Hoshin Kanri

Um leitor me questionou sobre o que é o Hoshin Kanri? A palavra Hoshin significa política mas pode ser traduzida também como diretriz estratégica ou visão da liderança dependendo da forma como ela é utilizada. Já Kanri significa gerência, gerenciamento ou controle. Assim, Hoshin Kanri seria um processo para se planejar e executar a visão da liderança. Mas será que as combinações dessas palavras em português contêm a verdade do significado do Hoshin Kanri.

Segundo alguns especialistas, existem quatro benefícios do Hoshin Kanri:

  • Focar toda a organização em poucos objetivos vitais do que muitos como usualmente acontece;
  • Alinhar toda a organização em direção a objetivos inovadores;
  • Integrar e encorajar a cooperação entre as áreas funcionais para se fazer as inovações;
  • O processo de revisão resulta em resposta aos itens não executados e em ações corretivas.

O processo é frequentemente comparado ao processo de calibração das bússolas. Assegurar-se de que as bússolas de toda a frota compartilham um norte/noroeste comum é essencial para que uma organização se mantenha focada em melhorias inovadoras. Na visão do futuro, tudo será feito da forma Lean. As pessoas, por natureza, querem melhorar mas nem sempre sabem por onde devem começar a realizar melhorias inovadoras. A forma mais efetiva de criar uma cultura de melhoria contínua que sempre se mantenha, está em se relacionar os kaizens junto com as necessidades do negócio e da organização.

É um sistema de planejamento estratégico e operacional, desenvolvido e refinado no Japão durante a década de 60 por empresas como a Toyota, a Nippon Denso, a Komatsu, etc. Estas empresas combinaram as idéias de. Edward Deming (Ciclo PDCA), de Joseph Juran (Política da Qualidade) e de Peter Drucker (MBO) para então criarem o Hoshin. Assim, ele é:

  • Um sistema de criação e melhoramento de um plano;
  • Um método de análise e de avaliação do estado atual da empresa:
  • Um método para a visualização do estado futuro;
  • Um método para geração de melhorias inovadoras;
  • Uma forma de designar responsabilidades pela organização;
  • Uma forma de tomar ações em grupos;
  • Uma forma de melhorar o processo de planejamento por ele mesmo.

No Brasil, o professor Vicente Falconi Campos escreveu o livro Gerenciamento pelas diretrizes (Hoshin Kanri) que apresenta o conceito de gerenciamento pelas diretrizes, baseado na técnica japonesa Hoshin Kanri. Consiste no desenvolvimento da administração da qualidade total focada no gerenciamento de mudanças e na importância da liderança assumindo a responsabilidade pelas mudanças, metas e objetivos definidos.

Dessa forma, o Gerenciamento pelas Diretrizes (GPD) é constituído por dois sistemas de gerenciamento que são conduzidas simultaneamente:

  • Gerenciamento Interfuncional – Cuida da solução de problemas prioritários da alta administração através do desdobramento das diretrizes e seu controle entre departamentos. Tem como função olhar para o futuro da organização. É o gerenciamento a nível do planejamento estratégico e de responsabilidade da alta administração.
  • Gerenciamento Funcional – Cuida da manutenção e melhoria contínua das operações do dia-a-dia de uma organização. Representa a administração da rotina do trabalho diário com a prática da gestão da qualidade. Trata dos aspectos mais básicos ou rotineiros da operação do negócio.

Um livro muito interessante sobre o assunto é Desdobramento das Diretrizes para o Sucesso do TQM, de Yoji Akao, que trata da essência de um gerenciamento eficaz, integrando as metas e os meios para atingi-las, especificações para medir essa meta e ações de cunho prático. Para comprar clique no link http://www.qualistore.com.br/produto.asp?codigo=2109

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A profissionalização da internet e do uso do computador

Há algum tempo escrevi um texto sobre a internet que é uma nova etapa do conhecimento, uma revolução comparada aos grandes saltos culturais da humanidade, como foi a invenção da tipografia por Gutenberg que barateou o livro, tornando a cultura acessível a um maior número de pessoas. Os livros manuscritos eram caríssimos, principalmente porque exigiam sempre o mesmo trabalho, o mesmo tempo de feitura, a mesma mão de obra, enfim, qualquer fosse o número de exemplares produzidos. O único problema é que passados mais de 500 anos de sua invenção, o homem ainda não conseguiu usar o livro de forma massiva como fonte de conhecimento e mudanças culturais, para o bem da humanidade.

Na web, não somente há um imenso conteúdo livre, como se pode colocar na rede o seu próprio material com apenas alguns cliques. Todos viraram autores, pois a facilidade com que se utiliza diariamente sites como YouTube, My Space, Google e Wikipédia, ou como se administra blogs e twitters, leva à conclusão de que o jantar no buteco da esquina vai ser grátis. Mas os custos da revolução digital é, sem dúvida, o modo como ela vem destruindo indústrias milionárias, como a fonográfica, a cinematográfica – e agora a do livro, com as propostas de digitalização de obras e sua disponibilização na internet para aceso gratuito.

Com o aumento da pirataria, o conceito de direito autoral parece estar em extinção. Além disso, quanto tempo até a humanidade usar esta fenomenal tecnologia para o bem? 1.000 anos, 2.000 anos, quem sabe? Atualmente, orkuts, MSNs blogs, etc. são ainda um reduto de autopromoção de seus autores. Há muitas exceções, é claro, mas na maioria… Como um jornalista, fornecedor de conteúdo para diversos sites fico impressionado com a quantidade de dificuldades para as empresa gerenciarem suas páginas na web. Muitas vezes ficam nas mãos de semiamadores que nada fazem para mudar este quadro assustador: as reclamações empresariais de suas páginas na internet.

Não é com um computador e uma conexão com a internet que qualquer cidadão pode se transformar em um bom jornalista, assim como o acesso a uma cozinha não faz de ninguém um bom cozinheiro. O que diferencia uma notícia divulgada num blog e numa mídia tradicional é o filtro da mediação ou da edição. E qual seria então a alternativa para essa presença de amadores na internet? Acho que ninguém sabe. O que se sabe é que a tecnologia digital é uma conquista sem volta. Ela não vai criar soluções geniais, mas apenas fornecer novos meios de expressão. E esta discussão está apenas começando.

Como complemento para essa minha opinião, abaixo segue um texto muito elucidativo do consultor Paulo Ricardo Mubarack (mubarack@terra.com.br) sobre o uso do computador no trabalho.

Trapalhadas com o power point e e-mail

Ferramentas como o e-mail e o power point, obviamente, são de grande valor para qualquer profissional, mas podem servir também para grandes trapalhadas. Se quisermos usar linguagem mais técnica, estas ferramentas podem causar sérias perdas de produtividade. Conheço executivos que recebem em torno de uma centena de e-mails diariamente de gente de suas empresas. Um número claramente fora de controle.

Como alguém arranja tempo para, com qualidade, ler, processar e responder uma centena de mensagens por dia? A maioria destes e-mails é dispensável e são enviados para desonerar alguns medrosos de suas responsabilidades ou para mostrar serviço para o chefe. Assuntos que poderiam rapidamente ser resolvidos com um telefonema levam dias porque são tratados eletronicamente.

Já ouvi várias vezes profissionais afirmando: “… quando recebo uma demanda por e-mail e não tenho tempo para atender a solicitação, respondo com uma pergunta qualquer, pedindo mais dados. No mínimo, ganho um dia!”. Outras pessoas, ao invés de se comunicarem apenas com quem estão tratando determinado assunto, copiam todo mundo, gerando desperdício de tempo em um monte de gente.

Chefes que deveriam sentar à mesa com seus funcionários para treiná-los, enviam um procedimento por e-mail e consideram todos aptos no novo processo. Frequentemente, e-mails são enviados contendo um procedimento. Está errado. Um procedimento deve ter controle, versão, data e forma de atualização.

Mensagens eletrônicas são mais voláteis e se perdem com facilidade. Qual é a solução? Estabelecimento de regras e treinamento para o uso da ferramenta. Ela precisa gerar produtividade e não perdas.

Outra ferramenta usada muitas vezes “para o mal” é o Power Point. Profissionais montam apresentações com dezenas de slides que nunca são transformados em indicadores de desempenho com metas e planos de ação. Apresentações recheadas de boas idéias, efeitos especiais e filosofia, que nunca se transformam em metas e planos de ação.

Tudo o que uma empresa precisa para ir adiante é de metas e de planos de ação concretos, escritos em uma ferramenta gerenciável, com cronograma, 5 W – 2 H e uma agenda de reuniões para que a evolução seja checada. Frases em slides não significam nada se não forem transformadas em metas e planos de ação.

O coitado do Power Point nada tem a ver com isto, mas é usado frequente e indevidamente para enrolar. O último slide de uma apresentação, inclusive cursos, deveria perguntar qual é o próximo passo e oferecer uma alternativa de plano de ação com metas claramente definidas.