Motivação e trabalho em equipe

Segundo alguns especialistas, a motivação das pessoas depende de dois fatores: higiênicos e motivacionais. Os primeiros referem-se às condições físicas e ambientais de trabalho, o salário, os benefícios sociais, as políticas da empresa, o tipo de supervisão recebida, o clima de relações entre a direção e os empregados, os regulamentos internos, etc. Os motivadores referem-se ao conteúdo do cargo, às tarefas e aos deveres relacionados com o cargo em si, produzindo efeitos duradouros de satisfação e aumento de produtividade.

Para o diretor da Prado Gestão Empresarial, Ivan Prado, não são possíveis generalizações a respeito da motivação, tornando-se importante considerar a peculiaridade humana, pois cada indivíduo possui desejos e necessidades diferentes e, independentemente da facilidade de compreensão ou da conveniência administrativa, não existe estratégia específica para todos terem uma produtividade satisfatória. Assim, atitudes profissionais como apatia, indiferença, não compromisso, irresponsabilidade, relação desumanizada com a clientela, falta de motivação, insatisfação e falta de criatividade são consideradas decorrentes de dificuldades no desenvolvimento do trabalho da enfermagem, devendo ser ressaltada a necessidade do desenvolvimento de sensibilidade no que tange a um gerenciamento mais reflexivo, crítico, flexível, humano, que dê oportunidade para maior participação dos elementos da equipe e dos clientes.

A motivação origina-se das necessidades e não dos fatores de satisfação exógenos, encontrados no ambiente, ou dos fatores de satisfação endógenos, intrínsecos ao indivíduo. Dessa forma, considerar a motivação como resultado de fatores que residem fora do indivíduo agrada a muitos supervisores e gerentes, pois podem atribuir as causas da falta de motivação daqueles aos quais supervisionam, ou dizem administrar, somente às organizações. Portanto, deve ser examinado cuidadosamente no que consiste o fenômeno da liderança diante do despreparo dos administradores de recursos humanos, em decorrência dos efeitos danosos provocados por um vínculo de chefia inadequado que, associado à filosofia organizacional, impede a criação de um ambiente motivacional.

Já a concepção de uma equipe pode estar vinculada a um processo de trabalho ou simplesmente da necessidade histórica do homem de somar esforços para alcançar objetivos que, isoladamente, não seriam alcançados ou seriam de forma mais trabalhosa ou inadequada. Igualmente; pode surgir da imposição que o desenvolvimento e a complexidade do mundo moderno têm imposto ao processo de produção, gerando relações de dependência e/ou complementaridade de conhecimentos e habilidades para o alcance dos objetivos.

Em linhas gerais, o trabalho em equipe pode ser entendido como uma estratégia, concebida pelo homem, para melhorar a efetividade do trabalho e elevar o grau de satisfação do trabalhador. Hoje, mais do que nunca, o trabalho em equipe tem sido incentivado em praticamente todas as áreas da atividade humana. Vários autores têm destacado vantagens do trabalho em equipe sobre o trabalho individual. Apesar deste reconhecimento, constatamos, na prática, muitas dificuldades em realizar o trabalho em equipe. E o que é uma equipe?

Pode ser um conjunto ou grupo de pessoas que se aplicam a uma tarefa ou trabalho. De acordo com esse conceito, para ser uma equipe basta que as pessoas trabalhem numa mesma tarefa. Não importa, neste caso, o significado/objetivo que o trabalho tem para cada um, nem como as pessoas se relacionam neste trabalho. Na medida em que os componentes do grupo não compartilham dos mesmos objetivos, podendo até ter objetivos conflitantes, pode-se encontrar situações nas quais o fracasso de um membro do grupo seja intencional – boicote.

Pode ser um conjunto ou grupo de pessoas que partilham de um mesmo objetivo. Nesse conceito, o fundamental é que as pessoas tenham o mesmo objetivo, não importando como cada um pretende alcançá-lo. É como uma equipe de futebol amador em que os jogadores têm o mesmo objetivo (ganhar o jogo), mas não têm um esquema tático para vencê-lo.

Será um conjunto ou grupo de pessoas que ao desenvolver uma tarefa ou trabalho, almejam um objetivo único, obtido pelo consenso/ negociação. Esse conceito amplia o anterior na medida em que o objetivo do trabalho não é definido externamente ao grupo ou por parte dos seus componentes. O objetivo é resultante da discussão/negociação entre todos os membros da equipe.

Pode ser um conjunto ou grupo de pessoas que tem objetivos comuns e está engajado em alcançá-los de forma compartilhada. Essa definição avança um pouco mais, na medida em que as pessoas têm o mesmo objetivo e querem alcançá-lo de forma compartilhada. Provavelmente, neste caso, a equipe tem um plano para atingir o seu objetivo.

Enfim, será um conjunto ou grupo de pessoas com habilidades complementares, comprometidas umas com as outras pela missão comum, objetivos comuns (obtidos pela negociação entre os atores sociais envolvidos) e um plano de trabalho bem definido. Nesse conceito, reconhece-se a diversidade de conhecimentos e habilidades entre os membros da equipe, que se complementam e enriquecem o trabalho como um todo, contribuindo desta maneira para que a equipe tenha mais chances de atingir seu objetivo. E mais, o grupo tem um projeto de como alcançá-lo.

Atualmente tem-se agregado, ainda, a idéia de que, no desenvolvimento do processo de trabalho e na busca de seus objetivos, os componentes da equipe deverão criar as condições necessárias ao crescimento individual e do grupo. Ao se referir um determinado tipo de trabalho como sendo de equipe, é necessário que se tenha claro que não há como conceber equipe como algo que se passa à margem do processo de trabalho.

O funcionamento das equipes pode apresentar diferenças significativas em função do tipo de trabalho que está sendo executado. Este, por sua vez, determina os conhecimentos e habilidades essenciais para o seu desenvolvimento, e a necessidade de uma coordenação e de um plano de trabalho ora mais, ora menos flexíveis.

O que acontece com um time de futebol? Seus componentes têm objetivos comuns – marcar gols, vencer jogos e ganhar campeonatos –, habilidades diferentes (o goleiro, o beque, o atacante), uma coordenação (o técnico) e um plano de trabalho (o esquema tático). Quando se observa atentamente o seu funcionamento, percebem-se alguns detalhes que a fazem um tipo de equipe bastante singular. Embora as habilidades e até as características físicas de um beque sejam diferentes, se comparadas às de um atacante, nada impede que o beque marque gols, nem que o atacante ajude no trabalho da defesa , ou que ambos substituam o goleiro.

Pode-se dizer que existe uma certa inespecificidade no trabalho dos jogadores. A atuação do técnico (coordenação), no momento de uma partida, pode ser prescindido, sem que isto signifique necessariamente o fracasso da equipe. Temos vários exemplos nos quais o técnico não estava presente (tinha sido expulso) e o time ganhou a partida. No decorrer de um partida, alguns jogadores podem assumir a coordenação da equipe na execução de uma tarefa específica, por exemplo: organizar a defesa quando o time está sendo atacado, comandar o ataque, preparar uma jogada, etc.

Como se pode perceber, fazer de um grupo de pessoas uma equipe é realmente um grande desafio. Desafio que passa pelo aprendizado coletivo da necessidade de uma comunicação aberta, de uma prática democrática que permita o exercício pleno das capacidades individuais e uma atuação mais criativa e saudável de cada sujeito, evitando, assim, a cristalização de posições, a rotulação e a deterioração das relações interpessoais. Desta forma, o grupo poderá buscar seus objetivos, responsabilizando-se, solidariamente, pelos sucessos e fracassos.

3 Respostas

  1. Bom dia!…o artigo é excelente. Muito bom!
    Concordo com o ponto de vista de Ivan Prado, de que não são possíveis generalizações sobre as necessidades, dada a complexidade e variabilidade humana. Mas nesse ponto, quero considerar que talvez teóricos do comportamento tenham que rever a estrutura paradigmática de tantas teorias motivacionais centradas unicamente na idéia da seleção de conjuntos de fatores. Simplesmente a motivação é um estado que não se generaliza para todos os aspectos do comportamento.
    Há também, inúmeros equívocos entre dois conceitos absolutamente distintos: condicionamento e motivação. Definitivamente a motivação não pode ser tratada como esquemas e reforçamento.
    E mais, conceber que o indivíduo, uma vez motivado, se torna imune a influências dos estímulos do meio ambiente. Uma afirmação improvável e impossível!
    E, para não me estender muito, um último comentário:
    a conduta motivacional quando estudada dentro de organizações é vista dentro de uma ótica afinada com os eventos, necessidades fisiológicas. Em empresa, falamos de ações sociais. Portanto, a motivação nessa área não pode ser compreendida de acordo com os círculos particulares dessas necessidades primárias. E foi justamente essa imensa teia de equívocos que levou a estagnação do entendimento do comportamento motivacional.
    obrigada,
    Angela Paes!

  2. […] Posted on Março 30, 2010 by hayrton Complementando um texto já publicado nesse site (https://qualidadeonline.wordpress.com/2009/12/07/motivacao-e-trabalho-em-equipe/), pode-se afirmar que atualmente tem-se agregado a idéia de que, no desenvolvimento do processo de […]

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