A qualidade dos metais sanitários no Brasil

O mercado de metais sanitários está inserido no setor de construção civil e movimenta, anualmente, cerca de R$ 600 milhões. Os produtos que se destacam neste mercado são as torneiras, misturadores, registros e válvulas, sendo também considerados os acessórios para banheiros como complementares das linhas de produtos. No Brasil, existem cerca de 150 empresas, sendo 80% sediadas em São Paulo, podendo dizer que 17% são grandes, 44% são médias, 35% pequenas e 4% micro.

Os produtos importados ainda não ocupam grande parcela do mercado, porém esse quadro pode se reverter a curto prazo. A entrada desses produtos encontra alguns problemas de adaptação ao mercado brasileiro, entre eles, a inexistência de um sistema estruturado de distribuição e manutenção. Outro fator é a baixa pressão existente nas redes prediais de abastecimento de água, em especial nas casas térreas e sobrados, em função da utilização de caixa d’água.

A pressão é menor que a usualmente prevista nos produtos europeus e americanos. Essas dificuldades, além das alíquotas de importação e comercialização, têm criado barreiras para a entrada desse segmento no país. Porém, à medida em que as alíquotas de importação forem reduzidas, as empresas estrangeiras terão maior incentivo para procurar resolver os problemas e ampliar a exportação de produtos para o Brasil. A tendência, com a globalização, é a padronização mundial dos preços de produtos para o mercado de metais sanitários.

No caso da produção interna (ver figura acima), há muitas pressões internas, onde as grandes empresas buscam o mercado das médias, e estas, por sua vez, pressionam o mercado das pequenas. Assim, só as empresas grandes têm condições tecnológicas para competir com as estrangeiras. As médias e pequenas, além de problemas de produtividade e custos trabalham com projetos de design muitas vezes superados, principalmente no caso das pequenas.

As empresas médias tem plantas menos atualizadas tecnologicamente do que as grandes, com procedimentos manuais em atividades que poderiam ser automatizadas. Assim, com problemas no sistema de produção por falta de investimento, novas máquinas, ou mesmo localização física da planta, o desenvolvimento de novos produtos é restrito à engenharia reversa.

Outro fator que dificulta o desenvolvimento de novos produtos e a modernização das fábricas é a excessiva verticalização da cadeia produtiva, sendo que muitas empresas ainda realizam todas as etapas do processo produtivo: fundição, usinagem, polimento, galvanoplastia e montagem. Poucas empresas começam a terceirizar as atividades de fundição, polimento e galvanoplastia, decisão importante para a melhora da qualidade dos seus produtos. Esta terceirização, porém, nem sempre vem sendo acompanhada de investimentos em modernização de equipamentos e treinamento da mão de obra.

No que se refere à linha de produtos, observa-se que as torneiras usualmente constituem um dos principais itens de produção das empresas médias e pequenas, enquanto as grandes não focalizam a produção neste produto, distribuindo-a entre válvulas, torneiras e misturadores. As empresas médias têm suas linhas de produto fortemente inspiradas nas das líderes, com pequenas variações em detalhes, como cores e frisos. Já as pequenas muitas vezes não conseguem atualizar suas linhas de produtos, nem através de cópia.

Não existe no setor de metais sanitários uma demanda permanente por serviços de design. Isto se reflete na pequena presença de escritórios e empresas especializados neste setor. A falta de serviços especializados associada à excessiva verticalização da cadeia produtiva, fazem com que o design fique em segundo plano frente a outras atividades do processo produtivo, resultando numa pequena alocação de recursos, humanos e financeiros.

O conceito de design não se limita, evidentemente, aos aspectos estéticos das peças. A inovação tecnológica, utilização de novos materiais, aprimoramento da qualidade e funcionalidade estão diretamente associados. Dentre as principais tendências de inovações tecnológicas no setor, destacam-se: racionalização do consumo de água; substituição de metais não ferrosos pelos materiais termoplásticos; aperfeiçoamento de registros e torneiras de esferas; uso de materiais alternativos para vedação; pesquisa de novas ligas, como o Zamac, que incorpora alumínio; aparelhos mono-comando para misturadores; e torneiras e registros de fechamento rápido (1/4 de volta).

O Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) realizou uma análise em amostras de diversas marcas de torneiras e registros disponíveis no mercado nacional, para avaliar a tendência da qualidade do produto. No que diz respeito ao desperdício, cabe destacar que, no país, concentra-se nos vazamentos escondidos, descargas soltas ou na falta de racionalização do uso. Os números do desperdício são elevados.

De acordo com dados da Agência Nacional de Águas (ANA), a média nacional do consumo doméstico de água é de 150 litros per capita, 40 litros acima do recomendado pela Organização das Nações Unidas (ONU). Em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Vitória, o consumo ultrapassa 220 litros por dia.

Um pequeno vazamento, muitas vezes despercebido ou ignorado pelo consumidor, pode representar um significante desperdício se analisado em uma escala temporal maior. Dessa forma, o aumento da conformidade a requisitos como estanqueidade e dispersão do jato de torneiras e registros, possibilita reduzir perdas de água por vazamento, correspondentes a até 15% da demanda de água por habitação, o que pode chegar a 1000 litros/mês.

Normas usadas nos testes

NBR 10071/98 – Registro de pressão fabricado com corpo e castelo em ligas de cobre para instalações hidráulicas prediais;

NBR 14150/98 – Instalações hidráulicas prediais – Registro de pressão de liga de cobre – Verificação de desempenho;

NBR 10072/98 – Instalações hidráulicas prediais – Registro de gaveta de liga de cobre – Requisitos;

NBR 14151/98 – Instalações hidráulicas prediais – Registro de gaveta de liga de cobre – Verificação do desempenho;

NBR 10281/03 – Torneira de pressão – Requisitos e métodos de ensaio;

NBR 10283/08 – Revestimentos eletrolíticos de metais e plásticos sanitários – Requisitos e métodos de Ensaio;

Lei 8.078, de 11 de setembro de 1990, do Ministério da Justiça – Código de Proteção e Defesa do Consumidor.

  • No caso dos registros de gaveta e de pressão, pode-se destacar que as normas utilizadas na avaliação foram substituídas em 21/08/09. Entretanto, como os produtos foram adquiridos muito próximos a essa data, foi utilizada a norma vigente quando os produtos foram fabricados.

Depois de testadas, o Inmetro concluiu que 44% das marcas analisadas tiveram amostras que não atenderam aos requisitos mínimos estabelecidos nas normas brasileiras pertinentes. Os problemas observados representam potencial prejuízo ambiental e econômico, já que influenciam no maior consumo de energia e água. Além de apresentarem deficiência quanto à durabilidade.

Diante disso, o Inmetro convocará uma reunião com os órgãos representativos dos fabricantes, as empresas que tiveram amostras analisadas, a ABNT, entidades de defesa do consumidor e outros interessados, com o objetivo de discutir ações de melhoria para o setor. Paralelamente, o presente relatório e os laudos de ensaio serão enviados ao Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor, do Ministério da Justiça, Ministério das Cidades e ao Ministério Público Federal, para que sejam tomadas as providências cabíveis. Leia o relatório completo em http://www.inmetro.gov.br/consumidor/produtos/torneiras_e_registros.pdf

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6 Respostas

  1. EU QUERIA DEICHAR MINHA INDIGNAÇÃO A RESPEITO DO INFELIZ TECNO QUE FEZ A PORCA DE FIXAÇAO DAS TORNEIRAS DE PIA SESTAVADA PORQUE NAO TEM CHAVE NO MERCADO ADEQUADA , É MUITO BURRO ESSE TECNO ,DEIXA COMO ESTAVA ANTES COM AS PORCAS DE ACETAL QUE ESTAVA .
    CADE OS FABRICANTES DE TORNEIRAS QUE FICAM IGUAL VACA DE PRESEPIO ACEITANDO A TUDO QUE ESSES OTARIOS IMPOEM ;
    AFINAL SE ANTES FUNCIONAVA PORQUE MUDAR PARA PIOR AGORA.

  2. Oi bom dia tenho uma duvida q n foi explicada nesta publicação
    a duvida é sobre a forma de transporte de metais sanitários. ja procurei em todo lugar e n encontro. se poder me dar dicas ou publicar algo falando sobre agradeço.

    • Meu caro Antonivan: não existe normas para embalagem de metais sanitários. Se eu fosse o gestor de sua empresa, buscaria no mercado uma empresa desenvolvedora de embalagens e faria uma parceria de solução com ela. Estou às ordens para quaisquer dúvidas. Saudações.
      Hayrton

  3. o maior polo industrial de metais sanitarios está na cidade de loanda, extremo noroeste do parana e isto nem se quer foi mencionado nesta publicaçao.

    • Caro Luis: recomendo que você leia novamente o texto. Nele, não são citados nem fabricantes e nem regiões onde se localizam esses fabricantes. De qualquer forma, publico o seu comentário com a informação. Saudações.
      Hayrton

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