A inovação ainda é incipiente no Brasil

As organizações no Brasil, em primeiro lugar, precisam sobreviver à alta carga tributária. Depois, podem pensar em inovar. Ainda incipiente no Brasil, a gestão da inovação pode envolver os processos, os produtos, os serviços e os mercados da organização. Há interações evidentes entre estas diferentes dimensões. Para uma atividade dinâmica e sustentada de inovação em processos ou produtos, pode-se ter de começar por avaliar a necessidade de inovar a cultura da empresa, de modo a criar um ambiente favorável ao desenvolvimento de uma criatividade orientada para a obtenção de resultados.

Para melhor entender o processo, deve-se entender que a invenção está associada a pioneirismo e se caracteriza como a primeira ocorrência de uma ideia de um novo produto ou processo. Já a inovação é a aplicação prática de uma invenção, seja com objetivo social ou financeiro. Se um produto foi criado, inclusive patenteado, significa que houve uma invenção.

São muitos os benefícios gerados pelas inovações, pois são essenciais porque permitem que empresas, oferecendo diferenciais para os seus clientes, aumentem suas receitas, reduzam seus custos, atuem em novos mercados, desenvolvam novas parcerias, gerem plataformas para outras inovações e aumentem o valor de suas marcas. Segundo o estudo “Os novos instrumentos de apoio à inovação: uma avaliação inicial”, realizado pela Associação Nacional de Pesquisas e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei), em parceria com o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), a maioria da empresas ignora os instrumentos de apoio à inovação e como eles são operados. Já as poucas que sabem e fazem uso deles estão utilizando-os de maneira desarticulada e não têm muita clareza sobre para que servem alguns desses mecanismos. Estes instrumentos incluem incentivos fiscais, recursos reembolsáveis e não reembolsáveis, além de fundos de capital de risco e subvenção para contratação de pesquisadores.

Segundo o estudo, as pesquisas de inovação tecnológicas do IBGE mostram que a realização de atividades inovativas ainda é restrita entre as empresas brasileiras. Entre aquelas classificadas como inovadoras, mais de um terço não realizou qualquer investimento em atividades inovativas em 2005, ano para o qual se dispõe de informação mais recente. Isso indica que as inovações implementadas são em sua maior parte incrementais, não exigindo grandes esforços das empresas na sua implementação.

Entre as atividades inovativas, a mais diferenciada de todas, porque permite a geração de conhecimento e o aprendizado, é a realização de pesquisa e desenvolvimento interna. Em 2005, apenas 17% das empresas inovadoras da indústria de transformação realizaram gastos com essa atividade.

Como a vigência dos novos instrumentos é muito recente, pode-se afirmar que tanto as agências de fomento como as empresas encontram-se em fase de aprendizagem na aplicação e no uso dos benefícios. Esse processo de aprendizagem não se restringe ao conhecimento de requisitos técnicos e mecanismos operacionais das agências. Mais que isso, trata-se de definições importantes, como a utilização integrada ou coordenada de diferentes instrumentos, a incorporação dos incentivos governamentais na tomada de decisão das empresas, o grau de ousadia de seus programas na área do desenvolvimento tecnológico, etc. Ou seja, o aprendizado que se procura ressaltar aqui assume uma dimensão estratégica, na medida em que os incentivos governamentais podem, de fato, interferir nas decisões mais relevantes das empresas.

Ainda, segundo o documento, contudo, a plena fruição dos benefícios propiciados pelos novos instrumentos de apoio à inovação requer mudanças nos sistemas de gestão da inovação nas empresas. A crescente profissionalização dessa área, a instituição de equipes com preparo técnico adequado para a gestão da inovação, a adoção de mecanismos de planejamento, controle e apropriação de custos e mudanças nos processos decisórios internos das empresas são fundamentais para que as empresas aproveitem ao máximo as oportunidades oferecidas pelos novos instrumentos de apoio à inovação.

Os recursos públicos também estão induzindo uma estruturação mais adequada da gestão da inovação. O resultado visível é a ampliação do esforço empresarial com o desenvolvimento tecnológico e a adoção de programas de desenvolvimento crescentemente mais ousados. Não é demais lembrar que os impactos desses estímulos ao investimento em pesquisa, desenvolvimento e inovação estão condicionados pelo desempenho da economia brasileira e pela manutenção de condições favoráveis ao investimento em ativos tangíveis e intangíveis. Em outras palavras, o ambiente econômico, social e institucional também é importante para a criação de maior disposição das empresas para investir em atividades inovativas.

Todo o esforço desenvolvido no âmbito deste trabalho se pautou pela busca de contribuições para a construção de um sistema de fomento mais robusto, integrado e coordenado, considerado necessário para ampliar os impactos dos novos instrumentos de apoio à inovação. Para ler o estudo, clique no link http://www.anpei.org.br/wp-content/uploads/2009/07/estudo_anpei03.pdf

Há um Guia Prático de Apoio à Inovação, em que os instrumentos são divididos em dois grupos: os de “apoio tecnológico financeiro” e os de “apoio tecnológico e gerencial”. Os primeiros referem-se a mecanismos de apoio direto e indireto às empresas, sob a forma de financiamento, subvenção econômica, incentivos fiscais, capital de risco e bolsas. Já o apoio tecnológico e gerencial abrange os programas que visam auxiliar os empresários nas atividades de gestão da inovação, ou seja, que não envolvem a transferência de recursos financeiros.

No guia, com o localizador de programas de incentivo, pode-se ficar conhecendo os instrumentos de apoio à inovação de acordo com o tamanho de sua empresa e o Estado onde ela está instalada. Já o com “simulador financeiro” você pode conhecer, antecipadamente, os ganhos tributários e financeiros que sua empresa terá se utilizar os incentivos fiscais previstos na Lei do Bem. Esses incentivos, porém, só podem ser utilizados por empresas que declaram o Imposto de Renda com base no lucro real.

O Guia Prático de Apoio à Inovação foi elaborado pela Anpei como atividade do Pró-Inova, programa coordenado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia. O objetivo desse programa é difundir informações sobre inovação e sensibilizar o empresariado para a importância das práticas inovativas. Pode-se utilizar o Guia tanto as que já investem em inovação como as que pretendem investir, e também agências de fomento, associações empresariais, entidades e órgãos públicos. Acesse o link para acessar a publicação http://proinova.anpei.org.br/Home.htm

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