Enfrente as crises implementando o Programa 5 S

 

De forma cíclica, o mundo sempre está em crise. Para enfrentar isso, o Programa 5 S pode ser uma solução  bastante viável. Ele tem aplicabilidade em quaisquer tipos de empresas e traz benefícios a todos que convivem no local, melhora o ambiente, as condições de trabalho, saúde, higiene e traz eficiência e produtividade. Nas organizações que implantaram o programa, a solução não foi somente a aplicação dos conceitos, mas a mudança cultural de todas as pessoas envolvidas e a aceitação de que cada uma delas é importante para melhorar o ambiente de trabalho, a saúde física e mental dos trabalhadores e o programa de qualidade. Para o professor Oceano Zacharias, diretor da Quality Consultoria, dessa forma, é possível eliminar o desperdício (tudo o que gera custo extra) em cinco fases, com base no método 5S.

Zacharias: “sempre se deve questionar se algo está bom o suficiente ou se é possível ser melhorado”

 

1.º S – SEIRI – SENSO DE UTILIZAÇÃO

CONCEITO: “separar o útil do inútil, eliminando o desnecessário”.

É essencial saber separar e classificar os objetos e dados úteis dos inúteis da seguinte forma:

• o que é usado sempre: colocar próximo ao local de trabalho.

• o que é usado quase sempre: colocar próximo ao local de trabalho.

• o que é usado ocasionalmente: colocar um pouco afastado do local de trabalho.

• o que é usado raramente, mas necessário: colocar separado, em local determinado.

• o que for desnecessário: deve ser reformado, vendido ou eliminado, pois ocupa espaço necessário e atrapalha o trabalho.

2.º S – SEITON – SENSO DE ARRUMAÇÃO

CONCEITO: “identificar e arrumar tudo, para que qualquer pessoa possa localizar facilmente”.

O objetivo é identificar e arrumar tudo, para que qualquer pessoa possa localizar facilmente o que precisa e a visualização seja facilitada. Nesta fase é importante:

• padronizar as nomenclaturas.

• usar rótulos e cores vivas para identificar os objetos, seguindo um padrão.

• guardar objetos diferentes em locais diferentes.

• expor visualmente os pontos críticos, tais como extintores de incêndio,

locais de alta voltagem, partes de máquinas que exijam atenção, etc.

• determinar o local de armazenamento de cada objeto

• onde for possível, eliminar as portas.

• Não deixar objetos ou móveis no meio do caminho, atrapalhando a locomoção no local.

3.º S – SEISO – SENSO DE LIMPEZA

CONCEITO: “manter um ambiente sempre limpo, eliminando as causas da sujeira e aprendendo a não sujar”.

Cada pessoa deve saber a importância de estar em um ambiente limpo e dos benefícios de ambiente com a máxima limpeza possível. O ambiente limpo traduz qualidade e segurança. O desenvolvimento do senso de limpeza proporciona:

• Maior produtividade das pessoas, máquinas e materiais, evitando o retrabalho.

• Evita perdas e danos de materiais e produtos.

Para isto, é importante que o pessoal tenha consciência e habitue-se a:

• Procurar limpar os equipamentos após o seu uso, para que o próximo a usar encontre-o limpo.

• aprender a não sujar e eliminar as causas da sujeira.

• definir responsáveis por cada área e sua respectiva função.

• manter os equipamentos, ferramentas, etc., sempre na melhor condição de uso possível.

• Após usar um aparelho, deixá-lo limpo e organizado para o próximo utilitário.

• Cuidar para que se mantenha limpo o local de trabalho, dando atenção para os cantos e para cima, pois ali acumula-se muita sujeira.

• Não jogar lixo ou papel no chão.

• Dar destino adequado ao lixo, quando houver.

4.º S – SEIKETSU – SENSO DE SAÚDE E HIGIENE

CONCEITO: “manter um ambiente de trabalho sempre favorável a saúde e higiene”.

Higiene é manutenção de limpeza, e ordem. Quem exige qualidade cuida também da aparência. Em um ambiente limpo, a segurança é maior. Quem não cuida bem de si mesmo não pode fazer ou vender produtos ou serviços de qualidade O pessoal deve ter consciência da importância desta fase, tomando um conjunto de medidas:

• ter os três S’s previamente implantados.

• capacitar o pessoal para avaliem se os conceitos estão sendo aplicados realmente e corretamente.

• eliminar as condições inseguras de trabalho, evitando acidentes ou manuseios perigosos

• humanizar o local de trabalho numa convivência harmônica.

• difundir material educativo sobre a saúde e higiene.

• respeitar os colegas como pessoas e como profissionais.

• colaborar, sempre que possível, com o trabalho do colega.

• cumprir horários.

• entregar documentos ou materiais requisitados no tempo hábil.

• não fumar em locais impróprios, etc.

5.º S – SHITSUKE – SENSO DE AUTO-DISCIPLINA

CONCEITO: “fazer dessas atitudes, ou seja, da metodologia, um hábito, transformando os 5s’s num modo de vida”.

Atitudes importantes:

• Usar a criatividade no trabalho, nas atividades.

• Melhorar a comunicação entre o pessoal no trabalho.

• Compartilhar visão e valores, harmonizando as metas.

• Treinar o pessoal com paciência e persistência, conscientizando-os para os 5s’s .

• De tempos em tempos aplicar os 5s’s para avaliar os avanços.

É importante cumprir os procedimentos operacionais e os padrões éticos da empresa, sempre buscando a melhoria. A autodisciplina requer a consciência e um constante aperfeiçoamento de todos no ambiente de trabalho. A consciência da qualidade é essencial.

 

A prática do 5 S

Cada pessoa deve saber diferenciar o útil do inútil. Só o que tem utilidade certa deve estar disponível. Eliminando-se o que não é útil, pode se concentrar apenas no que é útil. Deve se dar atenção a tudo que estiver dentro do ambiente de trabalho (máquinas, ferramentas, estoques, móveis, papéis, etc.) e definir o que é necessário através de instruções claras para que todos possam separar o útil do inútil. Algumas perguntas podem ser elaboradas para direcionar o processo:

1. O que pode ser jogado fora e o que deve ser guardado?

2. O que pode ser útil para outro setor ?

3. O que pode ser consertado ?

4. É possível trabalhar de forma mais econômica, racionalizando o

tempo?

Após colocar em um local determinado aquilo que será descartado, convide as pessoas de outros setores para que escolham, entre os itens disponíveis, o que de fato lhes interessar. Analisar como as coisas estão guardadas, onde e por quê. Arrumação é importante para agilizar o acesso aos documentos e outras coisas em seus devidos lugares. Administrar bem o patrimônio é essencial, principalmente no que se refere a organização e identificação de :

• laudos,

• relatórios,

• atas ,

• documentos em geral,

• pareceres,

• dados estatísticos,

• arquivos e pastas de documentos.

Sempre que possível, eliminar ou diminuir o processo burocrático de ações ou documentos, procurando aproveitar o tempo e economizar trabalho desnecessário. Cada um deve ficar responsável pelo seu espaço, sem prejudicar o espaço do outro. Sempre deve-se questionar se algo está bom o suficiente ou se é possível ser melhorado.

Um roteiro de como implantar o 5 S, segundo o professor Oceano Zacharias

Equipe de implantação

Formada por três ou quatro pessoas, no mínimo, de diferentes setores da instituição e uma pessoa da alta administração. A equipe tem que ter disponibilidade para conduzir o processo, orientar, esclarecer dúvidas e fazer visitas rotineiras de acompanhamento.

Planejamento

Equipe de implantação pode elaborar um cronograma, um plano de orientação, determinar as ferramentas que serão utilizadas e dividir as atividades. As tarefas e as responsabilidades devem ser distribuídas e todos devem se comprometer com os prazos de cumprimento.

Fotos e registros

É importante registrar a situação atual da organização, em todas as áreas, especialmente onde forem percebidas necessidades de melhoria. Posteriormente, a equipe deve se reunir e discutir as falhas, as ações corretivas, dar sugestões de melhoria baseadas nas fotos. É importante a opinião de cada um, principalmente por quem pertence a áreas diferentes na empresa.

Reunião

A equipe pode convidar o pessoal da instituição para uma reunião, compartilhar os dados e mostrar o compromisso e a disposição para implantar o método. Nesta reunião, a equipe pode iniciar o trabalho de conscientização do pessoal, da importância do programa 5S para a melhoria do trabalho. A equipe também pode explicar os objetivos do trabalho, mostrar as vantagens do programa e os benefícios.

Implantação

Após esta reunião de sensibilização do pessoal com a equipe responsável, o programa começa a ser efetivamente implantado. As responsabilidades são divididas de acordo com as áreas de trabalho, bem como os mapas de acompanhamento do trabalho. Em casa fase, o pessoal envolvido deve se reunir para definir as atividades, esclarecer as dúvidas, citar exemplos, etc. A interação da equipe com o pessoal envolvido é importante, para que não fiquem dúvidas a respeito do programa e para que tudo corra bem na fase seguinte.

Acompanhamento

A equipe organizadora planeja e se organiza para fazer visitas nas áreas de implantação com pelo menos um membro da equipe organizadora supervisionando a visita. Nas visitas, os quesitos necessários para a implantação do programa devem ser acordados, conforme a orientação do colaborador. Os pontos positivos, como os negativos devem ser apontados, pois o pessoal deve ser motivado a seguir as orientações. O ideal é que a equipe faça um mapa de acompanhamento mensal para verificar os benefícios, os resultados , as mudanças. É essencial que todos sigam o programa, desde os gerentes e diretores aos técnicos de apoio.

Importante dizer que implantar o programa não é apenas traduzir os termos e estudar sua teoria e seus conceitos. Sua essência é mudar atitudes, pensamento e comportamento do pessoal.

Quer aprender mais sobre o  5S:

Curso:

http://www.quality.eng.br/curso_detalhe.asp?id=13

Livro:

Praticando o Programa 5S
Autor: Oceano Zacharias
O “5S”, também conhecido como housekeeping, é o melhor caminho para iniciar um programa de Qualidade e Produtividade. Trata-se de um instrumento de mudança nas relações entre pessoas e ambiente de trabalho, motiva a todos à melhoria da qualidade de vida e, por conseguinte, à qualidade como um todo.
Não se melhora a Qualidade, a Produtividade e os Custos de uma empresa se o ambiente estiver deteriorado física e socialmente.
Este programa oferece as condições básicas para a evolução das organizações – base da mudança para o nosso país.
O desafio passa a ser a busca pela excelência no “5S”, que é o grau máximo que as empresas atingem no cumprimento desta etapa de qualidade.

 

Quer ler mais sobre esse assunto no site:

https://qualidadeonline.wordpress.com/2010/01/19/programa-10-s/

https://qualidadeonline.wordpress.com/2009/12/18/certificacao-do-programa-5-s/

https://qualidadeonline.wordpress.com/2009/10/28/programa-5-s/

Siga o blog no TWITTER

Mais notícias, artigos e informações sobre qualidade, meio ambiente, normalização e metrologia.

Avaliação de Ciclo de Vida (ACV)

Uma leitora quer saber sobre o que é ACV? Em inglês Life Cycle Assessment (LCA) é um método utilizado para avaliar o impacto ambiental de bens e serviços. A análise do ciclo de vida de um produto, processo ou atividade é uma avaliação sistemática que quantifica os fluxos de energia e de materiais no ciclo de vida do produto. A Environmental Protection Agency (EPA), dos Estados Unidos), define a Avaliação de Ciclo de Vida como “uma ferramenta para avaliar, de forma holística, um produto ou uma atividade durante todo seu ciclo de vida”

As normas que fornecem os princípios e estruturas e alguns requisitos metodológicos para a condução de estudos de ACV são a ISO 14040:2006 – Environmental management – Life cycle assessment – Principles and framework e a ISO 14044:2006 – Environmental Management – Life cycle assesment – Requirements and guidelines. Em relação às várias fases da ACV, um fluxograma do processo pode ser construído, especificando todos os fluxos de material e energia e entram e saem do sistema.

O diagrama simplificado da figura abaixo mostra os principais estágios do ciclo de vida de um produto. O primeiro passo é a aquisição de matéria prima (extração de recursos naturais), o que pode incluir, por exemplo, o plantio de árvores ou a extração de petróleo, dependendo do produto estudado (1). No estágio seguinte a matéria prima é processada para obtenção dos materiais ou peças de, por exemplo, papel ou plástico. Estes materiais já processados são então transformados em produtos como copos descartáveis, objetos de plástico ou metal, no estágio de manufatura do produto (2). Depois destas etapas, ocorre a embalagem e o transporte, que podem ou não ser de responsabilidade do fabricante (3), o uso (4) e o descarte ou a reciclagem (5).

 

Atividades nos cinco estágios de ciclo de vida de um produto

Portanto, a ACV propõe uma análise bastante complexa, com muitas variáveis. Por este motivo, há uma estrutura formal, dividida em etapas, para a realização de uma avaliação do ciclo de vida de um produto:

  • Definição dos objetivos, limites do estudo e escolha da unidade funcional.
  • Realização do inventário de entradas e saídas de energia e materiais relevantes para o sistema em estudo.
  • Avaliação do impacto ambiental associado às entradas e saídas de energia e materiais ou avaliação comparativa de produtos ou processos: avalia os impactos devidos às emissões identificadas e ao consumo de recursos naturais e interpreta os resultados da avaliação de impacto com a finalidade de implantar melhorias no produto ou no processo.

O grande problema no Brasil em utilizar a ACV relaciona-se com o grande consumo de tempo, recursos financeiros e humanos. Dependendo da profundidade do estudo que se pretende conduzir, a coleta de dados pode ainda ser dificultada por várias outras razões. A não disponibilidade de dados importantes pode afetar o resultado final do estudo e, por conseqüência, a sua confiabilidade.

Dessa forma, é importante uma avaliação criteriosa da relação custo-benefício para se atingir a qualidade desejada para o estudo, levando-se em consideração que tipo de dado deverá ser pesquisado, o custo e o tempo para sua coleta e os recursos disponíveis para a condução do estudo. Deve-se ter em mente que a ACV, por sua natureza, não é uma ferramenta capaz de medir qual produto ou processo é o mais eficiente tanto em relação ao custo quanto em relação a outros fatores, já que não mede, por exemplo, impactos reais ambientais, e sim impactos potenciais. Enfim, a ACV deve ser realizada em quatro fases:

  • Definição do Objetivo e Escopo – Uma clara e inequívoca definição do “Objetivo” e “Escopo” é fundamental para a condução do estudo. Embora pareça simples e óbvia, esta fase é crucial para o sucesso da condução do estudo e para a sua relevância e utilidade. De fato, o processo de estabelecer estas definições pode ser bastante complexo. Deve partir da clara definição do sistema de produto ou serviço. Isto envolve a definição da chamada “unidade funcional”, o que pode não ser trivial, mas que está intimamente ligada ao uso, à finalidade última do sistema de produto.
  • Inventário do Ciclo de Vida – A “Análise do Inventário” refere-se à coleta de dados e ao estabelecimento dos procedimentos de cálculo para que se possa facilitar o agrupamento destes dados em categorias ambientais normalmente utilizáveis e comparáveis, de modo semelhante a um balanço contábil. Considera-se nessa fase que tudo que entra deve ser igual ao que sai do sistema em estudo, em termos de energia ou massa, desde a extração das matérias-primas até o descarte final do produto.
  • Avaliação do Impacto do Ciclo de Vida – A Avaliação do Impacto refere-se à identificação e avaliação em termos de impactos potenciais ao meio ambiente que podem ser associados aos dados levantados no inventário.

 

Algumas avaliações mais simples podem ser realizadas apenas com os dados obtidos na fase do inventário. Entretanto quando forem detectadas grandes diferenças nos vários parâmetros de impacto ou quando houver necessidade de se relacionar os dados do inventário aos problemas ambientais, o uso de uma metodologia específica, como a estabelecida na norma NBR ISO 14042 será de grande utilidade.

  • Interpretação da Avaliação do Ciclo de Vida – A interpretação dos resultados de ACV é uma das etapas mais sensíveis, pois as hipóteses estabelecidas durante as fases anteriores, assim como as adaptações que podem ter ocorrido em função de ajustes necessários, podem afetar o resultado final do estudo. O relatório final deve ser elaborado de forma a possibilitar a utilização dos resultados e sua interpretação de acordo com os objetivos estabelecidos para o estudo.

Apesar de toda a orientação normativa, os estudos de ACV continuam a ser descrições imperfeitas do sistema de produção. Existe um potencial de incerteza relativa à qualidade dos dados e uma subjetividade pode estar presente desde o início dos estudos.

Siga o blog no TWITTER

Mais notícias, artigos e informações sobre qualidade, meio ambiente, normalização e metrologia.