Os produtos químicos e o The Globally Harmonized System of Classification and Labelling of Chemicals (GHS)

O mercado mundial de produtos químicos representa mais de US$ 1,7 trilhões anuais e só para se ter uma ideia nos EUA as negociações com produtos químicos movimentam mais de US$ 450 bilhões por ano e as exportações ultrapassam os US$ 80 bilhões anuais. Os produtos químicos estão presentes, direta ou indiretamente, na sociedade atual e são essenciais na produção de alimentos e medicamentos, e para o estilo de vida adotado atualmente. O amplo uso dos produtos químicos resultou no desenvolvimento de regulamentações específicas para o setor (transportes, produção, locais de trabalho, agricultura, comércio e consumo).

A gestão segura de produtos químicos inclui sistemas pelos quais os perigos químicos são comunicados a todos aqueles potencialmente expostos, incluindo trabalhadores, consumidores, equipes de resposta a emergências e o público. É importante saber quais produtos químicos estão presentes e/ou são usados, seus perigos à saúde humana e ao ambiente e os meios para controlá-los. Existem sistemas de classificação e rotulagem em níveis nacional, regional e internacional, cada um dos quais definindo padrões específicos para grupos de produtos químicos.

Assim, é muito importante ter informações sobre as propriedades perigosas e medidas de controle de produtos. Por isso, foi criado The Globally Harmonized System of Classification and Labelling of Chemicals ou em português Sistema Harmonizado Globalmente para a Classificação e Rotulagem de Produtos Químicos. Este documento é uma abordagem lógica e abrangente para:

• Definição dos perigos dos produtos químicos;

• Criação de processos de classificação que usem os dados disponíveis sobre os produtos químicos que são comparados a critérios de perigo já definidos;

• A comunicação da informação de perigo em rótulos e FISPQ (Fichas de Informação de Segurança para Produtos Químicos).

Muitos países, órgãos e agências reguladoras já têm sistemas implantados para cumprir todos ou alguns dos objetivos estabelecidos pelo GHS. Esses sistemas, no entanto, nem sempre são compatíveis, o que obriga as empresas a manter vários esquemas para atender as exigências de diferentes agências reguladoras nos EUA (CPSC, DOT, EPA, OSHA, etc.) e dos países para os quais exportam.

O GHS não é uma regulamentação. As instruções apresentadas fornecem um mecanismo para atender à exigência básica de qualquer sistema de comunicação de perigos, que é decidir se o produto químico fabricado ou fornecido é perigoso e preparar um rótulo e/ou uma FISPQ apropriada. O documento do GHS, também conhecido como Purple Book, é composto por requisitos técnicos de classificação e de comunicação de perigos, com informações explicativas sobre como aplicar o sistema.

O documento GHS integra o trabalho técnico de três organizações: OIT, OECD e UNCETDG, com informações explicativas. Ele fornece blocos para construção ou módulos de implantação para os órgãos reguladores desenvolverem ou modificarem programas nacionais existentes que garantam o uso seguro de produtos químicos ao longo de todo seu ciclo de vida.

A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) fizeram um acordo de cooperação técnica que possibilitará o acesso gratuito à norma ABNT NBR 14725:2009 – Produtos químicos – Informações sobre segurança, saúde e meio ambiente, que atendem às recomendações do Sistema Globalmente Harmonizado para a Classificação e Rotulagem de Produtos Químicos (GHS).

A norma, publicada recentemente, foi elaborada pelo Comitê Brasileiro de Química (ABNT/CB-10) e fornece orientações sobre a comunicação de perigos de produtos químicos, incluindo requisitos para rotulagem. Há um link de acesso gratuito à norma, mediante cadastro no site www.abnt.org.br ou no portal da Abiquim: www.abiquim.org.br/abnt

Quer ler mais sobre assunto, a Abiquim criou um manual sobre assunto: https://qualidadeonline.files.wordpress.com/2009/12/manual_ghs.pdf

Planejamento estratégico

Mais um ano vencido e fica cada vez mais claro que as organizações devem trabalhar de maneira global, identificando as tendências do mercado em que ela esta inserida e em qual segmento deve atuar. Assim, a ênfase do planejamento estratégico, com certeza, trará benefícios significativos a estas empresas, pois elas serão capazes de oferecer com rapidez serviços e produtos personalizados para seus clientes. O desenvolvimento de uma estratégia é, em essência, o desenvolvimento de uma fórmula ampla que norteará o modo como uma empresa irá competir, quais serão suas metas a curto, médio e longo prazo, e quais serão as políticas necessárias para o cumprimento destas metas.

Acredita-se que um dos primeiros passos para a formulação de uma estratégia consiste na identificação das tendências do meio envolvente contextual e transacional e no reconhecimento das suas implicações para o segmento para os quais se planeja. Em seguida, devem ser analisadas, de uma forma dinâmica, as condições de cada segmento do mercado-alvo. Abaixo segue um texto muito bom do consultor-sênior da consultoria Técnicas de Qualidade e Marketing (TQM, José Ailton Baptista da Silva (joseailton@tqm.com.br), sobre o assunto.

As organizações de sucesso não descuidam em atender os interesses dos clientes, acionistas, empregados, fornecedores e sociedade. A conciliação destes interesses e a obtenção dos melhores resultados, são determinadas pela capacidade da organização em criar e implementar suas estratégias.  A necessidade de uma estratégia surge porque a organização precisa considerar um grande número de variáveis para escolher um direcionamento adequado para alcançar sua visão de futuro.O processo de planejamento estratégico precisa ser simples e objetivo, fácil de ser implementado e compreendido, para que todas as unidades de uma organização possam utilizá-lo, com a freqüência necessária ao adequado direcionamento dos negócios. A coerência nas decisões através do tempo só pode ser conseguida por uma estratégia compreendida por todos os interessados na sobrevivência da organização. A estratégia deve ser facilmente comunicável, e logicamente, perfeitamente entendida.

Existe um grande grau de correlação entre os resultados das estratégias e certas características das mesmas, sendo as principais as seguintes (J. Craig e R. Grant):

  • Avaliação objetiva dos recursos (Ambiente Interno);
  • Capacidade de analise ambiental (Ambiente Externo);
  • Metas simples, desdobráveis e comunicáveis;
  • Implementação eficaz.

Apesar de relativamente novo para a administração, o termo estratégia é antigo e tem sua origem no idioma grego, onde a palavra strategos, no sentido comum, quer dizer: a arte dos generais ou o papel dos mesmos na liderança de um exército. Platão usou o termo estratégia significando a “faculdade de saber como fazer a guerra”. Para Péricles já significava habilidades gerenciais e para Alexandre era o emprego de força para sobrepujar os opositores e criar um sistema de influência e controle.

Substituindo termos militares por administrativos, a palavra estratégia serve hoje perfeitamente para as finalidades da guerra comercial, de sobrevivência, de crescimento ou de liderança das organizações. Para os fins empresariais o planejamento é um processo que em última instancia visa tornar a organização mais eficaz (“fazendo a coisa certa”) e mais eficiente (“fazendo certo a coisa”). Planejar é privilégio do ser humano, quando o pensamento racional precede a ação.  A serviço das organizações o planejamento está ligado à forma pela qual as pessoas enxergam o futuro, antevendo situações, pensando em possibilidades, e preparando planos. O Planejamento Estratégico para fins exclusivamente empresariais surgiu nos Estados Unidos por volta de 1960, com a finalidade de aumentar a competitividade das empresas. Hoje a complexidade e o ritmo das mudanças nas organizações exigem permanente atenção para a criação e implementação das estratégias e planos, daí a necessidade de atualização permanente das competências gerencias, dentre as quais a de bem planejar é fundamental (¹).

Implementação do planejamento estratégico

Para a implementação do planejamento estratégico existem inúmeras metodologias, cada uma composta por diversas etapas. No entanto, e de forma geral, existem pontos comuns que se destacam em todas elas, de maneira que podemos selecionar algumas etapas fundamentais para estabelecer um modelo padrão. Estas etapas poderão ser utilizadas, com maior ou menor profundidade, de acordo com as características próprias de cada organização e dos resultados esperados com o processo de planejamento.

A obtenção de melhores resultados dos trabalhos de planejamento estratégico, em cada organização, dependerá da disciplina da equipe para levantamentos de dados e informações relevantes, bem como para a realização de reuniões, da dedicação aos temas relevantes, devendo-se evitar que outros interesses e preocupações diárias interfiram nas atividades do planejamento, competindo pela atenção dos participantes do processo. Irão influir em todo o processo de implementação o estilo de gestão da alta administração, a cultura e o clima organizacional, bem como o tamanho e o ramo de atividades, de modo que estes aspectos devem ser levados em conta para a análise de cada etapa, no modelo proposto. À medida que as equipes se familiarizarem com os conceitos irá ocorrer a evolução e o aprofundamento progressivo do uso das metodologias, que aperfeiçoarão o processo como um todo, de acordo com o interesse e conveniência de cada organização (²).

De forma genérica as metodologias de planejamento estratégico procuram responder às seguintes perguntas:

– Onde estamos?

– Para onde iremos?

– Como faremos isto?

– Quanto custará?

As adaptações dessas questões para cada tipo de organização parte do princípio que as mesmas estão em estágios distintos de evolução em suas práticas de gestão, alem de se diferenciarem em suas operações, seu estilo gerencial, localização, tamanho, maneira de se estruturar e forma de obtenção de capital, dentre outros fatores. O planejamento não deve ser prerrogativa de uma área somente , mas sim de todos os que têm responsabilidade na organização. Pensar estrategicamente é uma condição não apenas no planejamento mas em todas as ações dos gerentes e executivos.

Segundo H. Mintizberg, a formulação de estratégias não é um processo isolado. Ele não acontece somente num evento programado, quando as pessoas se reúnem e discutem diversos assuntos como sendo planejamento estratégico. Formular estratégias é um processo de entrelaçamento de tudo o que é preciso para administrar uma organização. Quando o planejamento estratégico se iniciou, os que o preparavam eram os especialistas planejadores. A intenção era que esses especialistas deveriam criar as melhores estratégias, de forma que os administradores – os encarregados de fazer – não pudessem errar. Esse modelo não funcionou como era esperado. Hoje sabemos que os melhores resultados chegam quando os próprios administradores traçam as estratégias, a partir de todas as fontes, como por exemplo suas experiências pessoais, pesquisas, visão, conhecimento da organização e dos negócios, etc. A maioria das estratégias de sucesso se resume a descobrir formas de atingir visões de futuro para a organização.

Essas colocações de H. Mintizberg são decorrentes de experiência com planejamento estratégico nas mais diversas instituições públicas e privadas, e ensinam algumas lições das quais destacamos: “a necessidade de afrouxar  o processo de elaboração de estratégias, em vez de tentar amarrá-lo com formalizações arbitrárias”.

Modelo planejamento estratégico prático e objetivo

As organizações estão sofrendo fortes pressões atualmente, o que as obriga a manter-se em um contínuo processo de adaptação e ajuste às mutáveis condições ambientais para sobreviver e manter sua sustentabilidade. A turbulência e a incerteza que caracterizam o mundo atual impõem grandes desafios às organizações. À medida que esses desafios aumentam, também aumenta a necessidade de melhores estratégias. O planejamento estratégico é a maneira pela qual a estratégia é articulada e preparada. Contudo, ele não é algo que se faz esporadicamente. Quanto maior for a mudança ambiental, mais o planejamento estratégico deverá ser feito e refeito de maneira contínua.

“O planejamento estratégico das organizações é um processo dinâmico e interativo para determinação de objetivos, políticas e estratégias (atuais e futuras) das funções organizacionais e dos procedimentos das organizações. É elaborado por meio de técnicas de análises do ambiente (interno e externo), da identificação das ameaças e oportunidades, dos levantamentos de seus pontos fortes e fracos, que possibilitam aos gestores estabelecerem um rumo para organizações, buscando certo nível de otimização no relacionamento entre a organização e o meio ambiente que a cerca. É formalizado para produzir e articular resultados, na forma de integração sinérgica de decisões e ações organizacionais” (Boar; Vasconcelos Filho; Pagnoncelli; Quinn).

O planejamento estratégico procura vencer vícios e estabelecer o sentido de direção socialmente relevante e oportuno, através não só do máximo conhecimento sobre os fatores controláveis, mas também dos fatores externos não controláveis. Isto segundo A. Machado e P.V.Filho possibilita à organização diminuir o processualismo, montando uma estrutura por objetivos e para resultados, enfrentando o futuro e diminuindo a incerteza e o risco, criando dessa maneira uma organização sensível à ambiência externa.

O modelo de planejamento estratégico prático e objetivo, que se propõe, é constituído dos seguintes 12 elementos ou passos (³):

1. Declaração da missão;

2. Estabelecimento da visão;

3. Definição das crenças, valores e princípios;

4. Elaboração dos diagnósticos interno e externo;

5. Identificação dos fatores críticos de sucesso;

6. Determinação dos objetivos;

7. Formulação das estratégias;

8. Preparação dos planos de ação;

9. Execução dos planos de ação;

10. Estruturação do acompanhamento e controle;

11. Realização da reflexão;

12. Aperfeiçoamento do planejamento.

A melhoria do desempenho organizacional é possível por meio da elaboração e da implementação do planejamento estratégico. A busca da eficácia do processo deve ser uma constante, visando conseguir uma estratégia que forneça estabilidade para o crescimento e orientação coerente para as ações. Algumas características observadas nas estratégias bem-sucedidas podem servir de base para as organizações que estão se iniciando no processo: metas objetivas; análises completas do ambiente interno e externo; avaliação realista dos recursos para a execução do planejado; planos de ação executáveis no período considerado; e atenção constante aos resultados (esperados e obtidos).

Nenhuma proposição mágica deve ser esperada. Uma coisa no entanto já foi constatada: as organizações que não perceberam as mudanças não sobreviveram para contar a historia. Hoje a fórmula de sucesso é examinar continuamente o ambiente para sentir as transformações que se aproximam, e mudar seus processos internos antes dos concorrentes. As organizações que triunfarão daqui por diante serão aquelas que construirão um patrimônio de conhecimentos que lhe permitirão inovar em seus processos, produtos e serviços (4).

Algumas definições

Estratégia

É um processo para a descoberta e percepção das oportunidades futuras,a habilidade para energizar a organização e a capacidade de superar os concorrentes, sem correr grandes riscos (Hamel Prahalad)

É a determinação de metas e objetivos de longo prazo de uma organização, e a adoção das linhas de ação e aplicação dos recursos necessários para alcançar essas metas (Alfred Chandler)

É o conjunto de objetivos, finalidades ou metas e as políticas e planos mais importantes para a realização dessas metas, declaradas de modo a definir em que negocio a organização está ou devera estar, e o tipo que é ou deverá ser (Keneth Andrews)

São as políticas e decisões fundamentais, adotadas pela gerencia, que causam impactos importantes sobre o desempenho (Robert Buzzel e Bradley Gale)

Significa uma tentativa de alterar o poder de uma organização em relação ao dos seus concorrentes, da maneira mais eficaz (Kenichi Ohmae)

Planejamento Estratégico

É o conjunto de processos, técnicas e métodos de análise, escolha de objetivos e prospecção do futuro utilizado em uma organização  (Castor, B.V. e Suga, N.)

É o processo que proporciona sustentação metodológica para se estabelecer a melhor direção a ser seguida pela organização, visando um otimizado grau de interação com o ambiente e atuando de forma inovadora e diferenciada (Oliveira, DP.R.)

É um meio para atingir um fim (Gracioso, F.)

É o processo de ajudar a organização a selecionar e organizar os negócios de maneira que se mantenha saudável (Kotler, P.)

É a tentativa de reduzir a incerteza envolvida no processo decisório e, conseqüentemente provocar aumento na probabilidade de alcance dos objetivos e desafios propostos para a organização (Pina, V.M.D.C.)

 

Referências

(1) -José Ailton Baptista da Silva e Helder Luciano de Oliveira    (XFIA/Portugal 2007) Planejamento Estratégico do Conselho Regional de Administração do Mato Grosso do Sul.

(2) – Luiz Christiano L. Silva – Universidade Estadual de Campinas – Tese de Mestrado Fonte: internet.

(3) – José Ailton Baptista da Silva – PAPER 12th WORLD CONGRESS FOR TQM (Edinburg/Scotland-2007) – SPPS.

(4) – Peter Pfeiffer – PEM – Planejamento Estratégico Municipal – Fonte: internet.