A hipocrisia humana em Quioto e Copenhague

Enquanto a fauna humana desfila seus ideais sobre as mudanças climáticas em Copenhague, na Dinamarca, na Conferência das Nações Unidas sobre o Clima (COP-15), fica uma pergunta: o Protocolo de Quioto, ratificado em 15 de março de 1998, reduziu as emissões de gases poluentes? No documento, havia um cronograma em que os países seriam obrigados a reduzir, em 5,2%, a emissão de gases poluentes, entre os anos de 2008 e 2012 (primeira fase do acordo). Os gases citados no acordo são: dióxido de carbono, gás metano, óxido nitroso, hidrocarbonetos fluorados, hidrocarbonetos perfluorados e hexafluoreto de enxofre. Estes últimos três são eliminados principalmente por indústrias.

O protocolo sugeria ações comuns como, por exemplo:

– aumento no uso de fontes de energias limpas;

– proteção de florestas e outras áreas verdes;

– otimização de sistemas de energia e transporte, visando o consumo racional;

– diminuição das emissões de metano, presentes em sistemas de depósito de lixo orgânico.

– definição de regras para a emissão dos créditos de carbono (certificados emitidos quando há a redução da emissão de gases poluentes).

A esperança dos especialistas era que houvesse a diminuição da temperatura global entre 1,5 e 5,8º C até o final do século XXI. E isso não vai ocorrer. A emissão dos gases do efeito estufa aumentou 2,4% de 2000 para 2004 nos países industrializados.

Se forem considerados apenas os 35 países que têm metas de redução de emissões definidas no Protocolo de Quioto, o aumento foi de 2,9%. É claro que esses números foram levantados antes do tratado entrar em vigor, mas mostram a dinâmica da lógica do desenvolvimento adotado pelos países que é de difícil reversão. Veja alguns dados levantados no estudo. A porcentagem se refere a variação entre as emissões de 1990 e 2004 e os valores são o total emitido em 2004:

Os resultados ruins

Estados Unidos: + 15,8% (7 bilhões de toneladas)

Japão: + 6,5% (1,4 bilhões de toneladas)

Canadá: + 26.6% (758 milhões de toneladas)

Itália: + 12,1% (582 milhões de toneladas)

Austrália: + 25,1% (529 milhões de toneladas)

Espanha: + 49% (428 milhões de toneladas)

 

Os bons resultados

Rússia: – 32% (2 bilhões de toneladas)

Alemanha: – 17,.2% (1 bilhão de toneladas)

Grã-Bretanha: – 14,3% (665 milhões de toneladas)

França: – 0,8% (560 milhões de toneladas)

Aí fica a pergunta: vai adiantar alguma coisa o Protocolo de Copenhague ou sei lá como será denominado o documento vinculativo da COP-15? O Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC), formado por 2.500 cientistas, afirma que a Terra já aqueceu cerca de 0,7 °C desde a Revolução Industrial. O IPCC projetou cenários futuros que prevêem o aquecimento do planeta em pelo menos 1,8°C até o fim deste século, dependendo das medidas tomadas pelos países para reduzir as emissões.

Reuniões eficazes

Sempre achei que uma reunião com mais de 15 minutos é uma porcaria. Se não houver uma decisão nesse tempo, o que será conversado e discutido durante um tempo maior que isso não será levado em consideração pela maioria dos presentes à sala.

Em um texto que li do consultor e palestrante Sergio Canossa (scanossa@uol.com.br ou s_canossa@yahoo.com.br), ele escreve: “As reuniões eficazes começam muito antes do dia e hora previstos. Para que sejam bem sucedidas começa-se pelo propósito e conteúdo. A primeira questão que se deve ter resposta é: “preciso realmente fazer esta reunião?”. O assunto a ser discutido não pode ser tratado de outra forma? Se a reunião não é sua, você deve se perguntar: “Será que preciso mesmo participar?”.Um dos principais elementos para se determinar a produtividade nas organizações é discutir se a reunião é realmente necessária. Em seguida, é preciso avaliar se a sua presença é importante. Voltemos ao primeiro ponto. É uma atitude freqüente nas organizações quando acontece qualquer impasse ou dúvida dizer “o melhor é fazermos uma reunião”. Pare imediatamente. Não leve a idéia adiante. Faça uma rápida reflexão. Será que o assunto merece uma discussão ou podemos fazer uma rápida consulta a alguns dos possíveis envolvidos? Usando telefone, e-mail, uma conversa de corredor, uma visita rápida ao outro departamento ou mesa, pode-se tomar uma decisão. É importante lembrar também que, a decisão pode estar entre as suas atribuições – portanto, cabe a você buscar mais dados para se posicionar e decidir. Não é o caso de transferir responsabilidades para um grupo.”

Isso é exatamente o que penso. O Canossa escreve ainda: “Se você foi convocado para participar de uma reunião, verifique qual é a necessidade de sua presença. Se, por exemplo, terá um papel de ouvinte ou existe na sua área alguém com melhores informações do que você, não pense duas vezes: delegue! A pessoa certa contribui mais do que você poderia fazer. É muito comum também, os superiores hierárquicos participarem de inúmeras reuniões, e, assim centralizar as informações de sua área e, depois, fazer uma reunião com seus subordinados para transmitir as decisões e necessidades. São situações como estas que geram trabalhos imprevistos e que obrigam as pessoas trabalharem até mais tarde quando não previam.  Muitas vezes, tais informações são incompletas e, diante das dúvidas os subordinados precisam se reunir para esclarecê-las. Outras vezes, o superior prevendo dificuldades leva o subordinado, excepcionalmente, à reunião para quando o assunto for tratado este possa dar subsídios à posição da área (algumas vezes o subordinado fala para o superior que transmite ao grupo reunido). Se houver um voto de confiança e, mais uma vez houver delegação tudo se resolve.”

Algumas regras que podem ser tomadas em relação às reuniões:

Administrar o tempo – Deve-se ter uma agenda prévia que orientará os participantes, na qual deve se estabelecer o tempo de início e término, e principalmente, o tempo que será dispensado para cada item.

Liderança – Não pode haver reunião sem líder e este tem que ter uma visão estratégica para que a reunião não perca sua finalidade. Deve ser capaz de conduzir os assuntos sem permitir a luta pelo poder, não influenciando o grupo, encorajando a discussão de pontos contrários, principalmente aos seus e direcionando todos estes argumentos para que cheguem a um denominador comum.

Definições de objetivos claros – Devem ser convocadas com antecedência, para que os participantes tenham tempo hábil para se prepararem. E os objetivos da convocação devem ser claros e importantes, de forma que os membros da reunião se comprometam com eles.

Foco nos debates – O foco da discussão não deve se desviar dos itens da agenda, a menos que de última hora apareça um assunto igualmente importante que mereça ser discutido dentro da reunião convocada e que deverá ser administrado pelo líder.

Ambiente calmo – Por mais importante e sério que o assunto possa ser, o ambiente deve ser completamente livre de tensões, isso fará com que os participantes sintam-se encorajados a contribuir significativamente. Todos os componentes de uma reunião devem ouvir atentamente uns aos outros e acolher todas as idéias.

Gestão de conflitos – Embora seja tarefa do líder cuidar para que os conflitos não ultrapassem os limites de uma discussão sadia, cada participante deve se portar de modo que as diferenças de opiniões não interfiram no desempenho do grupo.

Delegação de tarefas – Uma vez que as decisões foram tomadas e aceitas pelos participantes, é preciso nomear os responsáveis pelas próximas ações, estabelecendo prazos e atribuições.

Se estas providências forem tomadas, podem ser que assim a reuniões não sejam um saco para ninguém!

A segurança em instalações elétricas

 

Um leitor me questiona se existe alguma norma que trata sobre a segurança das instalações elétricas de uma organização. Sim. Trata-se da NR 10 de dezembro 2004 que fixa as condições mínimas exigíveis para garantir a segurança dos empregados que trabalham em instalações elétricas, em suas diversas etapas, incluindo projeto, execução, operação, manutenção, reforma e ampliação e, ainda, a segurança de usuários e terceiros. A nova norma estabelece prazos para o cumprimento de cada item, sendo que a grande maioria deles é de cumprimento imediato desde sua publicação e é passível de auditoria pelo Ministério do Trabalho.

Os especialistas dizem que a eletricidade é silenciosa, invisível e inodora, mas apresenta um grande potencial de acidentes e, infelizmente, conforme demonstram as estatísticas, o acidente elétrico quase sempre deixa grandes seqüelas e pode causar até a morte. Basicamente, o resultado da falta de prevenção envolvendo eletricidade resulta na exposição aos dois agentes físicos de risco: choque e arco elétrico.

Assim, o não-atendimento da legislação pode levar ao pagamento de pesadas multas, além de responsabilizar civil e criminalmente as empresas e seus líderes em caso de acidentes. A norma divide as responsabilidades para os contratantes e seus contratados.

Ela cria o Prontuário das Instalações Elétricas, que deve conter tanto os documentos relativos à instalação elétrica, quanto os relacionados aos trabalhos realizados nas instalações, deve ser organizado pela empresa e permanecer à disposição dos trabalhadores envolvidos nas instalações e serviços em eletricidade. Também institui o Relatório das Inspeções da Conformidade das Instalações, ao determinar que deve ser realizada uma auditoria na documentação e inspeção nas instalações elétricas da empresa.

A partir dessa auditoria e dessa inspeção, elabora-se um relatório determinando todas as não conformidades encontradas e um cronograma de correção das não conformidades do próprio prontuário, bem como das instalações. Reforça, para os locais de trabalho, a obrigatoriedade de prescrições de segurança contidas em outras normas da área elétrica, além de instituir medidas e procedimentos de proteção, criando mecanismos capazes de garantir a adequação das instalações às suas determinações e a manutenção dessas condições ao longo do tempo. Em seu item 10.1.2, pede que seja observada a normas técnicas oficiais estabelecidas pelos órgãos competentes (no Brasil é ABNT) e na sua falta as normas internacionais.

Para conhecer melhor a norma clique no link http://www3.dataprev.gov.br/SISLEX/paginas/05/mtb/10.htm

Clique no link e acesse uma apresentação em power point sobre a NR 10: https://qualidadeonline.files.wordpress.com/2009/12/nr-10.ppt

Alguns documentos complementares a este regulamento

Portaria 12:1983 Altera as Normas Regulamentadoras NR 07, NR 08, NR 09, NR 10, NR 12, NR 13, NR 14, e o Anexo VIII da NR 15, aprovados pela Portaria no 3.214, de 08 de junho de 1978, que passam a vigorar com a redação dada por esta Portaria
 
Portaria 598:2004 Altera a Norma Regulamentadora NR 10 que trata de Instalações e Serviços em Eletricidade
 
Portaria 484:2005 Restabelece e prorroga, até 8 de março de 2006, o prazo para cumprimento da obrigação de que trata o item 10.7.3 da Norma Regulamentadora NR 10
 
Portaria 108:2004 Inclui a alínea “c” no item H.3 do Anexo I da NR 06 – Lista de Equipamentos de Proteção Individual, como disposto a seguir: “c) Vestimenta condutiva de segurança para proteção de todo o corpo contra choques elétricos”
 
Portaria 14:2002 Prorroga por 60 (sessenta) dias, o prazo a que se refere o art. 2° da Portaria SIT n.° 06 de 28 de março de 2002, publicada no DOU de 1 de abril de 2002, Seção 1, páginas 95 a 98, para recebimento de sugestões à proposta de alteração do texto referente a
 
Portaria 06:2002 Divulga para consulta pública o texto anexo de proposta de alteração da Norma Regulamentadora NR 10 – Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade
 
Portaria 14:2001 Altera representantes designados para comporem o Grupo Técnico – GT, para elaboração de proposta de revisão da NR 10 – Instalações e Serviços em Eletricidade
 
Portaria 04:2000 Constitui Grupo Técnico – GT, para elaboração de proposta de revisão da NR 10 – Instalações e Serviços em Eletricidade
 
Portaria 062:2006 Altera o prazo para cumprimento da obrigação de que trata o item 10.2.9.2 da Norma Regulamentadora NR 10, previsto no Anexo IV da Portaria MTE n.º 598, de 7 de dezembro de 2004, publicada no Diário Oficial da União de 8 de dezembro de 2004