Acreditações: o que as instituições de saúde estão buscando no Brasil

Uma leitora gostaria de informações sobre todas as certificações que um hospital pode ter e quais as características de cada uma onde os terceiros podem ser inseridos? O setor de saúde está envolvido pelas forças competitivas que provocam demandas ou retrações de seus produtos e serviços. Em consequência, os diferentes profissionais que atuam na área precisam oferecer estes mesmos produtos e serviços de forma adequada ao perfil de seus clientes/consumidores, com características que possibilitem criar diferenciais competitivos. Se a competência técnica – ou alto nível de conhecimento específico/profissional – é essencial para a prestação de um serviço de excelência, outras variáveis podem influenciar as decisões, e as escolhas, dos consumidores. É necessário conhecê-las e dinamizá-las fazendo com que seus clientes as percebam e reconheçam. Por outro lado, é importante compreender o novo ambiente: consumidores mais exigentes, que consideram outras variáveis em suas escolhas, além de concorrência extremada, levando alguns mercados à saturação ou à concorrência predatória.

Dessa forma, o administrador das instituições de saúde hospitalar não pode mais avaliar a qualidade da assistência médica-hospitalar por parâmetros arquitetônicos, pela sofisticação dos equipamentos e pela rentabilidade do investimento. A excelência da planta física e dos equipamentos não significa, necessariamente, que os pacientes recebam assistência de boa qualidade. Quanto ao resultado econômico- financeiro, não há dúvida de que a qualidade concorre decisivamente para o aumento da produtividade e da margem de lucro a longo prazo.

Uma definição bastante interessante sobre o que é qualidade na assistência médico-hospitalar foi da Joint Comission on Accreditation of Health Care Organization (JCAHO): o grau segundo o qual os cuidados com a saúde do paciente aumentam a possibilidade da desejada recuperação do mesmo e reduzem a probabilidade do aparecimento de eventos indesejados, dado o atual estado de conhecimento. Do ponto de vista médico, a expectativa do paciente é, portanto, a recuperação ou a melhora da doença que o aflige.

No Brasil, hoje, as instituições de saúde estão buscando a certificação ISO 9001 e as acreditações CQH, ONA e Joint Comission/CBA. A ISO 9001 é bastante difundida no país e que estabelece requisitos para um Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ) de uma organização, não significando, necessariamente, conformidade de produto às suas respectivas especificações, sendo seu objetivo prover confiança de que o fornecedor poderá fornecer, de forma consistente e repetitiva, bens e serviços de acordo com o que foram especificados.

A acreditação no Programa de Controle de Qualidade do Atendimento Médico-Hospitalar (CQH) teve origem em São Paulo, vinculado à Associação Paulista de Medicina e ao Conselho Regional de Medicina, é de adesão voluntária, cujo objetivo é contribuir para a melhoria contínua da qualidade hospitalar. Estimula a participação e a auto-avaliação e contém um componente educacional muito importante, que é o incentivo à mudança de atitudes e de comportamentos. Incentiva o trabalho coletivo, principalmente o de grupos multidisciplinares, no aprimoramento dos processos de atendimento. Mais informações podem ser obtidas no site http://www.cqh.org.br

A Organização Nacional de Acreditação (ONA) montou um Sistema Brasileiro de Acreditação (SBA) em que o processo de avaliação para certificação acaba sendo de responsabilidade das instituições acreditadoras credenciadas pela própria ONA. Essa atividade é desempenhada pela equipe de avaliadores das instituições credenciadas, tendo como referência as Normas do Sistema Brasileiro de Acreditação e o Manual Brasileiro de Acreditação da ONA específico para cada setor da área da saúde. A avaliação para certificação pode resultar em: organização prestadora de serviços de saúde não acreditada; organização prestadora de serviços de saúde acreditada (certificado com validade de dois anos); organização prestadora de serviços de saúde acreditada plena (certificado com validade de dois anos); e organização prestadora de serviços de saúde acreditada com excelência (certificado com validade de três anos). Existe um site http://www.ona.org.br com mais informações.

Já a acreditação do Consórcio Brasileiro de Acreditação (CBA), nome de fantasia da Associação Brasileira de Acreditação de Sistemas e Serviços de Saúde (ABA), utiliza a metodologia desenvolvida pela JCAHO. Baseado em diversos manuais, disponíveis no site da entidade (http://www.cbacred.org.br), o processo está fundamentada em princípios éticos claramente estabelecidos e utiliza ferramentas metodológicas reconhecidamente eficazes no campo da avaliação, o que confere alta credibilidade ao processo. Os padrões internacionais e o método de avaliação de acreditação são desenhados para prover informações e estabelecer indicadores em saúde, voltados para a qualidade do cuidado ao paciente, que possibilitam melhorias efetivas no desenvolvimento das atividades clínicas e gerenciais. Na verdade, o CBA adaptou o manual da JCAHO que apresenta padrões agrupados em funções, que envolvem aspectos relacionados à assistência propriamente dita e ao gerenciamento da instituição.

Todo este processo de mudanças no setor de saúde originou-se nos Estados Unidos e, aos poucos, foi se estendendo para outros países. Em 1910, foi desenvolvido um sistema de padronização hospitalar fundamentado na avaliação do resultado final, que foi a base da criação, em 1913, do Colégio Americano de Cirurgiões, e que estabeleceu cinco Padrões Mínimos essenciais para a assistência hospitalar: três relacionavam-se à organização do corpo médico, um preconizava o adequado preenchimento do prontuário e outro referia- se à existência de recursos diagnósticos e terapêuticos necessários ao adequado tratamento do paciente. Esses padrões referiam-se exclusivamente às condições necessárias ao exercício das atividades médicas, não considerando a necessidade de dimensionar a equipe de enfermagem para a prestação da assistência nas 24 horas e também a estrutura física para a realização do atendimento.

No início, a padronização tinha por finalidade criar um ambiente adequado para proteger o médico do ambiente de trabalho adverso, mas, em seguida, passou a enfatizar a prática clínica. À medida que o sucesso do programa se espalhou, um número crescente de hospitais quis se submeter ao processo. De 89 hospitais aprovadosem1919 chegou-se a 3.290 em 1950. Em 1950, devido ao aumento da complexidade, da abrangência e dos custos para sustentar o Programa de Padronização de Hospitais, o Colégio Americano de Cirurgiões juntou-se ao Colégio Americano de Clínicos, à Associação Americana de Hospitais, à Associação Médica Americana e Canadense e este grupo passou a compor a JCAHO, organização que, a partir de dezembro de 1952, ficou oficialmente responsável pelo programa de acreditação.

A implantação da acreditação hospitalar na América Latina iniciou-se em 1989, visando à melhoria da qualidade da assistência hospitalar e para estimular uma mudança nos hábitos de profissionais de todos os níveis e serviços. Em 1991, foi elaborado um manual de Padrões de Acreditação para a América Latina, estruturado em padrões e níveis de complexidade, sendo que a avaliação final é determinada pelo nível mínimo atingido. A Organização Pan-Americana da Saúde e a Federação Latino-Americana de Hospitais propuseram um modelo compatível com as necessidades dos hospitais dessa região, aceitando alterações segundo a necessidade de cada país. No Brasil, o setor de saúde vem trabalhando com avaliação hospitalar desde a década de 70 e, nesse período, várias normas e portarias foram regulamentadas para implantar um sistema capaz de avaliar a qualidade da assistência à saúde. Em 1986, o Colégio Brasileiro de Cirurgiões, inspirado no modelo americano, criou a Comissão de Avaliação Hospitalar, a qual se interessou principalmente pelo trabalho da JCAHO.

Em 1992, foi realizado em Brasília o primeiro seminário nacional sobre acreditação, com a participação de representantes de diversas entidades nacionais da área da saúde, quando foi apresentado o Manual de Acreditação. No período de 1992 a 1994, foram elaboradas propostas de organização e operacionalização de um sistema de acreditação com análise mais aprofundada do conteúdo do Manual da OPAS e o Ministério da Saúde lançou o Programa de Qualidade, incluindo nas discussões os consumidores ou pacientes. Em 1998, foi elaborada uma nova versão do Manual de Acreditação e foram discutidas as normas técnicas que regulamentam o papel do órgão acreditador, a relação entre a instituição acreditadora e o Ministério da Saúde, o código de ética e o perfil do avaliador.

Quanto aos fornecedores, a instituição de saúde deverá implementar um Programa de Qualificação de Fornecedores a fim de promover a qualificação de empresas fornecedoras de produtos e serviços. Essa qualificação e o desenvolvimento do programa devem ser buscados conjuntamente por empresa cliente e fornecedor, em um espírito de parceria, para que ambos saibam o que estão buscando, e quais as dificuldades que vão encontrar. Além disso, devem definir anteriormente quais serão as responsabilidades e contribuições de cada um, para benefício mútuo.

Siga o blog no TWITTER

Mais notícias, artigos e informações sobre qualidade, meio ambiente, normalização e metrologia.

The Memory Jogger II - Serviços de Saúde (Português) (ISBN 9788589705424)

The Memory Jogger II – Serviços de Saúde

Esse livro pode ser usado para o aprimoramento contínuo de qualidade (ACQ) como estratégia para efetuar mudanças surpreendentes nas operações das empresas do setor de saúde. A proposta é permanecer competitiva em um mundo de comunicação instantânea e avanços tecnológicos.

http://www.qualistore.com.br/produto.asp?codigo=1143

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: