Ferramentas da Qualidade: métricas de tendências e custos da qualidade

As métricas de tendência é uma ferramenta corporativa separada que merece e tem sua própria literatura. Conforme explica o consultor organizacional Alípio Silva Pereira (qualipio@hotmail.com), é suficiente dizer que os mapas de tendência documentam toda a sucessão de valores. Eles rastreiam informações e fluxos de materiais do início ao fim dos processos em uma organização. As responsabilidades dos gerentes são visíveis, e uma grande quantidade de medições instantâneas é registrada.

Alípio: O mote tempo é dinheiro e dinheiro é tempo denomina o pensamento voltado à tendência.

“As métricas de tendência fazem sentido. Elas incluem uptime, tempo de trabalho menos intervalos, tempo de ciclo (Cycle Time – C/T), tempo de mudança de processo ou sistema (Changeover Time – C/O), valor agregado ao tempo (Value Added Time – VA), Takt Time, e tempo de espera de produção (Production Lead Time – PLT). Além de seu próprio acrônimo, cada tempo tem uma definição operacional excepcionalmente específica. Os tempos são registrados em dias, minutos e segundos. O mote tempo é dinheiro e dinheiro é tempo denomina o pensamento voltado à tendência. Certamente, de maneira correta”, diz ele.

Alípio assegura que, com a aplicação de algumas estratégias, como o Seis Sigma de tendências, um segundo pode valer, e normalmente vale, milhares de dólares. “Por exemplo, em uma fábrica de roteadores da Internet na localidade de San Jose, uma pilha de placas-mãe sucateadas de cerca de 61cm x 61cm x 61cm teve uma avaliação na época superior a 6 milhões de dólares. Além disso, os mapas de tendências registram tamanhos de lotes de produção para cada intervalo de produto (Every Product Interval – EPI), primeiro que entra-primeiro que sai (First-In-First-Out – FIFO), os números de operadores, giros de estoque, um plano para todas as partes (Plan For Every Part – PFEP), o número de variações nos produtos e serviços e a taxa de sucata”.

FERRAMENTAS DA QUALIDADE – Dias 25 e 26 de março
Horário: 8h30 às 17h30
Capacitar os participantes no entendimento e aplicação das principais Ferramentas da Qualidade

O consultor assegura que as medições de tendências e mapeamento de fluxos ganharam seu espaço no Seis Sigma graças à moda antiga. “E eles funcionam. Esta é a razão pela qual eles são uma ferramenta do Seis Sigma. O registro de suas realizações extremamente rentáveis começou no sistema de produção Toyota nos anos 50 e permanece até os dias de hoje. Semelhante à análise vetorial, aqueles que são familiares com ferramentas de tendência não argumentam com elas. Fazer isso seria tão ridículo como discutir contra a velocidade da luz, a existência da gravidade ou o impacto da variação nas medições. Estes mapas ajudam as pessoas a identificar fatores de processo, conhecidos como os X’s, que podem estar impelindo o processo na direção de ganhos ou perdas. Os lucros e prejuízos – os valores em dinheiro de um resultado de processo – , são denominados de Y’s”.

Como exemplo, ele cita um mapa para reflexão na Figura abaixo, que exibe como estes fatores se transformam uma série de hipóteses em uma matriz de dados. Quando a matriz for preenchida com medições, uma análise vetorial indicará os Sinais de Ganho fortes e fracos com padrões objetivos de evidências. “Os custos da Fábrica Oculta, ou os custos de perdas e retrabalho, são chamados de Custos da Qualidade (Costs of Poor Quality – COPQ). Desde os anos 50, projetos revolucionários têm focado na eliminação dessa despesa”.

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Os mapas ajudam as equipes de aperfeiçoamento a identificar variáveis que serão submetidas a uma análise vetorial tridimensionalmente

Conforme Alípio, as origens da idéia dos Custos da Qualidade podem remontar à invenção do gráfico de controle de qualidade por Walter Shewarth, em 16 de maio de 1924, pois o gráfico de controle de qualidade é até hoje outro meio de visualizar graficamente uma análise vetorial. “Shewarth era físico. Ele também era um estatístico talentoso, amigo de Ronald Fischer, que participou como voluntário para cuidar dos seis filhos de Fischer durante a Segunda Grande Guerra Mundial. O torpedo de um submarino alemão arruinou este plano em 1940. Os valores em dólares que o Sr. Shewarth simbolicamente posicionou nas margens do trabalho de Fischer há mais de 80 anos são atualmente os custos de qualidade do Seis Sigma. Em termos concretos, Armand Feigenbaum é reconhecido como o desenvolvedor do primeiro sistema de relatório da qualidade baseado em dólares enquanto trabalhava na General Electric no início da década de 1950. Vale notar que este desenvolvimento basicamente pode ser vinculado à iniciativa do Seis Sigma, devida a Jack Welch em 1990. Por que os custos da qualidade são tão importantes aos projetos revolucionários de Seis Sigma? Simples. As receitas brutas são taxadas. Um dólar em uma receita bruta recém-obtida pode produzir um pouco mais de um centavo em novos ganhos. Um dólar economizado na eliminação de perdas e retrabalhos é repassado para os resultados financeiros finais como um dólar”.

Para o consultor, até certo ponto, desde que um Black Belt familiarize-se com o sistema do projeto revolucionário, poupar uma grande quantia de dólares é como pegar peixes num barril. “Cada uma das quatro categorias dos custos da qualidade pode ser alavancada. Na Figura abaixo se pode ver que os investimentos em avaliação e prevenção, normalmente referidos como custos, são relativamente estáticos. Os custos de falhas internas são despesas ocultas de fábrica que permanecem invisíveis aos clientes. Desde que Feigenbaum inventou este sistema de classificação, prevê-se que os investimentos de prevenção possam gerar, e geram, um retorno de 10:1. Para o Seis Sigma, estes custos envolvem treinamento, ensino, software analítico, planejamento, certificação do distribuidor, utilizando-se padrões métricas e custos de sistemas de garantia de qualidade”.

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Exemplo em livro didático de um gráfico de fluxo de um Custo da Qualidade (COPQ), utilizado por um engenheiro Black Belt, Scott Erickson, para persuadir os gerentes seniores a adotar decisões baseadas em evidências

Ele informa, ainda, que os investimentos em avaliação incluem auditorias de qualidade, inspeções, testes, manutenção e sistemas de informação. Os sistemas de informação (Information Systems – IS), projetados utilizando-se os princípios das decisões baseadas em evidências são de longe mais baratos do que aqueles que não seguem tais princípios. “Se a sua empresa está procurando por um local para iniciar o Seis Sigma, deve criar uma estratégia de IS baseada em sólidos princípios geométricos. A maneira mais fácil de saber se o seu sistema atende a esses padrões é pedir a seu departamento de IS para mostrar suas matrizes de dados e arranjos experimentais com cubos. Esta questão invariavelmente causa preocupação nas pessoas. A vasta maioria dos sistemas de informação é modelada após o uso de planilha de trabalho. Transformar este sistema, ou transferir as informações nele contidas em uma matriz de dados, irá requerer custos de retrabalho. Quando o investimento é negociado, o retorno é espetacular. Os custos de falhas internas incluem toda a sucata e retrabalho. Novos testes, Análise dos Efeitos do Modo de Falha (Failure Mode Effects Analysis – FMEA), custos de excesso de estoque, Ações Corretivas e Preventivas (Corrective And Preventive Actions – CAPA) e perdas em produtividade são registrados nesta coluna”.

Por fim, ele diz que os custos de falhas externas são os problemas que caem diretamente no colo do cliente. Processos legais de responsabilidade, custos de garantia, devoluções, mudanças na engenharia, erros de marketing e vendas, tratamento de reclamações e equipamentos correlatos requeridos para retrabalhar produtos devem ser todos computados. “Em nossa sociedade cada vez mais litigiosa é quase impossível exagerar nos relatórios de custos de falhas. Shewhart escreveu, com um toque de humor, sobre a realidade dos custos de qualidade em 1939, Eu estou lembrando do velho ditado popular: quando um médico comete uma falha, ele a enterra; quando um juiz comete uma falha, ela se torna lei. Eu acrescentaria na mesma veia de pensamento: quando um cientista comete uma falha no uso da teoria estatística, ele torna-se parte da lei científica’; mas quando um estatístico industrial comete uma falha, tenha pena dele, pois certamente será descoberto e passará por apuros. O melhor modo de proteger qualquer empresa dos custos de falhas externas é fabricar um produto de qualidade perfeita toda vez que ele seja produzido. A prestação de serviços de qualidade perfeita durante todo o tempo é tão poderosa como uma estratégia de negócios. Processos perfeitos podem produzir, e na verdade produzem, resultados virtualmente perfeitos. Somente os processos capazes de produzir perfeição realmente produzem este nível de qualidade. Um índice de capabilidade de processo (process capability index), conhecido como Cpk é a medida analítica utilizada em apresentações gráficas de documentação de evidências de perfeita qualidade. O Seis Sigma é indiscutivelmente uma ferramenta poderosa para o sucesso das corporações, além disso requer conhecimento e profissionais capacitados para a sua implementação. Desta forma, se faz necessário uma avaliação minuciosa no momento da escolha dos profissionais que farão parte dos projetos”, finaliza.

LIVROS DO ALÍPIO:

 Coleção e-books Volume 1 - O MEIO AMBIENTE E A EMPRESA (envio do arquivo por e-mail )

E-BOOK: O MEIO AMBIENTE E A EMPRESA

PARA COMPRAR: http://www.qualistore.com.br/produto.asp?codigo=3303

Coleção e-books Volume 2 - GESTÃO DA QUALIDADE (envio do arquivo por e-mail)

E-BOOK: GESTÃO DA QUALIDADE

PARA COMPRAR: http://www.qualistore.com.br/produto.asp?codigo=3313

 

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Qualidade dos cosméticos no Brasil

A indústria de cosméticos não pára de crescer no país, mesmo com a crise: o setor cresceu 14,75% no ano passado, faturando cerca de R$ 24,97 bilhões. Graças ao aumento do poder aquisitivo das classes C e D, o Brasil agora ocupa a posição de segundo maior consumidor mundial de produtos de beleza, perdendo apenas para Estados Unidos.

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), os produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes, são preparações constituídas por substâncias naturais ou sintéticas, de uso externo nas diversas partes do corpo humano, pele, sistema capilar, unhas, lábios, órgãos genitais externos, dentes e membranas mucosas da cavidade oral, com o objetivo exclusivo ou principal de limpá-los, perfumá-los, alterar sua aparência e ou corrigir odores corporais e ou protegê-los ou mantê-los em bom estado. São classificado de acordo com RDC 211, de julho de 2005, em Produtos Grau 1: de higiene pessoal cosméticos e perfumes cuja formulação cumpre com a definição adotada no item 1 do Anexo I desta Resolução e que se caracterizam por possuírem propriedades básicas ou elementares, cuja comprovação não seja inicialmente necessária e não requeiram informações detalhadas quanto ao seu modo de usar e suas restrições de uso, devido às características intrínsecas do produto. E em Produtos Grau 2: são produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes cuja formulação cumpre com a definição adotada no item 1 do Anexo I desta Resolução e que possuem indicações específicas, cujas características exigem comprovação de segurança e/ou eficácia, bem como informações e cuidados, modo e restrições de uso.

Cuidados e orientações na compra e no uso de cosméticos

  • Ao adquirir produtos cosméticos, verifique se eles possuem registro na Anvisa/Ministério da Saúde. O número de registro de produtos cosméticos inicia-se com o número dois e pode ter nove ou 13 dígitos. Alguns produtos de menor risco não possuem número de registro, mas estão notificados na Anvisa e trazem na rotulagem a seguinte informação: Res. Anvisa 343/05, seguida do número de Autorização de Funcionamento da Empresa, que também começa com o número 2.
  • Só adquira produtos cuja embalagem esteja limpa e em bom estado. Não utilize cosméticos com prazo de validade vencido. Eles podem não produzir o efeito desejado e prejudicar a saúde.
  • Leia atentamente todas as informações da rotulagem. Sempre observe as advertências e restrições de uso. Faça a prova de toque (quando indicado na rotulagem) seguindo as instruções de uso para verificar se o produto provoca alguma alergia ou irritação.
  • Caso haja contato do produto com os olhos, lave-os imediatamente com água corrente e procure orientação médica. No caso de ingestão do produto, um médico deverá ser consultado.
  • Sentindo-se mal ou com irritação no local de aplicação do produto, interrompa o uso, lave imediatamente o local da aplicação com água corrente e procure orientação médica.
  • Cuidado com o uso de cosméticos em crianças. Utilize somente as linhas infantis devidamente registradas na Anvisa.
  • Caso você desenvolva alguma irritação, alergia ou outra reação indesejada, entre em contato com o SAC da empresa e informe o ocorrido. Por isso, recomenda-se guardar a embalagem do produto após o uso. É importante também comunicar a Anvisa, por meio do e-mail cosmeticos@anvisa.gov.br, anexando à mensagem o formulário preenchido, disponível no link http://www.anvisa.gov.br/hotsite/notivisa/formularios.htm

 Cartilha

Há uma cartilha para Cosméticos Infantis já que o Brasil é um dos maiores mercados mundiais desses produtos e a utilização de produtos de higiene pessoal, como xam­pus, condicionadores e sabonetes infantis, e de produtos de beleza já se incorporou ao dia-a-dia de meninos e meninas. Esse crescente interesse vem chamando a atenção de pais, médicos e autoridades sanitárias quanto à segurança desses produtos: http://portal.anvisa.gov.br/wps/wcm/connect/6af7260040047544aed7aeee27e7f6ac/Cosmetico+cartilha+infantil.pdf?MOD=AJPERES

Faça aqui a divulgação de seus produtos ou serviços

Um site de resultados com mais de 35.000 acessos

Contate: hayrton@uol.com.br

 

Formol

Também foi publicada a Resolução RDC 36, de 17 de junho de 2009, que proíbe a comercialização do formol em estabelecimentos como drogarias, farmácias, supermercados, empórios, lojas de conveniências e drugstores. A finalidade dessa Resolução é restringir o acesso da população ao formol, coibindo o desvio de uso do formol como alisante capilar, protegendo a saúde de profissionais cabeleireiros e consumidores. Dados recebidos pela Anvisa mostram que as notificações de danos causados por produtos para alisamento capilar triplicaram no 1º semestre de 2009 em comparação com todo o ano de 2008, sendo que na maioria dos casos há suspeita do uso indevido de formol (e também de glutaraldeído) como substâncias alisantes.

 Guia

Há um Guia para Avaliação de Segurança de Produtos Cosméticos em http://portal.anvisa.gov.br/wps/wcm/connect/e60211804004752fadd2afee27e7f6ac/guia_cosmeticos_final_2.pdf?MOD=AJPERES

 Protetores solares

Quanto aos protetores solares, a agência tem uma cartilha sobre o assunto em http://www.anvisa.gov.br/cosmeticos/prot_solar/index.htm

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