O que é genchi genbutsu

 
Formação de Auditores Internos de Sistemas Integrados de Gestão (Qualidade, Meio Ambiente, Saúde, Segurança do Trabalho e Responsabilidade Social) – Ao Vivo pela Internet

Este curso apresenta os detalhes sobre os requisitos das normas de gestão da qualidade, ambiental, de saúde, segurança do trabalho e responsabilidade social, relacionando-os com os requisitos específicos dos Sistemas de Gestão implantados (Normas NBR ISO 9001:2008, NBR ISO 14001:2004, OHSAS 18001:2007 e SA 8000:2008). Tem o objetivo de capacitar os participantes a realizar auditorias compartilhadas do Sistema Integrado.

De: 12/08/2010 a 30/09/2010.

R$ 175,78 mensais *
(10 parcelas)
 
(*) Valor por participante.

Disponível 24 horas por dia

 

Para se inscrever http://www.target.com.br/portal_new/ProdutosSolucoes/Cursos/Cronograma.aspx?pp=1&c=686

Mais uma dúvida de uma leitora. Essa palavra japonesa é um dos princípios do Toyota Production System (TPS) e significa “ir à fonte buscar os fatos, tomar as decisões corretas, construir o consenso e atingir os objetivos”. O objetivo do TPS está na eliminação de todos os desperdícios relacionados ao muri, mura e muda (excessos, desequilíbrios, desperdícios) das operações. Ele é um sistema que usa o ciclo do PDCA para envolver à todos na resolução dos problemas e na melhoria dos quesitos de qualidade, custo, entrega, segurança e moral dos funcionários. A estrutura em forma de uma casa foi usada pelo TPS porque o telhado, os pilares e a base representam uma estrutura familiar que também representa a estabilidade.

TPS 7

A Casa da Toyota mostra como construir um sistema de produção Classe Mundial que, continuamente, se aprimora por meio da eliminação dos desperdícios.

Pilar Esquerdo

Just-in-Time (Takt-Flow-Pull)

Elimina os sete tipos de desperdícios da produção, cria um fluxo otimizado do produto e da informação, minimiza o inventário e a área ocupada

Pilar Direito

Jidoka (Autonomação)

Integra a qualidade ao processo, separa o homem da máquina usando a automação inteligente. Implementa automações de baixo-custo, sistemas à prova de erros, upgrade dos equipamentos e melhora a confiabilidade.

Base

Heijunka (Nivelamento)

Estabiliza a variabilidade da programação de produção, reduz o lead-time total, coordena as vendas, a programação e as necessidades dos clientes.

Para o presidente do Lean Institute Brasil, José Roberto Ferro (possendoro@uol.com.br), o genchi genbutsu implica que as pessoas devem ir até onde tudo ocorre, para serem capazes de analisar e entender profundamente o que está acontecendo na empresa. É uma maneira de se envolver pessoalmente e diretamente com processos e problemas reais. “É um conceito ligado à famosa frase dados são importantes, mas dou maior ênfase aos fatos, de Taiichi Ohno, executivo da Toyota, o principal arquiteto do sistema da montadora. Quer dizer que, para saber das coisas, você precisa ver por si próprio, com olhos críticos. Trata-se de um sistema diferente do modelo tradicional de gestão baseado exclusivamente em indicadores, números ou dados — que são sempre meras representações do que acontece na realidade. Infelizmente, esse modelo tradicional, baseado na definição e comunicação de indicadores e metas, parece suficiente para a maior parte das empresas. A alta administração estabelece as metas. E como chegar lá tende a ser visto como responsabilidade dos outros níveis da organização. Pior, muitas vezes ouve-se a seguinte frase não me importa o que você faça, desde que os resultados sejam atingidos”, diz.

Ferro acrescenta que totalmente inverso disso, o genchi genbutsu, que também pode ser traduzido como vá ver, tem um impacto muito mais profundo sobre a empresa ao sair da gestão baseada em números para outra fundamentada em processos reais — os meios para se chegar aos resultados. “Isso não quer dizer que você deva sempre desconsiderar as conclusões de alguém ou relatórios enviados por colaboradores. Em absoluto. Significa, sim, que entender a situação é sempre mais fácil quando você verifica tudo pessoalmente”, assegura. “Em resumo, o Genchi Genbutsu é muito mais do que uma atividade adicional nas empresas. É mais que uma simples questão de caminhar e conversar. É parte essencial do Sistema Lean. O grande problema é que quando sugerimos aos líderes das empresas que façam o genchi genbutsu encontramos pelo menos três tipos de reações. Uma é a do líder arrogante, que se considera o chefe, o imperador. Que não se preocupa, pois afirma se assessorar de boas pessoas e dispor de uma boa gestão de indicadores, rápida e precisa. E por isso não vê necessidade de ir ao gemba (chão de fábrica, no dicionário Toyota) e nem de estimular colaboradores a fazerem o mesmo. Outro é o líder que reconhece que está distante. Percebe o valor do ir ao gemba. Promete fazer um esforço para sair da sala de reunião. E até o faz, mas fica meio perdido, sem saber exatamente o que observar ou o que fazer. E há ainda os que dizem já fazer isso cotidianamente. Mas não percebem que sempre vão ao gemba com comportamentos inapropriados. Atuam como um elefante numa loja de porcelanas, intimidando e ameaçando punir. E assim quebram a cadeia de ajuda e geram mura (irregularidade) e muri (sobrecarga), acabando com padrões e estabilidade. Ou seja, apagam incêndio com gasolina. Esses tipos de líderes não percebem que metas e objetivos cascateados de cima para baixo, sem uma visão clara do como vão ser conquistados, podem ser perigosos por basicamente dois motivos”.

Para o presidente, esse estilo de gestão cega líderes que, ao desconhecer os processos reais, não ajudam subordinados, mas apenas usam a autoridade do cargo para garantir obediência, não estabelecendo assim um diálogo construtivo. “O líder Lean deve ir ao gemba para fazer perguntas e entender o que está ocorrendo. Depois, garantir que seja estabelecido um processo científico que represente uma boa proposta de como atingir os objetivos. Por exemplo, um PDCA, sigla de Plan (planeje), Do (faça), Check (cheque) e Act (aja), método científico de se propor uma mudança em um processo, implementar essa mudança, analisar os resultados e tomar as providências cabíveis. E se a solução não for alcançada pela proposta, cabe ao líder fazer com que esse processo gere um aprendizado, para que se consiga ver o que deu certo e o que deu errado. Processos cientificamente melhorados são tão importantes quanto os resultados alcançados por eles. Porque geram resultados sustentáveis. Resultados alcançados aleatoriamente nunca são sustentáveis. E gerar aprendizado enquanto se melhora processo e se atinge resultado é, na verdade, o objetivo mais importante. É por isso que genchi gembustsu significa uma mudança fundamental no sistema de gestão da empresa. Com ele, o foco central, em todos os níveis de gestores, passa a ser na padronização, na estabilização e nas melhorias das rotinas, práticas e processos organizacionais. E não nas metas, indicadores e objetivos quantitativos. Afinal, de onde vêm os resultados senão dos fluxos reais de agregação de valor e da redução e eliminação de desperdícios e custos? É a diferença, por exemplo, entre administrar estoques olhando para uma tela de computador ou olhando diretamente para as prateleiras num sistema simples de gestão visual. É fácil perceber qual o método mais preciso ou qual permite uma resposta mais rápida. Essa preocupação é crítica para a obtenção de resultados financeiros notáveis. E para a sobrevivência da empresa no longo prazo”, conclui.

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Logística reversa

Um leitor quer saber o que é logística reversa? Em resumo, abrange todas as operações relacionadas com a reutilização de produtos e materiais, referindo-se a todas as atividades logísticas de coletar, desmontar e processar produtos e/ou materiais e peças usados a fim de assegurar uma recuperação sustentável. Como procedimento logístico, diz respeito ao fluxo de materiais que voltam à empresa por algum motivo, como as devoluções de clientes, o retorno de embalagens, produtos e/ou materiais para atender à legislação. Como é uma área que normalmente não envolve lucro ou apenas custos, muitas empresas não dão a mesma atenção que ao fluxo de saída normal de produtos.

Recuperação de produtos

Opções de PRM Nível de Desmontagem Exigências de Qualidade Produto Resultante
Reparo Produto Restaurar o produto para pleno funcionamento Algumas partes reparadas ou substituídas
Renovação Módulo Inspecionar e atualizar módulos críticos Alguns módulos reparados ou substituídos
Remanufatura Parte Inspecionar todos os módulos/partes e atualizar Módulos/partes usados e novos em novo produto
Canibalização Recuperação seletiva de partes Depende do uso em outras opções de recuperação de produtos Algumas partes reutilizadas, outras descartadas ou para reciclagem.
Reciclagem Material Depende do uso em remanufatura Materiais utilizados em novos produtos

O fluxo reverso faz parte da denominada Product Recovery Management (PRM) que é definida como o gerenciamento de todos os produtos, componentes e materiais usados e descartados pelos quais uma empresa fabricante é responsável legalmente, contratualmente ou por qualquer outra maneira. Abrange:

  • Tecnologia: nesta área estão incluídos desenho do produto, tecnologia de recuperação e adaptação de processos primários.
  • Marketing: diz respeito à criação de boas condições de mercado para quem está descartando o produto e para os mercados secundários.
  • Informação: Diz respeito à previsão de oferta e demanda, assim como à adaptação dos sistemas de informação nas empresas.
  • Organização: distribui as tarefas operacionais aos vários membros de acordo com sua posição na cadeia de suprimentos e estratégias de negócios.
  • Finanças: Inclui o financiamento das atividades da cadeia e a avaliação dos fluxos de retorno.

O objetivo da PRM é a recuperação, tanto quanto possível, de valor, econômico e ecológico, dos produtos, componentes e materiais, sendo que alguns especialistas estabelecem quatro níveis em que os produtos retornados podem ser recuperados: nível de produto, módulo, partes e material. A reciclagem é a recuperação ao nível de material, sendo este o nível mais baixo.

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Suas atividades como parte da administração logística em uma empresa incluem: serviço ao cliente, processamento de pedidos, comunicações de distribuição, controle de inventário, previsão de demanda, tráfego e transporte, armazenagem e estocagem, localização de fábrica e armazéns/depósitos, movimentação de materiais, suprimentos, suporte de peças de reposição e serviços, embalagem, reaproveitamento e remoção de refugo e administração de devoluções. De todas estas atividades, fazem parte diretamente da logística reversa o reaproveitamento e remoção de refugo e a administração de devoluções.

O reaproveitamento e a remoção de refugo gerenciam o modo como os subprodutos do processo produtivo serão descartados ou reincorporados ao processo. Devido a legislações ambientais cada vez mais rígidas, a responsabilidade do fabricante sobre o produto está se ampliando. Além do refugo gerado em seu próprio processo produtivo, o fabricante esta sendo responsabilizado pelo produto até o final de sua vida útil. Isto tem ampliado uma atividade que até então era restrita a suas premissas.

Tradicionalmente, os fabricantes não se sentem responsáveis por seus produtos após o consumo. A maioria dos produtos usados é jogada fora ou incinerados com consideráveis danos ao meio ambiente. Com a aprovação pelo Senado da Política Nacional de Resíduos Sólidos pode ser que esse pensamento tenha que mudar. O projeto contém 58 artigos e apresenta novidades, como a logística reversa que determina que fabricantes, importadores, distribuidores e vendedores realizem o recolhimento de embalagens usadas. Foram incluídos nesse sistema produtos como agrotóxicos, pilhas, baterias, pneus, óleos lubrificantes, todos os tipos de lâmpadas e eletroeletrônicos.

A proposta prevê ainda a introdução da responsabilidade compartilhada na legislação brasileira, envolvendo sociedade, empresas, prefeituras e governos estaduais e federal na gestão dos resíduos sólidos. Também estabelece que as pessoas terão de acondicionar de forma adequada seu lixo para o recolhimento do mesmo, fazendo a separação onde houver a coleta seletiva. A indústria de reciclagem e os catadores de material reciclável devem receber incentivos da União e dos governos estaduais.

Pela nova política, municípios só receberão dinheiro do governo federal para projetos de limpeza pública e manejo de resíduos sólidos depois de aprovarem planos de gestão. Terão prioridade no financiamento federal os consórcios intermunicipais para gestão do lixo. O projeto proíbe a criação de lixões, onde os resíduos são lançados a céu aberto. Todas as prefeituras deverão construir aterros sanitários adequados ambientalmente, onde só poderão ser depositados os resíduos sem qualquer possibilidade de reaproveitamento ou compostagem. Será proibido catar lixo, morar ou criar animais em aterros sanitários. O projeto também veta a importação de qualquer tipo de lixo.

Por meio de incentivos e novas exigências, o país tentará resolver o problema da produção de lixo das cidades, que chega a 150 mil toneladas por dia. Deste total, 59% são destinados aos lixões e apenas 13% têm destinação correta em aterros sanitários. Em 2008, apenas 405 dos 5.564 municípios brasileiros faziam coleta seletiva de lixo.

Enfim, todas as empresas trabalham com o conceito de logística reversa, porém apenas utilizam o processo e não dispensem maior importância e nem investem em pesquisas para a sua melhoria. Uma empresa que recebe um produto como fruto de devolução por qualquer motivo já está aplicando conceitos de logística reversa, bem como aquela que compra materiais recicláveis para transformá-los em matéria prima novamente. Esse interessante processo pode ser visto pelas empresas com enfoques diferentes, ou seja, para algumas, esse processo trará benefícios diversos, a começar pela redução de custos, enquanto que para outras pode ser um grande problema, pois representa custos que precisam ser controlados. Já nas empresas onde o processo de logística reversa representa custos, existe uma grande preocupação com o processo, para que ele seja extremamente controlado, a fim de que esses custos sejam reduzidos, uma vez que a extinção do processo de logística reversa numa empresa é praticamente impossível.

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