Ar-condicionado e ventilação: o que isso tem a ver com a saúde dos funcionários?

Em ambientes confinados, com pouca ou nenhuma renovação do ar, o ar torna-se rapidamente desagradável e até irrespirável, devido à acumulação dos poluentes gerados internamente, que não têm como ser eliminados ou suficiente diluídos porque esses locais não possuem janelas para obter a renovação do ar. Existe muita facilidade para que as doenças respiratórias possam ser transmitidas por um único doente nesses locais, usando como veículo o próprio duto de ar condicionado. O sistema de ar-condicionado opera suprindo o ambiente com determinada vazão de ar, com a temperatura e a umidade calculados para que, ao percorrer o ambiente, o ar absorva os ganhos de calor e a umidade do ambiente, ou compense suas perdas de calor e umidade, mantendo assim a temperatura e umidade relativa do ambiente dentro da faixa desejável.

Palestra com Prof. Oceano Zacharias
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Após ter percorrido o ambiente e ter absorvido ou suprido calor e umidade, o ar insuflado assume as condições de temperatura e umidade do ambiente e deve, portanto ser retirado do ambiente e substituído por nova vazão de ar tratado nas mesmas condições, para manter o ciclo em operação. O ar insuflado é geralmente constituído de uma mistura de ar, retirado do ambiente e reciclado com o ar novo tomado ao exterior garantindo a renovação permanente do ar ambiente.

Esta renovação atua duplamente: uma parte dos poluentes é retirada do ambiente com a parcela do ar que não é reciclado e é exaurida simultaneamente. A concentração dos poluentes remanescente é reduzida por diluição do ar novo introduzido. Todo o ar suprido ao ambiente passa por filtros, cuja eficiência de filtragem é determinada pelo tipo e grau de poluição esperada e pelo nível de qualidade desejada para o sistema.

Então, se houver um péssimo dimensionamento do ar condicionado central e dos filtros de ar, assim como na manutenção do sistema, resultará em um ar não renovado suficientemente, contribuindo para o aumento da concentração de poluentes químicos e biológicos do ar interno, devido à baixa taxa de renovação do ar. Igualmente, os poluentes químicos, como o monóxido e dióxido de carbono (CO e CO2), amônia, dióxido de enxofre e formaldeído, produzidos no interior do estabelecimento a partir de materiais de construção, materiais de limpeza de péssima qualidade, fumaça de cigarro, fotocopiadoras e pelo próprio metabolismo humano, e os poluentes biológicos como fungos, algas, protozoários, bactérias, ácaros, cuja proliferação são favorecidos pela limpeza inadequada de carpetes, tapetes, cortinas, são as causas do que se convencionou chamar de síndrome dos edifícios doentes.

A transmissão de certos agentes patogênicos pode ser aumentada em um ambiente restrito amontoado de pessoas, ou por uma taxa de circulação reduzida do ar. Um único agente causador pode resultar em surtos relacionados a edificações com manifestações bem diferentes. Por exemplo, a presença de Legionella pneumophila pode resultar na doença dos legionários, uma pneumonia com taxa de fatalidade de 10 a 15 %, ou em febre de Pontiac, uma doença mais suave, semelhante à gripe. De modo semelhante a pneumonite por hipersensibilidade e a febre do umidificador foram originalmente descritas como doenças distintas, mas podem coexistir e resultar de respostas imunológicas semelhantes a fungos, bactérias ou protozoários que estejam contaminados sistema de umidificação ou de ventilação. As manifestações de ambas as doenças incluem febre, calafrios, mal estar e presença de anticorpos específicos ao agente microbiano. A pneumonite por hipersensibilidade tem como sintomas adicionais a tosse, compressão do tórax, dispnéia, anormalidade das funções pulmonares e, ocasionalmente anormalidades radiográficas.

Os relatos de surtos de asma relacionados à exposição em recintos fechados são raros, embora o agente causador em tais recintos tenham sido identificados. A exposição a agentes alergênicos comuns a ambientes fechados como ácaros, produtos para plantas e agentes alergênicos transportados passivamente pode ocorrer em qualquer recinto ocupado. Teste de exposição com fumaça de fotocopiadoras produziu anglite por hipersensibilidade, e teste com papéis de copiadoras sem carbono produziram urticária e edema da laringe ou faringe. A dermatite, conjuntivite e sintomas do trato respiratório superior e inferior representam respostas de irritação devido à exposição a agentes não alergênicos. A exposição a fibras de vidros sintéticas produz coceiras na pele, ardência nos olhos, irritação na garganta e tosse. A inspiração de fumaça de cigarro pode produzir sintomas de dores de cabeça e tonteiras.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) editou a Resolução n° 176 que estabelecer critérios que informem a população sobre a qualidade do ar interior em ambientes climatizados artificialmente de uso público e coletivo, cujo desequilíbrio poderá causar agravos a saúde dos seus ocupantes. Recomenda os seguintes Padrões Referenciais de Qualidade do Ar Interior em ambientes climatizados de uso público e coletivo:

  • O Valor Máximo Recomendável para contaminação microbiológica deve ser £ 750 ufc/m3 de fungos, para a relação I/E £ 1,5, onde I é a quantidade de fungos no ambiente interior e E é a quantidade de fungos no ambiente exterior. Quando este valor for ultrapassado ou a relação I/E for > 1,5, é necessário fazer um diagnóstico de fontes para uma intervenção corretiva. É inaceitável a presença de fungos patogênicos e toxicogênicos.
  • Os Valores Máximos Recomendáveis para contaminação química são: £ 1000 ppm de dióxido de carbono (CO2), como indicador de renovação de ar externo, recomendado para conforto e bem-estar; e £ 80 mg/m3 de aerodispersóides totais no ar, como indicador do grau de pureza do ar e limpeza do ambiente climatizado.
  • Os valores recomendáveis para os parâmetros físicos de temperatura, umidade, velocidade e taxa de renovação do ar e de grau de pureza do ar, deverão estar de acordo com a NBR 6401 Instalações Centrais de Ar Condicionado para Conforto Parâmetros Básicos de Projeto da ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas.

No quadro abaixo veja os procedimentos de limpeza e manutenção dos componentes do sistema, desde que asseguradas as freqüências mínimas para os seguintes componentes, considerados como reservatórios, amplificadores e disseminadores de poluentes.

Componente Periodicidade
Tomada de ar externo Mensal
Unidade filtrante Mensal
Serpentina de aquecimento Mensal
Serpentina de resfriamento Mensal
Umidificador Mensal
Ventilador Semestral
Plenum de mistura/casa de máquinas Semestral
Inspeção Semestral

Enfim, o que se avalia é que uma pessoa adulta inala quinze mil litros de ar por dia e mais da metade do tempo diário, encontra-se exercendo atividades em ambientes internos com sistemas de ar condicionado, seja trabalhando, fazendo compras, aulas de ginástica ou divertindo-se em cinemas e teatros, é possível concluir que a qualidade do ar interno dos ambientes fechados pode afetar de modo significativo a saúde humana. Edifícios fechados criam um ambiente interno ainda pouco estudado e que pode ser hostil a seus ocupantes. Não há uma solução única e simples para este problema devido a multicausalidade dos eventos que levam a reações fisiológicas nos ocupantes de edifícios fechados. Uma adequada ventilação e suprimento de ar fresco elimina ou minimiza muitas das irritações em olhos, nariz, garganta e pele causadas por substâncias químicas presentes no ar provenientes do meio interno. Contudo, uma adequada ventilação atinge níveis de pureza do ar dependente da qualidade do ar externo.

Principais doenças específicas relacionadas a edificações

 

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Uma resposta

  1. A manutenção do aparelho e essencial, isso evita a proliferação de bactérias e fungos no ambiente.

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