Área contaminada: a região de Jurubatuba (SP) ainda convive com esse problema muito sério

A região de Jurubatuba, localizada na zona sul do município de São Paulo, sempre teve instalações industriais, abrigando diversas indústrias de médio e grande porte, principalmente do setor químico e metalúrgico. Foi classificada no passado como Zona de Uso Predominantemente Industrial (ZUPI 131). Atualmente, passa por uma significativa transformação, com o encerramento das atividades de vários empreendimentos, dando lugar aos seguidos lançamentos imobiliários de alto padrão e a instalação de empresas voltadas às atividades de prestação de serviços e comércio em geral.

Assim, com a desativação de diversas empresas, iniciou-se um processo de investigação de passivos ambientais em algumas destas áreas. Em novembro de 2001, a empresa Gillette do Brasil Ltda. comunicou espontaneamente a confirmação de contaminação do solo e das águas subterrâneas em sua propriedade, localizada à Av. Eng. Eusébio Stevaux, 2105, após efetivar a compra da área que pertencia à empresa Duracell, que desenvolveu no local a atividade de fabricação de pilhas e baterias entre 1984 e 1993.

A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), em função das altas concentrações de contaminantes (solventes halogenados) e da confirmação de que as plumas de contaminação extrapolavam a área da empresa, atingindo camadas mais profundas dos aquíferos existentes na área, decidiu emergencialmente realizar a amostragem e análises químicas das águas subterrâneas em poços de abastecimento localizados na vizinhança. Em dezembro de 2003, foi feita a amostragem em três poços de abastecimento localizados no Shopping SP Market, selecionados por serem os mais próximos da área da Gillette, localizados a jusante da contaminação detectada. Em um deles foi observada contaminação em concentração acima dos limites de potabilidade e os resultados encaminhados à Secretaria da Saúde Estadual e ao Centro de Vigilância Sanitária Municipal, para as providências cabíveis.

Em dezembro de 2004, a Gillette apresentou novo relatório de investigação que se estendeu até o aquífero mais profundo, cujos resultados apontaram a existência de contaminação à montante da área de sua propriedade. Com base nestes resultados, decidiu-se que todos os poços de abastecimento identificados nos levantamentos realizados nos cadastros oficiais deveriam ser avaliados. A companhia passou também a realizar campanhas de amostragem e análises químicas de águas de poços de abastecimento identificados em toda a região da antiga ZUPI 131, localizados em um raio de 500 metros a partir da área da Gillette. Para a identificação de novos poços que não constavam do cadastro do Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado (DAEE), foi disponibilizado à população um número de telefone gratuito através da linha 0800, para solicitação de amostragem e utilizado um cadastro de consumidores de água da Sabesp.

Foram feitas vistorias em todas as áreas em que este cadastro apontava a possibilidade de utilização de fonte alternativa de água potável. As campanhas de amostragem nos poços confirmaram a existência de uma contaminação generalizada da água subterrânea profunda da região, certamente originada em mais de uma fonte de contaminação. Os principais contaminantes identificados foram os solventes halogenados cis-1,2-dicloroeteno, tetracloroeteno, tricloroeteno e cloreto de vinila.

Em função do quadro ambiental detectado na região, o DAEE baixou a portaria 1594, de 5 de outubro de 2005, criando uma “Área de Restrição e Controle Temporário” da água subterrânea, em uma área mais abrangente do que aquela relacionada à ZUPI 131. A portaria estabeleceu que os usuários que tivessem outorgas para exploração da água nessa área, deveriam, em até 15 dias, apresentar ao DAEE análise da água de seus poços, de acordo com a Portaria 518 do Ministério da Saúde, sob pena de terem suas autorizações canceladas.
E quais as áreas mais problemáticas? Em março de 2007, a Sylvania, localizada à rua Amoipirá, 81, Vila Iza, vendeu a área em questão à empresa Rossi Residencial S.A., para a construção de um condomínio residencial. A unidade industrial se instalou no local em 1961, produzindo lâmpadas fluorescentes, incandescentes e HPS (high pressure sodium), além de cinescópios. A fabricação de cinescópios foi encerrada em 1974, quando a atividade passou a ser feita pela Philco, ainda na área da Sylvania. Há histórico de remoção de solo em quatro áreas do terreno, cujos trabalhos foram executados em 1995 por iniciativa da própria empresa. A remoção foi feita devido à detecção de cádmio, chumbo, mercúrio e hidrocarbonetos totais de petróleo (TPH) em amostras de solo coletadas no local. As investigações mais recentes indicaram a detecção de alumínio, antimônio, cádmio e chumbo em amostras de solo, cujas concentrações se mostraram acima dos valores adotados como referência para fins comparativos, quais sejam: valores orientadores de intervenção da Cetesb, norma holandesa ou Preliminary Remediation Goals (PRGs) da região 9 da EPA (agência ambiental dos Estados Unidos). Nas amostras de água subterrânea, detectaram-se as seguintes substâncias voláteis em concentrações acima dos valores referenciais supracitados: xilenos, etilbenzeno, benzeno, cis-1,2-dicloroeteno, cloreto de vinila, tetracloroeteno (PCE), tricloroeteno (TCE), 1,1,1-tricloroetano, 1,1-dicloroetano, 1,1-dicloroeteno, 1,2-dicloroetano e clorofórmio.

Os estudos efetuados na área indicaram a necessidade de implantação de medidas de intervenção para a mudança de uso planejada, quais sejam: medidas de remediação (solo e água subterrânea), medidas de controle de engenharia e investigação na área externa a jusante do terreno. Em 13 de fevereiro de 2009, a área foi vistoriada pela Cetesb. Na ocasião, constatou-se que os testes pilotos para a definição da técnica de remediação a ser implantada haviam sido finalizados. O início de operação do sistema de remediação foi previsto para junho de 2009, estimando-se que as metas de remediação fossem atingidas em junho de 2010.

Na Sandvik do Brasil, instalada desde 1963 na Av. das Nações Unidas, 21732, os estudos contemplaram investigações confirmatória e detalhada, de solo e água subterrânea, bem como uma avaliação de risco específica para a área, realizados no período entre fevereiro de 2006 e outubro de 2007. Foram detectados os seguintes contaminantes:percloroetileno, tricloroetileno, 1,2 dicloroeteno (cis e trans), 1,1 dicloroeteno, 1,1,1 tricloroetano, 1,1 dicloroetano, cloreto de vinila, benzeno, TPH, boro, chumbo, cromo e níquel. No solo, percloroetileno, tricloroetileno, 1,2 cis Dicloroeteno, cromo, cobre, níquel e TPH. A contaminação foi detectada tanto nos poços de monitoramento (rasos e profundos) como nos três poços tubulares profundos (antigos poços de captação da empresa, atualmente lacrados). Até o momento, a origem da contaminação foi associada às antigas bacias de desengraxe, ao tanque subterrâneo e a tubulação de esgoto.

Os resultados das investigações efetuadas já indicaram a necessidade de implantação de medidas de intervenção, tendo sido proposto pela empresa a complementação da investigação da área e a implantação de sistema de remediação para as plumas detectadas, além de assegurar a manutenção da restrição de uso das águas subterrâneas e de controles de engenharia relativos à escavação abaixo do nível de água.

A Cetesb concordou com as propostas apresentadas, tendo feito recomendações quanto aos trabalhos de investigação complementares e revisão do estudo de avaliação de risco após a finalização da investigação. Também informou a empresa sobre a necessidade de integrar os resultados da sua investigação com aqueles efetuados nas empresas vizinhas e desenvolver e implantar as intervenções planejadas.

Na Gillette do Brasil, atualmente denominada Procter & Gamble, localizada na Avenida Eusébio Stevaux, 2105, a contaminação foi originada a partir das atividades da antiga proprietária do terreno, a empresa Duracell, que realizou, entre 1984 e 1993, o desengraxe de tampas de baterias com solventes clorados. Em novembro de 2001, a empresa comunicou espontaneamente à Cetesb a confirmação de contaminação do solo e das águas subterrâneas em sua propriedade. Já foram desenvolvidas as etapas de investigação confirmatória, detalhada e avaliação de risco.

Os principais contaminantes identificados na área são: solventes organoclorados (tetracloroetileno-PCE, tricloroetileno-TCE, cis-dicloroetileno-cDCE, trans dicloroteileno-t-DCE e cloreto de vinila-VC e clorofórmio, tanto no aquífero sedimentar como no fraturado. Estes estudos apontaram a necessidade de implantação de medidas de intervenção. Foi implantado no local um sistema de contenção hidráulica das plumas de contaminação (bombeamento e tratamento) operado desde agosto de 2004. Imposta restrição de uso da água subterrânea na área da empresa e de tempo de permanência dos funcionários. Em janeiro de 2008 foi implantado um Sistema Extração de Vapores (SVE), para atuar na contaminação da zona não saturada e pluma de gases. Para remediação da pluma de contaminantes dissolvidos na água subterrânea será operado no local um sistema de remediação baseado na técnica de oxidação química, cujo início da operação está planejado para o segundo semestre de 2009.

Já o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), localizado na Avenida Eusébio Stevaux, 823, ocupa uma área onde funcionou uma unidade fabril da empresa Walita (atualmente Philips/Walita). Os resultados das análises de solo na investigação confirmatória indicaram valores anômalos para os compostos percloroetileno (PCE) e cis-1,2-dicloroetileno (DCE) e PCBs. Para as águas subterrâneas, foram observados os contaminantes 1,1-dicloroetano (1,1-DCA), 1,1,1 tricloroetano (1,1,1-DCA), cloreto de vinila (CV), 1,1-dicloroetileno (1,1-DCE), trans-1,2-dicloroetileno (trans-1,2- DCE), cis-1,2-dicloroetileno (cis-1,2-DCE), tricloroetileno (TCE), tetracloroetileno (PCE) e PCBs. Existem indícios de que a contaminação já atingiu porções mais profundas do aqüífero freático.

Como recomendações, o Senac propôs a elaboração e implementação de um plano de remediação, modelamento matemático do fluxo das águas subterrâneas e transporte de contaminantes, monitoramento analítico das águas subterrâneas e da presença de vapores em ambientes confinados e instalação de poços de monitoramento (mapeamento tridimensional) para a delimitação das plumas de contaminação. Paralelamente à complementação da investigação detalhada, o Senac projetou e instalou, em 2008, um sistema de contenção hidráulica das plumas dissolvidas junto ao limite oeste e sudoeste da Av. Eng. Eusébio Stevaux e um sistema de extração multifásica (MPE). Em complementação a este sistema está programada a operação de um sistema de oxidação química. Para remediação da pluma de contaminantes dissolvidos na água subterrânea será operado um sistema de remediação baseado na técnica de oxidação química. O início da sua operação dependerá dos resultados obtidos na operação do sistema MPE.

No local da desativação da Elevadores Atlas, na Av. Interlagos, 4455, a Cetesb exigiu a realização de estudo de investigação de contaminação e avaliação de risco da área, hoje de propriedade da Tiner Empreendimentos e Participações. Depois de um estudo detalhado da área, há as seguintes restrições: não pode haver uso da água subterrânea local para nenhuma finalidade; só poderão ser realizadas escavações, em área demarcada em mapa, com o uso de EPIs adequados à proteção contra os riscos identificados; não poderá haver uso residencial na área correspondente na área da pluma de contaminantes.

A área do SP Market Center é caracterizada por ter tido a sua paisagem natural intensamente modificada pela atividade antrópica, incluindo o a retificação e aprofundamento da calha do Rio Jurubatuba ocorrida na década de 1940. Antes disso a região era caracterizada por uma várzea onde ocorriam sazonalmente eventos de inundação. Essa área pertenceu à Caterpillar que desativou as suas instalações em 1993. O SP Market Center foi advertido e multado pela Cetesb em duas oportunidades, respectivamente, por possuir contaminação no solo e nas águas subterrâneas da área de sua propriedade, conforme estudo “Investigação confirmatória da, tornando ou podendo tornar o solo e as águas impróprias, nocivas ou ofensivas à saúde, inconvenientes ao bem estar público; prejudiciais à segurança, ao uso e gozo da propriedade.

Os locais investigados incluíram a Praça de Cultura, onde deve ser eliminada a fase livre por meio da implantação de um sistema de remediação que vise a sua remoção, nenhuma concentração supera as metas de remediação, porém após a remoção da fase livre sugere-se a realização de novas análises químicas; no cinema, em que foram realizadas simulações considerando como principais receptores os trabalhadores deste setor do Shopping, uma vez que estes estão expostos a um tempo maior ao contaminante em relação aos clientes que usufruem desta instalação, sendo, descaracterizado risco toxicológico; no estacionamento descoberto, onde foi realizada uma simulação considerando como principais receptores os trabalhadores deste setor do Shopping, entretanto, a mesma caracteriza-se por ser uma área aberta, descaracterizando assim a presença de risco toxicológico: no estacionamento coberto, onde se contatou a presença de incrementos e/ou quocientes de riscos toxicológicos inaceitáveis; nos poços profundos, em que : foram detectadas concentrações de compostos organoclorados e foram interditados.

Enfim, para o cenário real identificado nas diversas áreas do Shopping (ausência de consumo de água subterrânea e a impossibilidade de acesso ao solo local), não foi identificada a presença de risco toxicológico. Contudo, a área do SP Market Center passou a ser denominada de AMR ou área em processo de monitoramento para reabilitação. O sistema selecionado para a otimização da remoção do produto foi o Sistema de Extração Multifásica (MPE).

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