Mais uma ferramenta da qualidade: Fault Tree Analysis (FTA) ou análise da árvore de falhas

Conforme revelam os professores Vander Guerrero e Henrique Rozenfeld, a crescente necessidade de melhorar a qualidade de produtos e a satisfação dos clientes tem popularizado vários métodos e técnicas que visam melhorar a confiabilidade de produtos e processos, ou seja, aumentar a probabilidade de um item desempenhar sua função sem falhas.

Dentre estas técnicas, destaca-se o Failure Modes and Effects Analysis (FMEA), que atualmente é amplamente utilizado nas indústrias de manufatura, em grande parte devido à exigências de normas de qualidade tais como a ISO 9000 e a QS 9000. Outra destas técnicas é a análise da árvore de falhas ou FTA, que visa melhorar a confiabilidade de produtos e processos através da análise sistemática de possíveis falhas e suas conseqüências, orientando na adoção de medidas corretivas ou preventivas.

Os professores explicam como fazer para a construção do Diagrama. Eles dizem que o diagrama da árvore de falhas mostra o relacionamento hierárquico entre os modos de falhas identificados no FMEA. O processo de construção da árvore tem início com a percepção ou previsão de uma falha, que a seguir é decomposto e detalhado até eventos mais simples. Dessa forma, a análise da árvore de falhas é uma técnica top-down, pois parte de eventos gerais que são desdobrados em eventos mais específicos.

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Abaixo é mostrado um exemplo de um diagrama FTA aplicado à uma falha em um motor de elétrico. O evento inicial, que pode ser uma falha observada ou prevista, é chamado de evento de topo, e está indicado pela seta azul. A partir desse evento são detalhadas outras falhas até chegar em eventos básicos que constituem o limite de resolução do diagrama. As falhas mostradas em amarelo compõem o limite de resolução deste diagrama.

É possível adicionar ao diagrama elementos lógicos, tais como ‘e’ e ‘ou’, para melhor caracterizar os relacionamentos entre as falhas. Dessa forma é possível utilizar o diagrama para estimar a probabilidade de uma falha acontecer a partir de eventos mais específicos. O exemplo abaixo mostra uma árvore aplicada ao problema de superaquecimento em um motor elétrico utilizando elementos lógicos.

Por fim, eles fazem uma comparação entre o FTA e FMEA. “Apesar da semelhança entre as duas técnicas, no que se refere a finalidade, existem várias diferenças entre elas quanto a aplicação e ao procedimento de análise. A tabela abaixo compara as duas técnicas apresentando suas principais diferenças”, observam. Abaixo uma tabela sobre essa comparação.

FTA FMEA
Objetivo Identificação das causas primárias das falhas Identificação das falhas críticas em cada componente, suas causas e conseqüências
Elaboração de uma relação lógica entre falhas primárias e falha final do produto Hierarquizar as falhas
Procedimento Identificação da falha que é detectada pelo usuário do produto Análise dos falhas em potencial de todos os elementos do sistema, e previsão das conseqüências
Relacionar essa falha com falhas intermediárias e eventos mais básicos por meio de símbolos lógicos Relação de ações corretivas (ou preventivas) a serem tomadas
Aplicação Melhor método para análise individual de uma falha específica Pode ser utilizado na análise de falhas simultâneas ou correlacionadas
O enfoque é dado à falha final do sistema Todos os componentes do sistema são passíveis de análise

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Um problema que nunca é resolvido: amianto no Brasil!

O livro definitivo sobre a ISO 9001:2008

ISO 9001:2008 – Pequenas Mudanças, Grandes Oportunidades

Um guia interpretativo da ISO 9001:2008

Dr. Nigel H. Croft

Tradução: B. V. Dagnino – Chartered Quality Professional e Fellow CQI e Fellow ASQ

Revisão técnica: Luiz Carlos do Nascimento – Delegado Brasileiro junto ao ISO/TC176/SC2

108 páginas

 Preço de lançamento do livro: R$ 25,00

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Informações: (11) 5188-1511 – zinaura.costa@epse.com.br

O Brasil está entre os cinco maiores produtores de amianto do mundo e é também um grande consumidor, havendo por isso um grande interesse científico ao nível mundial sobre essa situação, quando praticamente todos os países europeus já proibiram seu uso. A maior mina de amianto em exploração no Brasil situa-se no município de Minaçu, no Estado de Goiás e é atualmente administrada pela empresa brasileira Eternit, mas que até recentemente era explorada por grupo franco-suíço (Brasilit e Eternit) em cujos países de origem o amianto está proibido desde o início da década de 90.

As rochas de amianto se dividem em dois grupos: as serpentinas e os anfibólios. As serpentinas têm como principal variedade a crisotila ou “amianto branco”, que apresenta fibras curvas e maleáveis. Os anfibólios, que representam menos de 5% de todo o amianto explorado e consumido no mundo, estão banidos da maior parte do planeta. No Brasil, o amianto tem sido empregado em milhares de produtos, principalmente na indústria da construção civil (telhas, caixas d’água de cimento-amianto, etc.) e em outros setores e produtos como guarnições de freio (lonas e pastilhas), juntas, gaxetas, revestimentos de discos de embreagem, tecidos, vestimentas especiais, pisos, tintas, etc. O Canadá, segundo maior produtor mundial de amianto, é o maior exportador desta matéria prima, mas consome muito pouco em seu território (menos de 3%). Para se ter uma idéia de ordem de grandeza e da gravidade da questão para os países pobres: um (a) cidadão (ã) americano (a) se expõe em média a 100g/ano, um (a) canadense a 500 g/ano e um (a) brasileiro(a) a, mais ou menos, 1.200g/ano.

Este quadro indica uma diferença na produção e consumo do amianto entre os países desenvolvidos e os subdesenvolvidos, em especial, o Brasil, explicada pelo fato de que o amianto é uma fibra comprovadamente cancerígena e que os cidadãos dos mais ricos já não aceitam mais se expor a este risco conhecido. O amianto é um bom exemplo de como estes países transferem a produção a populações que desconhecem os efeitos nocivos deste produto, enquanto para eles buscam outras alternativas menos perigosas, recorrendo à política do duplo-padrão (double-standard): produção e comercialização de produtos proibidos nos países desenvolvidos e liberados para os países em desenvolvimento. Entre as doenças relacionadas ao amianto estão a asbestose (doença crônica pulmonar de origem ocupacional), cânceres de pulmão e do trato gastrointestinal e o mesotelioma, tumor maligno raro e de prognóstico sombrio, que pode atingir tanto a pleura como o peritônio, e tem um período de latência em torno de 30 anos.

Países Produtores  Toneladas Exploradas/Ano 
Rússia  920.000
China 360.000
Brasil 290.000
Cazaquistão 210.000
Canadá 200.000
Zimbábue 130.000
Outros 15.000
Total 2.125.000

 Enfim, nos Estados Unidos, o amianto crisotila ainda é utilizado como componente de filtros para eletrólise no processo produtivo das indústrias de cloro-soda e nas indústrias bélica e aeroespacial de maneira estratégica. Se houver o banimento completo do amianto, algumas implicações econômicas ocorrerão, contudo a indústria poderá encontrar alternativas para sua substituição e muitas destas substâncias já se encontram em uso em outros países.

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