O 5 S na saúde e nas Boas Práticas de Fabricação

ILUSTRA_5S

O Haroldo Ribeiro (pdca@terra.com.br), um dos maiores especialistas em 5 S do Brasil me enviou um texto sobre a metodologia. Ele é autor do livro “A Bíblia do 5S”. Se você quiser comprar o livro, clique no link http://www.qualistore.com.br/produto.asp?codigo=557

Leia abaixo o artigo:

A maioria das empresas que implanta o 5S se limita, quando muito, a praticar apenas os 3 primeiros S, mesmo assim dando ênfase as atividades de organização das coisas e a limpeza do ambiente e dos recursos. Poucas empresas chegam ao nível de implantar sistematicamente todos os 5S, implementando no Seiketsu (que é o 4º S) algumas atividades relacionadas à saúde. Porém, se analisarmos cada um dos S, constatamos a contribuição deles para a saúde física e mental de seus praticantes.

O SEIRI, Senso de Utilização, prega que devemos ter no ambiente de trabalho os recursos adequados, na quantidade adequada, que os utilizemos de maneira adequada e que estejam em plenas condições de uso. Além do mais, o SEIRI prega o compartilhamento dos recursos de pouca utilização. Alguns benefícios deste Senso para a saúde física das pessoas, são: redução de peso dos materiais transportados sem utilidade; recursos adequados e usados de maneira adequada evitam desgastes desnecessários, inclusive doenças ocupacionais; redução de desgastes desnecessário na movimentação de materiais para acesso ao desejado; equipamentos e recursos em boas condições de uso evitam desgastes desnecessários dos operadores e usuários.

O SEITON, Senso de Ordenação, consiste em ter locais de trabalho adequados para a guarda de cada recurso, um layout eficiente e seguro e a manutenção da ordem. Alguns benefícios deste Senso para a saúde são: redução de desgaste físico com a eliminação de deslocamentos desnecessários; acesso fácil aos recursos utilizados com maior freqüência; guarda de recursos de acordo com seu peso e freqüência de uso.

O SEISO, Senso de Limpeza, tem como principal objetivo a manutenção da limpeza de ambientes e instalações. Para tal, a eliminação de fontes sujeira e a postura de inspeção durante a limpeza geram um ambiente salutar, principalmente os coletivos como banheiros, vestiários e copas. Além do mais, o ambiente limpo possibilita que as pessoas sujem menos suas roupas, uniformes, EPI´s e mãos, melhorando a higiene pessoal.

O SEIKETSU, Senso de Higiene e Saúde, não se limita apenas à saúde física, mas também à saúde mental. Esta ampliação da interpretação sobre saúde possibilita que o 5S contribua para uma melhoria no relacionamento interpessoais discutindo-se os problemas comportamentais mais freqüentes e consensando-se regras de convivência. Alguns exemplos são: temperatura do ar-condicionado, utilização de celulares, utilização de espaços coletivos (banheiros e copa), pontualidade em reuniões e treinamentos, guarda de recursos pessoais (bolsa, casaco, guarda-chuva, etc.), entre outros.

O SHITSUKE, Senso de Autodisciplina, não se limita apenas a manter os 3 primeiros S no dia-a-dia, mas também prega que regras e normas sejam praticadas sem necessidade de monitoramento ou cobrança. Exemplos deste S relacionados à saúde são: participação assídua em ginásticas laborais (quando existe); postura e uso adequado dos recursos ergonômicos; utilização e manutenção da higiene de EPI´s; cumprimento rigoroso de boas práticas de fabricação, etc.

A associação do 5S com a saúde pode ser iniciada ou refletida nos ambientes de trabalho e ser levada para o cotidiano em qualquer outro ambiente, principalmente na nossa casa e na educação de nossos filhos.

Igualmente, é normal nas indústrias de alimentos e derivados, produtos farmacêuticos e cosméticos, a aplicação das Boas Práticas de Fabricação, conhecidas como Good Manufacturing Practices (GMP), para atender às respectivas legislações (Codex-Alimentarius, FDA, ISO, APPCC, etc.). O 5S contribui para a formação de uma cultura adequada à estas práticas, não somente nos ambientes diretamente monitorados, mas também em todas as outras áreas da empresa.

O SEIRI, Senso de Utilização, prega que devemos ter no ambiente de trabalho os recursos adequados e que estejam em plenas condições de uso. Improvisações que geram riscos à saúde, à segurança e à higiene do ambiente de trabalho e que podem ser fontes de contaminação são criticadas no 5S. Ou seja, o 5S cria a cultura nas pessoas de ter no local de trabalho apenas os recursos úteis e em boas condições, e isto é fundamental para as Boas Práticas de Fabricação.

O SEITON, Senso de Ordenação, consiste em ter locais de trabalho adequados para a guarda de cada recurso e que cada um deles seja devidamente identificado. Um dos riscos para as Boas Práticas de Fabricação é justamente a desordem e a deficiência de identificações de produtos e insumos.

O SEISO, Senso de Limpeza, tem como principal objetivo a manutenção da limpeza de ambientes e instalações através da eliminação de fontes sujeira. Várias deficiências estruturais e comportamentais que são atacados neste Senso contribuem diretamente para o GMP. Exemplos: vazamentos de óleo; derramamento de produtos; presença de insetos; falha na sistemática de limpeza ou no seu descumprimento; coletores de resíduos inadequados, mal distribuídos, transbordando, com resíduos misturados, etc.

O SEIKETSU, Senso de Higiene e Saúde, que é a própria essência do GMP, não se limita apenas aos ambientes monitorados, mas em áreas periféricas e pessoas de outras áreas que poderiam trazer contaminações, como pessoas e recursos da manutenção que não são obrigatoriamente constantes nas áreas de fabricação.

O SHITSUKE, Senso de Autodisciplina, não se limita apenas a manter os 3 primeiros S no dia a dia, mas também prega que os Procedimentos Operacionais Padrão (POP) sejam praticados sem necessidade de monitoramento ou cobrança. Exemplos: uniformes limpos e bem cuidados; higiene pessoal; identificação adequada de rótulos, bulas ou cartuchos; lavagem adequada de equipamentos e recursos de apoio e manutenção dos recursos, produtos e insumos nos seus devidos lugares. O cumprimento rigoroso dos procedimentos por todos e em todos os momentos evitam a contaminação do produto que é o objetivo principal do GMP.

A diferença maior entre as empresas que têm o GMP sem obrigatoriamente ter o 5S e aquelas que têm o 5S é que a cultura da higiene muitas vezes fica restrita apenas as áreas de fabricação. Isto não garante que, em um ou outro momento, variáveis não monitoradas adequadamente, como pessoas e recursos, não contaminem o produto, uma vez que as áreas de suas origens podem não estar com a cultura de utilização e ordenação adequada de recursos, de limpeza dos locais de trabalho, de higiene pessoal e de autodisciplina no cumprimento de regras, normas e procedimentos, conceitos genuínos do 5S.

As alterações da ISO 9001:2008

Um leitor me enviou uma correspondência querendo saber rapidamente quais foram as principais modificações da ISO 9001, em relação à versão de 2000. Muito já se escreveu sobre o assunto, mas não custa repetir neste espaço.

A ISO 9001:2000 foi submetida a um processo de aperfeiçoamento para se adaptar melhor ao processo de melhoria ao que toda norma deve ser submetida. Foi publicada no dia 14 de novembro de 2008 e irá substituir a atual NBR ISO 9001:2000, que está implementada em organizações dos setores privados e públicos de 170 países, abrangendo cerca de um milhão de organizações. As empresas adotaram a certificação na NBR ISO 9001 para ampliar a confiabilidade dos produtos ou serviços fornecidos aos seus parceiros de negócios ou na seleção de fornecedores da cadeia de fornecimento. As principais modificações estão no quadro abaixo:

 

REQUISITO ALTERAÇÃO CONSIDERAÇÃO
Requisitos Regulamentares e Estatutários São aplicáveis aos produtos e podem ser expressos como requisitos legais.  
4.1 e – Requisitos Gerais e) a organização deve: monitorar, medir (onde aplicável) analisar os processos. A conceituação de medir, onde aplicável, possibilita o monitoramento dos processos onde a medição é difícil de ser efetuada.
4 – Processos Terceirizados As organizações passam a ter liberdade de definir como controlam os mesmos, podendo ser por meio do 7.4.  
4.2.3 – Controle de Documentos No item 4.2.3. f – os documentos de origem externa passam a ter identificação e distribuição controlada se os mesmos forem necessários para o planejamento e operação do sistema de gestão da qualidade. Desburocratiza o controle de documentos deixando a cargo, da organização, determinar quais documentos externos são importantes para garantir o atendimento aos requisitos dos clientes.
4.2.4 – Controle de Registros Registros estabelecidos para evidenciar a conformidade com os requisitos e a efetiva operação do Sistema de Gestão da Qualidade, são controlados. Dá liberdade à organização definir quais os registros que devem ser controlados ao invés de postular que os registros definidos pela norma devam ser controlados (versão 2000).
Controle necessário para identificação, armazenamento, proteção, recuperação, retenção e descarte dos registros. Foi excluído o tempo que ficava associado à retenção, o que permite à organização estabelecer o controle sobre a retenção do registro.
5. – Responsabilidade da Direção Estará mantido na integra Demonstra que, o foco na gestão dos processos, do Sistema da Qualidade, permanece importante.
6.2.1 – Recursos Humanos (Generalidades) Pessoal realizando trabalhos que afetam a conformidade requerida do produto, deve ser competente em base apropriada de educação, treinamento, habilidade e experiência. Em substituição a “atividades que afetem a qualidade do produto” Uma nota de esclarecimento demonstra que: “a conformidade com os requerimentos do produto podem ser afetadas por pessoas que realizam qualquer atividade no sistema da qualidade”. Tornando necessária a definição de competência de todas as funções do SGQ.
6.3 – Infra-estrutura Acrescentado no item “Serviços de suporte” (c) o exemplo de “sistemas de informações”. Atualização consistente com a importância de comunicação interna (em suas diversas formas) e os cuidados necessários com sua manutenção.
6.4. – Ambiente de Trabalho Inclusão de esclarecimento sobre o termo ambiente de trabalho. Esse termo está associado com as condições em que o trabalho é executado incluindo aspectos físicos, ambientais e outros (tais como: ruído, temperatura, umidade, iluminação e clima). Direciona o foco avaliação às condições de trabalho, ou naquela em que o trabalho é realizado efetivamente.
7.1. – Planejamento da Realização do Produto No item (C) ficou explicitada a palavra medição dentre as atividades de controle do produto. Na elaboração dos Planos ou instruções de controle a medição já era contemplada.
7.2.1 – Determinação de Requisitos Relacionados ao Produto Inclusão de nota de esclarecimento: Atividades de após a entrega incluem, por exemplo: ações de garantia, obrigações contratuais tais como serviço de manutenção e serviço suplementar como reciclagem e disposição final. Esclarecimentos atuais e alinhados com, por exemplo, a sustentabilidade das organizações.
7.3.1 – Planejamento do Projeto e Desenvolvimento Incluída nota de esclarecimento relativo ao fato de a análise crítica, verificação e validação possuírem propostas distintas. Estas atividades podem ser conduzidas e registradas separadamente ou em alguma combinação cabível para o produto ou para a organização. Um esclarecimento muito apropriado pela complexidade do projeto e desenvolvimento produto ou à dimensão da organização e conseqüentemente das atividades a serem realizadas no processo de projeto e desenvolvimento (pequenas empresas ou grandes complexos industriais).
7.3.3 – Saídas de Projeto e Desenvolvimento Nota de esclarecimento relativa à “informação para a produção ou fornecimento de serviços podem incluir detalhes sobre a preservação do produto”. Algumas organizações já proviam estas informações, porém torna-se uma orientação interessante para as demais.
7.4 – Aquisição Sem alteração Seus conceitos permanecem atuais como forma de assegurar o processo de fornecimento.
7.5.1 – Controle da Produção e Fornecimento de Serviço Inserção da palavra produto no item f como segue: “implementação da liberação do produto, entrega e atividade de pós entrega”.  Um esclarecimento a mais, entretanto o sentido se mantém.
7.5.3 – Identificação e Rastreabilidade Inclusão da demonstração da situação do produto em relação à situação de medição e monitoramento do mesmo ao longo da realização do produto. Formalização da necessidade de identificação dos status de inspeção.
7.5.4 – Propriedade do Cliente Incluído na nota de esclarecimento a possibilidade de fornecimento de dados pessoais do cliente. Esclarecimento muito aplicável às organizações de prestação de serviços.
7.5.5 – Preservação do Produto Alteração no sentido de que o produto deve ser preservado no intuito de manter a conformidade com os seus requisitos. Altera a obrigatoriedade de preservação para onde aplicável a inclusão de identificação, manuseio, embalagem, armazenamento e proteção.  Possibilita à organização estabelecer os métodos adequados para manter esta conformidade relacionada às características peculiares do produto fornecido.
7.6. – Controle de Dispositivos de Medição e Monitoramento Nota relativa à capacidade do software de satisfazer a aplicação para o qual foi pretendido, o que tipicamente inclui a verificação e gestão da configuração para manter a sua adequação ao uso. O esclarecimento faz com que a organização efetue as verificações segundo os critérios e frequência necessários. 
8.2.1 – Satisfação dos Clientes O esclarecimento neste caso está relacionado ao monitoramento da percepção que pode incluir pesquisa de satisfação dos clientes, dados do cliente quanto à qualidade do produto entregue, pesquisa de opinião dos usuários, análise de perda de negócios, elogios, reclamações de garantia e relatório de distribuidores. Amplia a conceituação de métodos possíveis para obtenção da métrica relacionada com a satisfação do cliente.
8.2.2 – Auditoria Interna Definição de que os registros de auditoria e os resultados devem ser mantidos. O gestor responsável pela área sendo auditada deve assegurar que quaisquer correções e ações corretivas necessárias sejam tomadas sem demora indevida para eliminar não conformidade e suas causas. Definição clara dos registros a serem mantidos.Aperfeiçoamento dos termos adotados para as empresas efetivamente implementarem as ações necessárias (pontual ou sistêmica) a busca da melhoria de performance do SGQ por meio das ações ou correções que se fizerem necessárias.
8.2.3 – Medição e Monitoramento dos Processos Alteração do texto eliminando a expressão “para assegurar a conformidade do produto”. Essa afirmação dava origem à interpretação de se medir e monitorar o processo do produto. Com a alteração reforça o conceito de medição e monitoramento dos processos do SGQ, para alcançar os resultados planejados e leva a utilização de métodos aplicáveis de gestão dos processos por monitoramento ou utilização de indicadores, quando mensurável.
8.2.4 – Medição e Monitoramento do Produto Deve ser registrada a pessoa responsável por liberar o produto para o cliente. Isto possibilita a flexibilização dos registros durante as verificações intermediários do processo de realização do produto.
8.3. – Controle de Produto Não-Conforme As formas de tratar o produto não conforme agora é precedida da expressão: “onde aplicável”. Essa nova abordagem possibilita à organização estabelecer os métodos de controle para assegurar que produto não conforme não seja usado ou entregue ao cliente.