Por que algumas pessoas resistem à implementação da qualidade?

E- BOOK: QUALIDADE SEM MEDO

 

Autor: Hayrton Rodrigues do Prado Filho

https://www.gg3.com.br/qualiblogebooks&secao=produto&p_id=59604&QuaLiDaDe-SeM-MeDo

Quando se implementa um programa de qualidade em uma empresa, muitas mudanças passam a ocorrer na cultura organizacional, o que acarreta muita resistência por uma parte dos funcionários. Os aspectos culturais da organização contribuem com a resistência, sendo que a cultura propõe identidade organizacional, aspectos que irão conduzir a uma aprovação em caso de mudanças. Naturalmente as pessoas tendem a resistir e isso é um fato. O maior problema está em como lidar com esta resistência e se esta pode impedir um processo planejado e bem implantado de mudanças.

Assim, uma das principais causas da falha de implantação de sistemas de qualidade é a resistência do funcionário ao novo sistema. A mudança gera instabilidade no funcionário e desencadeia um processo contrário à implantação que pode dificultar o seu sucesso. E essa resistência pode ser movida por diversos fatores.

Um deles é o medo da mudança, pois tudo que muda, independente de sua origem, causa insegurança a quem está envolvido no sistema. Cada pessoa reage de uma forma, uns aceitam outros têm resistências em diferentes intensidades. A resistência pode ocorrer por diferentes razões: o medo do novo, pois algumas pessoas sentem ameaçadas pelo medo de não corresponder às expectativas que o novo sistema exige de cada um.

A mudança coloca todos no mesmo patamar de conhecimento, o que desestabiliza o sistema, pois normalmente alguns sabem um pouco mais, outros menos. Ainda existe o medo de não se adaptar, não se adequar às novas atividades. Outro problema é que alguns funcionários ganham estabilidade em empresas, e, com o passar do tempo, desenvolvem um sentimento de serem insubstituíveis, ou seja, que a empresa necessita dele para sobreviver.

Soma-se a isso que em um programa de qualidade, baseado na ISO 9001, todos devem escrever os procedimentos descrevendo suas atividades. Muitas vezes, isso traz insegurança aos funcionários, que se sentem ameaçados porque agora não dominam mais a atividade ou operação de um determinado equipamento sozinho.

Outra dificuldade se relaciona que o sistema de gestão vem acompanhado de reformas físicas nas empresas, como o Programa 5. Dependendo do seu nível organizacional, este fato pode gerar mudanças significativas, tais como organização de peças, equipamentos, pintura de paredes, pisos, delimitação de áreas de segurança, áreas de estoque, áreas de produtos não conformes, áreas de recebimento, placas indicativas com nomes de setores, equipamentos, limpeza e higienização de sanitários, refeitórios, criação de áreas de lazer, preservação de áreas verdes, reciclagem de lixo, coleta seletiva de lixo, etc. Em alguns casos, se durante a implantação do 5 S o funcionário estiver de férias, na sua volta provavelmente ele não irá reconhecer o seu ambiente de trabalho. Aquele caderninho que ele dependurava perto de sua mesa não estará mais no mesmo lugar, e talvez nem mesmo sua mesa ou sua sala esteja no mesmo lugar. Em consequência, essa mudança de estrutura física e organizacional também gera insegurança ao funcionário. Em muitos casos, a empresa passa a ser mais limpa e organizada do que sua própria casa.

Em linhas gerais, o nível gerencial, tanto quanto a alta direção, é fundamental no processo de mudança organizacional. Como programas de qualidade envolvem mudanças comportamentais de pessoas não tem validade apenas a diretoria se envolver se o nível gerencial que a qualidade é algo óbvio e que não necessita de grande dedicação. Pela liderança que exercem perante as equipes, os níveis de gerência e chefia são fundamentais na condução do processo e na sua liderança.

Além disso, os trabalhos de implantação e manutenção de sistemas de qualidade, ou mesmo qualquer outro tipo de inovação implantado, exige um trabalho participativo de todos os níveis hierárquico. A nova filosofia deve ser estabelecida e divulgada por todos os níveis da organização.

Os trabalhos em grupos são fundamentais para esta nova filosofia a ser implantada. Equipes do Círculo de Controle da qualidade (CCQ), equipes de implantação de 5 S, comitês de qualidade, que direcionam e lideram os processos de sistemas de qualidade, equipes de revezamento de limpeza, equipes de trabalho em segurança do trabalho, CIPA, equipes de PCP, programação de manutenção, equipes do Seis Sigma, etc. estão sendo cada vez mais imprescindíveis nas organizações. Daí, surgem as dificuldades em agrupar pessoas para trabalho por: falta de empatia entre os participantes de um grupo; ciúmes gerados no relacionamento diário entre os participantes, principalmente quando alguém se sobressai entre os demais; falta de costume de trabalhar em equipe, dividindo autoridade; medo de perda de status; e medo de se mostrar em público, de ser avaliado perante um grupo.

Igualmente, os programas de qualidade levam a um controle mais rígido sobre a matéria prima, os processos e as pessoas. Busca-se mais controle, mais padrão, maior produtividade. Planilhas são elaboradas e implantadas para controles de todos os pontos do processo, benchmarkings são realizados comparando-se produtividade de empresas sob diversos pontos de vista, reuniões são constantemente realizadas para se traçar metas e avaliá-las. Todo este processo e carga de trabalho podem gerar insegurança no funcionário. A pressão é maior. A busca por melhoria passa a ser um objetivo geral.

Por fim, existe a falta de motivação, pois não se pode esperar que pessoas continuem contribuindo com suas idéias se não forem recompensadas por isso. Os programas de motivação, nem sempre utilizados por empresas são de suma importância na gestão de mudança organizacional. Essa motivação vai desde as informações sobre as transformações, seus objetivos e benefícios, preocupação com o ambiente de trabalho, equipe, limpeza e higiene, até o envolvimento em projetos sociais, planos de cargos e salários, recompensas financeiras, prêmios e reconhecimento de serviços, e a valorização de desempenho. Pessoas motivadas lideram com mais naturalidade e conseguem aglutinar pessoas à suas atitudes.

Finalmente, para uma análise do leitor, fique com uma frase de Tom Peters, que introduziu o conceito de excelência no seu livro In Search of Excellence. “A economia emergente baseia-se no conhecimento, na imaginação, na curiosidade e no talento. E se pudéssemos aprender a explorar as ricas e maravilhosas diferenças entre as pessoas? Uma empresa capaz de explorar a singularidade de cada um de seus mil funcionários (ou 10 ou 100 mil) seria extremamente poderosa? De forma negativa, uma empresa que não descobre como usar as curiosidades especiais de seu pessoal não estará fadada a ter problemas?”

Siga o blog no TWITTER

Mais notícias, artigos e informações sobre qualidade, meio ambiente, normalização e metrologia.

Anúncios

Existe um pouco de qualidade educacional no Brasil?

LIVROS SOBRE EDUCAÇÃO

Acesse as concepções e as definições para auxiliar na formulação de planos e de ações educacionais.

http://www.qualistore.com.br/produto.asp?codigo=2464

Os dicionários definem que educação significa desenvolver e orientar as aptidões do indivíduo, por isso não é uma questão isolada, mas um processo que está dividido em três áreas da aprendizagem: cognitiva, afetiva e psicomotora. A área cognitiva representa o conhecimento propriamente dito, a área afetiva está relacionada com os sentimentos e a área psicomotora está ligada aos movimentos corporais.

Segundo o professor Paulo Freire, educar é influenciar um aluno de tal maneira que ele não se deixe influenciar, e para isso deve-se quebrar o velho paradigma educacional onde o aluno torna-se um espectador passivo no processo ensino-aprendizagem. Educar é como uma máquina, todas as peças devem estar em perfeitas condições para o seu funcionamento.

O Sistema Educacional Brasileiro

Educação infantil – Destinada a crianças de zero a seis anos de idade. Compreende creche e pré-escola.

Ensino fundamental (1º Grau) – Abrange a faixa etária de sete a 14 anos e com duração de oito anos. É obrigação de o Estado garantir a universalidade da educação neste nível de ensino.

Ensino médio (2º Grau) e médio profissionalizante – Duração variável entre três e quatro anos.

Ensino superior – Compreende a graduação e a pós-graduação. Os cursos da graduação têm duração de quatro a seis anos. Na pós-graduação, a duração varia de dois a quatro anos, para os cursos de mestrado, e entre quatro a seis anos, para o doutorado.

Além desses níveis, o sistema educacional atende aos alunos portadores de necessidades específicas, preferencialmente, na rede regular de ensino. Esse atendimento ocorre desde a educação infantil até os níveis mais elevados de ensino. Atende, também, ao jovem e ao adulto que não tenham seguido ou concluído a escolarização regular, na idade própria, através dos cursos e exames supletivos.

 Na última década do século XX – 1991/2000, a taxa de analfabetismo de pessoas de 15 anos ou mais de idade caiu de 20,1% para 13,6 % . Confira na tabela abaixo.

Taxa de analfabetismo de pessoas
de 15 anos ou mais de idade Brasil
1970 33,60%
1980 25,50%
1991 20,10%
2000 13,60%
Fonte: Síntese de Indicadores Sociais 2000.

Essa queda continua sendo percebida ao longo dos primeiros anos do século XXI, chegando a 11,8% em 2002. No entanto, apesar dessa redução, o país ainda tem um total de 14,6 milhões de pessoas analfabetas. O analfabeto funcional é a pessoa que possui menos de quatro anos de estudos completos.

Na América Latina, a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) ressalta que o processo de alfabetização só se consolida de fato para as pessoas que completaram a 4ª série. Entre aquelas que não concluíram esse ciclo de ensino, se tem verificado elevadas taxas de volta ao analfabetismo (Boletim: Projecto Principal de Educação en America Latina e el Caribe, 1993).

De acordo com essa definição, em 2002 o Brasil apresentava um total de 32,1 milhões de analfabetos funcionais, o que representava 26% da população de 15 anos ou mais de idade. Confira na tabela abaixo as diferenças das taxas de analfabetismo funcional entre as grandes regiões.

Taxa de analfabetismo funcional das pessoas de 15 anos ou mais de idade,
segundo as grandes regiões – 2002
  1992 2002
Brasil 36,9% 26%
Norte 33,2% 24,7%
Nordeste 55,2% 40,8%
Sudeste 29,4% 19,6%
Sul 28,9% 19,7%
Centro-Oeste 33,8% 23,8%

A média de anos de estudo é uma forma de medir a defasagem escolar. Quando uma pessoa não está cursando a série esperada para sua faixa etária, dizemos que ela está defasada. Por exemplo, uma criança com nove anos de idade deveria estar matriculada na terceira série do nível fundamental e não em uma série anterior. Em 2002, considerando-se as pessoas com 10 anos ou mais de idade, a população do país tinha uma média de 6,2 anos de estudo. Em comparação a 1992, houve um aumento de 1,3 anos de estudo na média nacional.

Apesar do aumento no número de anos de estudo, ocorrido nos últimos dez anos, a defasagem escolar ainda é grande. As pessoas de 14 anos de idade deveriam ter em média 8 anos de estudo, ou seja, terem terminado o ensino fundamental (completado a 8ª série). Porém, é somente na faixa entre 19 e 24 anos de idade que a média da população alcança 8 anos de estudo.

Enfim, o Brasil chegou ao final do século XX com 96,9% das crianças de 7 a 14 anos de idade na escola. Entretanto, em 2002 apenas 36,5% das crianças de zero a seis anos de idade freqüentavam creche ou escola no país. O percentual ainda é menor se levarmos em conta as crianças de zero a 3 anos de idade. Destas, apenas 11,7% estão matriculadas em creche ou escola. Na tabela abaixo, podem ser encontradas as proporções de crianças e jovens que freqüentam escola, segundo as faixas etárias, para o Brasil e as cinco grandes regiões.

  Taxa de freqüência à escola ou creche da população residente
Total 0 a 6 anos 7 a 14 anos 15 a 17 anos
Brasil 31,7% 36,5% 96,9% 81,5%
Nordeste 35,5% 37,7% 95,8% 79,9%
Sudeste 29,2% 38,6% 97,8% 83,8%
Sul 29,3% 33,6% 97,9% 78,8%
Centro-Oeste 32,5% 30,7% 97,1% 80,3%
Fonte: Síntese de Indicadores Sociais 2003.

O Relatório de Monitoramento de Educação para Todos de 2010, da Unesco, a qualidade da educação no Brasil é baixa, principalmente no ensino básico O relatório aponta que, apesar da melhora apresentada entre 1999 e 2007, o índice de repetência no ensino fundamental brasileiro (18,7%) é o mais elevado na América Latina e fica expressivamente acima da média mundial (2,9%).

O alto índice de abandono nos primeiros anos de educação também alimenta a fragilidade do sistema educacional do Brasil. Cerca de 13,8% dos brasileiros largam os estudos já no primeiro ano no ensino básico. Neste quesito, o país só fica à frente da Nicarágua (26,2%) na América Latina e, mais uma vez, bem acima da média mundial (2,2%). Na avaliação da Unesco, o Brasil poderia se encontrar em uma situação melhor se não fosse a baixa qualidade do seu ensino. Das quatro metas quantificáveis usadas pela organização, o país registra altos índices em três (atendimento universal, igualdade de gênero e analfabetismo), mas um indicador muito baixo no porcentual de crianças que ultrapassa o 5º ano.

Já que as eleições se aproximam, o eleitor (leitor) precisará ficar atento para as propostas dos candidatos quanto à educação. Os países com altos índices de escolaridade têm demonstrado uma liderança na inovação de processos e facilidade na assimilação e manuseio de novas tecnologias. Já os deficitários na área educacional estão perdendo a competitividade ou aumentando sua dependência. A educação para competitividade tem um papel fundamental no desenvolvimento de uma nação e na melhoria de suas mazelas sociais. Em uma percepção econômica, quem está mais propenso a entender essa dimensão é justamente o setor empresarial que sente no seus dia a dia essas dificuldades, principalmente para contratar mão de obra qualificada.

Siga o blog no TWITTER

Mais notícias, artigos e informações sobre qualidade, meio ambiente, normalização e metrologia.