As desculpas esfarrapadas no mundo corporativo

A Gol gostaria de externar aos clientes as suas mais sinceras desculpas e, também, de agradecer e reconhecer o empenho e dedicação de seus colaboradores, que atuaram prontamente e em todas as frentes para regularizar a situação dos vôos com a maior agilidade possível, amenizando, como podiam, o impacto sobre os passageiros. Esse foi o pedido de desculpas feito pela empresa depois de fazer as pessoas sofrerem nos aeroportos brasileiros.

Será que os pedidos de desculpas dos diretores estão perdendo rapidamente o seu poder de aliviar as preocupações do público, agora que existe quase uma obrigação de eles agirem assim quando ocorre uma crise ou quando as empresas enfrentam acusações de irregularidades? As empresas estão abarrotadas de pessoas que vivem dando desculpas do porquê não conseguiram fazer as coisas. As pessoas têm sempre na ponta da língua um motivo chave para a não realização de uma atividade. E no topo da lista das muitas desculpas possíveis, a que tem sido mais freqüente é não tive tempo.

No Japão, existe a cultura do gomennasai (peço desculpas) é exercitada toda vez que explode um escândalo envolvendo grandes empresas, políticos, artistas. É o único jeito de minimizar prejuízos e imagens negativas. Nada de desculpas furadas ou explicações tortas. O pedido de perdão é feito de maneira formal e pública. É preciso dizer bem alto moushiwake arimasendeshita que significa algo como sou o responsável e não tenho nada a declarar a meu favor. E o pedido ainda é acompanhado da inevitável reverência. O grau de intensidade das desculpas é determinado pela consciência do arrependido. Quanto mais culpado se sentir, maior a inclinação do corpo.

Enfim, todos têm uma justificativa para aquilo que não fizeram, que deixaram de cumprir. No ambiente de trabalho isso se traduz em falta de comprometimento, falta de iniciativa e perda de tempo, ou seja, prejuízo.

Para a diretora da Etiqueta Empresarial, Maria Aparecida A. Araújo, os pretextos e desculpas esfarrapadas já foram há muito tempo proscritos pelas pessoas minimamente inteligentes. “Ninguém acredita em coisas do tipo: congestionamentos de trânsito ou metrô enguiçado. Quando se adota a antecedência necessária, não se chega atrasado a lugar nenhum, pois o trânsito se comporta de maneira previsível. Falta de estacionamento também é uma desculpa que depõe contra você. Sempre que marcar compromissos, tome informações sobre o endereço: trajeto, distância e disponibilidade de vagas para o carro. Hoje em dia, com o advento dos telefones celulares, qualquer atraso imprevisto deve ser comunicado imediatamente. Se for previsto, o aviso deve ser dado com a máxima antecedência”, explica.

Segundo ela, qualquer desculpa não irá consertar uma atitude deselegante, mas a atitude solícita, de quem compreendeu o transtorno causado, pode fazer com que a outra pessoa se sinta um pouco melhor. “O ideal é desculpar-se novamente ao final do encontro. Quando o assunto é uma reunião, chegar atrasado fará com que você tenha vários transtornos. O primeiro é capitalizar a antipatia do líder, pois você o desconcentra e interrompe a condução do assunto. O segundo é que você não tem tempo de conhecer e identificar os participantes nem saber o seu nível de decisão. Além disso, você fica em posição de desvantagem por ignorar quanto do assunto já foi tratado. Pontualidade também significa cumprir prazos para a entrega de relatórios, projetos, produtos e serviços. Cumprindo com rigor esse procedimento, você e sua empresa marcarão incontáveis pontos no que tange à elegância e seriedade profissionais”, complementa.

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A reciclagem de chapas de raios X e fotolitos

Depois de o Hospital das Clínicas de São Paulo inaugurar um posto de coleta de chapas de raios x para a reciclagem, o assunto passou a ser mais bem discutido. Além das chapas de raios x, existem também os antigos fotolitos, usados para a impressão de revistas e livros. Na verdade, todo filme ou película fotossensível, como as das chapas de raio X e dos fotolitos, é recoberto por uma fina camada de grãos de prata sensíveis à luz. Bater uma foto significa expor a camada de grãos de prata à luz. Mas como os objetos refletem a luz cada um à sua maneira, os grãos de prata sofrem diferentes graus de exposição — uns são expostos a mais luz, outros a menos. Acontece também que áreas da camada de grãos de prata não sejam sensibilizadas. Nesse caso, aparecem escuras ou pretas nas fotografias.

Depois que o filme é exposto à luz, a imagem fica gravada nele, mas não visível — diz-se que está latente. Para que possa ser vista, o filme precisa ser “revelado”. Os reveladores mais comuns são o metol, a hidroquinona e a fenidona. Em determinado momento, o processo de revelação precisa ser interrompido, para evitar que sua continuação comprometa a qualidade da imagem. Para isso, é usado o interruptor — um composto de ácido acético diluído em água, que neutraliza a ação do revelador.

A eliminação de parte da prata contida no filme acontece na fase seguinte, de fixação — o último banho químico, que age nas áreas escuras e retira do filme o metal ainda sensível à luz. Esse banho é necessário porque o revelador torna a imagem latente visível somente nas áreas já sensibilizadas. Todos os grãos de prata que não sofreram a ação da luz continuam na emulsão mantendo suas capacidades fotossensíveis — ou seja, se forem novamente expostos à luz, como certamente serão, eles ainda poderão se alterar. O fixador mais usado é o tiossulfato de sódio, que desempenha basicamente duas funções: retira os grãos não atingidos pela luz e estabiliza a imagem revelada.

Nesse processo, o fixador reduz os grãos do metal não sensibilizados a uma suspensão de átomos, que é eliminada na lavagem — a última etapa —, feita com água. A emulsão composta pela água e pelo fixador contém a prata não sensibilizada, que sobrou no processo de formação da imagem. No caso da revelação da chapa de raio-X, por exemplo, esse líquido pode conter até quatro gramas de prata por litro. No caso do filme fotográfico, cada rolo libera em média 0,65 grama do metal. Esse material é descartado e pode ter dois destinos: ser jogado no esgoto ou passar por um processo para recuperação da prata.

Jogar fora os líquidos da revelação é a alternativa menos utilizada: a prata é um metal pesado altamente poluidor e sua liberação no ambiente é proibida por normas estabelecidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). As Resoluções da Diretoria Colegiada (RDC) 306/04, da Anvisa, e 358/05, do Conama, dispõem sobre o gerenciamento dos resíduos de serviços de saúde (RSS).

A resolução 04 determina que os reveladores utilizados em radiologia sejam submetidos a processo de neutralização (por profissionais qualificados) para alcançarem pH entre sete e nove — o índice de pH mede a acidez do produto químico. Só depois disso podem ser descartados no sistema local coletor de esgotos, desde que atendam às diretrizes dos órgãos de meio ambiente e saneamento. Já os fixadores devem ser submetidos a processo de recuperação da prata e também de retirada de outros metais pesados, caso estejam presentes. Mesmo se decidir jogar os líquidos no esgoto, o utilizador vai precisar retirar a prata. Por isso, a recuperação é a alternativa mais usada.

Enfim, as empresas de reciclagem desses materiais utilizam os cristais de prata para transformá-los em talheres e jóias. A partir de outro material restante da reciclagem das chapas, o acetato, podem ser fabricadas caixas de presentes e bolsas.

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