Qual a sua ecological footprint ou pegada ecológica?

As mudanças climáticas são uma realidade que já estão sendo sentidas por uma grande parte da população mundial. Segundo o Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC), o aumento da temperatura média superficial global nos últimos 150 anos vem preocupando autoridades do mundo inteiro. Grande parte da comunidade científica acredita que a emissão de gases poluentes para a atmosfera, o crescente aumento das queimadas e dos desmatamentos tem contribuído para o aumento da temperatura no planeta alterando o ciclo de vital dos seres vivos. Grande quantidade de gases tem sido emitida para a atmosfera desde que começou a revolução industrial, a partir de 1750 as emissões de dióxido de carbono aumentaram 31%, metano 151%, óxido de nitrogênio 17% e ozônio troposférico 36%.

Estima-se que até o fim deste século a temperatura da Terra deve subir entre 1,8ºC e 4ºC, o que aumentaria a intensidade de tufões e secas. Nesse cenário, um terço das espécies do planeta estaria ameaçada. Populações estariam mais vulneráveis a doenças e desnutrição.

Calcula-se  que o derretimento das camadas polares pode fazer com que os oceanos se elevem entre 18 cm e 58 cm até 2100, fazendo desaparecer pequenas ilhas e obrigando centenas de milhares de pessoas a engrossar o fluxo dos chamados “refugiados ambientais” – pessoas que são obrigadas a deixar o local onde vivem em conseqüência da piora do meio ambiente. A estimativa do IPCC é de que mais de 1 bilhão de pessoas poderia ficar sem água potável por conta do derretimento do gelo no topo de cordilheiras importantes, como o Himalaia e os Andes.

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Nesse cenário catastrófico, ganham importância as iniciativas de rotulagem de produtos com informações sobre a quantidade de gases de efeito estufa emitidos durante o seu processo de fabricação. O cálculo é realizado com base no conceito de Carbon Footprint, um conceito derivado de ecological footprint que em português é traduzido como pegada ecológica. A análise da pegada ecológica compara o que a humanidade demanda da natureza com a habilidade da biosfera de se regenerar.

Esse conceito pode ser aplicado a empresas e, nesse sentido, refere-se aos recursos naturais usados por uma organização para realizar seu processo produtivo de bens, serviços ou informações. A partir da conscientização sobre a pegada ecológica de um indivíduo, de uma organização, nação ou de uma atividade podem ser desenvolvidas uma série de ações para diminuí-la.

Dada a complexidade de avaliar todos os aspectos da pegada ecológica, em especial, com relação às redes relacionadas aos ciclos de vida de insumos e produtos, a pegada ecológica passou a ser dimensionada considerando os seus aspectos separadamente. Dessa forma surgiu, dentre outras, a Carbon Footprint (Pegada de Carbono) que tem foco no total de emissões de carbono associadas a uma organização, país ou outra unidade de análise.

O Comitê Técnico 207 da ISO está desenvolvendo a Norma Internacional ISO 14067 sobre Pegada de Carbono, que é uma medida da quantidade de gases-estufa emitidos durante todo o ciclo de vida de um produto desde a extração de recursos naturais, fabricação, transporte, uso e até sua disposição final, em termos de CO2 equivalente. Permite conhecer e gerenciar as emissões de gases-estufa na cadeia de suprimentos. As consequências do aquecimento global estão cada vez mais visíveis, como o aumento na frequência e na intensidade dos eventos climáticos extremos, como chuvas mais intensas e mais irregulares, secas mais prolongadas, tufões, furacões, derretimento das geleiras e o aumento do nível dos mares. O grande desafio para a sustentabilidade das empresas, nos próximos anos, será a redução da emissão dos gases-estufa das suas atividades e de seus produtos, contribuindo para o estabelecimento de uma economia com baixo teor de carbono e para que o aquecimento global não ultrapasse os 2 °C.

Em relação aos indivíduos, atualmente existem vários aplicativos que permitem estimar a pegada ecológica ou de carbono disponibilizados gratuitamente em sites de organizações não governamentais como Global Footprint Network (www.footprintnetwork.org); Redefining Progress (www.myfootprint.org), WWF (http://footprint.wwf.org.uk/). Respondendo a perguntas referentes a hábitos cotidianos, pode-se descobrir quantos planetas seriam necessários para sustentar cada estilo de vida.

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Ferramentas da qualidade e do Seis Sigma

O consultor organizacional Alípio Silva Pereira (qualipio@hotmail.com) informa que os diagramas de fluxo e mapas de processo simplificam o trabalho. “Eles tornam visível a dinâmica oculta do processo. Ver as perdas e as complexidades ajuda as pessoas a eliminá-las. Os diagramas de fluxo como na figura abaixo podem também ser utilizados para criar processos que geram resultados perfeitos. Para interpretar o diagrama, inicie com o símbolo de documentação da cópia impressa no canto superior esquerdo. Siga as setas através de cada um dos quatro níveis até a parte inferior direita da página. O acrônimo usado para descrever o processo Seis Sigma clássico é DMAIC. Ele representa o ciclo interativo do projeto Seis Sigma de Definir, Medir, Analisar,Aprimorar e Controlar (Define, Measure, Analyse, Improve and Control). Quando o projeto for completado, o processo descrito por esse mapa começa novamente. Este ciclo não tem fim”, explica ele .

CLIQUE NAS FIGURAS PARA UMA MELHOR VISUALIZAÇÃO

Este diagrama de fluxo tem orientado projetos na obtenção de resultados finais dos balanços financeiros durante anos

Para o consultor, a voz do consumidor (Voice of the Customer – VOC), sua satisfação e os objetivos de ganho vêm em primeiro e último lugares no ciclo de desenvolvimento DMAIC do Seis Sigma. O mapa marca a fronteira de cada fase. “À medida que os avanços Seis Sigma ajudam as empresas a ultrapassar metas financeiras trimestrais e anuais, os objetivos a longo prazo são continuamente aperfeiçoados para sustentar o impulso. A série de cinco etapas na linha superior e as duas etapas finais na linha inferior é de responsabilidade da gerência e liderança de mais alto nível na corporação. Os três níveis médios são tarefas do projeto dos Black Belts. O processo de interpretar resultados estatísticos, tomar uma decisão baseada em evidência, otimizar um sistema e implementar melhoras pode, e realmente consegue, aplanar a burocracia. Ocasionalmente organizações que valorizam a burocracia conseguem aplicar o Seis Sigma ao mesmo tempo em que encontram meios para sustentar a papelada, os comitês e a redundância de supervisões. Uma possível apresentação enganosa do Seis Sigma fica imediatamente aparente a qualquer observador perspicaz”, diz ele.

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Alípio aconselha aos que gostam de seus sistemas burocráticos para permanecerem fiéis aos métodos da antiga escola de gerenciamento. “As decisões baseadas em evidências e o Seis Sigma não lhes conferirão nada a não ser problemas. Funcionários questionarão abertamente executivos. Relatórios de contabilidade de custos e documentação pro forma de investimentos em capital de risco serão desafiados por modelos físicos. Os programas Seis Sigma são vistos como destruidores quando uma organização valoriza o pensamento do grupo. Muitas fazem isso. Por outro lado existem aquelas que são povoadas de pessoas encantadoras e amigáveis. Estas pessoas apenas desenham um interessante conjunto de fronteiras para projetos Seis Sigma. Os processos e as decisões seniores estão fora dos limites”, acrescenta.

Informa ainda que, em empresas que têm compromisso pleno com decisões baseadas em evidências, há um envolvimento organizacional de base muito ampla. “Este compromisso é a chave para perpetuar o sucesso de projetos revolucionários nos níveis mais altos da organização. O Seis Sigma emprega praticamente todas as ferramentas de gerenciamento que já foram desenvolvidas. Qualquer recurso de gerenciamento de projeto que você possa pensar que tenha sido comprovado como útil é, no momento, denominado de Ferramenta do Seis Sigma. Por exemplo, o Gráfico de Gantt, ainda é útil e se encontra em voga. O gráfico de Avaliação e Revisão Técnica (Program Evalutiion and Review Technique – PERT), que provê uma alternativa ao Gráfico de Grantt para a visão de um projeto, também é popular. Na prática real, o Seis Sigma foca inflexivelmente em finalizar projetos dentro de 90 a 120 dias. A experiência demonstra que, se uma equipe de desenvolvimento de projeto Seis Sigma não consegue agregar valor, em dinheiro, ao resultado financeiro final de uma organização dentro desse período de tempo, o compromisso organizacional com o Seis Sigma instantaneamente entra em declínio. Como exemplo da mais eloqüente ocorrência desse fenômeno, falaremos do comportamento de um CEO. Após alguns meses de alvoroço com o Seis Sigma, as pessoas notaram que ele não estava usando evidências a menos que isso suportasse a agenda corporativa precedente. Projetos não estavam sendo finalizados no tempo planejado. As resistências às decisões baseadas em evidências cresciam. Certo dia, ele casualmente observou ao vice-presidente responsável pela implementação do Seis Sigma, de que este método era efêmero. O vice-presidente foi procurar o significado real dessa palavra e descobriu, para sua consternação, que efêmero significava acabado em um dia”.

Como observação paralela, conforma destaca o consultor, é interessante ver que esta iniciativa Seis Sigma gerou cerca de 6 milhões de dólares de lucros nos resultados financeiros até o final do ano. O retorno sobre o investimento dólar por dólar foi somente de 5:1. No entanto, foi muito informativo observar um Black Belt transformar-se em um experiente Master Black Belt. Eles fazem o que for possível para prover dinheiro a fim de sustentar suas posições. “Embora seja responsabilidade da gerência manter acesa a chama dos avanços, atrasos no projeto e criticas passivas têm favorecido técnicas benignas de negligenciamento. Os gerentes da escola antiga podem e realmente se utilizam com êxito de negligenciamentos para sabotar o Seis Sigma. Não cometa erros. O campo do Seis Sigma está abarrotado de Projetos de Black Belts malsucedidos que sucumbiram totalmente. A destruição bem-sucedida de projetos faz retornar a cultura de padrões menores de desempenho. O pensamento da Instituição do Gerenciamento da Escola Antiga não renuncia até que seja rendido e expulso. Recomendamos expressamente que contanto que uma empresa tenha-se comprometido com decisões baseadas em evidências, ela permaneça focada no dinheiro e nos prazos limite”.

Na opinião do consultor, os mapas, desde a cartografia feita de blocos de argila da Babilônia até as orientações de destino para motoristas baixadas pela internet, são ferramentas de comunicação universal. “Desde que os mapas comprovaram seus valores, eles também são uma ferramenta do Seis Sigma. Não é por acidente que os mapas do processo são a primeira opção de recurso tirada da prateleira após um novo projeto lucrativo ter sido selecionado. Um bom mapa de processo é tão multidimensional quanto um conjunto encaixado de caixas chinesas ou bonecas russas. Embora estes tipos de brinquedos não sejam ferramentas oficiais do Seis Sigma, estas analogias estimulam as pessoas a analisar com mais profundidade a aparência de uma superfície. A boneca russa exterior recebe o nome de Matrioska ou avó. Gerações sucessoras estão contidas dentro dela. As gerações miniaturizadas são réplicas refinadas. Cada réplica tridimensional deve ser produzida utilizando o menor número de recursos e um grau de precisão mais alto. O mesmo ocorre com os mapas do processo do Seis Sigma. À primeira vista, os esboços podem ocupar páginas. Com o passar do tempo, eles são simplificados e refinados sob a forma de diagramas que ilustram e endossam somente elementos essenciais que impelem o sistema eficientemente. Da mesma maneira que a Missão Topológica à Radar de uma Nave Espacial utilizou vetores, geometria e o poder da computação para mapear 80% da massa de terra da Terra num período de dez dias, espera-se que os Black Belts mapeiem as dimensões estabelecidas de um processo de trabalho em cerca de uma semana. A prática faz perfeição. Esta é uma das habilidades que compensa muito bem o investimento de tempo na prática. Estes mapas são impressionantes. A Matrioska do Seis Sigma na Figura abaixo é um mapa de Fornecedores, Entradas, Processos, Saídas e Clientes (Suppliers, Inputs, Processes, Outputs, and Customers) – ou SIPOC como acrônimo. Assume-se que este sistema tem loops de retorno de informação na sua totalidade. Estes loops são aqui apresentados para podermos representar uma figura mais clara e simples”.

Finalmente, invariavelmente, todos os mapas Seis Sigma desvendam a figura abaixo. “Esta reprodução em Seis Sigma descreve a fabrica oculta. Sua aparência tem uma qualidade típica da história entre Charlie Brown e Lucy Van Pelt. Igualmente ao inicio de cada temporada de futebol, que é marcada por Lucy enganando Charlie para ele confiar nela até se dar a traição inevitável, a fabrica oculta sempre se faz presente. Perdas e retrabalho afligem todos os processos de entrega de produtos e serviços. Eles sempre ocorrem onde: um loop reverte o movimento para frente do produto; um atraso, área obstruída ou restrição retarda o fluxo do processo; ou uma barreira pára a produção totalmente. Os mapas de fábrica oculta são geralmente colocados em locais visíveis, desde um quadro de aviso ao espaço individual de trabalho no chão de fábrica. Mapeamento é uma disciplina de documentação recompensadora e informativa. Os mapas mais sofisticados, denominados de mapas de tendência do processo, são elaborados à moda antiga, num modo de baixa tecnologia, utilizando-se papel e lápis. Os mapas de tendências têm um sistema léxico e de ícones que vale á pena estudar. Os Black Belts utilizam entrevistas pessoais, observações diretas e medições para completar este mapa. Desenhar estes mapas do final ao início é o melhor modo de elaborar um mapa SIPOC que revela todos os relacionamentos”, conclui.

A fábrica oculta de retrabalho neste mapa inclui os Processos de 4 a 6 e os atrasos correspondentes

 

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O trabalho dos deficientes físicos no Brasil

Segundo a Organização das Nações Unidade (ONU), há 10% da população brasileira portadora de deficiência, distribuída em 5% de portadores de deficiência mental, 2% de deficientes físicos, 1,3% de deficientes auditivos, 0,7% de deficientes visuais e 1% com deficiências múltiplas. No Brasil, existe a a Lei 8.213, de 24 de julho de 1991, em seu artigo 93, obriga a empresa com 100 ou mais empregados a preencher de 2 a 5% dos seus cargos com beneficiários reabilitados ou pessoas portadoras de deficiência habilitadas, na seguinte proporção:

            I           –          Até 200 empregados   2%

            II         –          De 201 a 500  3%

            III        –          De 501 a 1.000           4%

            IV        –          De 1.001 em diante     5%

Em seu parágrafo 1º, regulamenta que a dispensa de trabalhador reabilitado ou de deficiente habilitado, ao final do contrato por prazo determinado de mais de 90 dias, e a dispensa imotivada, no contrato por prazo indeterminado, só poderão ocorrer após a contratação de substituto de condição semelhante. Leis que reservam mercado de trabalho para as pessoas portadoras de deficiência somente agravam o problema da discriminação e do preconceito e a razão é muito simples. Ao desejar garantir emprego para a pessoa portadora de deficiência, o governo está exigindo a assinatura de um contrato de trabalho unilateral, que interessa apenas a uma das partes. Este contrato de compra de força de trabalho estará condenado ao insucesso.

Para a psicóloga Maria Eduarda Silva Leme, que desenvolveu sua tese de doutorado, defendida recentemente na Faculdade de Educação (FE) da Unicamp, a instituição dessa cota busca amenizar os efeitos da rejeição, predisposição e mesmo negação do mercado de trabalho em absorver pessoas com deficiência. Leme procurou analisar os discursos de instituições sociais envolvidas com a questão de deficiência e trabalho – empresas, Estado (através de órgãos públicos), terceiro setor e os próprios deficientes – de modo a dar visibilidade aos sentidos produzidos por elas sobre o tema. As ações afirmativas, explica, visam favorecer um determinado grupo social que vive em desvantagem, equiparando as suas oportunidades às do restante da população.

A psicóloga diz que os discursos sobre a deficiência construídos ao longo da história determinam que se tenha dos deficientes uma imagem ligada a déficit e incapacidade. “As políticas públicas ainda não têm contemplado essas pessoas como deveriam”, lamenta. “Nas últimas décadas vêm ocorrendo avanços em áreas como educação e trabalho, porém ainda em meio a muitas contradições”, salienta a pesquisadora.

O objetivo de Leme foi investigar os modos socialmente constituídos de conceber e significar pessoas com deficiência e trabalho, tomando por base certas condições concretas da sociedade brasileira contemporânea, como a lei de cotas. “Pesquisei aspectos da implementação da lei de cotas e de que modo as instituições sociais envolvidas lidam com a questão e falam sobre o assunto.”

A lei, de acordo com Leme, já tem 19 anos e somente a partir de 2003 começou a ser efetivamente implementada em decorrência de uma fiscalização mais ostensiva do Estado. Em sua opinião, um trabalho muito efetivo tem sido conduzido em Campinas com várias ações do Ministério do Trabalho, que tomou a frente desse processo. Constituiu em 2004 um grupo interinstitucional de trabalho nesta direção, do qual participam várias instâncias sociais que abordam a questão, como ONGs, outros órgãos do Estado e até universidades”, sublinha.

Esse grupo promove encontros regulares em que se discutem modos de consolidar a implementação da lei. Além de fiscalizar seu cumprimento, realizam-se ações educativas junto às empresas tencionando modificar concepções. “Contudo não basta orientar as empresas; é preciso que se produzam novos sentidos sobre a deficiência na sociedade”, argumenta. “As pessoas com deficiência devem ser contempladas por políticas públicas universais, todavia o que ainda ocorre é que o seu atendimento acaba ficando, em grande parte, restrito às instituições filantrópicas ou prossegue com um caráter precário e incipiente.” Leme pontua que os deficientes possuem capacidade de trabalho, desde que tenham acesso à escola e à qualificação profissional.

Como as empresas que precisam cumprir a lei falam do deficiente e de sua capacidade de trabalho? Como o Estado, através de seus órgãos públicos que trabalham implementando a lei, falam da pessoa com deficiência e de trabalho? Como as ONGs que atendem aos deficientes, e supostamente os preparam para o mercado de trabalho, falam sobre eles? Qual é o seu discurso e que sentidos estão presentes nesse discurso? Como o deficiente é significado pelo discurso vigente e qual é o seu próprio discurso sobre sua vida, a deficiência e suas possibilidades? Este é o âmbito da investigação.

Leme definiu o tema de pesquisa em razão do lugar que ocupa num órgão público, em que atende a essas pessoas e tem interlocução com instituições que também trabalham com a questão. Ela traz assim, a partir desse lugar singular em que se sobrepõem o papel de pesquisadora e o de profissional, o Estado visto por dentro, operando em uma de suas ações.

 
Praticando o Programa 5S
Autor: Oceano Zacharias
O 5S, também conhecido como housekeeping, é o melhor caminho para iniciar um programa de Qualidade e Produtividade. Trata-se de um instrumento de mudança nas relações entre pessoas e ambiente de trabalho, motiva a todos à melhoria da qualidade de vida e, por conseguinte, à qualidade como um todo. O desafio passa a ser a busca pela excelência no “5S”, que é o grau máximo que as empresas atingem no cumprimento desta etapa de qualidade.

A análise dos dados deu visibilidade às contradições presentes nos discursos relacionados à deficiência e ao trabalho: ao mesmo tempo em que as empresas falam da capacidade do deficiente, as marcas no discurso remetem à dúvida e ao descrédito. “Assumem atitudes que vão da superproteção ao estranhamento e desejo de distanciamento. Isso porque na sociedade existe uma dificuldade em lidar com o diferente”, sinaliza Leme.

As muitas contradições do discurso, declara a psicóloga, são incorporadas pelo próprio deficiente. Ele se sente capaz e deseja trabalhar, por outro lado mostra ressentimento pelo preconceito, pelo modo como falam sobre ele, pelo distanciamento e pela exclusão. A pesquisadora registrou, nas suas observações, muitas histórias sensibilizadoras que mostram tais contradições. “Os deficientes se empregam por força da lei, mas às vezes um mesmo cargo ocupado por uma pessoa sem deficiência numa empresa pode ter outra denominação e outro salário para o deficiente, o que não é permitido por lei”, revela.

Outro problema está relacionado com a adequação das edificações e do mobiliário urbano às pessoas deficientes. O acesso ao trabalho não se esgota na profissionalização da pessoa portadora de deficiência, mas deve ser concluído com uma cultura social que não aceite espaços urbanos que discriminem pessoas que fujam do padrão definido pelos arquitestos da moda. Mais de 15 milhões de brasileiros constituem uma força de trabalho desconhecida pelos gestores de recursos humanos.

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A ética nos negócios

Segundo o Instituto Brasileiro de Ética nos Negócios, a ética é uma daquelas coisas que todo mundo sabe o que é, mas que não é fácil de explicar, quando alguém pergunta. Todavia, pode-se recorrer ao Aurélio Buarque de Holanda Ferreira que afirma, no seu dicionário, ser a ética “o estudo dos juízos de apreciação que se referem à conduta humana susceptível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente à determinada sociedade, seja de modo absoluto”. A palavra ética vem do grego ethos e em seu significado original podia ser escrita com “e” minúsculo, significando morada, ou com “E” maiúsculo, significando costumes, sentido que mais se aproxima da ideia que temos hoje de moral, de virtude.

A ética tem, portanto, reflexos simultaneamente individuais e sociais. Agir eticamente é construir o próprio caráter em direção à virtude e é, também, ao mesmo tempo, construir o bem comum tal como o entendemos em nosso meio, em nossa comunidade. Pode-se concluir que, etimologicamente, ética e moral são palavras sinônimas. Tem a ver com o que é bom, correto e justo, e pode ser representada pela honestidade e integridade de conduta em todas as áreas de nossa vida. Por exemplo, no mundo dos negócios, as empresas não têm vida própria, seus funcionários – desde os que trabalham no chão de fábrica até os de maior nível hierárquico na organização – é que dão vida à empresa.

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Então, o padrão de conduta de cada um dos colaboradores e o somatório das atitudes de todos é que determinará se uma empresa é ética ou não. Logo, cada um de nós é responsável por construir a reputação e o caráter da empresa em que atuamos para que ela seja interna e publicamente reconhecida como uma empresa ética –  repleta de virtudes, dentre elas: a honestidade, a transparência e a integridade de conduta – por todos os seus stakeholders. Cada vez mais temos refletido sobre o papel das empresas em nossa sociedade, dando maior ênfase não somente aos aspectos econômicos, mas, principalmente, aos sociais e ambientais.

As decisões desses novos atores assumem uma importância crescente para o bem-estar das comunidades locais e da preservação do meio ambiente onde estão inseridas e, portanto, eles são chamados a responder a critérios bem mais amplos do que uma simples lógica de maximização do lucro e de ações assistencialistas e filantrópicas para com a sociedade. Isso explica por que nos países mais desenvolvidos não somente os governos, mas também os investidores, os acionistas, os consumidores, a mídia e o público em geral, apresentam exigências cada vez maiores sobre o desempenho da empresa, atribuindo valor a aspectos como a qualidade, a imagem, a confiabilidade, e a reputação e o caráter da empresa em termos da ética nos negócios e das responsabilidades social e ambiental.

Em outras palavras, não se analisa somente o resultado econômico-financeiro, mas também a maneira como foi obtido, avaliando e premiando as empresas que possuem as melhores práticas nas relações com os seus interlocutores públicos e privados, quer pela qualidade dos produtos e serviços, quer pela excelência no atendimento, quer pela transparência e retidão de comportamento. A ideia inspiradora e motivadora da gestão responsável de uma empresa deve ser a sua reputação, ou seja, ser publicamente reconhecida por todos os seus stakeholders como uma empresa ética e socialmente responsável, empenhada em salvaguardar os direitos humanos e atenta às questões sociais e ambientais, pois a reputação é o recurso mais importante para o sucesso da empresa e representa um ativo intangível que agrega valor e é a base sustentável para o crescimento da empresa ao longo do tempo.

Além disso, a reputação acaba contagiando o caráter da empresa! Inspire confiança: Os clientes querem fazer negócios com empresas nas quais podem confiar. Quando a confiança está na cultura de uma companhia, é uma garantia de seu caráter, habilidades, forças e honestidade. Quer um modelo de um Código de Ética Empresarial, clique no link http://www.ericsson.com/ericsson/corporate_responsibility/doc/code_business_ethics_br.pdf

 Alguns princípios

  • Inspire confiança: Os clientes querem fazer negócios com empresas nas quais podem confiar. Quando a confiança está na cultura de uma companhia, é uma garantia de seu caráter, habilidades, forças e honestidade.
  • Mantenha uma mente aberta: Para a melhoria contínua de uma companhia, seu líder deve estar aberto a novas idéias. Ele deve sempre pedir a opinião e as idéias de seus clientes e de sua equipe para que a organização continue crescendo.
  • Cumpra com suas obrigações: Independente das circunstâncias, faça tudo em seu alcance para ganhar a confiança de seus clientes, especialmente se houve algum problema em um projeto ou negociação anterior. Recupere-se de negócios perdidos honrando todos os seus compromissos e obrigações.
  • Tenha um sistema de documentação clara: Avalie novamente todo o material da empresa, incluindo publicidade, folhetos e outros documentos externos de negócios, garantido que sejam claros, precisos e profissionais. Mais importante ainda, garanta que eles não levem a más interpretações.
  • Envolva-se com sua comunidade: Mantenha-se envolvido com assuntos e atividades relacionados a sua comunidade, mostrando que seu negócio contribui responsavelmente com a comunidade.
  • Tenha um bom controle contábil: Tenha um controle prático da contabilidade e dos registros da empresa, não somente como um meio de conhecer melhor o progresso de sua companhia, mas também como recurso para prever e evitar atividades questionáveis.
  • Seja respeitoso: Trate os outros com todo o respeito que merecem. Independente das diferenças, posições, títulos, idade ou outros tipos de distinções, sempre tenha uma postura profissional respeitosa e cordial.

 

Como reduzir fraude no mundo corporativo 

Marcos Assi

Temos nos deparado mais frequentemente com notícias de fraudes contábeis, de informações nebulosas, entre outras irregularidades corporativas. Sabemos que o tema é polêmico e motivo de muita discussão profissional e acadêmica. Mas será que somente o controle por parte da alta administração será suficiente para reduzir ou minimizar os riscos de fraude? Será que a conduta moral ainda é insuficiente para mudança de procedimento no mundo corporativo?

O fato é que o assunto é dependente da vontade da organização e dos profissionais envolvidos no operacional. Seria muito importante que a conduta moral fosse prática ativa das pessoas. Isso facilitaria os procedimentos internos, sem a interminável busca por controles mais eficientes e que venham salvaguardar os ativos da empresa. Mas porque as fraudes continuam aumentando?

A ausência de conduta moral está cada vez mais em evidência, seja na vida privada ou pública. A questão vai além da governança corporativa, controles internos e contábeis (este último tão fragilizado), e gestão de riscos. Acreditamos que já é uma questão de estudos de comportamento humano universal. Até mesmo na religião nos deparamos com a ausência de índole e moral.

Com tudo isso, devemos educar os nossos filhos de forma diferente. As escolas necessitam discutir mais a questão ética. Mas se os pais não têm entendimento do assunto, como vão repassar a alguém? As faculdades deveriam expor melhor tais procedimentos na área, embora se imagine que os alunos devam trazer esta característica dentro de cada um.

Portanto, de nada adianta gestão de riscos e controles internos, se a alta administração, gestores e colaboradores não possuem uma conduta profissional e ética como algo realmente relevante. Afinal, se a prática das pessoas acontecesse dentro de um perfil moral mais confiável, os controles internos não necessitariam ser tão burocráticos e, em certos casos, até mesmo quase inviáveis — e mesmo assim as fraudes acontecem.

Os órgãos reguladores vêm publicando nos últimos tempos regras normativas que buscam implementar melhores procedimentos na prevenção a fraude e a riscos inerentes ao negócio, mas mesmo assim as irregularidades acontecem. Por isso, insistimos na pergunta: como reduzir fraude no mundo corporativo? A resposta esta dentro de cada um de nós.

Marcos Assi é professor e coordenador do MBA Gestão de Riscos e Compliance da Trevisan Escola de Negócios, e autor do livro “Controles Internos e Cultura Organizacional – como consolidar a confiança na gestão dos negócios” – marilia.ramires@trevisan.edu.br

 

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Saneamento básico: ainda não está na pauta dos gestores públicos

Em resumo, saneamento básico é um conjunto de procedimentos adotados numa determinada região que visa proporcionar uma situação higiênica saudável para os habitantes. Entre os procedimentos do saneamento básico, podemos citar: tratamento de água, canalização e tratamento de esgotos, limpeza pública de ruas e avenidas, coleta e tratamento de resíduos orgânicos (em aterros sanitários regularizados) e materiais (através da reciclagem).

Com estas medidas de saneamento básico, é possível garantir melhores condições de saúde para as pessoas, evitando a contaminação e proliferação de doenças. Ao mesmo tempo, garante-se a preservação do meio ambiente.

A população brasileira produz, em média, 8,4 bilhões de litros de esgoto por dia. Desse total, 5,4 bilhões não recebem nenhum tratamento, ou seja, apenas 36% do esgoto gerado nas cidades do país é tratado. O restante é despejado sem nenhum cuidado no meio ambiente, contaminando solo, rios, mananciais e praias do país inteiro, sem contar nos danos diretos que esse tipo de prática causa à saúde da população.

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Essa constatação foi feita pelo Instituto Trata Brasil, que desenvolveu, com o apoio do Sistema Nacional de Informação sobre Saneamento (SNIS), um estudo que avaliou os serviços de saneamento básico prestados nas 79 cidades brasileira que possuem população superior a 300 mil habitantes. “São as cidades que apresentam os maiores problemas sociais decorrentes da falta dos serviços e que concentram cerca de 70 milhões de pessoas no País”, afirmou o Raul Pinho, presidente do instituto.

A pesquisa revelou que, entre 2003 a 2007 – período em que o estudo foi realizado –, o atendimento para questões de saneamento nas cidades avaliadas melhorou em 14% e o índice de tratamento de esgoto avançou 5%. O estudo apontou, ainda, que os municípios do país que mais se destacaram na avaliação estão, todos, localizados na região sudeste do país. São eles: Franca (SP), Uberlândia (MG), Sorocaba (SP), Santos (SP), Jundiaí (SP), Niterói (RJ), Maringá (PR), Santo André (SP), Mogi das Cruzes (SP) e Piracicaba (SP), em ordem de classificação. No entanto, apesar dos números revelarem que o Brasil melhorou o alcance da prestação dos serviços de coleta e de tratamento de esgoto, o presidente do Instituto afirma, com base na pesquisa, que o país não avançará na questão do saneamento básico sem o engajamento das prefeituras.

O problema parece residir na estrutura de gestão do setor, pois, segundo um estudo de Mario Miceli, funcionário aposentado do BNDES, a oferta dos serviços é majoritariamente pública, compreendendo 25 concessionárias de âmbito regional (24 estaduais e uma distrital), nove municipais e cerca de 1.700 sistemas municipais ou locais. A participação da iniciativa privada se dá em aproximadamente 70 concessões realizadas na esfera municipal, que são responsáveis pelo atendimento de apenas 7% da população.

Tal estrutura teve origem na década de 1970, quando da implementação, pelo governo federal, do Plano Nacional de Saneamento (Planasa), por meio do qual os governos municipais foram incentivados a conceder – de fato ou de direito – a prestação dos serviços às então criadas concessionárias estaduais que, por sua vez, teriam acesso aos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) destinados ao Planasa. Atualmente, transcorridos quase 40 anos de vigência desse modelo de prestação de serviços, o setor de saneamento brasileiro depara-se com um quadro técnico-econômico-jurídico-institucional que pode ser caracterizado:

• Indicadores de desempenho insatisfatórios, excesso de contingente de pessoal, gestão inadequada e freqüente ingerência política na administração das companhias concessionárias estaduais.

• Reduzida cobertura/atendimento às camadas de renda mais baixa.

• Indicadores médios de coleta e de tratamento de esgotos da ordem de 50% e 20%, respectivamente.

• Incapacidade dos municípios de exercer as funções de poder concedente, sem participação na definição dos investimentos e no estabelecimento de tarifas.

• Significativa estrutura de subsídios cruzados, apontada pelas concessionárias estaduais como necessária para viabilizar o atendimento a municípios de menor porte e, por outro lado, apontada pelos municípios de maior porte como responsável pela precariedade do atendimento às populações de periferia das metrópoles.

• Baixa geração de recursos e reduzida capacidade de endividamento para captação de recursos onerosos para investimentos.

• As regras de contingenciamento do crédito ao setor público, instituídas a partir da década de 1980, aliadas ao perfil de desempenho do setor, agravaram seu nível médio de investimento, levando à consequente paralisação dos investimentos no setor.

• Dificuldade de muitos municípios autônomos para gerir seus serviços adequadamente e acessar financiamentos, em razão da baixa capacidade de endividamento.

• Uma disputa jurídico-político-institucional, centrada na questão da titularidade da prestação dos serviços nas regiões metropolitanas, que se estende há mais de uma década. Na grande maioria dos estados, as regiões metropolitanas respondem, em média, por, pelo menos, 60% do faturamento das concessionárias estaduais.

• O faturamento do setor atinge cerca de R$ 18 bilhões/ano, destacando-se que a Sabesp, isoladamente, responde por cerca de 35% do faturamento das empresas estaduais.

“A escassez de recursos e a falta de financiamento são constantemente apontadas como causas do atraso no desenvolvimento do setor. Entretanto, o setor nos últimos 30 anos recebeu um montante de recursos quer de financiamento, quer de fontes não-onerosas, suficiente para que a universalização dos serviços estivesse quase alcançada. Tal fato não ocorreu, por causa de diversos fatores, dentre os quais podem ser citados: obras não-concluídas; sistemas sem condições de funcionabilidade; projetos subdimensionados; projetos superdimensionados; projetos concluídos e não operados. Em todos esses casos os recursos financeiros foram liberados, entretanto a população não foi beneficiada”, conclui Miceli.

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Quais os prazos para o consumidor reclamar de um produto com defeito

 

Um leitor quer saber qual é o prazo para a troca de produtos defeituosos. Segundo preceitua o Código de Defesa do Consumidor (CDC), “Os fornecedores de produtos de consumo duráveis ou não duráveis respondem solidariamente pelos vícios de qualidade ou quantidade que os tornem impróprios ou inadequados ao consumo a que se destinam ou lhes diminuam o valor, (…) podendo o consumidor exigir a substituição das partes viciadas. § 1º Não sendo o vício sanado no prazo máximo de trinta dias, pode o consumidor exigir, alternativamente e à sua escolha: I – a substituição do produto por outro da mesma espécie, em perfeitas condições de uso; II- a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos; III- o abatimento proporcional do preço.” Dessa forma, exige-se do fornecedor, inicialmente, apenas a reparação dos defeitos ou a substituição das peças viciadas. As obrigações de substituir, restituir a quantia paga ou abater o preço, somente poderão ser exigidas do fornecedor após os trinta dias de comunicação do defeito persistente. Ocorre, no entanto, que se o problema não foi sanado em 30 dias, de duas uma: ou os serviços não foram bem realizados pelo fornecedor, permanecendo sua responsabilidade, ou o problema não pode ser sanado porque se trata de defeito de fabricação (construção, montagem) ou de concepção (projeto, design), cuja responsabilidade é do fabricante, não do fornecedor.

 

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Para Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), a fim de assegurar ao consumidor a qualidade, eficiência e durabilidade de um produto, há pelo menos três modalidades de garantia: a legal, a contratual e a estendida.

  • A garantia legal é estabelecida pelo CDC e independe de previsão em contrato, a lei garante e ponto. Assim, no prazo de 30 ou 90 dias a partir da reclamação do consumidor, o fornecedor é obrigado a sanar o problema ou trocar o produto. Para reclamar, o prazo do consumidor é de 30 dias se o produto não é durável (por exemplo, um alimento), ou 90 dias se é durável (por exemplo, uma máquina de lavar). O que muita gente não sabe é que, no caso de um vício oculto (aquele defeito não-aparente, que somente se mostra depois de um certo tempo de uso do produto), o prazo assegurado pelo CDC começa a contar a partir do momento em que esse defeito é constatado.
  • Já a garantia contratual é a que o fabricante ou fornecedor acrescenta a seu produto, mas não é obrigatória. Sua vigência começa a partir da data de emissão da nota fiscal, com o prazo e condições impostas pela empresa – normalmente estabelecida no termo de garantia.
  • No caso da garantia estendida (normalmente oferecida pelas lojas com termos como supergarantia), entra em cena uma terceira empresa, sem relação com o fabricante e que, na verdade, oferece um seguro ao consumidor. Dentro desse tipo de garantia, há ainda três modalidades: a original, cuja cobertura é igual à da garantia original de fábrica; a original ampliada, que possui acréscimos à original; e a diferenciada, que é menos abrangente que a original.

Para o Idec, em geral, não vale a pena pagar pela garantia estendida, a não ser quando o contrato oferecer alguma vantagem de fato. Antes de optar por ela, é recomendável que o consumidor informar-se sobre a modalidade do seguro e solicitar uma cópia do contrato ou apólice e analisá-lo com cuidado.

De acordo com o artigo 18 do CDC, o fornecedor e o fabricante têm 30 dias, a partir da reclamação, para sanar o problema do produto. Extrapolado esse prazo, o consumidor pode exigir um produto similar, a restituição imediata da quantia paga ou o abatimento proporcional do preço. Contudo, o período de um mês não deve ser estipulado em caso de se tratar de produto essencial com defeito – como uma geladeira, por exemplo -, e a troca deve ser imediata.

Quer ler uma Cartilha do Consumidor, clique no link Cartilha_Consumidor

  

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Um setor de respeito: higiene pessoal, perfumaria e cosméticos

Em outro texto foi descrita a qualidade dos cosméticos no Brasil, contudo, o que se pode dizer é que esse setor faz parte de uma cadeia produtiva mais ampla: a indústria de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos (HPPC), caracterizada por ser composta de diversos tipos de empresas, que produzem diferentes famílias de produtos. Segundo estudo divulgado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), esse segmento obteve um faturamento líquido de R$ 21,7 bilhões em 2008, com a seguinte distribuição por produto, apresentada na Tabela 1.

O crescimento anual médio de 1996 a 2008 foi de 10,6%, conforme observado na Tabela 2, muito acima do crescimento da indústria no geral e do Produto Interno Bruto (PIB), respectivamente, de 2,9% e 3,0%. No primeiro semestre de 2009, o crescimento foi de 18%. Apesar da crise mundial de 2008, o setor permaneceu em crescimento. A baixa necessidade de crédito ao consumidor para aquisição dos produtos foi um fator relevante para esse comportamento no período, assim como o fato de alguns itens como sabonetes, xampus, etc. serem considerados essenciais.

O mercado consumidor brasileiro posiciona-se em terceiro lugar no ranking dos maiores mercados mundiais em 2008, estando à frente de países desenvolvidos e tradicionais nesse setor, como o Reino Unido e a França, como pode ser observado na Tabela 3. A Tabela 4 lista as principais empresas do segmento no Brasil, classificadas pela revista Exame 2008.

 

E como o setor atua? Segundo o estudo, existem no mercado os seguintes tipos de organizações:

  • Empresas com atuação concentrada em HPPC – Têm sob sua responsabilidade a etapa de formulação do produto, o qual, em geral, é mais sofisticado, sendo característicos dessas empresas a busca por inovação e os elevados gastos em pesquisa e desenvolvimento. São muito importantes as competências associadas à capacidade inovativa, reincorporação de essências e fragrâncias diferenciadas e embalagens. A fabricação, no entanto, pode ser terceirizada. Situam-se nessa classificação empresas que operam em mais de um subsegmento (cosméticos, higiene pessoal e perfumaria) de HPPC, havendo possibilidades de usufruir de economias de escopo. Em geral, são empresas bem estruturadas, de capital nacional ou internacional, entre elas, podem-se citar L’Oréal, Shiseido, Estee Lauder, Revlon, Coty, Natura e O Boticário.
  • Empresas diversificadas com atuação em vários mercados – São aquelas que possuem várias áreas de atuação, sendo o segmento de HPPC apenas parte dos seus negócios. Em geral, são empresas multinacionais que se aproveitam de economia de escala e de escopo, tanto no que se refere à pesquisa quanto à produção e à comercialização. Empresas dessa categoria geralmente não atendem a todos os subsegmentos do HPPC. Os principais exemplos são a Unilever e a Procter&Gamble.
  • Empresas de nicho/farmácia de manipulação – É característica dessas empresas apenas a mistura de compostos químicos, e não o desenvolvimento de novas fórmulas, podendo ou não fabricar. Em geral, são empresas de pequeno ou médio porte, de capital nacional, que têm a sua produção voltada para um subsegmento específico (cosméticos, higiene pessoal ou perfumaria), apresentando menor grau de complexidade e pouca necessidade de investimentos iniciais. Exemplos: Dermatus, PHD, etc.

Cabe ressaltar que algumas empresas produzem cosméticos para terceiros e podem também prestar serviços de compra de insumos e embalagens, assim como executar testes exigidos para registrar ou notificar o produto perante a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Esse é o caso das empresas Lipson, Billi, Betulla, Weckerle, Embatek e Rueckert.

Os principais canais de comercialização desse segmento são o varejo tradicional, as lojas especializadas e as vendas diretas:

  • Vendas diretas – A venda é realizada por catálogo de produtos, principalmente por meio de revendedoras, tornando a venda algo mais próximo do consumidor. Em geral, esses catálogos apresentam uma extensa lista de diversos produtos destinados a classes de renda média ou baixa.
  • Varejo tradicional – Esse canal é caracterizado pelas lojas do varejo, como supermercados e hipermercados, drogarias, lojas de departamento etc. Está ficando cada vez mais concentrado, em especial no segmento de supermercados, o que está tornando mais complexa a negociação de preços. Todavia, é o canal predominantemente utilizado pelas empresas diversificadas em outros mercados, que aproveitam os mesmos canais para a venda de produtos de cosméticos e de higiene pessoal, aumentando seu poder de negociação frente aos detentores do canal.
  • Lojas especializadas – Esse canal de comercialização, caracterizado pelas franquias, é adotado em geral pelas empresas com atuação concentrada nos subsegmentos de perfumaria e de cosméticos, em virtude da elevada diferenciação do produto, exigindo um atendimento mais próximo do consumidor a fim de mostrar as características que diferenciam esse produto dos demais e convencê-lo a comprar.

Além disso, as principais indústrias a montante dessa cadeia são as de insumos químicos, de máquinas e equipamentos e as de embalagens. Os fornecedores de insumos não são exclusivos dessa cadeia, o que reduz o poder de barganha da indústria de HPPC, especialmente em virtude da concorrência que sofrem na compra desses insumos por outros segmentos, como alimentos, farmacêuticos, etc.

Com relação às máquinas e equipamentos, podem ser diferenciados dois grupos: aquele destinado à fabricação do produto e aquele destinado à embalagem. No que se refere ao primeiro grupo, há um estreito relacionamento entre a indústria de HPPC e os fabricantes desses equipamentos, haja vista as suas especificidades. Ambos os grupos estão no Cadastro da Finame e no do Cartão BNDES.

A indústria de embalagens, tendo em vista a grande tendência à diferenciação dos produtos no mercado de HPPC, desempenha um papel fundamental em virtude de suas qualidades relativas a cor, formato, volume, praticidade, enfim, design. Além dessas características, as embalagens também são responsáveis pela segurança do uso do produto, assim como pela prevenção de sua contaminação.

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