Os polêmicos alimentos transgênicos

Venho notando em minha filha de 17 anos um aumento em suas renites alérgicas e resistência aos antibióticos. Depois de eliminar tapetes, limpar e arejar quartos diariamente, a coisa melhorou, porém não acabou. Acabei desconfiando dos alimentos transgênicos, já que ela é fã de salgadinhos, fast foods, etc. que contêm os polêmicos transgênicos. Vou tentar eliminá-los de minha casa.

E o que são esses alimentos. As técnicas modernas de engenharia genética permitem que se retire genes de um organismo e se transfira para outro que quebram a seqüência do DNA — que contém as características de um ser vivo — do organismo receptor, que sofre uma espécie de reprogramação, tornando-se capaz de produzir novas substâncias. Esses são os chamados transgênicos, ou organismos geneticamente modificados (OGMs). Então, seria importante conhecer as definições:

  • Alimentos Geneticamente Modificados: são alimentos compostos contendo organismos geneticamente modificados ou derivados destes. São produtos criados em laboratórios com a utilização de genes de espécies diferentes de animais, vegetais ou micróbios.
  • Organismos Geneticamente Modificados: são definidos como organismos que tenham sido alterados geneticamente por métodos ou meios que não ocorrem naturalmente.
  • Modificação Genética: são técnicas que incluem DNA recombinante, introdução direta em um organismo de material hereditário de outra espécie – incluindo micro-injeção, microencapsulação, fusão celular e técnicas de hibridização com formação de novas células ou novas combinações genéticas, de maneira que não ocorre naturalmente.
  • Gene Inseticida: é o gene introduzido na planta para que ela passe a produzir substâncias de resistência a seus insetos predadores.
  • Engenharia Genética: é a atividade de manipulação de moléculas DNA/RNA recombinante. O DNA/RNA Recombinante são aquelas moléculas de material genético manipuladas fora das células vivas, mediante modificação de segmentos de DNA/RNA, natural ou sintético, que possam multiplicar-se em uma célula viva – ou ainda, as moléculas de DNA/RNA resultantes desta multiplicação.

LANÇAMENTO – BREVE

Aprendendo qualidade de uma forma sistêmica

Autor: Oceano Zacharias

Número de páginas: 242

Segundo alguns especialistas, muitos dos genes utilizados no cultivo de alimentos possuem resistência antibiótica e, com isso, podem multiplicar o número de problemas de saúde que envolvem bactérias imunes e dificultar o tratamento de doenças. No plantio de alimentos trans-gênicos também é permitido o uso de agrotóxicos em larga escala, ou seja, o alimento traz esse componente para a mesa. Há ainda a ameaça à biodiversidade, pois o cruzamento dos transgênicos com espécies naturais leva a uma reprodução fora de controle das espécies contaminadas, com resultados imprevisíveis para o meio ambiente.

Há algum tempo, testes feitos em laboratórios europeus detectaram a presença de transgênicos em 11 lotes de produtos vendidos no Brasil, a maioria deles contendo a soja geneticametne modificada Roudup Ready, da Monsanto ou com o milho transgênico BT, da Novartis.

  • Nestogeno, da Nestlé do Brasil, fórmula infantil a base de leite e soja para lactentes contendo soja RR;
  • Pringles original, da Procter e Gamble, batata frita contendo milho BT 176 da Novartir;
  • Salsicha Swift, da Swift Armour, salsichas tipo viena contendo soja RR.
  • Sopa knorr, da Refinações de Milho Brasil, mistura para sopa sabor creme de milho verde contendo soja RR.
  • Cup Noodles, da Nissin Ajinomoto, macarrão instantâneo sabor galinha contendo soja RR.
  • Cereal Shake Diet, da Alvebra Industrial, alimento para dietas contendo soja RR.
  • Bacós da Gourmond Alimentos, chips sabor bacon contendo soja RR.
  • Prosobee, da Bristol-Myers, fórmula não láctea à base de soja contendo soja RR.
  • Soy Milk, da Alvebra Industrial à base de soja contendo soja RR.
  • Supra Soy, da Jaspar, alimento à base de soro de leite e proteína isolada de soja contendo soja RR.

Outro fator importante é que as plantas transgênicas contém genes de resistência a antibióticos, com a função de possibilitar a seleção das células transformadas, isto é, são usados como marcadores. Esses genes podem, através de recombinação e/ou transferência horizontal, serem transmitidos a outros organismos, inclusive humanos? Os transgênicos poderiam afetar a saúde com o aumento de alergias ou potencializar os efeitos de substâncias tóxicas, pois muitas plantas possuem substâncias tóxicas naturais para se defender de seus inimigos naturais? Se manipulados geneticamente, os níveis dessas toxinas podem aumentar? O aumento de resíduos de agrotóxicos, pois alguns dos produtos transgênicos têm como característica se tornarem resistentes aos efeitos dos agrotóxicos (soja roundup ready), o que permite que seja aplicado mais veneno (agrotóxico) na plantação, cujos resíduos permanecerão nos alimentos, podendo também trazer mais risco de poluir os rios e o solo?

Em torno de 8% da população mundial têm alergia a proteínas contidas na soja 44. A introdução de genes externos no código genético das plantas pode vir a desencadear a produção de novas proteínas. Ao se introduzir na alimentação humana plantas transgênicas, direta ou indiretamente, estamos ingerindo as proteínas fabricadas por estas plantas, sejam elas já conhecidas ou sintetizadas a partir da introdução genética. Não existe no mundo, ainda, nenhum grupo de monitoramento a este tipo de procedimento.

Sabe-se que a composição de uma soja transgênica e de uma orgânica pode diferir em até 74%. O que torna mais difícil uma análise mais completa sobre os impactos desses novos organismos é que muitas vezes suas conseqüências só podem ser sentidas a médio e longo prazo. Todos os alimentos importados dos EUA e da Argentina, e que tenham algum ingrediente derivado de soja, milho ou batata poderá conter transgênicos.

Por tudo isso, e para ajudar o consumidor a entender os riscos associados aos organismos geneticamente modificados (OGMs), o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumiidor (Idec) produziu a cartilha http://www.idec.org.br/pdf/cartilha_transgenico.pdf O material foi desenvolvido no âmbito do projeto “Consumer Organizations and the Cartagena Protocol on Biosafety: Protecting the Consumer’s Right to a Healthy Environment in the Developing World”, coordenado pela Consumers International, com o apoio da Comunidade Europeia, além da parceria com o Fórum Nacional de Entidades Civis de Defesa do Consumidor (FNECDC) e da campanha Por um Brasil livre de transgênicos.

De forma didática, a cartilha explica o que são transgênicos, quais são os riscos para a saúde e os seus impactos no meio ambiente e na agricultura, de acordo com o que apontam as pesquisas científicas. No Brasil, existem transgênicos autorizados para consumo: soja e alguns tipos de milho e de algodão. Como sabemos, a soja e o milho são usados na produção de muitos alimentos, como salgadinhos, cereais matinais, óleos, bolachas, massas, margarinas, papinhas para crianças e enlatados. Para garantir ao consumidor o direito de saber o que come, o Decreto 4.680/03 obriga que os fabricantes indiquem no rótulo do produto a presença de transgênico sempre que o alimento contiver mais de 1% de organismo geneticamente modificado, mesmo que não seja identificado no produto final. Pela regra, além de incluir uma frase de alerta, para facilitar a visualização do consumidor, o rótulo deve conter o símbolo que indica a presença de transgênico: um triângulo amarelo com um “T” no meio.

A exigência está de acordo com o Código de Defesa do Consumidor, que assegura o direito à informação. Além disso, diversas pesquisas de opinião feitas no país atestam que os consumidores querem saber se o alimento é transgênico ou não: segundo levantamento do IBOPE em 2004, 74% da população brasileira concorda com a medida. Apesar da importância do alerta sobre o conteúdo transgênico nos alimentos, esse direito está ameaçado. Muitas empresas alimentícias não querem informar o consumidor se usam ou não grãos transgênicos nos alimentos que vendem. As companhias de biotecnologia, donas dos transgênicos, não por acaso, também são contra.

Apesar da exigência legal da rotulagem de transgênicos no país, conforme o decreto, foi preciso que o Ministério Público entrasse na Justiça para fazer com que as empresas Bunge e Cargill, donas das marcas de óleo de soja Soya e Lisa, respectivamente, a respeitassem. Além disso, três iniciativas de congressistas – que deveriam representar os interesses da população – querem derrubar a obrigatoriedade. Um deles é da senadora Kátia Abreu (DEM-TO), que quer extinguir o símbolo “T” e a rotulagem de alimentos produzidos a partir de animais alimentados com rações com ingredientes transgênicos.  Na Câmara dos Deputados tramitam dois projetos de lei (PL) sobre o assunto. O PL 4148/2008, de autoria do deputado federal Luiz Carlos Heinze (PP/RS), por exemplo, além das propostas da senadora Kátia Abreu, defende que a indicação só seja obrigatória quando for detectável a presença de OGM no produto final.

Se tal proposta for aprovada, significará, na prática, o fim da informação ao consumidor. Isso porque, para fugir da rotulagem, os fabricantes destinarão os grãos transgênicos a alimentos altamente processados (como óleos) e a ração animal, impedindo a detecção de OGMs nos testes laboratoriais. As iniciativas vão contra o interesse público e contrariam também o Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança, acordo internacional ratificado pelo Brasil que reconhece que a modificação genética pode trazer danos ao meio ambiente e à saúde humana e necessita, portanto, ser controlada.

Links úteis:

http://www.ctnbio.gov.br/index.php/content/view/12485.html

www.aspta.org.br

www.greenpeace.org.br

www.terradedireitos.org.br

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4 Respostas

  1. Se os trangenicos vierem para nos ajudar e reduzir o uso de pesticidas que prejudicam o ambiente de varias formas, e aumentar a resistencia dos nossos alimentos, sera muito bem vindo.

  2. E estes alimentos são mais produtivos e resistentes também, até acabam reduzindo o uso de pesticidas, podendo acabar com o problema da fome no mundo. De certa forma Vale à pena!
    Sucesso pro pessoal que está à frente do blog, as matéria são importantes demais. É bom saber que tem gente se preocupando com o bem estar do próximo. Abraço!

  3. os alimentos traginicos sao pregudicial para a saude poriso devem vinvitar de uzar estes produtos

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