Esfigmomanômetros legais: medindo a pressão arterial com qualidade

Vários são os fatores que influenciam a medida da pressão arterial, destacando-se as condições dos esfigmomanômetros, principalmente, a sua calibração. Na prática clínica, o diagnóstico de hipertensão é realizado pela medida indireta da pressão arterial, geralmente com uso de esfigmomanômetros. Desta forma, esses instrumentos precisam ser precisos e funcionando adequadamente, sendo essenciais para se obter uma medida fiel da pressão arterial. Em parceria com o médico, um exato e regular registro da pressão arterial pode ser de grande ajuda no diagnóstico e prevenção de potenciais problemas de saúde.

O esfigmomanômetro mecânico (do grego sphygmos = pulso) consiste em um sistema para compressão arterial e obstrução do fluxo de sangue, composto por uma bolsa inflável de borracha de formato laminar – o manguito – a qual é envolvida por uma capa de tecido inelástico e conectada por um tubo de borracha a um manômetro e, por outro tubo, a uma pêra, que tem a finalidade de insuflar a bolsa inflável. Conectado a pêra, há uma válvula de controle de saída do ar. A pressão arterial é detectada pelo método auscultatório, no qual os ruídos denominados de Korotkoff são auscultados para determinar a pressão máxima ou sistólica e a pressão mínima ou diastólica. O controle metrológico do esfigmomanômetro mecânico aneróide de medição não-invasiva da pressão arterial foi iniciado através da publicação do RTM anexo à Portaria Inmetro nº 24/1996, tornando compulsória a aprovação de modelo perante o Inmetro para ser comercializado.

Existem também os esfigmomanômetros de líquido manométrico, que utilizam um líquido manométrico como fluido sensível à ação do ar bombeado pela pêra. Geralmente, o líquido utilizado é o mercúrio.

Os eletrônicos digitais, de medição da pressão arterial humana no braço, punho ou coxa, utilizam o método oscilométrico, que se refere a qualquer medição das oscilações causadas pelos pulsos da pressão arterial. Os esfigmomanômetros digitais estão se tornando populares, já que não há necessidade de um operador, eliminando as influências visuais e auditivas, além de serem de fácil utilização.

Segundo o Inmetro, seja o mecânico ou o digital, o modelo do instrumento é submetido a ensaios sistemáticos de desempenho, em um ou vários exemplares, em relação às exigências estabelecidas em portarias do Inmetro, do Ministério da Saúde, a fim de determinar se pode ou não ser comercializado, e cujo resultado será registrado no relatório de apreciação técnica. Atualmente existem 34 modelos aprovados de esfigmomanômetros mecânicos e 48 digitais, com sua confiabilidade atestada publicamente pela Portaria de Aprovação de Modelo.

O último teste do Inmetro realizado nesses instrumentos data de 1997 Os resultados de verificação da calibração dos esfigmomanômetros em uso indicaram que, em sua grande maioria, apresentaram erros acima do limite permitido, que é de 4 mm Hg. Exatamente 61% do total de esfigmomanômetros verificados apresentaram-se fora do erro máximo permitido. Por cidade, a maior incidência de reprovação é em São Paulo, com 76%, e a menor, no Rio de Janeiro, que teve 40% dos aparelhos verificados reprovados.

Também em São Paulo foi observada a maior discrepância em relação a medição desejável. Um dos aparelhos verificados apresentou um erro de 33 mm Hg, contra os 4 mm Hg permitidos. Essa discrepância levará a um preocupante erro no laudo médico. Na medida que o aparelho apresenta um erro de 33 mm Hg para mais em relação ao valor real, o médico tomará uma decisão com base inadequada em uma premissa falsa, podendo tratar como hipertenso um paciente que na verdade não o é. Foram observados também erros para menos, que podem levar o médico a tratar um paciente normotenso como hipotenso.

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4 Respostas

  1. Eu considero esta matéria muito relevante, pois os dados levantados em 1997 sobre os esfigmomanômetro descalibrados, é revelador de grave problema de saúde pública que deveria ter maior atenção das autoridades públicas. Eu sugiro:
    a) um amplo debate em torno do assunto ,pois a sociedade e a comunidade médica precisa ser alertada sobre esse perigo;
    b)Uma campanha educativa institucional , na mídia em geral, de caráter permanente;
    c) Maior rigor na manutenção deses equipamentos e fiscalização mais efetiva, inclusive com aplicação da Lei, por parte da Anvisa, Inmetro e Conselhos Reginais;
    d)Um cadastro nacional do quantitativo desses equipamentos, pois isso é factível a médio prazo, para verificações periódicas e eventuais desses através da rede nacional de metrologia em todo território nacional ;
    e) Publicação mais atualizadas dos resultados da fiscalização nesses intrumentos realizada pela rede nacional de metrologia a cada exercício;

    Quem sabe assim estaremos prestando um grande serviço àqueles profissionais de saúde, que embora competentes, estão expostos a gravíssimos erros de diagnósticos e consequentemente salvando muitas vidas. Gostei muito desta matéria ,.

  2. Possuo um esfigmomanometro ICO-ECO que julgo está descalibrado.
    Agradecia me informassem, caso piossivel, onde posso mandar arranjar

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