Qualidade da banda larga no Brasil: para poucos, cara e lenta

O consumidor que quer navegar na internet por banda larga no Brasil parece estar sentado sobre uma tartaruga gigante e ir bem devagar. A operadoras anunciam conexões com ultra, hiper e megavelocidades, mas se reservam o direito de inserir nos contratos cláusulas que as isentam de garantir um índice médio da velocidade contratada. Um levantamento realizado Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), constatou que, na maioria dos casos, a capacidade de transmissão de dados não passa de 40% da velocidade do plano.

Segundo levantamento da empresa norte-americana Akamai, a web no Brasil é a 35ª mais veloz em uma lista de 45 países. A pesquisa mostrou que, no terceiro trimestre de 2009, a velocidade média da web no Brasil era de 1.085 kbps ou 93% mais lenta que a da Coréia do Sul.

Entre as cidades brasileiras analisadas, Curitiba tem a velocidade média mais rápida, 1.928 kbps, o que a colocaria na 32ª posição entre os países. Outro indicador de como as pessoas têm acesso a uma web lenta no país é que 20% das conexões têm velocidade inferior a 256 kbps, que é a velocidade mínima estabelecida para uma internet ser considerada banda larga. Somente a Síria (69%), o Sudão (35%) e a Índia (26%) têm um índice pior que o brasileiro.

De acordo com a pesquisa sobre o uso das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs) no Brasil, realizada pelo Comitê Gestor da Internet do Brasil (CGI.br) em 2008, 80% dos domicílios urbanos do país ainda não têm acesso à internet, apesar de pelo menos 28% das famílias já possuírem computador. Boa parte dos usuários de internet no país (48%) precisa recorrer a centros de acesso pago, como lan houses, 21% só têm acesso no trabalho, e 14%, apenas na escola. Da ínfima minoria que possui conexão residencial, somente 58% têm banda larga. Pelo menos 31% dos acessos ainda são pela velha e lenta linha discada. Mas se considerarmos que 10% dos entrevistados não souberam responder qual é o seu tipo de conexão, esse número pode ser ainda maior.

Segundo o Idec, o preço da banda larga no Brasil é um dos mais altos do mundo. Enquanto em 2007 o Mbps custava por mês na Itália o equivalente a R$ 4,32 e nos Estados Unidos a R$ 12,75, no Brasil podia chegar a incríveis R$ 716, de acordo com dados da Associação Brasileira das Prestadoras de Serviços de Telecomunicações Competitivas (TelComp). Esse preço absurdo é praticado até hoje em Manaus (AM) pela Oi.

O preço da banda larga no Brasil é um dos mais altos do mundo. Enquanto em 2007 o Mbps custava por mês na Itália o equivalente a R$ 4,32 e nos Estados Unidos a R$ 12,75, no Brasil podia chegar a incríveis R$ 716, de acordo com dados da Associação Brasileira das Prestadoras de Serviços de Telecomunicações Competitivas (TelComp), praticado até hoje em Manaus (AM) pela Oi.

Uma pesquisa rápida nas páginas eletrônicas das principais prestadoras de banda larga do país, realizada em meados de outubro, deixa claro que o preço do serviço é inacessível para boa parte dos brasileiros (veja a tabela abaixo). O valor mais baixo encontrado para 1 Mbps foi R$ 49,90, mensalidade cobrada pela BrT em Porto Alegre (RS) e Rio Branco (AC). Em Manaus, o Vivax, da Net, custa R$ 249,90.

Para piorar, as concessionárias de telefonia, principais prestadoras do serviço de banda larga, exigem que o usuário contrate também o serviço telefônico, que custa cerca de R$ 40. A exigência consta dos sites da BrT e da Oi e é confirmada pelo SAC da Telefônica. No entanto, a prática é ilegal. “Não há necessidade técnica de linha telefônica para prestar o serviço de banda larga, e o Código de Defesa do Consumidor [CDC] proíbe expressamente que a aquisição de um produto ou serviço seja atrelada à compra de outro”, alerta Estela Guerrini, advogada do Idec. Isso se chama venda casada, vedada pelo artigo 39 do CDC. Contudo, como a fiscalização não é feita satisfatoriamente, muitos usuários ou são condicionados a essa prática abusiva ou são afastados do acesso à internet devido ao preço alto.

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Os preços altos e a qualidade baixa dos serviços de banda larga estão relacionados, em parte, à falta de concorrência no setor. Oi-BrT, Telefônica e Net, juntas, abocanham nada menos que 87,2% da fatia do mercado de banda larga do país, sendo que o primeiro grupo detém 37,7%; a Telefônica, 25,3%; e a Net, 24,2%. Se as três empresas pelo menos concorressem entre si, ainda haveria disputa para conquistar o consumidor. Na prática, contudo, o cenário é bem pior, pois em boa parte das cidades brasileiras há monopólio na prestação do serviço. No interior ou em municípios pequenos da região metropolitana de São Paulo, os consumidores têm como única opção o Speedy, da Telefônica. Nos demais estados os usuários são atendidos pela Oi-BrT, que oferece o BrTurbo ou o Velox. A Net, apesar de ter crescido nos últimos anos, está presente apenas nos bairros de classe média alta de cidades com alta concentração de renda, como algumas capitais.

Além disso, governo e operadoras de telefonia discordam sobre a melhor forma de universalizar o acesso à banda larga no Brasil. Atualmente, o País ocupa o 38º lugar, entre 42 países, no acesso da população a serviços de conexão de alta velocidade à internet. A discussão ocorreu em audiência pública sobre o Plano Nacional de Banda Larga, realizada nesta terça-feira pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática.

Para o secretário de Logística e Informação do Ministério do Planejamento, Rogério Santanna, é o governo que deve ocupar os espaços que não são atrativos para as operadoras de telefonia. Ele lembrou que somente 184 municípios brasileiros têm concorrência quando se trata de serviços de banda larga. “O Estado tem que fazer alguma coisa e introduzir a concorrência onde não há. Então, onde os provedores desse serviço hoje não veem possibilidade de negócios, talvez novas empresas inovadoras possam ver, e há um grande mercado de pessoas que estão nesses municípios. Mais de 43 milhões de brasileiros estão em municípios sem concorrência.”

Santanna destacou também que, com a banda larga, os usuários passarão a usar a tecnologia gratuita VoIP (voz sobre IP), o que reduzirá o lucro das operadoras com telefonia – que chegou a R$ 100 bilhões em 2008. Dessa forma, ele considera que, para ampliar o acesso à banda larga no Brasil, as empresas de telefonia terão de receber incentivos. Para o secretário, é preciso que o Brasil se antecipe a essa mudança tecnológica para ficar entre os países desenvolvidos.

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Já o presidente da Associação Brasileira de Concessionárias de Serviços Telefônico Fixo Comutado (Abrafix), José Fernandes Pauletti, afirmou que não é papel do governo atender o usuário final de telecomunicação, mas sim regular o mercado e garantir que o serviço seja prestado com qualidade. “Já ficou provado que o governo não é um bom empresário. O governo tem de exercer a função de fiscalizador, de indutor do desenvolvimento, de controlador, de definidor das políticas”, disse. Pauletti defendeu o uso da infraestrutura já instalada pelas operadoras no projeto de universalização de internet em alta velocidade.

E o consumidor e cidadão fica no meio desse bate boca. Enquanto isso, o país está longe de entregar uma banda realmente larga, enquadrando velocidades de 256 Kbps, por exemplo, na categoria. Por esta questão, entidades como a Associação Brasileira de Prestadoras de Serviços de Telecomunicações Competitivas (TelComp) traçam críticas ao serviço ofertado em território nacional. Luis Cuza, presidente do grupo, cita números da Organização das Nações Unidas (ONU) que estabelece 2 Mbps como limite mínimo para banda larga. “O Brasil não pode se limitar à tecnologia do século passado”, aponta o executivo, dizendo que velocidades baixas suportam sistemas simples, mas não dão conta da crescente demanda por aplicativos cada vez mais pesados.

Acesso à internet no Brasil

O acesso à internet em qualquer ambiente (residências, trabalho, escolas, lan-houses, bibliotecas e telecentros), considerando os brasileiros de 16 anos ou mais de idade, chegou a 67,5 milhões de pessoas no quarto trimestre de 2009. Isso significou um crescimento de 1,7% em relação ao terceiro trimestre e de 8,2% sobre o primeiro trimestre de 2009.

O número total de pessoas com acesso no trabalho e em domicílios cresceu 0,4% e chegou a 47 milhões. Do total de pessoas com acesso, 36,7 milhões foram usuários ativos em fevereiro de 2010.


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Em fevereiro de 2010, a categoria que apresentou o maior crescimento da audiência em relação ao mês anterior entre os que usam a internet no trabalho ou no domicílio foi Educação e Carreiras, com aumento de 5,6%. Também cresceram os sites de Finanças e Investimentos (2,9%), Governo e Entidades sem Fins Lucrativos (1,7%) e Notícias e Informação (1,5%).

 

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Termos estatísticos gerais e os usados em probabilidade

Previsto para cancelar e substituir a ABNT NBR 10536:1988, quando aprovado, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) está disponibilizando um projeto baseado na norma ISO 3534-1:2006 que será a Parte 1 dos termos estatísticos gerais e termos usados em probabilidade. As versões atuais da ABNT NBR ISO 3534-1 e ISO 3534-2 foram desenvolvidas para serem compatíveis e compartilham do objetivo comum de restringir seus níveis matemáticos respectivos aos níveis mínimos necessários para alcançar definições coerentes, corretas e concisas.

A Parte 1, referente aos termos usados em probabilidade e estatística, é fundamental, portanto por necessidade é apresentada em um nível matemático um tanto sofisticado. Reconhecendo que os usuários da ISO 3534-2 ou outras normas do TC 69 em estatística aplicada podem ocasionalmente consultar esta parte da ISO 3534 para a definição de determinados termos, muitos dos termos são descritos de uma maneira menos técnica nas notas e ilustrados com exemplos. Embora essas descrições informais não sejam um substituto para definições formais, podem fornecer uma definição operacional dos conceitos para leigos, assim servindo às necessidades de usuários múltiplos destas normas de terminologia. Para acomodar mais o usuário aplicado que estaria envolvido normalmente com normas tais como a ISO 3534-2 ou a ISO 5725, por exemplo, notas e exemplos são oferecidos para fazer esta parte da ISO 3534 mais acessível.

Um conjunto bem definido e razoavelmente completo de termos de probabilidade e estatística é essencial ao desenvolvimento e ao uso eficaz de normas estatísticas. As definições fornecidas aqui devem ser suficientemente exatas e matematicamente sofisticadas para permitir que desenvolvedores das normas de estatística evitem ambigüidades. Naturalmente, explicações mais detalhadas dos conceitos, dos seus contextos e dos seus campos de aplicação podem ser encontradas em livros introdutórios de probabilidade e estatística.

Os diagramas conceituais são fornecidos em um anexo informativo para cada grupo de termos estatísticos gerais (Anexo B) e os termos usados em probabilidade (Anexo C). Há seis diagramas conceituais para termos estatísticos gerais e quatro para os termos relativos à probabilidade. Alguns termos aparecem em diagramas múltiplos para fornecer uma ligação de um conjunto de conceitos a outro. O Anexo D fornece uma breve introdução aos diagramas de conceito e à sua interpretação.

Curso: C.E.P. – CONTROLE ESTATÍSTICO DO PROCESSO
Como utilizar e garantir que o processo de fabricação está sob controle. Os conceitos e a metodologia para monitorar e controlar processos através de técnicas estatísticas.
Data: 26/05/2010
Horário: 8h30 às 17h30
Valor: R$ 380,00

Estes diagramas foram instrumentos na elaboração desta revisão, pois ajudam a delinear as interdependências dos vários termos. Estes diagramas são também provavelmente úteis na tradução da norma para outros idiomas. Como um comentário geral no que diz respeito a grande parte da norma, salvo indicação em contrário, as definições se relacionam ao caso unidimensional (univariada). Desta forma, elimina-se a necessidade de se mencionar o âmbito unidimensional para a maioria das definições.

O escopo do projeto define os termos estatísticos gerais e termos usados em probabilidade que podem ser utilizados na elaboração de outras Normas. Além disso, define símbolos para um número limitado destes termos. Os termos são classificados como: estatísticos gerais (Seção 1); e os usados em probabilidade (Seção 2). O Anexo A apresenta uma lista de símbolos e abreviaturas recomendados para esta parte 1. Os termos desta parte 1 são organizados em associação com os diagramas de conceito mostrados nos Anexos B e C.

Para participar dando a sua opinião no projeto acesse http://www.abntonline.com.br/consultanacional/default.aspx

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