Existem profissionais desmotivados em sua empresa?

Se você respondeu sim a essa questão, saiba que quem motiva uma pessoa, isto é, quem lhe causa motivação, provoca nela um novo ânimo, e ela começa a agir em busca de novos horizontes, de novas conquistas. O desempenho de cada pessoa está fortemente relacionado com suas aptidões e habilidades. Porém, o bom desempenho requer muito mais do que simplesmente aptidões e habilidades. Requer também motivação para trabalhar.

O bom desempenho depende do quão motivado está o empregado. Em termos de comportamento, a motivação pode ser conceituada como o esforço e a tenacidade exercidos pela pessoa para fazer algo ou alcançar algo. A motivação é um dos inúmeros fatores que contribuem para o bom desempenho no trabalho. A razão pela qual se focaliza tão insistentemente a motivação é que ela é mais facilmente influenciável que as demais características das pessoas como traços de personalidade, aptidões, habilidades, etc.

Funcionários motivados são avidamente procurados pelas empresas. E essas organizações nem sempre criam condições motivacionais suficientes para melhorar a qualidade de vida das pessoas, trazendo assim, interesse e satisfação no trabalho. As empresas querem empregados motivados, mas não sabem como motivá-los. Nem sempre a ação organizacional corresponde ao discurso ou à intenção, porque ainda não se sabe distinguir entre o que é causa e o que é efeito no comportamento motivado. . Hoje, e cada dia mais, o sucesso no ambiente de trabalho dependerá dos ambientes propícios à criatividade e inovação. O diferencial competitivo dependerá da imaginação, da capacidade de transferir conhecimentos e solucionar problemas de forma criativa e inovadora.

Para o pesquisador, consultor e diretor-executivo do Instituto Avançado de Desenvolvimento Intelectual e da Business Processes School, Dieter Kelber (dieter.kelber@insadi.org.br), contratar um profissional que, além de atender aos requisitos de competência inerentes ao cargo a ser preenchido, esteja plenamente motivado, é uma das tarefas mais complexas exercidas por quem ocupa cargo de liderança. Exemplo é o número de contratações e promoções que acabam frustrando as expectativas de ambos os lados, comprometendo o desempenho de uma área ou até de toda a empresa. E a desmotivação é sempre uma das principais causas do problema.

“Para melhor poder entender essa situação é necessário inicialmente conceituar as duas formas de motivação. A externa ou extrínseca, que vem de fora para dentro e representa o mundo do desejo, tem como algumas de suas características: forte suscetibilidade a fatores externos, não controláveis; o comportamento humano pode ser planejado, modelado ou mudado por meio da utilização de recompensas ou punições; não sustentável no longo prazo. O melhor exemplo prático é quando trabalhamos única e exclusivamente pelo dinheiro, não nos importando se o trabalho é agradável ou não. Infelizmente, devido às fortes pressões do mundo corporativo de hoje, é uma situação bastante comum”, explica.

Já a motivação interna ou intrínseca vem de dentro para fora e representa o mundo da vontade, assegura Dieter. Pode ser mais bem caracterizada como sendo a força interior de cada pessoa que a impulsiona a ação. Dentro deste conceito, uma pessoa não consegue jamais motivar alguém: o que ela pode fazer é estimular a outra pessoa a buscar atender suas necessidades. Portanto, a probabilidade de que uma pessoa siga uma orientação de ação desejável está diretamente ligada à eliminação de suas ansiedades internas.

“Como afirmou Frederick Herzberg, autor da Teoria dos Dois Fatores, que aborda a situação de motivação e satisfação das pessoas: motivação implica fazer aquilo que é muito significativo para mim. É o querer fazer. É a personalidade de cada um vibrando quando está alinhada com as tarefas que vai executar. Podemos entender mais facilmente essa colocação quando pensamos em traços vocacionais. Se o nosso perfil está direcionado ao raciocínio lógico, não será adequado buscar atividades onde a imaginação e o improviso sejam requeridos”, diz.

“Considerando, então, a necessidade de estimularmos as pessoas no trabalho para que alinhem os seus desejos internos com às tarefas que executam, eliminando assim suas tensões internas, o líder passa a ter um papel decisivo para que isso aconteça. Deve ele usar a emoção para inspirar as pessoas, liberar a energia e assim soltar a sua motivação de dentro para fora. Cabe aos líderes serem os grandes estimuladores da motivação intrínseca no ambiente de trabalho. Nos tempos atuais há um constante conflito entre as duas formas de motivação. Seduzidos pelos salários e benefícios e de olho na rápida ascensão profissional (motivação externa), ou mesmo por falta de alternativas no mercado de trabalho, os executivos acabam aceitando atividades pouco desafiadoras e muitas vezes que nada tem a ver com os seus traços motivacionais, relacionados à motivação interna, a sua personalidade. Some-se a isso o próprio despreparo dos líderes em avaliar esse tipo de situação, que foge a simples avaliação das competências técnicas dos membros de sua equipe”, define.

Segundo ele, quando se analisa a somatória destes fatores, fica fácil concluir a necessidade de uma combinação equilibrada de liderança e gestão. Estes líderes-gestores também devem alinhar suas motivações intrínsecas com os desafios profissionais, pois cada vez mais serão obrigados a trabalhar com uma lógica cristalina aliada a uma intuição poderosa.

“Nas organizações do século 21 o homem quer saber para quê, para quem, com quem e porque ele trabalha. Por isso, é necessário não só mudar pessoas, mas também caminhar para uma cultura organizacional holística. Cada vez mais, ao agirmos localmente, precisamos pensar globalmente. A interculturalidade e a interdisciplinaridade irão moldar os novos líderes. Estes, com as novas habilidades desenvolvidas, terão melhores condições de estimular seus liderados a liberarem e canalizarem sua energia interna para as atividades que realmente gostam. Talvez esta seja a nova atitude, neste ano de 2007, que fará a diferença nas empresas”, conclui.

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Uma resposta

  1. Boa noite,

    Ótimo texto, acredito que só há planos de qualidade com sucesso, por meio de pessoas competentes e motivadas para isso. Realmente, a motivação intrínseca deve estar presente no profissional, mas a extrínseca deve ser estímulada pela organização, e o líder deve estar preparado para a busca de atitudes positivas e que servirão de apoio a problemas que surgirão no trabalho e na vida pessoal de todos os envolvidos. São as pessoas que fazem uma empresa, portanto, devem estar motivadas nos dois aspectos, todos devem lembrar disso no dia-a-dia.

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