Riscos empresariais

11 de setembro de 2001: World Trade Center (WTC)

 

Depois que a ISO publicou a norma ISO 31000:2009 (veja matéria no link https://qualidadeonline.wordpress.com/2009/11/18/iso-publica-a-norma-iso-310002009/), assunto parece estar sendo mais discutido nas empresas. Um leitor me pediu uma análise mais acurada sobre o tema.

A gestão de riscos pode ser definida como a ciência, a arte e a função que visa a proteção dos recursos humanos, materiais e financeiros de uma empresa, no que se refere à eliminação, redução ou ainda financiamento dos riscos, caso seja economicamente viável. Este estudo teve seu início nos EUA e alguns países da Europa, logo após a Segunda Guerra Mundial, quando começou-se a estudar a possibilidade de redução de prêmios de seguros e a necessidade de proteção da empresa frente a riscos de acidentes. Na verdade, pode-se dizer que quanto à consciência do risco e convivência com ele, a gerência de riscos é tão antiga quanto o próprio homem.

O que ocorreu desta época até o surgimento da gerência de riscos, é que os americanos e europeus aglutinaram o que já se vinha fazendo de forma independente, em um conjunto de teorias lógicas e objetivas, dando-lhe o nome de Risk Management. Por outro lado, para que o gerenciamento de riscos seja realmente eficaz, não é suficiente apenas o gerente de riscos estar engajado no programa. As noções de qualidade e segurança estão estritamente relacionadas. A gerência de riscos deve fazer parte da cultura interna da empresa e ser integrada a todos os níveis. O gerente de riscos e a equipe que os gerencia devem funcionar como catalisadores das atuações da empresa frente aos riscos.

Apesar de a gerência de riscos não ser ainda uma prática constante nas empresas brasileiras, acredita-se que o gerenciamento de riscos não onera o balanço final das organizações, e as despesas por ele incorridas não podem ser comparadas aos benefícios que a empresa terá, tanto no tocante à otimização de custos de seguros como na maior proteção dos recursos humanos, materiais, financeiros e ambientais. Com o gerenciamento de riscos é possível a otimização dos resultados do próprio desenvolvimento tecnológico, a partir da redução dos riscos apresentados pelas atividades surgidas na moderna sociedade.

Os riscos podem ser classificados conforme figura abaixo:

Os dois tipos básicos de risco: especulativo (ou dinâmicos) e puros (ou estáticos) se diferenciam pelo fato de que o primeiro envolve uma possibilidade de ganho ou uma chance de perda, enquanto que o segundo envolve somente uma chance de perda, sem nenhuma possibilidade de ganho ou de lucro. É comum considerar-se que a gerência de riscos trabalhe somente com a prevenção e financiamento dos riscos puros, porém, muitas das técnicas podem ser com igual sucesso, aplicadas aos riscos especulativos.

Na figura acima se pode notar que os riscos especulativos subdividem-se em riscos administrativos, políticos e de inovação. Os riscos administrativos dizem respeito ao processo de tomada de decisão, onde como contrapartida aos lucros proporcionados por uma decisão correta está o ônus, que pode ser gerado por uma tomada de decisão errônea. Neste tipo de risco é difícil prever antecipadamente e com precisão o resultado da decisão adotada, entretanto, a incerteza quanto à exatidão do resultado nada mais é do que uma das definições de risco. Ainda no que se refere aos riscos administrativos, podemos difereciá-los em riscos de mercado, riscos financeiros e riscos de produção. Os primeiros dizem respeito à incerteza quanto ao resultado satisfatório na venda de determinado produto ou serviço em relação ao capital investido. Já os riscos financeiros referem-se às incertezas quanto às decisões econômico-financeiras da organização. E os últimos, dizem respeito às incertezas quanto ao processo produtivo das empresas, quer na fabricação de produtos ou prestação de serviços, na utilização de materiais e equipamentos, mão-de-obra e tecnologia.

O segundo tipo de riscos especulativos, os políticos, refere-se aos aspectos político-governamentais do município, estado e país, que podem vir a afetar os interesses e objetivos da organização. O último tipo de riscos especulativos, os riscos de inovação, dizem respeito à incerteza quanto à aceitação de novos produtos e serviços pelos consumidores.

Acredita-se que no gerenciamento eficaz destes riscos encontra-se um fator preponderante de competitividade empresarial. No outro tipo básico de risco, nos riscos puros, a sua materialização só dará lugar à perdas, porém, não tem necessariamente que materializar-se em um acidente ou sinistro, podendo manter de forma indefinida sua característica potencial. Dentro dos riscos puros, os riscos à propriedade consideram as perdas oriundas de incêndios, explosões, vandalismo, roubo, sabotagem, acidentes naturais e danos à equipamentos e bens em geral; os riscos às pessoas, as perdas decorrentes de morte ou invalidez de funcionários, quer por doença ou acidente de trabalho; e os por responsabilidade, tão ou mais importantes que os demais, referem-se às perdas causadas a terceiros pelo pagamento de indenizações, responsabilidade ambiental e pela qualidade e segurança do produto ou serviço prestado, etc.