NBR 15575 – Edificações habitacionais de até cinco pavimentos – Desempenho

Um leitor diz que gostaria de obter mais informações sobre o tratamento acústico em edifícios residenciais, comerciais e industriais. Uma pesquisa, sobre as normas sobre esse assunto, revelou que nove normas técnicas da Associação Brasileira de Normas Técnicas relacionadas direta ou indiretamente ao tratamento acústico, duas estão presentes no cotidiano dos profissionais da área: a NBR 10151 – Acústica – Avaliação do Ruído em Áreas Habitadas, Visando o Conforto da Comunidade – Procedimento; e a NBR 10152 – Níveis de Ruído para Conforto Acústico. Mesmo assim, essas normas não determinam como devem ser feitas as avaliações de desempenho dos sistemas construtivos em ensaios de campo e quais são os critérios para utilizar nesses casos, fazendo com que os engenheiros e arquitetos se baseiem em normas estrangeiras.

Para preencher essa lacuna, a norma de desempenho NBR 15575 para edifícios de até cinco pavimentos, aprovada em maio de 2008 e que entrará em vigor em maio desse ano, terá o foco principalmente na funcionalidade da construção, inclusive em relação ao conforto acústico, abordando aspectos que faltam na NBR 10151 e NBR 10152. A norma define o desempenho mínimo obrigatório para alguns sistemas das edificações ao longo de uma vida útil mínima obrigatória.

Além disso, a norma leva em conta o estágio sócio-econômico do Brasil, seus níveis de desempenho higiênicos e não aumenta os custos de construção para quem já cumpre as normas técnicas. Também, define os níveis de desempenho diferentes: mínimo, intermediário e superior, além de recomendar os prazos de garantia mínimos para sistemas, elementos e componentes. Define, ainda, as incumbências dos intervenientes: incorporadores, construtores, projetistas e administradores pós-obra e, para alguns requisitos, pode ser aplicada a edificações com qualquer número de pavimentos.

O que os especialistas recomendam:

  • Verifique no projeto de arquitetura quais locais necessitam de proteção ou adequação da incidência dos ruídos e vibrações.
  • Separe o desenho de implantação da obra e indique locais como salas de reuniões, auditório, instalação de equipamento de ar-condicionado, sala do motor/gerador de energia de reserva ou emergência, paredes divisórias entre ambientes, portas, forros, janelas, pisos entre pavimentos vizinhos, etc.
  • Disponibilize o projeto estrutural de arquitetura, hidráulica e elétrica.
  • Forneça desenhos dos locais a uma firma especializada em projeto de tratamento acústico.
  • Solicite fornecimento de projeto obedecendo às normas ABNT NBR 10151, NBR 10152 e NBR 15575 de desempenho da construção e às normas NR Trabalhistas. O projeto deverá fornecer desenhos com as soluções acústicas contendo especificações dos materiais.
  • Estabeleça um contrato de prestação de serviços com a empresa especializada na execução do projeto que deve acompanhar, também, a execução física da obra.
  • Colabore com o projeto fornecendo todas as informações sobre uso dos locais.
  • Assegure que o projeto e a obra irão adotar materiais acústicos com absorção e isolação do som compatíveis com as necessidades dos locais.
  • Assegure que a solução acústica e/ou antivibratória indicada em desenhos específicos seja adotada de forma compatível com a decoração, iluminação, ar-condicionado e outros projetos de interesse do local específico estudado.

 

Normas técnicas

NBR 10151 – Acústica – Avaliação do Ruído em Áreas Habitadas, Visando o Conforto da Comunidade – Procedimento

NBR 10152 – Níveis de Ruído para Conforto Acústico

NBR 10829 – Caixilho para Edificação – Janela – Medição da Atenuação Acústica

NBR 10830 – Caixilho para Edificação – Acústica dos Edifícios

NBR 12179 – Tratamento Acústico em Recintos Fechados

NBR 15575-4 – Edifícios Habitacionais de até Cinco Pavimentos – Desempenho – Parte 4: Sistemas de Vedações Verticais Externas e Internas

NBR 15575-5 – Edifícios Habitacionais de até Cinco Pavimentos – Desempenho – Parte 5: Requisitos para Sistemas de Coberturas

Assim, a NBR 15575 tem levado os arquitetos a buscar o conforto acústico em seus projetos, por meio da utilização de sistemas construtivos e materiais que apresentam desempenho adequado nas edificações. O conforto acústico de um ambiente, seja ele um local de trabalho ou uma residência, é definido como sendo a ausência da interferência dos desagradáveis ruídos externos e internos. Tal conforto é fundamental para o desempenho de atividades profissionais e para a qualidade de vida das pessoas que permanecem no ambiente.

Geralmente, o conforto acústico é o que se espera ter quando, por exemplo, moramos em uma casa ou apartamento e não se ouve o que os vizinhos estão conversando e vice-versa. A mesma situação vale quando se está hospedado em um quarto de hotel. Em um cinema dentro de um shopping center, a isolação acústica é importante para a qualidade sonora da sala e para não deixar que os sons (ruídos) gerados dentro dela não incomodem quem está do lado de fora.

Numa sala de reunião ou em um auditório, essa isolação é fundamental para manter a privacidade das conversas ou o perfeito entendimento das apresentações. Todas essas situações de conforto acústico podem ser obtidas através do uso de paredes, pisos e tetos adequados ao ambiente, ressaltando-se a importância da vedação dos vãos de janelas e portas. Sem uma perfeita vedação nos vãos dos ambientes, todo o trabalho e custo com os demais materiais tornam-se ineficientes para os sons aéreos, transmitidos pelas portas e janelas.

 Série de normas

ABNT NBR 15575-1:2008 – Edifícios habitacionais de até cinco pavimentos – Desempenho – Parte 1: Requisitos gerais

ABNT NBR 15575-2:2008 – Edifícios habitacionais de até cinco pavimentos – Desempenho – Parte 2: Requisitos para os sistemas estruturais

ABNT NBR 15575-3:2008 – Edifícios habitacionais de até cinco pavimentos – Desempenho – Parte 3: Requisitos para os sistemas de pisos internos

ABNT NBR 15575-4:2008 Errata 1:2009 – Edifícios habitacionais de até cinco pavimentos – Desempenho – Parte 4: Sistemas de vedações verticais externas e internas

ABNT NBR 15575-4:2008 Versão Corrigida: 2009 – Edifícios habitacionais de até cinco pavimentos – Desempenho – Parte 4: Sistemas de vedações verticais externas e internas

ABNT NBR 15575-5:2008 – Edifícios habitacionais de até cinco pavimentos – Desempenho – Parte 5: Requisitos para sistemas de coberturas

ABNT NBR 15575-6:2008 – Edifícios habitacionais de até cinco pavimentos – Desempenho – Parte 6: Sistemas hidrossanitários

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A filosofia 5 S e o Lean Manufacturing

Uma leitora diz que gostaria de saber se o lean pode conviver pacificamente com a metodologia 5 S. Acredito que sim. As duas ferramentas são muito complementares, pois se o lean é uma filosofia operacional que alinha na melhor seqüência as ações que criam valor, realizar essas atividades sem interrupção toda vez que alguém solicita e realizá-las de forma cada vez mais eficaz, ou seja, fazer cada vez mais com cada vez menos – menos esforço humano, menos equipamento, menos tempo e menos espaço, com o 5 S é possível eliminar o desperdício, ou seja, tudo o que gera custo extra em cinco fases. Abaixo segue um texto do diretor da PDCA, Haroldo Ribeiro (pdca@terra.com.br) intitulado “5S – O Amigo do Lean Manufacturing”:

O sucesso do Lean Manufacturing, independente de ser tratado como sistema ou ferramenta de gestão, depende não somente de toda uma reengenharia no sistema de produção e de logística, como também de mudanças físicas e comportamentais dos ambientes de trabalho. É comum o desenvolvimento do Lean ter dificuldade para avançar justamente quando o nível de 5S da empresa ainda deixa a desejar. Por isto, a maioria das empresas que implanta o Lean Manufacturing já trata o 5S como sua base física e cultural, ou seja, enquanto planejam e treinam pessoas chaves no Lean, disseminam a prática do 5S em todas as áreas e em todos os níveis de hierarquia.

O SEIRI, Senso de Utilização, é a forma simples e cultura de se praticar o conceito proposto pelo Lean, ou seja, ter e manter no local de trabalho apenas o estritamente necessário. No fluxo de materiais no processo produtivo, a filosofia “just-in-time, que é o foco do Lean, é praticada naturalmente pelas pessoas à medida que o conceito do SEIRI está devidamente internalizado. Isto significa que toda a Análise do Valor desenhada pela Engenharia de Produção é apoiada pelas pessoas de todos os níveis hierárquicos e áreas com a cultura do 5S.

O SEITON, Senso de Ordenação, recomenda que todos os recursos tenham seu local de guarda definidos e identificados. A distribuição adequada dos recursos no ambiente também é tratada em consenso com as pessoas de cada ambiente de trabalho racionalizando tempo e espaço, tornando o ambiente de trabalho mais seguro e produtivo. Por último, o Senso de Ordenação faz com que as pessoas tenham o hábito de repor os recursos nos locais definidos, identificados e sinalizados. Nenhum sistema Lean funciona com um ambiente de trabalho desorganizado.

O SEISO, Senso de Limpeza, promove um ambiente de trabalho limpo. Porém, esta preocupação com a limpeza faz com que as pessoas inspecionem com uma visão crítica o seu ambiente de trabalho e isto contribui para a detecção de problemas de conservação em sua fase precoce, reduzindo riscos de quebras repentinas de máquinas e equipamentos, além da detecção de outros problemas, tais como: materiais em excesso ou faltando; materiais fora dos locais de guarda; materiais sem utilização; falta de identificação de recursos ou locais de guarda; recursos sem locais definidos; falta de sinalização de segurança; etc. O resultado de um ambiente com estas práticas favorece sobremaneira a operacionalização do Lean.

O SEIKETSU, Senso de Higiene e Saúde, forma a cultura da higiene no local de trabalho, contribuindo para a preservação adequada dos materiais do processo (matéria-prima, produto semi-acabado, produto acabado). A melhoria da saúde das pessoas com a higiene e com a eliminação de problemas ergonômicos diminuem a fadiga e o absenteísmo e aumentam a auto-estima das pessoas. Este tipo de ambiente é essencial para o incremento da eficiência do Lean Manufacturing.

O SHITSUKE, Senso de Autodisciplina, contribui a prática espontânea do sistema desenhado pela Engenharia, sem necessidade de monitoramento ou cobranças. As pessoas neste estágio se sentem autônomas para cumprir tudo o que foi estabelecido e costumam ter uma postura pró-ativa e antecipada para os possíveis desvios em relação ao que foi planejado.

A empresa que trata o 5S apenas como uma atividade paralela do Lean, e não como uma base, seguramente tem ou terá dificuldade para fazer o sistema “rodar”. Com isto, a sua operacionalização dependerá da atuação intensa de poucas pessoas, que são as mesmas responsáveis e “afogadas” por outros programas concorrentes.

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