Qualidade hospitalar: como cuidar das infecções causadas pelos procedimentos em unidade de saúde?

A infecção hospitalar é uma síndrome infecciosa (infecção) que o indivíduo adquire após a sua hospitalização ou realização de procedimento ambulatorial. Entre os exemplos de procedimentos ambulatoriais mais comuns estão: cateterismo cardíaco, exames radiológicos com utilização de contraste, retirada de pequenas lesões de pele e retirada de nódulos de mama, etc.

A manifestação da infecção hospitalar pode ocorrer após a alta, desde que esteja relacionada com algum procedimento realizado durante a internação. Somente um profissional treinado (médico ou enfermeiro com qualificação especial em Infecção Hospitalar) pode relacionar sinais e sintomas de infecção com procedimentos realizados em unidades de saúde e realizar o diagnóstico de infecção hospitalar.

O atendimento em unidades de saúde apresenta atualmente grande evolução tecnológica. Pacientes que no passado iriam evoluir a óbito, atualmente não só sobrevivem, como têm boa expectativa de vida, muitas vezes, sem seqüelas.

Situações como as de acidentes automobilísticos graves, recém-nascidos prematuros ou de baixo peso e indivíduos que necessitam de transplante de órgãos, são uma demonstração de como o atendimento hospitalar evoluiu.

Em contrapartida, esta melhoria no atendimento e avanço tecnológico aumentou o número de procedimentos possíveis de serem realizados num hospital. Procedimentos que, ao mesmo tempo em que prolongam a vida, trazem consigo um risco aumentado de infecção.

Muitos destes procedimentos são invasivos, isto é, penetram as barreiras de proteção do corpo humano. A primeira barreira de proteção do corpo é a pele, entretanto, é a que mais freqüentemente é rompida por procedimentos hospitalares (ex.: punção de veia para instalação de soro ou coleta de sangue). Ou seja, a melhoria no atendimento possibilita maior sobrevida, mas têm o ônus de elevar o risco de infecção.

Estas técnicas invasivas favorecem a penetração de microrganismos que não pertencem ao corpo do hospedeiro. Para evitar que esta penetração ocorra, os procedimentos precisam ser padronizados de modo a serem desenvolvidos de maneira asséptica (sem a penetração de microrganismos).

Segundo a portaria do Ministério da Saúde n. 2616, de 1998, todos os hospitais devem possuir uma Comissão de Controle de Infecção Hospitalar. E o que elas deve fazer? profissionais que deverão executar as seguintes tarefas:

– Detectar casos de infecção hospitalar, seguindo critérios de diagnósticos previamente estabelecidos.

– Conhecer as principais infecções hospitalares detectadas no serviço e definir se a ocorrência destes episódios de infecção está dentro de parâmetros aceitáveis. Isto significa conhecer a literatura mundial sobre o assunto e saber reconhecer as taxas aceitáveis de infecção hospitalar para cada tipo de serviço.

– Elaborar normas de padronização para que os procedimentos realizados na instituição sigam uma técnica asséptica (sem a penetração de microrganismos), diminuindo o risco do paciente adquirir infecção.

– Colaborar no treinamento de todos os profissionais da saúde no que se refere à prevenção e controle das infecções hospitalares.

– Realizar controle da prescrição de antibióticos, evitando que os mesmos sejam utilizados de maneira descontrolada no hospital.

– Recomendar as medidas de isolamento de doenças transmissíveis, quando se trata de pacientes hospitalizados.

– Oferecer apoio técnico à administração hospitalar para a aquisição correta de materiais e equipamentos e para o planejamento adequado da área física das unidades de saúde.

E quem são os profissionais que participam de uma CCIH? É necessário que os profissionais que participam de uma CCIH possuam treinamento para a atuação nesta área. Há exigência legal para manutenção de pelo menos um médico e uma enfermeira na CCIH de cada hospital. Isto está regulamentado em portaria do Ministério da Saúde.

Outros profissionais do hospital também devem participar da CCIH. Eles contribuem para a padronização correta dos procedimentos a serem executados. Estes profissionais devem possuir formação de nível superior e são: farmacêuticos, microbiologistas, epidemiologistas, representantes médicos da área cirúrgica, clínica e obstétrica. Representantes da administração do hospital devem atuar também na CCIH para colaborar na implantação das recomendações.

Dentre as principais infecções hospitalares endêmicas, a infecção do trato urinário (ITU) é na maioria das vezes a mais comum. A instrumentação do trato urinário representa o fator de risco mais importante na aquisição de ITU, especialmente a sondagem vesical  precedendo-a em mais de 80% dos casos, e outras manipulações em 5 a 10%. Nos pacientes mantidos sob sondagem vesical, onde a urina é drenada para reservatórios abertos (sistema aberto), o risco de infecção pode atingir 100% após 4 dias. Quando utiliza-se o sistema de drenagem fechado, aproximadamente 50% dos pacientes desenvolvem ITU após 10 a 14 dias, sendo possível prevenção de 70 a 85% destes episódios em relação ao sistema aberto.

Para o Instituto Brasileiro de Defesa do consumidor (Idec), a prevenção desse grave problema de saúde pública depende de boas práticas da instituição hospitalar, em primeiro lugar, mas o consumidor também precisa fazer a sua parte. Ao visitar um paciente ou se internar para um procedimento médico ou odontológico, é preciso tomar alguns cuidados para evitar o risco de infecção.

Confira as dicas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Idec para manter a infecção hospitalar longe de você:

 Toda vez que for visitar alguém internado, lave as mãos antes e depois da visita.

 Não sente nas camas ou macas mesmo que estejam desocupadas, nem acomode bolsas, sacolas ou outros objetos.

 Evite levar flores ao paciente.

 Não mexa nos curativos, soros, sondas e equipamentos.

 Respeite as orientações médicas e não interfira no tratamento e na dieta prescrita.

 Não tome medicamentos por conta própria, principalmente antibióticos.

 Quando iniciar um tratamento com antibióticos, não o interrompa sem orientação médica.

Antes de se internar numa instituição de saúde, é importante procurar saber se há no local monitoramento ativo de casos de infecção, controle do uso de antibióticos e treinamento de profissionais. O consumidor tem o direito de exigir todas as informações que julgar necessárias sobre o assunto, a começar pela existência de uma Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) e de um Programa de Controle de Infecções Hospitalares (PCIH), obrigatórios por lei.

É fundamental também verificar se o estabelecimento é licenciado pela vigilância sanitária, ou seja, se possui alvará de funcionamento; se o local oferece boas condições de higiene; se os materiais descartáveis estão sendo reaproveitados; e se há pia, sabão líquido e papel toalha para os profissionais lavarem as mãos com frequência. Em caso de dúvida ou desconfiança, entre em contato com a vigilância sanitária de sua cidade.

Caso contraia uma infecção hospitalar, o consumidor pode buscar a responsabilização do hospital na Justiça. Para tanto, deve guardar toda a documentação referente ao serviço prestado, como notas, receitas, cópia do prontuário médico etc. Um hospital que não possui sequer uma CCIH demonstra sua negligência frente ao problema.

O Hospital Universitário da Universidade de São Paulo desenvolveu um Manual para Prevenção das Infecções Hospitalares. Clique no link para acessar http://www.hu.usp.br/arquivos/Manualccih_2005.pdf

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Uma resposta

  1. Gostei muito dessas informações.Sou enfermeira e trabalho muito em cima das dicas da Anvisa.

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