo, usados como aditivos para PVC, em brinquedos de crianças que ultrapassam o máximo permitido pela ABNT.

A maioria dos produtos testados está disponível e pode ser adquirido em lojas populares. Os testes foram realizados em uma pequena amostra das centenas de produtos de PVC, apresentando aditivos perigosos em produtos de marcas conhecidas, como a brasileira Neopan, e outras como Armstrong, Gerber, Disney, Toys ‘R Us e Safety 1st.

Apenas duas empresas produzem resina de PVC no País: a belga Solvay Indupa do Brasil (5), que detém 40% do mercado, e a Trikem S.A., controlada pelo grupo empresarial brasileiro Odebrecht, que domina os outros 60%. A resina de PVC é a matéria-prima para a fabricação de todos os produtos plásticos de PVC.

“As evidências contra esse plástico nocivo são avassaladoras. Da produção, passando pelo uso até a disposição final, o PVC causa sérios danos ambientais e apresenta riscos para a saúde pública”, diz Karen Suassuna, coordenadora da campanha de Substâncias Tóxicas do Greenpeace. “A responsabilidade de eliminar esse material compete aos produtores e fabricantes do PVC. No entanto, o governo brasileiro precisa implementar medidas eficazes para banir esse plástico imediatamente”.

No link http://www.permear.org.br/2007/07/31/perigos-do-uso-do-pvc/, há um texto condenando o uso do PVC na construção civil. De autoria do professor Joe Thornton, o texto discute os perigos do ciclo-de-vida do PVC e que estão estimulando este movimento em larga escala de eliminação de todos os produtos que contenham PVC.

Defesa

Segundo o Instituto do PVC, tendo em vista o grande número de matérias publicadas sobre a questão ambiental que envolve o segmento de produtos eletroeletrônicos, nos quais o PVC é criticado equivocadamente, foi preciso que a instituição se posicionasse sobre o assunto.

  • Fabricantes têm sido criticados por não cumprirem as exigências da ONG ambientalista Greenpeace que os pressiona, através do “Guia dos Eletrônicos Verdes”, a deixar de utilizar algumas matérias-primas, dentre elas o PVC.
  • O “Guia de Eletrônicos Verdes” do Greenpeace é baseado (talvez principalmente) na Diretiva Européia RoHS – Restriction of the use of Certain Hazardous Substances in Electrical and Electronic Equipment. Através dela a União Européia proíbe o uso de seis substâncias químicas em equipamentos eletroeletrônicos: chumbo, mercúrio, cádmio, cromo hexavalente, polibromato bifenil e PBDE – éter difenil polibromato. A Diretiva RoHS não proíbe o uso do PVC nesses tipos de equipamentos, o que torna no mínimo questionável a forma com que o PVC é tratado neste guia. Assim podemos concluir que o guia não tem qualquer credibilidade científica ou mesmo valor prático, tanto do ponto de vista de meio ambiente quanto de saúde e segurança ao usuário.
  • A principal matéria-prima do PVC é o sal marinho, recurso inesgotável na natureza. Cerca de 57% da resina de PVC, em peso, tem origem nesta matéria-prima, sendo este o único plástico que não é 100% derivado do petróleo (o que contribui para a diminuição da emissão de CO2). Os 43% restantes correspondem ao petróleo que, inclusive, já pode ser substituído pelo eteno produzido a partir da cana-de-açúcar, permitindo que a resina seja derivada de matérias-primas 100% inesgotáveis na natureza.
  • Esclarecemos que não há razões técnicas, científicas ou sequer legislações no mundo para que as empresas do segmento de eletroeletrônicos eliminem o PVC de seus produtos. O PVC é um produto inerte, atóxico, seguro e largamente utilizado no segmento de eletroeletrônicos, principalmente em fios e cabos. O PVC também é utilizado na fabricação de tubos e conexões para o transporte de água potável, embalagens de alimentos e remédios, além de ser o plástico mais utilizado na área médica, com aprovação de órgãos competentes como o Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos, Farmacopéia Européia e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no Brasil, entre outros, o que demonstra sua total segurança.

O PVC é citado como sendo um material difícil de ser reciclado, o que não condiz com a realidade já que é 100% reciclável e é reciclado de fato. Prova disso são os dados obtidos em uma pesquisa realizada sobre a reciclagem mecânica do PVC, encomendada pelo Instituto do PVC, em 2008. Nela verificou-se que o índice de reciclagem mecânica do PVC pós-consumo no Brasil, em 2007, foi de 17%. O número é bastante significativo considerando-se que na União Européia o índice de reciclagem mecânica de todos os plásticos foi de 18,6%, no mesmo período. O índice se torna ainda mais significativo se avaliarmos a reciclagem do PVC flexível, o principal tipo de PVC utilizado na indústria de eletroeletrônicos. Neste caso, o índice chega a 19,6% e supera o da União Européia.

PVC_pos

 

 

 

Além disso, segundo o instituto, o PVC é citado como sendo um material perigoso por conter cloro em sua composição e que causa emissões tóxicas quando incinerado. Não apresenta qualquer problema à humanidade por conter cloro em sua estrutura química, ao contrário do que é divulgado, equivocadamente, bastando lembrar que:

  • Cerca de 85% de todos os medicamentos fabricados pela humanidade ou têm cloro na sua composição final ou ele foi utilizado em alguma etapa de sua fabricação;
  • É o 11º elemento químico mais presente na natureza;
  • O tratamento da água é realizado com cloro, tornando-a potável;
  • O cloro é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma das 100 maiores invenções do homem;
  • O sal de cozinha contém cloro, a partir do qual o PVC é fabricado.

Quanto à incineração, sabe-se que este é um processo bastante evoluído em países desenvolvidos. As legislações que regulamentam os incineradores são extremamente rígidas, exatamente para garantir que as emissões a partir destes equipamentos sejam seguras para o ser humano e meio ambiente. Não existem leis que digam que um determinado resíduo não possa ser incinerado, e sim leis que regulam o processo de incineração, independente do que for ser incinerado. As emissões verificadas na incineração do PVC não são diferentes de quaisquer outras a partir de outros resíduos e estão de acordo com o que exigem as legislações mundiais sobre esse processo.

2 Respostas

  1. Gostaria de saber:

    Qual é o risco a saude do trabalhador, no processo de extrusão do PVC em uma fábrica de transformação de material reciclado ?
    Existe algum risco a saude do trabalhador nessa atividade?

    • Senhor:
      Sinceramente, não sei. Publico o seu comentário para ver se algum leitor ou leitora sabe a resposta e prometo que irei pesquisar e ouvir alguma fonte sobre o assunto. Vou levar isso como uma sugestão de pauta. Obrigado.
      Hayrton

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