Discutindo a manufatura flexível

 

A denominada manufatura flexível surgiu a partir da década de 80 com a ideia de cumprir algumas exigências: responder efetivamente a momentos de mudança; e ter capacidade de assumir novas circunstâncias. A flexibilidade é necessária para permitir que um sistema de manufatura possa: responder à variedade de produtos, níveis de produção e prazos de entrega; manter o desempenho apesar das incertezas de curto prazo; atender no longo prazo a novos produtos, novos mercados e novos concorrentes; e manter opções para a ignorância decorrentes de ausência de um direcionamento estratégico.

Para que se possa responder efetivamente à variedade de produtos, de níveis de produção, de prazos de entrega e ainda manter o desempenho nas incertezas um sistema flexível tem de atender algumas necessidades. Assim, essas são as suas principais características: flexibilidade na troca de peças em produção; flexibilidade nas mudanças de produto (longo prazo); flexibilidade nas montagens de máquina (set-up); flexibilidade nas flutuações no volume; flexibilidade nas falhas de funcionamento; e flexibilidade nos erros de previsão.

Para o diretor do Comitê de Manufatura do Congresso SAE BRASIL 2010, Marcelo Martin, dentro dos cenários globais de montadoras, sistemistas e fornecedores, a manufatura desempenha um papel fundamental, visto todos os custos envolvidos. “Manufatura ineficiente é custo adicional no preço do veículo e ninguém vai querer pagar por um produto se nele estiverem embutidos os custos do desperdício, do qual o consumidor não tem culpa. Além disso, em um mundo cada vez mais exigente e customizado, não se escolhem somente as características do produto a ser adquirido, mas o preço que se quer pagar pelo mesmo”, explica.

Ele diz ainda que a evolução das ferramentas gerenciais utilizadas na manufatura, passando por Círculos de Controle de Qualidade (CCQs), Delineamento de Experimentos (DOE), FMEA, Kaizen, Seis Sigma, Lean Manufacturing, etc., tem contribuído para que os produtos sejam produzidos mais rapidamente, com maior qualidade e com menor custo. “A análise dos desperdícios nos aspectos que fazem parte do cotidiano da manufatura, como método, meios, mão-de-obra, materiais e meio ambiente, deve ser constante e com o foco incansável na eliminação do desperdício. A inovação em cada um destes aspectos também é primordial para que haja diferencial competitivo que possa auxiliar as empresas na execução de suas estratégias de crescimento. Dado que muitas empresas atuam em nível global, as áreas de manufatura devem apresentar integração constante em todas as unidades, como forma de possibilitar o direcionamento otimizado dos recursos. Flexibilidade é a palavra-chave”.

Dentro deste contexto, assegura Martin, não pode ser menosprezada a parceria dentro da cadeia de fornecimento, através de um conceito logístico eficaz, também como forma de se controlar todos os custos envolvidos. Parceiros são considerados como tal no processo moderno de produção e não somente coadjuvantes. O alinhamento das montadoras com seus fornecedores e parceiros deve garantir que os pedidos sejam atendidos dentro do prazo, na quantidade e na qualidade corretas, podendo reagir com mais eficiência às demandas.

“A utilização de tecnologia na manufatura não deve ser obsessão, mas atender às necessidades específicas de cada área, processo ou produto. Não convém adquirir mais e mais robôs, a custo excessivo, se o processo requer poucas operações que agreguem valor ao produto ou não exista a necessidade premente de flexibilidade. Muitas vezes, a simplicidade supera a tecnologia e, assim, custos podem ser evitados para o bem da operação. Não podemos esquecer nunca do principal fator em todo este processo: as pessoas. Por mais que este seja o lema de muitas empresas – o recurso mais importante que temos são as pessoas –, a sua formação e a capacitação serâo os diferenciais de sucesso para a plena execução das estratégias. Políticas de desenvolvimento devem fazer parte da cultura da empresa para formar e reter os talentos necessários para que o conhecimento e know-how adquiridos também se transformem em diferencias competitivos. A manufatura tem também, como se não bastasse tudo isso, de desempenhar suas atividades com foco nas necessidades de sustentabilidade. Como sua missão diária é transformar peças em produtos, não se deve esquecer de garantir que todo o processo produtivo – meios, equipamentos, máquinas, materiais diretos e indiretos – tenha tratamento e destinação apropriada para que não sejam observados impactos no meio ambiente interno e externo”, acrescenta.

Enfim, todo o processo de manufatura deve ser justificado economicamente, o que é normalmente muito difícil, pois, na maioria das vezes, não é possível predizer o desenvolvimento futuro de tarefas de processamento e também as peças que serão usinadas (incluindo suas quantidades). Em consequência, os parâmetros adequados podem não estar disponíveis para uma avaliação econômica o que pode implicar que a manufatura em turnos extras, redução de setup e tempos de produção envolve fatores importantes para serem incluídos em uma análise de retorno de investimento.

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