Sistemas de gestão de energia – BS EN 16001

CURSO AO VIVO PELA INTERNET – ÚLTIMAS VAGAS

Formação de Auditores Internos de Sistemas Integrados de Gestão (Qualidade, Meio Ambiente, Saúde, Segurança do Trabalho e Responsabilidade Social)

Esse curso apresenta os detalhes sobre os requisitos das normas de gestão da qualidade, ambiental, de saúde, segurança do trabalho e responsabilidade social, relacionando-os com os requisitos específicos dos Sistemas de Gestão implantados (Normas NBR ISO 9001:2008, NBR ISO 14001:2004, OHSAS 18001:2007 e SA 8000:2008).

De 12/08/2010 a 30/09/2010

R$ 175,78 mensais (*)

(10 parcelas)

(*) Valor por participante

Para se inscrever: http://www.target.com.br/portal_new/Home.aspx?pp=1&c=686

Algumas empresas já estão inserindo em seus processos um sistema de gestão de energia visando, como principal resultado, a alcançar níveis superiores de desempenho na utilização das suas diversas formas de energia. A premissa básica é a revisão sistemática e periódica dos diversos processos sob a luz dos procedimentos estabelecidos, tornando possível identificar as oportunidades de melhoria e viabilizar a sua implantação. O início do processo de implantação do sistema de gestão da energia requer a definição de uma política energética apropriada pela organização e a identificação das diversas formas de energia utilizadas no desenvolvimento das atividades e dos requisitos legais aplicáveis, aos quais a organização deverá, compulsória ou voluntariamente, atender.

Todo o processo requer, ainda, a identificação das prioridades a serem observadas e dos objetivos de desempenho energético a serem alcançados. Uma estrutura relevante de gestão e acompanhamento e um programa de implantação da política energética deverão ser estabelecidos, para assegurar o cumprimento dos objetivos e o alcance das metas. Finalmente, ações de planejamento, controle, monitoramento e auditoria, acompanhadas das ações corretivas e preventivas, deverão ser incentivadas e facilitadas pela organização, a fim de assegurar que a política energética e o sistema de gestão da energia permaneçam apropriados à realidade empresarial. Dentro dessa lógica, a organização deve identificar as áreas relacionadas à utilização da energia que deverão ser gerenciadas, selecionando as técnicas e métodos adequados de gerenciamento aplicáveis a cada caso.

O British Standards Institution (BSI) desenvolveu a BS EN 16001 que mostra a necessidade de identificar o consumo de energia no passado, presente e futuro da empresa, a fim de desenvolver uma política de energia e um plano de monitoramento e medição. Segundo a instituição, a norma representa a última palavra em melhores práticas em gestão da energia, desenvolvida com base em normas e iniciativas nacionais existentes. A norma especifica os requisitos para um sistema de gestão de energia que permita à organização desenvolver e implementar uma política, identificar áreas de consumo significativo de energia e metas para sua redução. Os benefícios incluem:

  • · Redução de custos;
  • · Redução de custos através de uma abordagem estruturada para identificar, medir e gerenciar o seu consumo de energia;
  • · Melhora no desempenho do negócio;
  • · Maior produtividade ao identificar soluções pontuais técnicas e ao influir em mudanças comportamentais visando à redução de consumo de energia;
  • · Maior envolvimento da alta administração;
  • · Colocação da gestão da energia como um tema chave de negócios a ser discutido pela direção;
  • · Melhor conformidade com a legislação;
  • · Cumprir com as metas de eficiência energética mandatórias vigentes e futuras e/ou com os requisitos da legislação de redução de emissões dos gases do efeito estufa (GEE);
  • · Redução das emissões do GEE;
  • · Atender às expectativas dos públicos interessados ou obrigações, agora e no futuro;
  • · Política e objetivos de energia formalizados;
  • · Criar respeito pela política de gestão de energia e introduza o pensamento de energia eficiente em sua organização;
  • · Integração com os sistemas de gestão existentes;
  • · Maior segurança de fornecimento de energia;
  • · Compreender a exposição ao risco de energia e identificar as áreas da organização com o maior risco.

A auditoria para a certificação nessa norma é tipicamente conduzida em dois estágios. O primeiro estágio examinará a política energética, a documentação, os processos e os procedimentos existentes para gerenciar o seu consumo de energia. O seu auditor irá então identificar quaisquer omissões ou fraquezas que necessitam ser resolvidas antes da auditoria principal. O estágio dois da auditoria está voltado para a verificação da implementação eficaz da política, documentação, processos e procedimentos, e envolve discussões com a equipe em todos os níveis dentro da organização.

Uma vez submetido a uma avaliação com sucesso um certificado de registro será emitido com indicação do escopo de suas atividades, as localidades cobertas e a norma contra o qual o sistema de gestão da organização foi auditado. O certificado será válido por três anos e regularmente ocorrerão auditorias de manutenção da certificação para verificar se o sistema permanece aderente ao padrão de referência e contribuir para sua melhoria contínua.

Em consequência, surgiu a norma européia EN 16001:2009 – Sistemas de gestão da energia. Requisitos e linhas de orientação para a sua utilização. Desenvolvida pelo European Committee for Standardization (CEN) e pelo European Committee for Electrotechnical Standardization (Cenelec – CEN/BT/TF 189), esta norma tem por objetivo ajudar as organizações a estabelecerem os sistemas e processos necessários à melhoria da eficiência energética. Especifica os requisitos para um sistema de gestão da energia, que permita a uma organização desenvolver e implementar uma política e objetivos que tenham em consideração os requisitos legais e a informação relativa a aspectos energéticos significativos. Destina-se a ser aplicada por todo o tipo de organizações, independentemente da sua dimensão, sector de atividade e das suas condições geográficas, culturais e sociais. Esta norma européia baseia-se na metodologia conhecida como Plan-Do-Check-Act (PDCA). A adoção da norma EN 16001 irá contribuir para o estabelecimento de um processo de melhoria contínua, que levará a um uso mais eficiente da energia. Irá também incentivar as organizações a implementarem um plano de monitoramento da energia, assim como a fazerem avaliações do seu desempenho energético. Isto deverá contribuir para uma redução nos custos, bem como das emissões de gases com efeito de estufa, através de uma gestão sistemática da energia.

Os requisitos desta norma européia podem ser alinhados ou integrados com os de outros sistemas de gestão, nomeadamente com os da qualidade, do ambiente, da segurança e saúde no trabalho, da gestão financeira ou da gestão do risco. É assim possível que uma organização adapte os sistemas de gestão que já tenha implementado, de modo a estabelecer um sistema de gestão da energia, que seja conforme aos requisitos desta norma. Para facilitar o seu uso, a estrutura da norma é semelhante à estrutura da ISO 14001.

O nível de detalhe e a complexidade do sistema de gestão de energia, a extensão da documentação e os recursos que lhe são atribuídos, dependem de um conjunto de fatores tais como o âmbito do sistema, a dimensão da organização e a natureza das suas atividades. Em conclusão, esta norma especifica os requisitos para estabelecer, implementar, manter e melhorar um sistema de gestão da energia, para um uso energético cada vez mais eficiente e sustentável, independentemente do tipo de energia em questão.

O sucesso do sistema depende do compromisso de todos os níveis e funções da organização. Um sistema deste tipo permite a uma organização desenvolver uma política energética, estabelecer objetivos e processos para alcançar os compromissos dessa política, agir de modo a melhorar o seu desempenho e demonstrar a conformidade do sistema com os requisitos desta norma européia. A implementação do sistema de gestão da energia, de acordo com a EN 16001, pode ser confirmado através da auto-avaliação e de uma declaração de conformidade da própria organização, ou através da certificação do sistema de gestão da energia por uma entidade externa independente.

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Espécies invasoras


O mexilhão dourado que se alastra pelo país

As espécies invasoras estão presentes em pelo menos 103 unidades de conservação do Brasil, espalhadas por 17 estados e pelo Distrito Federal, sendo consideradas como a segunda causa de redução da biodiversidade no mundo, atrás apenas da perda de habitats por intervenção humana. Apropriam-se do espaço, da água e dos alimentos das espécies nativas, numa competição pérfida, silenciosa e sem fronteiras.

As espécies invasoras são organismos (fungos, plantas e animais, assim como seres vivos microscópicos) que se encontram fora da sua área natural de distribuição, por dispersão acidental ou intencional. Por meio do processo denominado contaminação biológica, elas se naturalizam e passam a alterar o funcionamento dos ecossistemas nativos. Historicamente, o maior responsável por seu aparecimento é a colonização européia nos demais continentes.

Publiquei um texto sobre a poluição causada pelos navios em https://qualidadeonline.wordpress.com/2010/07/21/a-poluicao-causada-pelos-navios/ E um problema muito complicado vem com a água de lastro das embarcações. O mexilhão-dourado é um pequeno molusco bivalve, com duas conchas, originário da China, que chegou à América do Sul nas águas de lastro dos navios mercantes, invadiu a bacia Paraná-Paraguai e vem pondo em risco os usos múltiplos dos recursos hídricos. Este pequeno molusco se fixa em qualquer substrato duro, tem hábito gregário e se reproduz rapidamente. A ausência de predadores e parasitas que controlem sua população faz com que se alastre pelas bacias hidrográficas brasileiras.

Em 1991 foi encontrado na foz do rio da Prata, e hoje está presente no Pantanal e avança pelas usinas hidrelétricas brasileiras na bacia do rio Paraná. Nas usinas hidrelétricas, o acúmulo de mexilhões pode afundar equipamentos flutuantes, prejudicar a operação de equipamentos submersos e obstruir tubulações. Os sistemas de refrigeração das turbinas ficam sujeitos a entupimentos. Quando isso ocorre a geração é interrompida.

No ambiente, o mexilhão ocupa todo o espaço que lhe for disponível, e pode alterar a composição de espécies de invertebrados do ambiente aquático. Com as alterações na cadeia alimentar, a captura de certas espécies de peixe pode ser prejudicada. Para os usuários dos recursos hídricos, o mexilhão poderá provocar uma série de problemas: invasão de tubulações de abastecimento de água, de drenagem pluvial e de captação para a agricultura irrigada; obstrução de sistemas de resfriamento de indústrias e usinas hidrelétricas; perda de estruturas flutuantes destinadas ao lazer por excesso de peso; prejuízo do funcionamento de motores dos barcos; e perda de tanques-rede.

Para a advogada do escritório Doria, Jacobina, Rosado e Gondinho Advogados Associados, Maria Alice Doria, considerando os prejuízos suportados pela introdução do mexilhão dourado no país, o crescimento do comércio internacional por meio do transporte marítimo globalizado, além do reaquecimento da indústria naval brasileira com a exploração offshore de óleo e gás, verifica-se uma crescente preocupação das autoridades brasileiras com a problemática da água de lastro. “Tal fato pode ser exemplificado através da recente publicação, ocorrida em março de 2010, do Decreto Legislativo nº 148/2010 aprovando o texto da Convenção Internacional para Controle e Gerenciamento da Água de Lastro e Sedimentos de Navios. A publicação deste decreto demonstra o reconhecimento do Poder Legislativo brasileiro com a contemporânea necessidade de se dar atenção ao tema, além de maior severidade no gerenciamento da água de lastro nos portos brasileiros por intermédio das Autoridades Marítimas locais”, explica.

Para ela, além da preocupação brasileira com os riscos ambientais provenientes da água de lastro das embarcações, o assunto possui grande repercussão também em âmbito internacional. “A título exemplificativo, a Austrália vem sofrendo graves consequências com a invasão de uma espécie de microalga Gymnodinium catenatum, originada do Japão, que prejudica não só o meio ambiente, mas a pesca e a agricultura industrial. Nesse panorama internacional, destaque-se que a Convenção Internacional para Controle e Gerenciamento da Água de Lastro e Sedimentos consiste em uma resposta aos danos biológicos e ambientais provocados pela inserção de organismos vivos não nativos, organismos aquáticos nocivos e agentes patogênicos em determinado bioma, prejudicando seu desenvolvimento saudável. Por meio da referida Convenção, os Estados Soberanos signatários (dentre os quais o Brasil) pretendem minimizar os prejuízos financeiros e ambientais decorrentes do deslocamento e transporte de organismos ao redor do mundo através da água utilizada como lastro pelos navios. A mencionada Convenção ainda não está em vigor no âmbito internacional, vez que prevê, para tanto, que deverá possuir assinatura de pelo menos 30 Estados e totalizar no mínimo 35% da arqueação bruta da frota mercante mundial. Até o momento, no entanto, somente 22 países assinaram a Convenção, totalizando 22,65% da arqueação bruta da frota mercante mundial, número ainda insuficiente para a entrada em vigor da aludida convenção no plano internacional. Países economicamente fortes e de notória e significativa participação no comércio internacional, como EUA e China, ainda não ratificaram a Convenção. Isso mostra que apesar dos prejuízos milionários advindos da poluição provocada pela água de lastro, a questão ainda não ganhou a notoriedade necessária. Entretanto, considerando-se as catástrofes naturais enfrentadas por diversos países, o aumento da consciência ecológica dos Estados e os prejuízos econômicos que serão suportados globalmente em virtude da falta de gerenciamento adequado da água de lastro carregada pelas embarcações, espera-se que nos próximos anos a Convenção alcance a adesão necessária a sua entrada em vigor no plano internacional”, complementa.

 Existe uma cartilha sobre o assunto em http://www.furnas.com.br/docs.asp?doc=arcs/pdf/MexilhãoDouradoCartilha.pdf

Para acessar uma lista das espécies invasoras no Brasil clique no link http://www.institutohorus.org.br/inf_fichas.htm

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