Inovação e competitividade

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O Brasil despencou da 50ª para a 68ª posição no ranking mundial de inovação de 2010, que classifica as economias de Islândia, Suécia e Hong Kong como as três mais inovadoras do mundo. Dentre os países latino-americanos, o país ficou apenas no 7º posto, perdendo para nações como Costa Rica, Chile e Uruguai. No ano passado, o Brasil era o 3º mais bem classificado na região. No grupo dos quatro Brics, o Brasil foi quem registrou o pior resultado neste ano.

No caso do setor automotivo, O país é o 4º maior mercado mundial e, de acordo com Stephan Keese, diretor da Roland Berger no Brasil, pode chegar a 2013 com a capacidade instalada de 4,8 milhões de unidades/ano e atender a demanda, mas terá problemas em 2020, quando o mercado interno será de 5,6 milhões de veículos vendidos. “Sem competitividade, a importação pode superar 20% desse volume”, previu. Ele apontou ainda que o nível de investimentos em pesquisa e desenvolvimento, de 2,2% nas montadoras brasileiras de veículos leves, está aquém do global (5%) e que é ainda menor nos fornecedores – 0,5% contra 3,1% globais, o que resulta em indisponibilidade de engenheiros, falta de tecnologia e poucas patentes.

Já para Letícia Costa, sócia-diretora da Prada Assessoria, a dificuldade começa no preço elevado das matérias primas e também de produtos petroquímicos, como plástico. Letícia destacou ainda que o custo do capital de giro para pequenas empresas é um entrave à competitividade e que o custo da mão de obra e os gargalos logísticos também afetam negativamente o mercado, além da elevada carga tributária.

O economista-chefe do Bradesco, Octávio de Barros, disse que o cenário mundial é de retomada muito lenta do crescimento acompanhada de deflação, porém, sem incertezas que possam levar a uma nova recessão. “O grande beneficiário é o Brasil, cuja economia caminha bem, com aumento do poder aquisitivo, inserção no mercado de consumo e estabilidade política, o que dá confiança para quem deseja investir”, comentou.

O presidente da Volkswagen, Thomas Schmall, destacou que além do preço do aço, a logística é um grande desafio, assim como a infraestrutura de portos e aeroportos no Brasil, que podem provocar sérios gargalos. A meta da empresa é a redução do tempo de entrega dos veículos aos clientes, que será obtida com melhorias operacionais e investimentos em tecnologia. Até março de 2011, a Volkswagen pretende ampliar a capacidade atual da fábrica de São Bernardo do Campo de 1,3 mil para 1,6 mil veículos/dia. Schmall espera um mercado para mais de 4 milhões de veículos em 2014, dos quais a Volkswagen do Brasil responderia por 1 milhão.

Já para Denise Johnson, presidente da GM Brasil, avançar em pesquisa e desenvolvimento é uma das prioridades. A executiva prevê que o mercado interno absorva mais de 4 milhões de veículos em 2015 e que a participação local pode diminuir, diante do crescimento das importações. “A evolução da tecnologia nacional no mesmo ritmo do mercado é a saída para conter esse movimento”, apontou. Com investimentos de R$ 5,42 bilhões para ampliação e melhoria da infraestrutura da engenharia local e renovação do portfólio, as prioridades da montadora são desenvolver tecnologias de conectividade, segurança, materiais alternativos, reciclabilidade e propulsão.

Marcos de Oliveira, presidente da Ford Mercosul, disse que uma das premissas da marca é manter o crescimento pautado na formação de engenheiros. Para o executivo, o mercado brasileiro vive um momento de deflação no preço dos automóveis, mas o custo da mão de obra ainda é elevado. “Esse é o grande desafio da indústria e o déficit de engenheiros é uma preocupação”, disse.

Renato Mastrobuono, diretor da SAE BRASIL, questionou se o crescimento de volume do mercado nos próximos anos terá correspondência na área de desenvolvimento de produto. Para Carlos Eugênio Dutra, diretor de Planejamento e Estratégia de Produtos da Fiat, a engenharia tem acompanhado a dinâmica do mercado. Pedro Manuchakian, vice-presidente de Engenharia da General Motors, destacou que é a concorrência que estimula a demanda de projetos de produtos, e Ronald Linsmayer, vice-presidente de Operações e COO da Mercedes-Benz do Brasil, disse que o quadro é o mesmo no segmento de veículos pesados, no qual a exigência dos clientes é cada vez maior.

Osias Galantine, diretor de Compras do Grupo Fiat, confirmou investimento R$ 14 bilhões na aquisição de insumos este ano e disse que a qualificação de mão de obra é questão preocupante face à demanda do País. Edgard Pezzo, vice-presidente de Suprimentos da GM para a América do Sul, afirmou que as compras da companhia na região somarão R$ 9 bilhões, a maior parte no mercado brasileiro, e que há preocupações com a qualidade dos fornecedores e a logística.

Paulo Bedran, diretor de Indústria de Equipamento de Transporte do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), afirmou que o governo trabalha para incluir a indústria de autopeças na segunda etapa da Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP) que está em curso no MDIC para o período de 2011 a 2014. “É necessário incentivar a engenharia e a inovação, com melhores processos produtivos e interação com universidades”, disse.

O secretário executivo do Ministério da Indústria e Comércio, Ivan Ramalho, disse que o setor automotivo pode ter uma política tarifária única para todo o bloco em 2014, quando termina um acordo bilateral entre Brasil e Argentina.

Na avaliação de Paulo Butori, presidente do Sindipeças, o setor de autopeças precisará encontrar saídas para se destacar, já que o custo Brasil continuará alto. “Não acredito em indústria brasileira com baixo custo. Para agregar valor, é necessário apostar em tecnologia e em produtos inovadores”, destacou. Para Besaliel Botelho, presidente da SAE Brasil, a indústria precisa estar preparada para o aumento da concorrência no mercado interno, com a chegada de novos players. “Precisamos nos fortalecer, investir em inovação para darmos um salto de competitividade”, disse o executivo.

Por isso mesmo, a Federação Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) desenvolveu o aplicativo “Inteligência de Mercado para a Indústria”, que possibilita acesso direto a dados demográficos, econômicos e relativos ao consumo e à estrutura de distribuição de todas as regiões e municípios do Brasil. As indústrias, principalmente as de menor porte, têm dificuldade em obter, manipular e avaliar dados do mercado. Neste sentido, a Fiesp divide o aplicativo em dois grandes módulos de consulta, que se complementam na busca e interpretação das informações. O primeiro módulo, “Demanda de Produtos”, contém o valor gasto pelas famílias brasileiras para 50 categorias e mais de 1.700 produtos industrializados segmentados por região. O segundo, “Canais de Comercialização”, traz dados cadastrais de estabelecimentos comerciais (Atacado, Varejo e Representantes) e da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) em que a empresa atua. Apresenta também dados socioeconômicos dos 5.562 municípios brasileiros, inclusive com o “Indicador Fiesp de Dinamismo Econômico Municipal”.

A partir destas informações é possível tomar decisões e elaborar planos de ação para: verificar o seu tamanho de mercado, potencial de mercado e participação (market share); prospectar novos mercados através da contratação de novos canais de distribuição/empresas comerciais; analisar e modificar a cobertura de vendas atual para aumentar sua eficácia; melhorar a estrutura e otimizar a ação da força de vendas; e contratar novos canais/representantes de vendas em novas regiões. O aplicativo é gratuito, em plataforma CD-ROM e será distribuído apenas às empresas associadas aos sindicatos filiados à Fiesp. Quer ler mais sobre o assunto: clique no link http://www.fiesp.com.br/agencianoticias/2010/08/06/inteligencia_mercado_folder.pdf

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