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Poka-Yoke

Uma leitora me envia um e-mail querendo saber alguma coisa sobre o poka-yoke. É uma técnica simples para eliminar as falhas humanas no local de trabalho, usando dispositivos baratos que podem ser desenvolvidos no próprio chão de fábrica por operários. Os sistemas Poka-Yoke permitem que seja atingido o zero defeito e eliminado a inspeção após a produção. Ao mesmo tempo em que o Poka-Yoke melhora a qualidade, também previne as falhas que podem levar a quebras ou a outros tipos de problemas com os equipamentos.

No Japão do inicio do século XX, Sakichi Toyoda inventou o que pode ser considerado o primeiro dispositivo poka-yoke: um mecanismo que, acoplado ao tear, era capaz de identificar o rompimento de um fio ou o atingimento da quantidade de tecido a ser produzida, paralisando a operação imediatamente. Esta singela invenção possibilitou que vários teares fossem operados por um único trabalhador, o que representou uma grande vantagem competitiva há época.

O conceito de dispositivos capazes de “detectar uma anormalidade no processamento” foi, anos mais tarde, aplicado e difundido na Toyota Motor Company por Taiichi Ohno. Shigeo Shingo, consultor da Toyota durante muitos anos, encarregou-se de aprimorar este conceito e disseminá-lo em indústrias do mundo inteiro.

Shingo (1996) classifica os dispositivos poka-yoke da seguinte forma:

  • Método do Controle: Pára a linha ou a máquina de forma que a ação corretiva seja imediatamente implementada;
  • Método da Advertência: Detecta a anormalidade e sinaliza a ocorrência através de sinais sonoros e/ou luminosos para atrair a atenção dos responsáveis;
  • Método do Contato: Detecta a anormalidade na forma ou dimensão através de dispositivos que se mantêm em contato com o produto;
  • Método do Conjunto: Utilizado em operações executadas numa seqüência de movimentos ou passos pré-estabelecidos, garantindo que nenhum dos passos seja negligenciado;
  • Método das Etapas: Evita que o operador realize, por engano, uma etapa que não faz parte da operação, executada através de movimentos padronizados.

O dispositivo poka-yoke é um componente fundamental das práticas de controle da qualidade na Toyota: o Controle da Qualidade Zero Defeitos (CQZD). Ele visa a eliminação total dos defeitos a partir da identificação e bloqueio de suas causas, os erros. O CQZD pode ser definido como a aplicação de dispositivos poka-yoke em regime de inspeção 100%, na fonte dos defeitos, gerando um feedback e ação corretiva imediatos.

Além do importante papel na prática do CQZD, o dispositivo poka-yoke é um elemento essencial na autonomação (Jidoka), que é um dos dois pilares do Sistema Toyota de Produção, que consiste em facultar ao operador ou à máquina a autonomia de parar o processamento sempre que for detectada qualquer anormalidade. A autonomação, através da detecção de anormalidades e paralisação do processamento, visa garantir um fluxo contínuo de produtos 100% conforme. É parar o processamento para não ter que interromper o fluxo.

APRESENTAÇÃO

Clique no link para acessar uma apresentação sobre o assunto: https://qualidadeonline.files.wordpress.com/2010/01/pokayoke.ppt

Terceirização de serviços

Como uma tendência global, a terceirização vem ganhando espaço no setor de segurança, limpeza, transporte de funcionários, logística, a escrituração contábil e fiscal, o departamento de pessoal, a auditoria interna, a guarda dos documentos, etc. O objetivo é que qualquer serviço que não esteja diretamente ligado a atividade principal da empresa seja repassado a terceiros.

Existem grandes empresas que terceirizaram toda a administração, incluindo a área de faturamento, de cobrança e até o financeiro. Em relação à contabilidade e os serviços afins, tais como a escrituração fiscal e departamento de pessoal, a terceirização já é uma prática consagrada. Empresas de serviços contábeis investem em equipamentos, treinamento, estruturas e novos serviços, e estão em plena expansão, oferecendo serviços de qualidade e adequados às diversas necessidades empresariais.

Mas terceirizar exige bastante cuidado na contratação e na seleção do prestador de serviços, pois as possíveis vantagens que se pode obter com a substituição de uma estrutura não devem ser focadas somente nos custos, e sim, no resultado de melhorias de qualidade e precisão dos dados empresariais. A terceirização pode ser aplicada em todas as áreas da organização, definidas como “atividade-meio”, ou seja, aquelas em que não há participação direta dos empregados terceirizados na formação do produto ou serviço final. Como exemplos: terceirização da segurança (em empresas cujo objeto social não seja serviços de segurança), contabilidade (exceto para organizações contábeis) e limpeza.

Para identificar as áreas que podem ser terceirizadas deve-se analisar criteriosamente o contrato social das empresas e definir acertadamente a atividade-fim. A CLT, no art. 581, § 2º dispõe que se entende por atividade-fim a que caracterizar a unidade do produto, operação ou objetivo final, para cuja obtenção todas as demais atividades convirjam, exclusivamente, em regime de conexão funcional. É ilegal a terceirização ligada diretamente ao produto ou serviço final, ou seja, a atividade-fim. Excetuando-se a atividade-fim, todas as demais podem ser legalmente terceirizadas.

A atividade-fim é a constante no contrato social da empresa, pela qual foi organizada. As demais funções que nada têm em comum com a atividade-fim são caracterizadas como acessórias, ou de suporte à atividade principal, as quais podem ser terceirizadas.

Segundo sondagem da Confederação Nacional da Indústria (CNI), mais da metade (54%) das empresas industriais brasileiras utiliza ou utilizou nos últimos três anos, serviços terceirizados. Os trabalhadores terceirizados representam cerca de 14% da força de trabalho de todo o setor industrial, segundo a pesquisa, o que demonstra, na avaliação da CNI, a dimensão e importância da terceirização para a competitividade da indústria brasileira.

A pesquisa indica que 91% das empresas que terceirizam consideram a alternativa importante para reduzir custos. Esta redução está associada à melhoria da qualidade, que é buscada por 86% das contratantes, e à atualização tecnológica, importante para 75% das consultadas. Entre os principais problemas enfrentados pelas indústrias contratantes de serviços terceirizados estão a qualidade menor do que a esperada, citada por 58% dos respondentes, e os custos acima do esperado, opção assinalada por 48% dos pesquisados. “Essas duas questões são resolvidas por forças de mercado, pela competição. O terceiro problema que mais aparece na pesquisa, com 47%, é a insegurança jurídica, que depende exclusivamente de regulamentação”, avalia Renato da Fonseca, gerente-executivo de Pesquisa, Avaliação e Desenvolvimento da CNI, responsável pela pesquisa.

A pesquisa apontou que é elevado o número de empresas que acompanha o cumprimento, pela contratada, das obrigações trabalhistas. O percentual é mais elevado entre as empresas de grande porte, entre as quais 90% fazem esse acompanhamento. Entre as de médio porte, 84% verificam periodicamente o cumprimento das obrigações trabalhistas, mesmo procedimento feito por 58% das empresas de micro e pequeno portes.

De acordo com Emerson Casali, gerente-executivo de Relações do Trabalho e Desenvolvimento Associativo da CNI, esses dados reafirmam que a chamada “precarização do trabalho” vem diminuindo de forma expressiva no setor privado. “Nenhuma empresa está disposta a assumir o risco de ter um terceirizado informal, porque sabe que vai acabar pagando a conta. Com a terceirização melhor definida, a proteção do trabalhador tende a ser ampliada e as empresas terão segurança para organizar suas redes de produção. Isto implica em maior competitividade e condições de investir mais”, resume Casali.

A ausência de legislação específica gera insegurança jurídica para empresas e trabalhadores e, por isso, a CNI avalia a questão como decisiva para a competitividade industrial. “Regulamentar a terceirização é absolutamente prioritário para o país hoje. Não dá para adiar mais”, avalia Casali.

O Congresso Nacional tem um Projeto de Lei, o 4.302/98, que regulamenta a prática da terceirização e está pronto para ser levado ao plenário da Câmara dos Deputados. O texto, porém, foi modificado na Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público (CTASP), que retirou a responsabilidade subsidiária em relação aos eventuais passivos trabalhistas e passou a contemplar a responsabilidade solidária.

“A garantia para o trabalhador é exatamente a mesma nos dois casos. A diferença é que na responsabilidade subsidiária, defendida pela CNI, a empresa contratada tem de ser acionada na Justiça primeiro. Caso não seja localizada ou não tenha condições suficientes, a contratante é executada”, explica Casali.

Segundo ele, a adoção da responsabilidade solidária vai acabar, na prática, com a terceirização. “Nenhuma empresa vai querer contratar uma terceirizada, mesmo sabendo da idoneidade dela e monitorando se as obrigações trabalhistas estão sendo respeitadas, se o trabalhador puder simplesmente passar por cima da terceirizada e acionar diretamente a contratante na Justiça”, argumenta. “Ficará inviável o processo de defesa”, assegura Emerson Casali, da CNI.

No caso de não se adotar na legislação a responsabilidade subsidiária e, com isso, dificultar a terceirização, boa parte das indústrias que se utilizam dessa prática terão a competitividade afetada, mostra a Sondagem Especial da CNI. Entre as empresas que contam com até 10% de terceirizados, 33% responderam que, se tivessem de parar de terceirizar, perderiam competitividade.

O percentual de indústrias que perderiam competitividade sem terceirização sobe exponencialmente entre as que têm entre 25% e 50% de terceirizados entre seus trabalhadores. Quase seis entre dez (58%) dessas empresas veriam a capacidade de concorrer em seus mercados diminuída se não mais tivesse condições de terceirizar. Um dos reflexos mais diretos seria visto nas empresas que competem com produtos importados.

Essa informação é preocupante, diz o gerente-executivo de Relações do Trabalho e Desenvolvimento Associativo da CNI, que defende os ganhos de eficiência decorrentes da terceirização. Para ele, um dos fatores que possibilitaram a inclusão de camadas mais carentes no processo de expansão das telecomunicações, por exemplo, foi a organização de redes de provedores de serviços terceirizados. “Os ganhos de eficiência advindos da terceirização resultam em menor custo e viabilizam um preço acessível a milhões de consumidores”, explica Casali.

De acordo com os resultados da sondagem, não há indicação de mudança futura significativa no uso da terceirização. Entre as que adotam a prática, 62% responderam que pretendem manter o nível de utilização, enquanto 17% disseram que planejam aumentar o uso de terceirizados. Outros 18% informaram que pretendem diminuir essa prática e 3% disseram que não utilizarão.

Para a professora da Trevisan Escola de Negócios, Geuma Campos Nascimento, a terceirização ainda não foi completamente desmistificada no Brasil. Sempre é vista como uma vilã do sistema empresarial. Mas será que isso é mesmo verdade? Primeiro, faz-se necessário entender que para a realização da prática de terceirização, uma empresa acorda com outra o uso de recursos produtivos materiais e humanos para encaminhar uma atividade não ligada ao negócio central da organização. O cerne do problema está na designação dos colaboradores da contratada nesta tarefa.

“Está em tramitação na Câmara dos Deputados um Projeto de Lei que regula o uso de serviços terceirizados no Brasil. Porém, pouco se sabe qual o tipo de terceirização está sendo tratada neste Projeto de Lei. De acordo com a Súmula 331, apenas a terceirização de atividades-fim da empresa não pode ser realizada. Mas ainda não está muito claro na forma da lei o que é uma atividade-fim e o que é uma atividade-meio dentro de uma organização empresarial”, explica ela.

Na opinião de outro professor da mesma escola, Roni de Oliveira Franco, em linhas gerais, atividade-fim é o produto ou serviço que a empresa oferece ao mercado. Já a atividade-meio é tudo o que a companhia tem que fazer, mas que não é a sua especialidade. Ou seja, todas têm que ter uma folha de pagamento, contabilidade, cobrança, jurídico, financeiro, tributos, compras, marketing, tecnologia, dentre outros, mas isto não é a finalidade da sua empresa. Por isso, a organização contrata uma firma de terceirização especializada que poderá oferecer serviços nessas áreas de atividades, fazendo com que a contratante se preocupe apenas com o seu negócio fim – produto ou serviço.

“Porém, o que deve acontecer, para não ter problemas com empresas de terceirização, são os órgãos competentes e as próprias contratantes fiscalizarem melhor estas prestadoras de serviços, verificando se são idôneas e, ainda, se, como qualquer outra, cumprem seu papel de empregadora com os seus colaboradores. Essas empresas têm órgãos de regulamentação da profissão. Tem as responsabilidades sociais, societárias, jurídicas e tributárias como todas as demais entidades legais”, assegura.

Segundo eles, a terceirização não é negativa para o país. Os países desenvolvidos possuem um grande número de empresas de terceirização. Se isso não fosse bom para o crescimento e desenvolvimento, tenha certeza que eles – os chamados países de primeiro mundo – não aceitariam este tipo de atividade – relação comercial.

“Algumas empresas já entendem e utilizam a terceirização como uma parceria, mas ainda a maioria não consegue enxergá-la e nem estabelecer um relacionamento deste nível. Não é a terceirização que gera o desemprego – as empresas de terceirização é quem contratam colaboradores que estavam fora do mercado de trabalho em busca de oportunidades. São estas empresas, apesar de não ser as únicas, que investem pesado em treinamentos técnicos para seus colaboradores. A terceirização não é o bicho papão que pintam. Ela traz renda e crescimento não só para empresa, mas para o país, já que a contratante poderá cuidar apenas da sua atividade-fim, oferecendo mais qualidade e eficiência aos seus produtos e serviços. Ou não é isso que todas as empresas perseguem?”, concluem eles.