Derramamento de petróleo: sempre será uma tragédia ambiental

As costas marítimas do Delta do Mississipi, no Golfo do México, nos EUA, vivem uma tragédia ambiental. Embora o petróleo seja uma substância natural ao ser introduzido em um ambiente aquático comporta-se como uma substância estranha causando um grave desequilíbrio. Além de poluir as águas e a areia, impossibilita a utilização da praia pelos banhistas, o petróleo tem efeitos terríveis sobre o meio ambiente marinho.

O petróleo é menos denso do que a água e que por isso flutua nela. O óleo sobre a água forma uma camada que impede a penetração do oxigênio do ar e da luz do Sol. Assim, sem oxigênio os peixes não vivem e sem luz solar as plantas não fazem fotossíntese. No mar, as algas flutuantes são as maiores fornecedoras de alimento para os primeiros níveis das cadeias alimentares. São ainda as maiores fornecedoras de gás oxigênio para o nosso planeta. Ao reduzir a capacidade de penetração de luz na água, o petróleo compromete a atividade de fotossíntese das algas. Isso afeta as diversas cadeias alimentares aquáticas e a oxigenação da água.

O petróleo também adere às brânquias dos peixes e de outros animais marinhos, matando-os por asfixia. As aves que ficam impregnadas de petróleo perdem ou reduzem sua capacidade de voar para sair da água, podendo morrer de hipotermia.  Ao tentar limpar suas plumagens com o bico elas ingerem grandes quantidades de hidrocarbonetos e se intoxicam. Os mamíferos marinhos podem ter suas vias respiratórias obstruídas ou podem sofrer danos no sistema respiratório e na mucosa devido ao efeito das contaminações químicas. Também ingerem grandes quantidades de hidrocarbonetos, pois se alimentam de animais contaminados. Nos mangues, a poluição por petróleo causa sérios danos às populações animais, matando filhotes de camarões, siris e peixes. Assim, uma grande fonte de alimento do homem vai sendo destruída.

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Segundo os especialistas, o desastre ambiental na Louisiana tem potencial para se tornar o maior da história dos Estados Unidos. A mancha já mede 5,5 mil quilômetros quadrados e atinge boa parte da costa sul do país. A região do Golfo do México conta com uma riquíssima indústria pesqueira que inclui camarões, ostras e mais de 400 espécies de peixes, baleias e golfinhos, além de uma ampla variedade de aves e vida silvestre.

Cerca de 5.000 barris de petróleo (quase 800 mil litros) estão sendo derramado por dia no mar. A mancha se espalhou tão rapidamente que até o Estado da Flórida já declarou estado de emergência prevendo a catástrofe que está por chegar em sua costa. Diariamente, aproximadamente 79 embarcações trabalham para manter as 66 mil barreiras flutuantes, que se arrastam e contem a mancha de óleo, além de sete sistemas que colhem o petróleo e o retiram do mar. Ao todo, cerca de 2.000 pessoas estão envolvidas nas ações de emergência coordenadas pelo governo norte-americano. Além disso, seis aeronaves, 11 helicópteros, 10 veículos operados remotamente e duas unidades móveis de perfuração a pouca distância da praia foram implantados.

A chegada da gigantesca mancha de petróleo à costa americana ocorre dez dias depois da explosão da plataforma petrolífera Deepwater Horizon, que afundou dois dias depois e deixou um poço que derrama a cada dia cerca de 800 mil litros de petróleo. Uma equipe da Guarda Costeira ateou fogo a parte da mancha de petróleo, em uma tentativa de salvar o frágil ecossistema de pântanos da Louisiana. A queima controlada da mancha foi feita em uma área cerca de 50 km a leste do delta do rio Mississippi, de acordo com as autoridades. Os esforços para conter o vazamento são dificultados pela profundidade do poço, que está a cerca de 1.525 metros abaixo da superfície do mar. Engenheiros estão trabalhando na construção de um tipo de cúpula para cobrir o poço, impedindo que o petróleo chegue à superfície. Nos próximos dias, todos estarão acompanhando mais essa tragédia ambiental.

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Ar-condicionado e ventilação: o que isso tem a ver com a saúde dos funcionários?

Em ambientes confinados, com pouca ou nenhuma renovação do ar, o ar torna-se rapidamente desagradável e até irrespirável, devido à acumulação dos poluentes gerados internamente, que não têm como ser eliminados ou suficiente diluídos porque esses locais não possuem janelas para obter a renovação do ar. Existe muita facilidade para que as doenças respiratórias possam ser transmitidas por um único doente nesses locais, usando como veículo o próprio duto de ar condicionado. O sistema de ar-condicionado opera suprindo o ambiente com determinada vazão de ar, com a temperatura e a umidade calculados para que, ao percorrer o ambiente, o ar absorva os ganhos de calor e a umidade do ambiente, ou compense suas perdas de calor e umidade, mantendo assim a temperatura e umidade relativa do ambiente dentro da faixa desejável.

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Após ter percorrido o ambiente e ter absorvido ou suprido calor e umidade, o ar insuflado assume as condições de temperatura e umidade do ambiente e deve, portanto ser retirado do ambiente e substituído por nova vazão de ar tratado nas mesmas condições, para manter o ciclo em operação. O ar insuflado é geralmente constituído de uma mistura de ar, retirado do ambiente e reciclado com o ar novo tomado ao exterior garantindo a renovação permanente do ar ambiente.

Esta renovação atua duplamente: uma parte dos poluentes é retirada do ambiente com a parcela do ar que não é reciclado e é exaurida simultaneamente. A concentração dos poluentes remanescente é reduzida por diluição do ar novo introduzido. Todo o ar suprido ao ambiente passa por filtros, cuja eficiência de filtragem é determinada pelo tipo e grau de poluição esperada e pelo nível de qualidade desejada para o sistema.

Então, se houver um péssimo dimensionamento do ar condicionado central e dos filtros de ar, assim como na manutenção do sistema, resultará em um ar não renovado suficientemente, contribuindo para o aumento da concentração de poluentes químicos e biológicos do ar interno, devido à baixa taxa de renovação do ar. Igualmente, os poluentes químicos, como o monóxido e dióxido de carbono (CO e CO2), amônia, dióxido de enxofre e formaldeído, produzidos no interior do estabelecimento a partir de materiais de construção, materiais de limpeza de péssima qualidade, fumaça de cigarro, fotocopiadoras e pelo próprio metabolismo humano, e os poluentes biológicos como fungos, algas, protozoários, bactérias, ácaros, cuja proliferação são favorecidos pela limpeza inadequada de carpetes, tapetes, cortinas, são as causas do que se convencionou chamar de síndrome dos edifícios doentes.

A transmissão de certos agentes patogênicos pode ser aumentada em um ambiente restrito amontoado de pessoas, ou por uma taxa de circulação reduzida do ar. Um único agente causador pode resultar em surtos relacionados a edificações com manifestações bem diferentes. Por exemplo, a presença de Legionella pneumophila pode resultar na doença dos legionários, uma pneumonia com taxa de fatalidade de 10 a 15 %, ou em febre de Pontiac, uma doença mais suave, semelhante à gripe. De modo semelhante a pneumonite por hipersensibilidade e a febre do umidificador foram originalmente descritas como doenças distintas, mas podem coexistir e resultar de respostas imunológicas semelhantes a fungos, bactérias ou protozoários que estejam contaminados sistema de umidificação ou de ventilação. As manifestações de ambas as doenças incluem febre, calafrios, mal estar e presença de anticorpos específicos ao agente microbiano. A pneumonite por hipersensibilidade tem como sintomas adicionais a tosse, compressão do tórax, dispnéia, anormalidade das funções pulmonares e, ocasionalmente anormalidades radiográficas.

Os relatos de surtos de asma relacionados à exposição em recintos fechados são raros, embora o agente causador em tais recintos tenham sido identificados. A exposição a agentes alergênicos comuns a ambientes fechados como ácaros, produtos para plantas e agentes alergênicos transportados passivamente pode ocorrer em qualquer recinto ocupado. Teste de exposição com fumaça de fotocopiadoras produziu anglite por hipersensibilidade, e teste com papéis de copiadoras sem carbono produziram urticária e edema da laringe ou faringe. A dermatite, conjuntivite e sintomas do trato respiratório superior e inferior representam respostas de irritação devido à exposição a agentes não alergênicos. A exposição a fibras de vidros sintéticas produz coceiras na pele, ardência nos olhos, irritação na garganta e tosse. A inspiração de fumaça de cigarro pode produzir sintomas de dores de cabeça e tonteiras.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) editou a Resolução n° 176 que estabelecer critérios que informem a população sobre a qualidade do ar interior em ambientes climatizados artificialmente de uso público e coletivo, cujo desequilíbrio poderá causar agravos a saúde dos seus ocupantes. Recomenda os seguintes Padrões Referenciais de Qualidade do Ar Interior em ambientes climatizados de uso público e coletivo:

  • O Valor Máximo Recomendável para contaminação microbiológica deve ser £ 750 ufc/m3 de fungos, para a relação I/E £ 1,5, onde I é a quantidade de fungos no ambiente interior e E é a quantidade de fungos no ambiente exterior. Quando este valor for ultrapassado ou a relação I/E for > 1,5, é necessário fazer um diagnóstico de fontes para uma intervenção corretiva. É inaceitável a presença de fungos patogênicos e toxicogênicos.
  • Os Valores Máximos Recomendáveis para contaminação química são: £ 1000 ppm de dióxido de carbono (CO2), como indicador de renovação de ar externo, recomendado para conforto e bem-estar; e £ 80 mg/m3 de aerodispersóides totais no ar, como indicador do grau de pureza do ar e limpeza do ambiente climatizado.
  • Os valores recomendáveis para os parâmetros físicos de temperatura, umidade, velocidade e taxa de renovação do ar e de grau de pureza do ar, deverão estar de acordo com a NBR 6401 Instalações Centrais de Ar Condicionado para Conforto Parâmetros Básicos de Projeto da ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas.

No quadro abaixo veja os procedimentos de limpeza e manutenção dos componentes do sistema, desde que asseguradas as freqüências mínimas para os seguintes componentes, considerados como reservatórios, amplificadores e disseminadores de poluentes.

Componente Periodicidade
Tomada de ar externo Mensal
Unidade filtrante Mensal
Serpentina de aquecimento Mensal
Serpentina de resfriamento Mensal
Umidificador Mensal
Ventilador Semestral
Plenum de mistura/casa de máquinas Semestral
Inspeção Semestral

Enfim, o que se avalia é que uma pessoa adulta inala quinze mil litros de ar por dia e mais da metade do tempo diário, encontra-se exercendo atividades em ambientes internos com sistemas de ar condicionado, seja trabalhando, fazendo compras, aulas de ginástica ou divertindo-se em cinemas e teatros, é possível concluir que a qualidade do ar interno dos ambientes fechados pode afetar de modo significativo a saúde humana. Edifícios fechados criam um ambiente interno ainda pouco estudado e que pode ser hostil a seus ocupantes. Não há uma solução única e simples para este problema devido a multicausalidade dos eventos que levam a reações fisiológicas nos ocupantes de edifícios fechados. Uma adequada ventilação e suprimento de ar fresco elimina ou minimiza muitas das irritações em olhos, nariz, garganta e pele causadas por substâncias químicas presentes no ar provenientes do meio interno. Contudo, uma adequada ventilação atinge níveis de pureza do ar dependente da qualidade do ar externo.

Principais doenças específicas relacionadas a edificações

 

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Energias limpas

A dúvida de uma leitora é sobre energia limpa. São aquelas que não liberam gases ou resíduos que contribuem para o aquecimento global, em sua produção ou consumo. Os principais tipos:

• Solar – A luz do sol é transformada em eletricidade por um dispositivo eletrônico, a célula fotovoltaica. Já as placas solares usam o calor do sol para aquecer água.

Argumentos a favor: fonte inesgotável de energia; equipamentos de baixa manutenção; abastece locais aonde a rede elétrica comum não chega.
Argumentos contras: produção interrompida à noite e diminuída em dias de chuva, neve ou em locais com poucas horas de sol.

• Eólica – O vento gira as pás de um gigantesco cata-vento, que aciona um gerador, produzindo corrente elétrica.

Argumentos a favor: fonte inesgotável de energia; abastece locais aonde a rede elétrica comum não chega.

Argumentos contras – poluição visual (um parque eólico pode ter centenas de cata-ventos) e, às vezes, sonora (alguns cata-ventos são muito barulhentos); morte de pássaros (que, muitas vezes, se chocam com as pás dos cata-ventos).

• Energia das marés – As águas do mar movimentam uma turbina que aciona um gerador de eletricidade, num processo similar ao da energia eólica. Não existe tecnologia para exploração comercial.

Argumentos a favor: fonte de energia abundante capaz de abastecer milhares de cidades costeiras.

Argumentos contras – a diferença de nível das marés ao longo do dia deve ser de ao menos 5 metros; produção irregular devido ao ciclo da maré, que dura aproximadamente 12 horas.

• Biogás – Transformação de excrementos animais e lixo orgânico, como restos de alimentos, em uma mistura gasosa, que substitui o gás de cozinha, derivado do petróleo. A matéria prima é fermentada por bactérias num biodigestor, liberando gás e adubo.

Argumentos a favor: substitui diretamente o petróleo; dá um fim ecológico ao lixo orgânico; gera fertilizante; os produtores rurais podem produzir e até vender o gás, em vez de pagar por ele.

Argumentos contras – o gás é difícil de ser armazenado.

• Biocombustíveis – Geração de etanol e biodiesel para veículos automotores a partir de produtos agrícolas (como semente de mamona e cana-de-açúcar) e cascas, galhos e folhas de árvores, que sofrem processos físico-químicos. Argumentos a favor – substitui diretamente o petróleo; os vegetais usados na fabricação absorvem CO2 em sua fase de crescimento.

Argumentos contras – produção da matéria prima ocupa terras destinadas a plantio de alimentos.

 Tecnologia de célula combustível é uma das vedetes da revolução de energia limpa 

Carolina Cabral Murphy

Diversas empresas de grande porte em países industrializados estão preocupadas com suas emissões de carbono (carbon footprint) devido ao impacto ambiental que podem gerar. Na Europa, tanto a Comissão Européia, quanto os governos locais já estão desenvolvendo parcerias com a iniciativa privada por meio de abatimentos fiscais para ampliar os investimentos em projetos industriais de conversão e aproveitamento do hidrogênio.

A empresa Air Liquide, por exemplo, apresentou planos para construir 16 novas grandes unidades de produção de hidrogênio ao longo de seis anos em diversas partes do mundo. Mais recentemente a empresa abriu nova unidade de produção, já em operação na Itália. Investiu cerca de 45 milhões de euros em uma parceria com duas refinarias da ExxonMobil (Esso italiana) onde o hidrogênio será utilizado na hydroconversion vegetal para reduzir a quantidade de enxofre na gasolina e no diesel.

Com uma capacidade de 30.000 m³/h (metros cúbicos normais por hora, assumindo-se uma temperatura de zero graus Celsius), a nova linha tem capacidade de produção equivalente a 220 milhões de m³ de hidrogênio puro por ano. Se tomarmos como base comparativa o ano de 2006, o hidrogênio distribuído pela empresa para uso em processos de dessulfuração de combustível para produzir gasolina e diesel com menor teor de óxido de enxofre (SOx), mais do que dobrou e ajudou refinarias a reduzir drasticamente as emissões de enxofre. O excedente desta produção deverá ser destinado às empresas de pesquisas e desenvolvimento de geração a hidrogênio.

Em outro exemplo, a empresa Fuel Cell – com base nos Estados Unidos – já está provendo geradores de H2 para pequenas indústrias, cadeias de restaurantes e empresas comerciais de diversos portes. Esses equipamentos já se encontram em funcionamento integral e também à venda para residências, condomínios e fazendas de médio porte.

Os geradores de hidrogênio que usam a tecnologia de célula combustível são uma das vedetes desta nova Revolução de Energia Limpa. E com a criação de um sistema para a corretagem de cotas de carbono, nos estados norte-americanos que adotaram políticas ambientais da Lei do Ar Limpo (Clean Air), esses investimentos iniciais irão se pagar. Tais incentivos para avanços tecnológicos também beneficiam o consumidor, uma vez que no Japão já existem kits de célula combustível H2 que em breve poderão substituir as atuais baterias recarregáveis dos computadores, laptops, iPods, DVDs, filmadoras.

O Brasil deveria se juntar às nações desenvolvidas e criar novos incentivos fiscais para a indústria. Tendo em vista a corrida contra o tempo para reverter os efeitos colaterais da poluição causada pela emissão de gases de efeito estufa e das mudanças climáticas que criam desastres ambientais, o Congresso Nacional precisa adotar uma série de incentivos fiscais, estruturados especificamente para o uso de fontes de energia limpa na indústria, no comércio e em pequenos negócios nas regiões mais isoladas do País. Essas políticas beneficiam tanto o empresariado quanto a população e são simples de serem implementadas.

No Japão e Alemanha, onde as políticas verdes existem há décadas, a indústria e a população se beneficiaram exponencialmente da melhora da qualidade do ar. Ambos os países seguem parâmetros ainda mais rígidos do que os parâmetros de controle recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Os dados coletados pelo Ministério da Saúde desses países comprovam a forte correlação entre a adoção de medidas para despoluição e as reduções na concentração de CO (monóxido de carbono) no sangue da população. No Brasil, embora o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) usem um padrão diferente (que pode ser considerado menos rígido), houve aumento tanto da presença do dióxido de enxofre (SO2) quanto do monóxido de carbono (CO) no sangue dos habitantes das grandes cidades e regiões industriais brasileiras nos últimos 15 anos.

A exposição ao monóxido de carbono pode causar dor de cabeça, fadiga, rinite alérgica, efeitos cardíacos diversos como uma diminuição da capacidade de se locomover e exercitar. Já a exposição ao dióxido de enxofre (SO2) causa tanto doenças respiratórias como o agravamento de doença cardiovascular pré-existente.

Sem legislações adequadas, estaremos fadados a atrelar os nossos parques industriais e as nossas empresas ao ciclo de emissão de gases poluidores e à dependência em matérias-primas de alto teor poluidor que prejudicam a saúde da população de uma forma invisível. Ao longo da história, nenhum país obteve desenvolvimento sustentável, financeiro ou independência energética investindo apenas na produção de matérias primárias e de bens de baixo valor agregado.

Pelo contrario, praticamente todos os países que descobriram recursos naturais acabaram se viciando na receita proveniente da exportação dessas matérias-primas. Historicamente, essas economias perderam competitividade e se tornaram pouco diversificadas. Politicamente, esses países caíram em profundas crises econômicas e passaram a ter uma estrutura de poder centralizada, com governos absolutistas, e na maioria dos casos, regredindo para sistemas ditatoriais.

Para crescer de forma sustentável, precisamos formular incentivos fiscais para incentivar o desenvolvimento da indústria limpa, criar fundos de investimento estratégicos na saúde, nas áreas de educação e R&D (Research and Development, ou pesquisa e desenvolvimento) brasileira (Made in Brazil). Sem esses incentivos bem estruturados e novas legislações no nível local e nacional, tanto a indústria, o comércio e o empresariado quanto à maioria da população estarão perdendo enorme oportunidade de estar em posição relevante na corrida do desenvolvimento, devido à falta de tecnologias cruciais para obtermos um crescimento sustentável.

Carolina Cabral Murphy é pesquisadora da Columbia University e fundadora da MicroEmpowering.Org com sede em Nova York (EUA) –  acm2134@columbia.edu

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