Treinar é tão importante como se alimentar?

LANÇAMENTO – BREVE

Aprendendo qualidade de uma forma sistêmica

Autor: Oceano Zacharias

Número de páginas: 242

No momento em que se fala em gestão por competências, a gente deve imaginar a importância do treinamento nas empresas. De maneira geral, quando bem realizado, ele é uma experiência que muda o individuo e melhora a sua capacidade em exercer suas funções. Envolve alterações na habilidade, conhecimentos, atitudes ou comportamentos das pessoas. Assim, treinar significa atingir um nível de desempenho que a organização deseja por meio do desenvolvimento continuo dos indivíduos que nela trabalham, sendo imprescindível uma cultura empresarial favorável ao aprendizado e comprometida com as mudanças.

Se o mundo empresarial está cada vez mais competitivo e o ambiente cada vez mais em transformação, surgindo novas tecnologias, novas metodologias e processos de se fazer as coisas, vai sobreviver o profissional que tiver mais competências. Tudo isso deverá ser feito de acordo com essas novas exigências do mercado, sejam para os indivíduos ou para as organizações.

 ISO 10015: o que todo gestor deve saber

Sebastião Guimarães

 Todo gestor sabe como gerir a maioria das atividades de sua área.  Um gestor de vendas certamente conhece métodos, técnicas e processos de venda, e um gestor de produção tem a competência necessária para implementar as boas práticas de produção.

Mas, o que muitos gestores não sabem é definir as competências que suas equipes devem ter; não sabem como desenvolver estas competências e, muito menos, avaliá-las. E para justificar, alegam que “essas coisas” são do RH. Estão enganados!

O gestor, seja ele da área financeira, comercial, ou de qualquer outra área da organização, é o maior responsável pelo desempenho de sua equipe. Ao RH compete auxiliar o gestor na eliminação dos gap’s de competência de sua área para que as competências essenciais (Core competence) da organização sejam eficientes e eficazes.

Por não conhecerem, com profundidade, questões relacionadas com Treinamento e Desenvolvimento de Pessoas, os gestores não dão a atenção necessária ao processo de Definição das Necessidades de Treinamento – DNT, à avaliação dos resultados do treinamento, e, como não se envolvem corretamente, não se preocupam com o retorno do investimento em treinamento.

Todo gestor precisa saber que o treinamento e desenvolvimento de sua equipe são investimentos que podem dar muito retorno.  Mas, não se pode exigir que os gestores sejam responsáveis pelo que não sabem. Como nos ensina Jan Carlzons, presidente da SAS, “A pessoa que tem informação não pode deixar de aceitar responsabilidade.” Portanto, por uma questão de ordem, os gestores, de todas as áreas da empresa, precisam saber quais são suas responsabilidades com relação às diretrizes da ISO 10015, e, logicamente, ser orientados para segui-las.

Os gestores devem se envolver de forma responsável, nas seguintes atividades:

▪ Na definição das competências de sua área.

Os gestores precisam conhecer as competências essenciais da organização (Core competence) e, a partir delas, identificar as competências que sua área deve ter.

▪ Na definição das competências individuais dos profissionais de sua equipe.

Partindo das competências de sua área cada gestor deve identificar as competências individuais que o pessoal de sua equipe deve ter.

▪ Na identificação dos gap’s de competência.

De acordo com 4.2.5 da Norma ISO 10015, deve-se definir os “gap’s, as lacunas de competência. Para definir as lacunas, convém comparar as competências existentes com as requeridas.

▪ Na definição dos objetivos gerais e específicos do treinamento

Os gestores precisam saber que resultados pretendem com o treinamento de suas equipes. Precisam ser claros e objetivos. Não basta querer que seu pessoal seja  mais eficiente. É preciso especificar o que realmente quer: eficiente em que?

▪ Na solicitação de treinamento.

Aqui é bom alertar os gestores. Antes de solicitar um treinamento, os gestores devem verificar como estão seus processos. Se um processo estiver mal estruturado e causando problemas, a primeira e melhor solução é sua reformulação, conforme previsto no item 4.2.6 da ISO 10015.

▪ No acompanhamento e avaliação do(a) recém-contratado(a).

Uma das razões mais comuns pelas quais as pessoas não fazem o que é esperado é o fato de não saberem o que se espera delas.  O gestor precisa dizer com clareza o que espera que o trreinando ou o recém-contratado aprenda e o que quer que ele faça após o treinamento.

▪ Na criação de oportunidade para o treinando aplicar o que aprendeu.

Os gestores, de acordo com o item 4.4.2.2 da Norma ISO 10015, devem: “fornecer oportunidades adequadas e pertinentes para o treinando aplicar as competências que estão sendo desenvolvidas”. O Dr. Robert Mager afirma que somente os gestores podem ser responsáveis pelo desempenho no trabalho. Os gestores devem criar um ambiente de apoio que dê a oportunidade necessária às suas equipes, para aplicar o que aprenderam. “Um ambiente de apoio é o que estimula o desempenho desejado e desencoraja os indesejados. É um ambiente no qual são dadas, aos trabalhadores, razões (incentivos) para atuarem do modo desejado, uma descrição clara dos resultados a serem obtidos e padrões a serem encontrados (…)”

▪ Na avaliação dos resultados do treinamento.

Os gestores devem ser os maiores responsáveis pela avaliação dos resultados de treinamento. O gestor, ao solicitar um treinamento para sua equipe, deve saber que resultado pode esperar e, principalmente, saber como medir este resultado. Precisa, portanto, saber que indicador (evidencia objetiva) terá para saber se o treinamento deu resultado ou não.

Para desenvolver as atividades anteriormente mencionadas, os gestores devem solicitar e contar com o apoio dos profissionais de RH.  E os profissionais de RH precisam orientar os gestores, para que eles aceitem suas responsabilidades e sigam as diretrizes dadas pela ISO 10015.

 Sebastião Guimarães é consultor da T&G Treinamento – guimaraes@tgtreinamento.com.br

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Entendendo a energia nuclear

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Conforme explicações da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), os prótons têm a tendência de se repelirem, porque têm a mesma carga (positiva). Como eles estão juntos no núcleo, comprova-se a existência de uma energia nos núcleos dos átomos com mais de uma partícula para manter essa estrutura. A energia que mantém os prótons e nêutrons juntos no núcleo é a energia nuclear, isto é, a energia de ligação dos nucleons (partículas do núcleo).

Uma vez constatada a existência da energia nuclear, restava descobrir como utilizá-la. A forma imaginada para liberar a energia nuclear baseou-se na possibilidade de partir-se ou dividir-se o núcleo de um átomo pesado, isto é, com muitos prótons e nêutrons, em dois núcleos menores, através do impacto de um nêutron. A energia que mantinha juntos esses núcleos menores, antes constituindo um só núcleo maior, seria liberada, na maior parte, em forma de calor (energia térmica).

A divisão do núcleo de um átomo pesado, por exemplo, do urânio-235, em dois menores, quando atingido por um nêutron, é denominada fissão nuclear. Seria como jogar uma bolinha de vidro (um nêutron) contra várias outras agrupadas (o núcleo).

Na realidade, em cada reação de fissão nuclear resultam, além dos núcleos menores, dois a três nêutrons, como conseqüência da absorção do nêutron que causou a fissão. Torna-se, então, possível que esses nêutrons atinjam outros núcleos de urânio-235, sucessivamente, liberando muito calor. Tal processo é denominado reação de fissão nuclear em cadeia ou, simplesmente, reação em cadeia.

O urânio-235 é um elemento químico que possui 92 prótons e 143 nêutrons no núcleo. Sua massa é, portanto, 92 + 143 = 235. Além do urânio-235, existem na natureza, em maior quantidade, átomos com 92 prótons e 146 nêutrons (massa igual a 238). São também átomos do elemento urânio, porque têm 92 prótons, ou seja, número atômico 92. Trata-se do urânio-238, que só tem possibilidade de sofrer fissão por nêutrons de elevada energia cinética (os neutrons rápidos).

Já o urânio-235 pode ser fissionado por nêutrons de qualquer energia cinética, preferencialmente os de baixa energia, denominados nêutrons térmicos (“lentos”). São átomos de um mesmo elemento químico que possuem massas diferentes. Urânio-235 e urânio-238 são isótopos de urânio. Muitos outros elementos apresentam essa característica, como, por exemplo, o hidrogênio,

que tem três isótopos: hidrogênio, deutério e trítio. A quantidade de urânio-235 na natureza é muito pequena: para cada 1.000 átomos de urânio, 7 são de urânio-235 e 993 são de urânio-238 (a quantidade dos demais isótopos é desprezível).

Para ser possível a ocorrência de uma reação de fissão nuclear em cadeia, é necessário haver quantidade suficiente de urânio-235, que é fissionado por nêutrons de qualquer energia. Nos reatores nucleares do tipo PWR, é necessário haver a proporção de 32 átomos de urânio-235 para 968 átomos de urânio-238, em cada grupo de 1.000 átomos de urânio, ou seja, 3,2% de urânio-235. O urânio encontrado na natureza precisa ser tratado industrialmente, com o objetivo de elevar a proporção (ou concentração) de urânio-235 para urânio-238, de 0,7% para 3,2%.

Para isso deve, primeiramente, ser purificado e convertido em gás. O processo físico de retirada de urânio-238 do urânio natural, aumentando, em consequência, a concentração de urânio-235, é conhecido como enriquecimento de urânio. Se o grau de enriquecimento for muito alto (acima de 90%), isto é, se houver quase só urânio-235, pode ocorrer uma reação em cadeia muito rápida, de difícil controle, mesmo para uma quantidade relativamente pequena de urânio, passando a constituir-se em uma explosão: é a bomba atômica.

Foram desenvolvidos vários processos de enriquecimento de urânio, entre eles o da difusão gasosa e da ultracentrifugação (em escala industrial), o do jato centrífugo (em escala de demonstração industrial) e um processo a laser (em fase de pesquisa). Por se tratarem de tecnologias sofisticadas, os países que as detêm oferecem empecilhos para que outras nações tenham acesso a elas. Descoberta a grande fonte de energia no núcleo dos átomos e a forma de aproveitá-la, restava saber como controlar a reação em cadeia, que normalmente não pararia, até consumir quase todo o material físsil (= que sofre fissão nuclear), no caso o urânio-235.

A fissão de cada átomo de urânio-235 resulta em 2 átomos menores e 2 a 3 nêutrons, que irão fissionar outros tantos núcleos de urânio-235. A forma de controlar a reação em cadeia consiste na eliminação do agente causador da fissão: o nêutron. Não havendo nêutrons disponíveis, não pode haver reação de fissão em cadeia. Alguns elementos químicos, como o boro, na forma de ácido bórico ou de metal, e o cádmio, em barras metálicas, têm a propriedade de absorver nêutrons, porque seus núcleos podem conter ainda um número de nêutrons superior ao existente em seu estado natural, resultando na formação de isótopos de boro e de cádmio.

De uma forma simplificada, um reator nuclear é um equipamento onde se processa uma reação de fissão nuclear, assim como um reator químico é um equipamento onde se processa uma reação química. Para gerar energia elétrica, ele se transforma em uma central térmica, onde a fonte de calor é o urânio-235, em vez de óleo combustível ou de carvão. É, portanto, uma central térmica nuclear e sua grande vantagem é a enorme quantidade de energia que pode ser gerada, ou seja, a potência gerada, para pouco material usado (o urânio).

Urânio no Brasil: consequências para o meio ambiente

 Maria Alice Doria e Maria Antonia Bastos Tigre

 O urânio é um minério que possui a peculiaridade da emissão de partículas radioativas, aproveitadas para produzir calor. Por esse motivo tem o seu maior aproveitamento na indústria nuclear, como combustível em usinas térmicas para geração de energia elétrica.

Apesar de não se tratar de uma fonte de energia renovável, seu aproveitamento como combustível energético é bastante otimizado, uma vez que 1kg de urânio corresponde a 10ton de petróleo e 20ton de carvão. Além disso, sua emissão de gases causadores do efeito estufa é mínima se comparada com aquela dos combustíveis fósseis.

A Austrália, o Cazaquistão e a Rússia possuem as maiores reservas de urânio do planeta, ocupando o Brasil a sétima posição no ranking. Contudo, apenas 30% do território nacional foi prospectado, motivo pelo qual estudos indicam que o Brasil pode ter a segunda maior reserva de urânio do mundo, podendo passar a ocupar o primeiro lugar no ranking.

A Constituição Federal de 1988 manteve, em seu art. 21, XXIII e no art. 177, o monopólio da União para toda a cadeia do urânio, da mineração à geração de energia elétrica. De modo a exercê-lo, há duas empresas estatais, uma responsável pela pesquisa e lavra de urânio (Indústrias Nucleares Brasileiras – INB) e outra pela geração de energia nuclear (Eletrobrás). No que se refere à fiscalização das atividades que envolvam o mineral e a destinação final dos rejeitos radioativos, esta cabe à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), autarquia federal que criou a Norma 1.13, Licenciamento de Minas e Usinas de Beneficiamento de Minérios de Urânio e/ou Tório, outorgar a autorização para mineração.

Diante da magnitude dos impactos ambientais da mineração de urânio bem como da geração nuclear e, considerando tratar-se de um setor estratégico para o país, ambas estão sujeitas ao prévio licenciamento ambiental por parte do Ibama (art. 4º, IV, Resolução Conama nº 237/97). Não obstante, outros órgãos ambientais intervêm durante o processo, como as agências ambientais estaduais e a administração de Unidade de Conservação, quando necessário.

A Licença Prévia (LP) é a primeira licença ambiental a ser obtida e para tal deve ser apresentado um estudo de impacto ambiental, assim como um plano de recuperação da área degradada (art. 3º, Decreto n° 97.632/89). As licenças seguintes são a de instalação do empreendimento e a última de operação. Para cada fase, estudos específicos devem ser submetidos ao órgão licenciador.

Destarte, conforme se depreende dos procedimentos acima brevemente expostos, em razão da exploração de jazida de minério nuclear impactar de forma significativa o ecossistema local, a legislação nacional impõe um criterioso procedimento de licenciamento, o qual depois de concluído demandará dos órgãos ambientais providências para a fiscalização da atividade, em observância aos rigores técnicos impostos ao seu exercício.

Não obstante o procedimento aparentemente estendido, a atual legislação ambiental carece de especificidades técnicas necessárias à segurança do meio ambiente e da saúde da população, além de uma fiscalização ineficiente pelo órgão ambiental, muitas vezes decorrente de falta de recursos humanos conhecimento técnico específico para a atividade, e mesmos de recursos tecnológicos. Neste sentido, é importante haver uma norma específica regulando o licenciamento das atividades de pesquisa e lavra de urânio, tal qual a Resolução Conama nº 23/94, que trata do licenciamento ambiental das fases de sísmica, prospecção, produção e exploração de petróleo e gás.

O urânio, por ser um minério radioativo deve ser manejado de forma cautelosa de modo a não gerar danos ambientais, e além de todas as conseqüências sabidas de um dano como esse, acarretar, ainda, vultosos custos para o próprio empreendedor com medidas de reparação e compensação. Por este motivo, se mostra cada vez mais necessário o reforço dos programas internos de monitoramento ambiental, que deve ser constante e acompanhar tanto o funcionamento quanto o fechamento da mina, pois os principais problemas ambientais estão relacionados a estas etapas. Em ambas as fases, os recursos mais atingidos são os hídricos, a flora e o solo.

Em muitos casos, a recuperação de áreas degradadas pela exploração de urânio consiste na relocação do solo contaminado, bem como na prevenção e controle de erosões, geralmente feito com vegetação. Todavia, nem sempre é possível proceder à recuperação completa da área. Por vezes, a contaminação tem alcance tão extenso que a remoção de todo o solo contaminado torna-se inviável, podendo até obstar a extração do mineral.

No que diz respeito aos recursos hídricos, note-se que a mineração causa mudanças importantes no sistema hidrológico. Tais mudanças, desassistidas ambientalmente, podem levar à contaminação de cursos d’água e reservatórios.

Em suma, a exploração da atividade mineraria do urânio obrigatoriamente demanda custos altos com a rubrica meio ambiente, custos esses nem sempre disponíveis no orçamento da União. É papel fundamental do Estado prover serviços essenciais e não vemos a mineração de urânio como um serviço essencial. É sim uma atividade meio (a fim seria a geração de energia elétrica) que como qualquer outra que explore recursos naturais deve receber investimentos suficientes para operar com segurança e sofrer todo o tipo de fiscalização prevista por lei.

Acidentes decorrentes do descuido ao manejar o mineral já ocorreram e, infelizmente ainda ocorrem, no Brasil. Nos municípios de Caetité e Lagoa Real (BA), que vivem sob a influência do complexo mínero-industrial de extração e beneficiamento de urânio operado pela INB, mais de 10 transbordamentos já ocorreram, algumas vezes por períodos superiores a dois meses, contaminando os mananciais subterrâneos. O Projeto Lagoa Real teve sua operação iniciada sem a necessária Licença de Operação do Ibama, e a empresa permanece incólume, vez que a fiscalização se mostra, ainda, excessivamente tolerante.

Adicionalmente, os rejeitos de usinas nucleares, cuja radiação permanece por um período de 50 a 300 anos, carecem de gerenciamento a longo prazo. Nos Estados Unidos, o repositório de Yucca Mountain, designado em 1987 para a disposição final de lixo nuclear, restará sem utilização diante da resistência dos ambientalistas. O país permanece sem solução definitiva para a destinação dos resíduos nucleares.

Após um acidente em Goiânia em 1987, que resultou na morte de 400 pessoas, foi criado no Brasil um repositório provisório para o armazenamento de lixo nuclear. Contudo, ainda não há solução definitiva, motivo pelo qual o MPF/RJ ingressou, em 2007, com ação civil pública contra a União, a Cnen e a Eletronuclear, requerendo a instalação de depósito definitivo para os rejeitos radioativos das usinas nucleares.

As inobservâncias da legislação ambiental decorrem da falta de transparência e do fato de ser o próprio Estado, através da Cnen e do Ibama, fiscalizando a si próprio, ou seja, fiscalizando as empresas estatais INB e Eletrobrás. Neste contexto, o monopólio sobre as atividades que envolvam urânio tem sido discutido no Congresso.

A exemplo da flexibilização do monopólio do petróleo, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) nº 171/07, de autoria do Deputado Rogério Lisboa do DEM, pretendia emendar a Constituição de modo a permitir à iniciativa privada a pesquisa e a lavra de minerais nucleares e seus derivados. Para tanto, acrescentava o parágrafo único ao art. 21, e o parágrafo 5º ao art. 177 da Constituição Federal.

A proposta baseava-se na premissa da energia limpa e na crescente demanda por energia nuclear, gerando a alta dos preços de urânio. Argumentava-se pelo crescimento dos investimentos no setor ao redor do mundo, principalmente no que se refere à prospecção, que no Brasil permanecia estagnada desde a década de 80. Vislumbrou-se, portanto, a abertura do mercado das operações de pesquisa e lavra do urânio como uma saída para a falta de investimentos no setor por décadas. Nesta PEC, previa-se a permanência com a União do monopólio quanto ao enriquecimento, à industrialização e ao comércio do urânio.

A PEC nº 171/07, contudo, foi arquivada antes mesmo de ser levada a Plenário, após parecer desfavorável da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, de relatoria do Deputado José Genoíno, em 28.05.08. Apesar de reconhecer a importância econômica da exploração de minerais radioativos, o parecer considerou altos os riscos inerentes à sua exploração no que se refere à saúde humana, à defesa nacional e ao meio ambiente, motivos pelos quais, acreditaram os relatores, deveria ser esta mantida como monopólio da União.

Além da proposta de flexibilização do monopólio da União sobre a mineração de urânio, há também a que defende o fim do monopólio da geração de energia nuclear, como a PEC nº 122/07, de relatoria do Deputado Alfredo Kaefer do PSDB, ainda em discussão na Câmara dos Deputados. Esta PEC se baseia nas premissas de crescente demanda por energia elétrica, dificuldades enfrentadas na concessão de licenças ambientais para a construção de usinas hidroelétricas, e necessidade de se restringir a utilização de combustíveis fósseis. Diante desse cenário, imperioso diversificar as fontes de geração de energia elétrica; e a energia nuclear surge como alternativa viável para tal desenvolvimento. Com custos competitivos e segurança elevada, deveria abrir este segmento de geração de energia elétrica à iniciativa privada. De modo a exercer a atividade de regulação do setor, a proposta prevê a criação de órgão autônomo.

Efetivamente, tomando-se por base o que foi verificado com a indústria petrolífera, a flexibilização do monopólio de pesquisa e lavra de urânio geraria a competição no mercado e novos investimentos em tecnologia que minimizasse o potencial risco que tal atividade representa (como a de exploração de petróleo e outras mais também representam), e também um maior rigor no que diz respeito à observância de normas ambientais.

É sabido e comprovado que desde o fim do monopólio de diversos setores da economia, houve maiores investimentos em tecnologias mais avançadas e menos poluidoras, consequentemente evitando ou minimizando riscos de acidentes e, porque não mencionar, reduzindo valores de prêmios dos seguros contratados. Esta flexibilização seria uma primeira etapa, preparando o mercado para que, em momento posterior, a geração de energia nuclear fosse também paulatinamente flexibilizada, abrindo a participação para a iniciativa privada, da forma como ocorre atualmente com o setor elétrico.

A adoção de requisitos regulatórios cada vez mais restritivos levou a um aumento de eficiência do setor produtivo, redução de gastos na mitigação de impactos ambientais e formulação de novas abordagens nos projetos de produção, bem como comunidades por eles impactadas. Inclusive, cumpre trazer o exemplo da sísmica, que até então não era nem mesmo licenciada, vez que se acreditava não produzir impacto relevante, e hoje representa uma etapa essencial do licenciamento da cadeia produtiva do petróleo.

Adicionalmente, o fim do monopólio da atividade de mineração do urânio geraria maiores investimentos na prospecção nacional, quando poderiam ser descobertas jazidas adicionais, vez que acredita-se, conforme ressaltado, que haja no país a segunda maior do mundo, o que traria o país ao topo do ranking mundial. Desta forma, a exploração aumentaria, levando o Brasil efetivamente a um patamar internacional, podendo atuar, inclusive, como exportador.

Maria Alice Doria e Maria Antonia Bastos Tigre são sócias e advogadas associadas da área de direito ambiental, respectivamente, do escritório Doria, Jacobina, Rosado e Gondinho Advogados Associados.

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