Failure Mode and Effect Analysis (FMEA)

 

A metodologia FMEA busca evitar, por meio da análise das falhas potenciais e propostas de ações de melhoria, que ocorram falhas no projeto do produto ou do processo. Este é o objetivo básico desta técnica, ou seja, detectar falhas antes que se produza uma peça e/ou produto. Pode-se dizer que, com sua utilização, pode-se diminuir as chances do produto ou processo falhar, ou seja, busca-se o aumento da confiabilidade.

Esta dimensão da qualidade, a confiabilidade, tem se tornado cada vez mais importante para os consumidores, pois, a falha de um produto, mesmo que prontamente reparada pelo serviço de assistência técnica e totalmente coberta por termos de garantia, causa uma insatisfação ao consumidor ao privá-lo do uso do produto por determinado tempo. Além disso, cada vez mais são lançados produtos em que determinados tipos de falhas podem ter consequências drásticas para o consumidor, tais como aviões, carros e equipamentos hospitalares nos quais o mau funcionamento pode significar até mesmo um risco de vida ao usuário.

Apesar de ter sido desenvolvida com um enfoque no projeto de novos produtos e processos, a metodologia FMEA passou a ser aplicada de diversas maneiras. É utilizada para diminuir as falhas de produtos e processos existentes e para diminuir a probabilidade de falha em processos administrativos. Tem sido empregada também em aplicações específicas tais como análises de fontes de risco em engenharia de segurança e na indústria de alimentos. Esta metodologia pode ser aplicada tanto no desenvolvimento do projeto do produto como do processo. As etapas e a maneira de realização da análise são as mesmas, ambas diferenciando-se somente quanto ao objetivo.

  • FMEA de produto: São consideradas as falhas que poderão ocorrer com o produto dentro das especificações do projeto. O objetivo desta análise é evitar falhas no produto ou no processo decorrente do projeto. É comumente denominada também de FMEA de projeto.
  • FMEA de processo: São consideradas as falhas no planejamento e execução do processo, ou seja, o objetivo desta análise é evitar falhas do processo, tendo como base as não conformidades do produto com as especificações do projeto.

Há ainda um terceiro tipo, menos comum, que é o FMEA de procedimentos administrativos. Nele analisam-se as falhas potenciais de cada etapa do processo com o mesmo objetivo que as análises anteriores, ou seja, diminuir os riscos de falha.

Pode-se aplicar a análise FMEA nas seguintes situações:

  • Para diminuir a probabilidade da ocorrência de falhas em projetos de novos produtos ou processos;
  • Para diminuir a probabilidade de falhas potenciais (ou seja, que ainda não tenham ocorrido) em produtos/processos já em operação;
  • Para aumentar a confiabilidade de produtos ou processos já em operação por meio da análise das falhas que já ocorreram;
  • Para diminuir os riscos de erros e aumentar a qualidade em procedimentos administrativos.

O princípio da metodologia é o mesmo independente do tipo de FMEA e a aplicação, ou seja, se é FMEA de produto, processo ou procedimento e se é aplicado para produtos/processos novos ou já em operação. A análise consiste basicamente na formação de um grupo de pessoas que identificam para o produto/processo em questão suas funções, os tipos de falhas que podem ocorrer, os efeitos e as possíveis causas desta falha. Em seguida são avaliados os riscos de cada causa de falha por meio de índices e, com base nesta avaliação, são tomadas as ações necessárias para diminuir estes riscos, aumentando a confiabilidade do produto/processo.

Para se aplicar a análise FMEA em um determinado produto/processo, deve-se formar um grupo de trabalho que irá definir a função ou característica daquele produto/processo, irá relacionar todos os tipos de falhas que possam ocorrer, descrever, para cada tipo de falha, suas possíveis causas e efeitos, relacionar as medidas de detecção e prevenção de falhas que estão sendo, ou já foram tomadas, e, para cada causa de falha, atribuir índices para avaliar os riscos e, por meio destes riscos, discutir medidas de melhoria.

Planejamento – Esta etapa é realizada pelo responsável pela aplicação da metodologia e compreende:

  • Descrição dos objetivos e abrangência da análise: em que se identifica qual (ais) produto (s)/processo(s) será (ão) analisado (s);
  • Formação dos grupos de trabalho em que se define os integrantes do grupo, que deve ser preferencialmente pequeno (entre quatro a seis pessoas) e multidisciplinar (contando com pessoas de diversas áreas como qualidade, desenvolvimento e produção);
  • Planejamento das reuniões que devem ser agendadas com antecedência e com o consentimento de todos os participantes para evitar paralisações;
  • Preparação da documentação.

Análise de Falhas em Potencial – Essa fase é realizada pelo grupo de trabalho que discute e preenche o formulário FMEA de acordo com os seguintes passos:

1 função(ções) e característica(s) do produto/processo
2 tipo(s) de falha(s) potencial (is) para cada função
3 efeito(s) do tipo de falha
4 causa(s) possível(eis) da falha
5 controles atuais

 

Avaliação dos Riscos – Nessa etapa são definidos pelo grupo os índices de severidade (S), ocorrência (O) e detecção (D) para cada causa de falha, de acordo com critérios previamente definidos (um exemplo de critérios que podem ser utilizados é apresentado nas tabelas abaixo, mas o ideal é que a empresa tenha os seus próprios critérios adaptados a sua realidade específica). Depois são calculados os coeficientes de prioridade de risco (R), por meio da multiplicação dos outros três índices.

SEVERIDADE
Índice Severidade Critério
1 Mínima O cliente mal percebe que a falha ocorre

3
Pequena Ligeira deterioração no desempenho com leve descontentamento do cliente


6
Moderada Deterioração significativa no desempenho de um sistema com descontentamento do cliente

8
Alta Sistema deixa de funcionar e grande descontentamento do cliente

10
Muito Alta Idem ao anterior porém  afeta a segurança

 

OCORRÊNCIA
Índice Ocorrência Proporção Cpk
1 Remota 1:1.000.000 Cpk > 1,67

3
Pequena 1:20.000 
1:4.000
Cpk > 1,00


6
Moderada 1:1000 
1:400 
1:80
Cpk <1,00

8
Alta 1:40 
1:20
 

10
Muito Alta 1:8 
1:2
 

 

DETECÇÃO
Índice Detecção Critério

2
Muito grande Certamente será detectado

4
Grande Grande probabilidade de ser detectado

6
Moderada Provavelmente será detectado

8
Pequena Provavelmente não será detectado

10
Muito pequena Certamente não será detectado

 

Melhoria – Nessa fase o grupo, utilizando os conhecimentos, criatividade e até mesmo outras técnicas como brainstorming, lista todas as ações que podem ser realizadas para diminuir os riscos, que podem incluir: de prevenção total de uma causa de falha; que dificultem a ocorrência de falhas; que limitem o efeito do tipo de falha; e que aumentem a probabilidade de detecção do tipo ou da causa de falha. Estas medidas serão analisadas quanto a sua viabilidade, sendo então definidas as que serão implantadas. Uma forma de se fazer o controle do resultado destas medidas é pelo próprio formulário FMEA por meio de colunas que onde ficam registradas as medidas recomendadas pelo grupo, nome do responsável e prazo, medidas que foram realmente tomadas e a nova avaliação dos riscos.

Continuidade – O formulário FMEA é um documento vivo, ou seja, uma vez realizada uma análise para um produto/processo qualquer, esta deve ser revisada sempre que ocorrerem alterações neste produto/processo específico. Além disso, mesmo que não haja alterações deve-se regularmente revisar a análise confrontando as falhas potenciais imaginadas pelo grupo com as que realmente vem ocorrendo no dia-a-dia do processo e uso do produto, de forma a permitir  a incorporação de falhas não previstas, bem como a reavaliação, com base em dados objetivos, das falhas já previstas pelo grupo.

Importância – A metodologia FMEA é importante porque pode proporcionar para a empresa: uma forma sistemática de se catalogar informações sobre as falhas dos produtos/processos; melhor conhecimento dos problemas nos produtos/processos; ações de melhoria no projeto do produto/processo, baseado em dados e devidamente monitoradas (melhoria contínua); diminuição de custos por meio da prevenção de ocorrência de falhas; e o benefício de incorporar dentro da organização a atitude de prevenção de falhas, a atitude de cooperação e trabalho em equipe e a preocupação com a satisfação dos clientes.

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Como motivar as pessoas nos programas de qualidade

Algumas implementações de programas de qualidade parecem não ir para frente. O colaborador desinteressado ou desmotivado é um desafio comum e como lidar com ele sem removê-lo da equipe?

Procure descobrir junto do funcionário qual a sua motivação para o desinteresse. Porque até para não fazer nada as pessoas necessitam estar motivadas de alguma maneira. As causas podem ser as mais diversas, mas ouvi-las e compreendê-las é um passo enorme na resolução do problema. O importante é saber realmente ouvir e refletir, e não se limitar a escutar e depois fazer um discurso motivacional.

Aja sobre as causas – Uma vez descobertas as causas, procure saná-las. Lembra das qualidades do líder? Uma delas é remover obstáculos para a equipe. Existem desde a teoria das necessidades de Maslow até a de Extratos de Elliott Jacques para explicar a motivação das pessoas, mas o básico pode ser saber que a forma mais fácil de diagnosticar é observando com atenção e dialogando francamente.

Diga a verdade – Não adianta dourar a pílula se o desinteresse do seu subordinado esta atrapalhando o desempenho da equipe ou até mesmo o andamento do trabalho. Diga isto a ele com todas as letras, mas em uma conversa reservada. Nem sempre ele reagirá de forma negativa, desde que isso seja feito com respeito à sensibilidade de cada um.

Comunique bem os objetivos – Reveja a comunicação dos objetivos. Muitas vezes o desinteresse é resultado direto da falta de comunicação clara dos objetivos da empresa ou da equipe. Em muitos casos, além dos objetivos não estarem claros, os incentivos também não estão, ou seja, os desinteressados não fazem além do mínimo necessário porque não percebem a razão de fazer mais, e nem o incentivo para que o façam, as duas chaves para o interesse.

Inspire a equipe – Dessa forma, os gestores preocupados exclusivamente com o curto prazo recorrem a instrumentos adicionais, como oferecer premiações fantásticas, estimular a competição dentro da equipe, ou simplesmente ameaçar com demissões ou perda de benefícios. Nada garante que estas soluções comuns e imediatas não sejam mais eficientes em sua organização a curto prazo, mas elas não motivam de verdade, apenas empurram o problema para outro lado.

 Alguns conselhos úteis:

Ser um bom líder

Talvez as maiores influências sobre a motivação sejam as pessoas e os relacionamentos entre elas, tanto para melhor quanto para pior, sendo quase certo que se pode ter um imenso impacto positivo simplesmente sendo um bom líder. Trabalhar em equipe

Da mesma forma, um trabalho de equipe tem um papel de importância vital na motivação das pessoas. Como o líder de uma equipe, deve-se saber identificar as características que levarão essa equipe ao sucesso, de modo que todos tenham um grande objetivo a perseguir.

Aprimorar os trabalhos

Se os funcionários forem influenciados pelas pessoas com quem trabalham, obviamente eles serão influenciados pelo trabalho que essas pessoas realizam para a empresa.

Desenvolver as pessoas

Dentro do trabalho, todos querem se sentir realizados, todos querem mostrar que estão dando o melhor de si e que, na medida do possível, fazem avanços. A fim de obter isso, a empresa deve incentivar o aprimoramento de cada um dentro da equipe, ajudando cada qual a definir seus próprios padrões e metas pessoais atuais e futuras. As equipes precisam também de treinamento para que possam ter as habilidades e conhecimentos necessários para a execução de tarefas atuais e futuras de modo apropriado.

Remunerar os colaboradores

Salário, bem como outros benefícios financeiros, podem incentivar as pessoas a trabalharem com mais empenho e melhor — ou desmotivá-las, caso sejam inaceitáveis.

Ambiente de trabalho seguro e saudável

O ambiente de trabalho pode fazer com que as pessoas se sintam bem, ou desmotivadas, caso não seja tão satisfatório quanto desejam. Talvez a empresa não esteja em posição de garantir condições de trabalho seguras e oferecer um ambiente saudável. Além disso, pode-se conhecer a legislação a respeito, a fim de garantir que a empresa esteja cumprindo as obrigações legais relativas a seus funcionários.