Os perigos do mercúrio para o homem

Estimada em 10.000 toneladas por ano a sua produção mundial, o mercúrio (Hg) é utilizado nas mais diversas áreas, como indústrias, mineração e odontologia, sendo os principais produtores o Canadá, a Rússia e a Espanha. A emissão natural de mercúrio é devida à gaseificação da crosta terrestre, emissões vulcânicas e à evaporação natural de corpos d’água. A mineração de ouro e prata, a extração de mercúrio, a queima de combustíveis fósseis e a fabricação de cimento são exemplos de fontes antropogênicas de mercúrio.
Na América do Sul, o processo de extração de ouro utilizando o mercúrio é usado em países como o Brasil, Venezuela, Colômbia, Bolívia, Guiana Francesa, Guiana, Equador e Peru. Ele contamina o homem por duas maneiras: no trabalho e pelo ambiente. A primeira é mais conhecida e está ligada ao ambiente de trabalho, tal como mineração e indústrias; geralmente está associada aos garimpos de ouro, às fábricas de cloro-soda e de lâmpadas fluorescentes. A contaminação ambiental, por sua vez, é provocada pela dieta alimentar, comumente pela ingestão de peixes.
O mercúrio é, sem dúvida, um dos mais tóxicos dentre os metais e encontra-se disseminado em rios e solos da Amazônia, em grande parte devido à sua utilização na recuperação do ouro em garimpos, de forma indiscriminada e sem qualquer controle. Publicações recentes, no entanto, comprovam também a presença natural do mercúrio em algumas regiões, sem histórico de atividade garimpeira, como é o caso do Rio Negro. Estima-se em 100 a 130 t/ano o montante de Hg (mercúrio) introduzido na Amazônia nos últimos anos pela atividade garimpeira, sendo 40% lançado diretamente nos rios e 60% disperso na atmosfera e transportado a longas distâncias.
Além do garimpo, atualmente são apontadas outras duas fontes de contaminação por mercúrio na Amazônia, a queima da biomassa florestal e degradação dos solos lateríticos; nestes dois casos, a acumulação do mercúrio seria devida a processos naturais de concentração desse elemento. As condições dos rios da Amazônia (baixo pH da água, alta concentração de matéria orgânica dissolvida e baixo teor de material particulado) favorecendo a metilação do mercúrio, sugerem um cenário de contaminação contínua e crescente.

O mercúrio pode viajar longas distâncias pelas correntes aéreas e aquáticas, e nos corpos de espécies migratórias. Ele pode causar danos à saúde humana e ao meio ambiente em locais muito distantes daqueles onde foi originalmente liberado. Uma vez que o mercúrio entra nos ecossistemas aquáticos, os micro-organismos o transformam em uma forma altamente tóxica de mercúrio chamada metilmercúrio, que se acumula em peixes e moluscos, e naqueles que os consomem. Os níveis de metilmercúrio em algumas espécies de peixes podem chegar a milhões de vezes acima dos níveis presentes nas águas do seu entorno. Mesmo baixas doses de exposição ao mercúrio, e especialmente de metilmercúrio, podem prejudicar seriamente a saúde humana e o meio ambiente. O metilmercúrio se bioacumula, passa através da placenta, e aparece no leite materno. Causa distúrbios às funções cerebrais da criança em desenvolvimento, e cria déficits de habilidade de linguagem, memória, atenção, habilidades motoras e visuais. Quando a exposição ao mercúrio se combina com má nutrição, o risco cresce de forma considerável.
O metilmercúrio está atualmente presente em peixes e frutos do mar de todo o mundo, com níveis que causam danos significativos. Muitos governos recomendam que mulheres grávidas e crianças evitem totalmente comer espécies de peixes, e restrinjam a quantidade total de frutos do mar que consomem. Entretanto, muitas das centenas de milhões de mulheres e crianças que dependem de peixes como fonte de proteína não podem exercer esta opção.
Além das perdas humanas diretas, a exposição ao mercúrio diminui a produtividade total do país e adiciona um ônus crescente aos custos nacionais de assistência de saúde. A exposição ao mercúrio também degrada os ecossistemas. O ônus total do mercúrio global antropogênico sobre o meio ambiente aumenta rapidamente a cada ano. Uma vez que o mercúrio é transportado a longas distâncias, nenhum governo, agindo isoladamente, poderá proteger integralmente sua própria população e o meio ambiente dos danos causados pela poluição do mercúrio. Para proteger a saúde humana e o meio ambiente global, deve ser estabelecido um regime global e efetivo de controle do mercúrio. Isto será mais bem alcançado pela adoção de um instrumento legalmente obrigatório, pois instrumento desse tipo exigiria que todos os países trabalhassem juntos para encontrar uma solução, e isto poderia prover os recursos financeiros e técnicos significativos que os países em desenvolvimento precisarão para cumprirem a ua parte.
O mercúrio evapora facilmente. Uma vez na atmosfera permanece cerca de um ano e é transportado a longas distâncias. Este é lentamente convertido a mercúrio na sequência de um processo oxidativo. Retorna ao solo através da água das chuvas. Uma fração volta novamente para a atmosfera na forma de vapor para completar o ciclo, os outros compostos de mercúrio são encontrados nos sedimentos aquáticos.
O metilmercúrio produzido por este processo de biometilação no meio aquático é incorporado em quase todas as espécies aquáticas (senão em todas) e deste modo entra na cadeia alimentar aquática envolvendo plâncton, peixes herbívoros e finalmente os peixes carnívoros. Isto conduz a um processo de biomagnificação, isto é, a concentração do metal aumenta à medida que ele avança nos níveis tróficos. Portanto, por ter a capacidade de permanecer por longos períodos nos tecidos do organismo, este elemento poderá ser encontrado nos peixes predadores da extremidade da cadeia em concentrações elevadas, culminando, finalmente, no regime alimentar dos humanos. O metilmercúrio, no tecido dos peixes, encontra-se numa forma solúvel na água, ligado ao grupo tiol dos resíduos de cisteína das suas proteínas.
No Brasil não existem minas de extração de mercúrio, portanto, toda a quantidade utilizada é importada de outros países. A produção de cloro e soda pode ser feita através de três processos principais: célula com mercúrio, célula com diafragma de amianto e célula com membrana de troca iônica. As primeiras indústrias instaladas funcionavam com célula a mercúrio. Após a tragédia de Minamata, no Japão, houve uma mobilização mundial no sentido de substituir o processo de mercúrio. Entre as empresas produtoras de cloro-soda houve uma concordância em não se instalar mais nenhuma indústria com célula de mercúrio. Muitas empresas adotaram a tecnologia de diafragma de amianto. Porém, foram difundidas as informações existentes sobre os malefícios causados por esta fibra à saúde humana e na década de 70 começou a ser implantada a tecnologia de membrana, que é uma resina de troca iônica e vem, desde então, substituindo os demais processos no mundo inteiro.
Outro ramo industrial que utiliza mercúrio é o de produção de lâmpadas fluorescentes e a vapor de Hg. A quantidade colocada em cada lâmpada varia de 12 a 120 mg de Hg dependendo do tipo da lâmpada, do cumprimento e do diâmetro do bulbo. Com relação ao ambiente um dos grandes problemas é a perda de mercúrio após descarte final das lâmpadas. Em função da crise energética no país, ultimamente, está ocorrendo uma considerável elevação no consumo de lâmpadas fluorescentes, que são jogadas pelos usuários no lixo comum originando quantidades de mercúrio que poderão atingir proporções assustadoras. Para evitar o despejo no ambiente, após o uso do produto, as empresas produtoras ou importadoras deveriam ser responsabilizadas pelo seus recolhimento. Quanto ao ambiente de trabalho o processo de introdução de mercúrio encapsulado na lâmpada reduz a exposição dos trabalhadores.
Em indústrias de pilhas o mercúrio era usado para produzir pilhas alcalinas. Atualmente as pilhas são confeccionadas com um produto substitutivo do mercúrio. No início da década de 90 as indústrias em São Paulo desativaram o processo de produção de pilhas alcalinas. Restou uma indagação, o que foi feito dos resíduos e ambientes contaminados?
Nas indústrias de aparelhos de precisão o mercúrio é usado, principalmente pela capacidade de expansão uniforme de seu volume, na fabricação de termômetros, barômetros, manômetros, válvulas e interruptores de correntes. O processo de produção é muito artesanal e depende da habilidade manual pessoal. A aprendizagem da fabricação é realizada no local de trabalho através da passagem de experiência dos trabalhadores mais antigos. Esta situação favorece a existência de empresas clandestinas e de péssimas condições de trabalho. O mercúrio perdido no processo de fabricação vai para o esgoto. O mercúrio pode ser substituído por nitrogênio, álcool colorido ou outro produto.
Nas indústrias de tinta são usados compostos com função bactericida e antiincrustante. Os poluentes mais significativos neste tipo de indústria são alguns metais como o cromo, cobre, chumbo, mercúrio, níquel e zinco e alguns solventes como o benzeno, tetracloroetileno, tolueno, naftaleno e tetracloreto de carbono. O mercúrio é usado sob a forma elementar e orgânica (fenil mercúrio). Já a utilização de fungicidas mercuriais na agricultura foi proibida no Brasil.
Na década de 90 a garimpagem de ouro era praticada em aproximadamente 17 milhões de hectares, com predominância no Pará. A situação nas regiões de garimpagem de ouro é preocupante com relação ao mercúrio porque é muito grande a quantidade usada com o objetivo de amalgamar-se com o ouro que se apresenta em forma de pequenas partículas (ouro em pó). Em todos os tipos de garimpos existentes usa-se o mercúrio e praticamente toda a quantidade utilizada é perdida no processo e permanece no ambiente contaminando a flora e a fauna, particularmente os peixes. Estima-se que para cada kg de ouro produzido são empregados 1,3 kg de mercúrio que se perde no ambiente. O mercúrio amalgamado com o ouro é posteriormente submetido a um processo de purificação, com aquecimento, no qual o mercúrio evapora-se poluindo o ambiente.

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3 Respostas

  1. bom dia!!!!!!!!!
    OLA EU QUERO DISER AVOCÊS QUE EU FUI GARIPERO E SEI REALMENTE ESTAMOS CONTAMINADO CO MERCURIO MAS TENHO QUE ADEMITIR QUE O MAIOR RESPOSAVE POR ESTA CONTAMINASÃO É OS GOVERNOS QUE NÃO FAIS NADA PRA INFORMA A POPULAÇÃO POBRE QUE PRESISA DE SI ALIMENTA PRA SOBREVIVER.
    HOJE ESTAMOS COM O ESTADO DE MATO GROSSO TODO SENDO QUEIMADO E OGOVERNO FAIS DECONTA QUE ISSO NÃO É NADA. O QUE TEMOS QUE FASER GRITAR!!!!!!!!!! PRAQUEM ASPESSOAS ESTÃO SENDO QUEIMADA OS ANIMAIS TAMBEM. ONDE NOS VAMOS PARA NOS HOSPITAL PRA MORRER NAS FILAS INFINITAS POR FAUTA DE MEDICO. SOCORRO!!!!!!!! ESTAMOS NO (MT) “SELEIRO DO BRASIL” ……..

  2. EU ACHEI MEIO ESTRANHO + THA BOM EU GOSTEIII

    • Minha cara Rafaela:
      A realidade muitas vezes é estranha e mais ainda triste. É o caso da contaminação pelo mercúrio. É lenta, dolorosa e maldita. Saudações.
      Hayrton

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