A sucessão nas empresas familiares

Coleção Completa Qualidade em Quadrinhos

Coleção Completa Qualidade em Quadrinhos

São, ao todo, 43 revistas, um de cada título disponível, com um valor promocional. Uma forma de os clientes conhecerem o conteúdo dos títulos da  coleção antes de adquiri-los para treinamento ou conscientização dos funcionários. Preço válido somente para a aquisição da coleção completa.

A empresa familiar é um tipo de organização presente em todo o mundo, contudo no Brasil isso não é diferente, visto seu passado histórico intimamente relacionado a inúmeros casos de empreendedores e suas famílias, principalmente imigrantes que, ao longo dos séculos, deram origem às empresas familiares. Dessa forma, a sucessão em empresas familiares é um ponto crucial para a sua perpetuação com o passar das gerações , Esse momento se torna muito complexo, pois envolve aspectos relacionados à família, à propriedade e à empresa, mesclado a aspectos afetivos, emocionais e culturais.

Como ocorre a sucessão nas empresas familiares? Quais os principais desafios enfrentados pelas gerações que se sucedem no comando da empresa? O grande desafio das empresas familiares reside na sucessão de seus líderes e no caso da empresa familiar brasileira possui algumas características essenciais. Destaca-se a forte valorização da confiança mútua, independente de vínculos familiares
; os laços afetivos extremamente fortes influenciando os comportamentos, relacionamentos e decisões da organização. Também se registra a valorização da antiguidade como um atributo que supera a exigência de eficácia ou competência. É comum a exigência de dedicação ou o vestir a camisa caracterizada por atitudes tais como não ter horário para sair, levar trabalho para casa, dispor dos fins-de-semana para convivência com pessoas de trabalho, etc.

Existe a expectativa de alta fidelidade manifestada através de comportamentos como não ter outras atividades profissionais não relacionadas com a vida da empresa. São comuns dificuldades na separação entre o que é emocional e racional, tendendo mais para o emocional. Finalmente, se verificam os jogos de poder, onde muitas vezes mais vale a habilidade política do que a capacidade administrativa.

A sucessão é determinada em longo prazo pela maneira como os pais constituíram e educaram a família, preparando-a para o poder e a riqueza. Para o sucesso de empresas familiares são necessários inúmeros requisitos, mas um fundamental é aquele em que a família se atenta a uma possível saída do fundador. Já a sucessão baseada no fundador da empresa não se resume em indicar um executivo, mas também considerar a sucessão inteligente e duradoura, a qual possa atingir a todos, conciliando os interesses pessoais.

A crise sucessória está assentada num conflito entre pai e filho, onde os problemas de carreira do filho, de planejamento e de organização da firma, as decisões de novos produtos e investimentos servem de drama. O filho deve ter habilidade para aceitar a rivalidade do pai desenvolvendo a sua própria personalidade, seja perto ou longe da figura paterna. O pai deve ter consciência de quanto os seus problemas existenciais deformam a sua visão do filho, de quanto a sua necessidade de afirmação pode recrudescer a sua autocracia. Como sugestão, o melhor é começar o quanto antes, dez ou vinte anos antes da saída do fundador.

Mesmo assim, existem muitas dificuldades para as gerações que se sucedem: a falta de preparo para enfrentar a transição, com a tendência à postergação da discussão sobre este tema; a incompatibilidade de estilos gerenciais entre sucessores e sucedidos; a discussão sobre a necessidade de buscar auxílio em consultoria externa para tratar da transição de líderes; a necessidade de iniciar profissionalmente mais cedo os sucessores, para que tenham tempo de “aprender” com o sucedido; a necessidade de estimular a formação gerencial do sucessor; a insistência de muitos sucedidos em que os sucessores iniciem a carreira na empresa em cargos operacionais, sem poder de decisão; e finalmente o desafio de planejar a sucessão e a transição de liderança.

O Brasil possui atualmente cerca de oito milhões de empresas. Aproximadamente 90% delas são familiares e vão desde a padaria até grandes corporações. De cada 100 empresas, 30 chegam à segunda geração da família e somente cinco chegam à terceira. Apenas 15% dos herdeiros dos maiores empresários do Brasil do século passado permanecem no mundo dos negócios. 

Os dados demonstram que fatores como a falta de planejamento da sucessão, os conflitos entre membros da família ou a ausência de programas de carreira para o fundador da empresa podem afetar a continuidade dos empreendimentos familiares. “O fundador deve saber como e quando começar a formação dos seus herdeiros e sucessores. Grande parte dos empresários não sabe como estruturar, conduzir e desenvolver um programa de formação para seus filhos”, aponta o consultor empresarial Júlio Vieira. 

Um conselho do consultor é estimular o filho a trabalhar primeiro fora da empresa da família, para aprender hierarquia, disciplina e humildade. “Para sobreviver e crescer em mercados cada vez mais exigentes e competitivos, as novas gerações devem ser treinadas para serem líderes e tomar decisões em ambientes de incertezas e rápidas mudanças”, avalia. Além disso, é preciso evitar colocar os herdeiros como assessores ou assistentes, não ser centralizador demais e lembrar que, na empresa familiar, não há como acabar com os vínculos de sangue.

Por outro lado, os herdeiros também devem se preparar para o futuro, conhecendo os diferentes objetivos e necessidades da sua geração e da anterior.. “Os sucessores devem saber avaliar o real tamanho e capacidade financeira da empresa dentro do mercado e conhecer a importância de criar novos desafios para a geração que irá se afastar”, acrescenta Vieira.

Conflitos inevitáveis e planejamento

É certo que há conflitos praticamente inevitáveis entre família e empresa, o que pode refletir no aumento de gastos, falta de disciplina, utilização ineficiente dos administradores não-familiares e excesso de personalização dos problemas administrativos. Por isso, é imprescindível definir a atitude que a família terá face à profissionalização da empresa e, só então, decidir se essa profissionalização poderá ou não ocorrer com pessoas externas. 

“É comum, também, a família não respeitar a personalidade e as expectativas de vida do herdeiro e desde cedo incutirem na formação dele que tomará o lugar do pai ou da mãe”, alerta Júlio Vieira.  Segundo ele, a governança corporativa e familiar, com a formação de um conselho de administração e um conselho de família, é um caminho bastante interessante.

Outra recomendação do consultor é a realização de um coaching de transição para ajudar na definição do futuro modelo de vida do sucedido. As empresas familiares devem passar a entender melhor o que o negócio significa para os fundadores e desenvolver atitudes mais proativas em busca do sucesso, tanto da organização como das pessoas e familiares envolvidos direta e indiretamente. “Os conflitos empresariais sucessórios podem levar até ao encerramento das atividades. Se a empresa familiar pretende a continuidade do negócio, em determinado momento precisará iniciar um processo de sucessão. Eis aí a importância de um planejamento sucessório decidido, firme e constante, que respeita o contrato social, os acordos societários, a estrutura organizacional e os familiares”, observa Vieira.

Siga o blog no TWITTER

Mais notícias, artigos e informações sobre qualidade, meio ambiente, normalização e metrologia.

 

Dicas Qualidade Online – Cozinha cabocla

Virado de frango caboclo – Corte o frango em pedaços pequenos nas juntas. Tempere com alho, sal e cebola socados no pilão. Numa panela grande e grossa, coloque azeite, um pouco de urucum e frite os pedaços de frango. Vá fritando a carne até amolecer. Se secar muito, pingue um pouco de água. Acrescente salsa, cebolinha, outras ervas de sua preferência e pimenta vermelha picadinha sem a semente. Adicione farinha de mandioca, fazendo o virado em ponto de farofa. O caboclo usava esse prato como matula para viagens e romaria. É bão demais!

Queimadas: um problema muito antigo no Brasil

 
 
 

 

Como uma prática muito antiga no país, as queimadas, feitas tanto por pequenos agricultores como por grileiros, é um método de limpeza da área de plantio e uma técnica considerada arcaica e prejudicial tanto para o ecossistema quanto para a própria produção agrícola. Mas se é prejudicial, por que elas acabam acontecendo? Há alguns fatores para a existência de queimadas. A princípio, o pequeno agricultor queima para resolver dois problemas: acabar com pragas e doenças e preparar o solo para pastagem ou plantio. Já os invasores de terra e grileiros usam o artifício da queimada para se apossar ilegalmente da terra, acabando com a mata nativa e colocando gado ou mudas na área. Além disso, nos canaviais, a queimada é feita para facilitar a colheita.

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) revelaram que, entre maio e setembro, foram registrados 57,7 mil focos de queimadas no cerrado, número mais de 350% superior ao verificado no mesmo período de 2009 (veja tabela abaixo) e recorde nos últimos cinco anos. Os danos foram graves à conservação da natureza e ao solo, elevaram as emissões regionais e também prejudicaram a saúde da população.

Os estados mais atingidos foram Mato Grosso, Tocantins e Goiás. A capital federal enfrentou mais de 120 dias sem chuva. Além disso, lembra a geógrafa e coordenadora do Fórum de ONGs Ambientalistas do Distrito Federal, Mara Moscoso, todos os parques nacionais no cerrado, que abrigam grandes parcelas do que resta do bioma, sofreram com a passagem do fogo. O parque nacional das Emas (GO) teve 90% de sua área queimada, os parques nacionais de Brasília (DF) e do Araguaia (TO), 40%, e o parque nacional da Serra da Canastra (MG), 35%. Um balanço completo deve ser divulgado ainda em outubro pelo Instituto Chico Mendes.

Segundo ela, o fogo devora árvores, arbustos e outras plantas, enquanto animais pequenos, lentos e de pelagem farta como os tamanduás, aves com ninhos, mamíferos com filhotes e outras espécies em reprodução são vítimas freqüentes. “O Jardim Botânico de Brasília teve quase toda a sua área queimada em 2005 e até hoje não são mais avistados mamíferos maiores. As queimadas também aumentam as chances de atropelamentos de animais em fuga e a competição por territórios e alimentos com a destruição dos ambientes”, conta.

As queimadas e os incêndios durante a seca no cerrado se devem quase que totalmente à mão do homem e acontecem para renovação forçada de pastagens naturais que alimentarão rebanhos e também para a limpeza de áreas antes ou após desmatamentos, conforme o governo federal. O pesquisador da Embrapa, José Felipe Ribeiro, comenta que a ocorrência e o uso indiscriminados do fogo facilitam a reprodução rápida e oportunista de espécies por vezes estranhas ao bioma, como gramíneas de origem africana. “Parte dos nutrientes das plantas e do solo são eliminados pelos incêndios e podem ser carregados pelo vento, promovendo a substituição e o empobrecimento da vegetação nativa do cerrado”, disse.

Ribeiro também comenta que o fogo fez parte da evolução do cerrado, mas ocorria muito mais na estação chuvosa e graças a raios. Hoje, o padrão está completamente invertido – o fogo ataca a vegetação na seca, causando impactos mais severos. “As espécies do cerrado têm proteção limitada contra o fogo, como o que ocorria no passado. Não contra as queimadas anuais cada vez mais intensas que vemos hoje”, afirmou.

Emissões em alta – Queimadas durante a seca no Cerrado / 2005 – 2010

Fonte: WWF-Brasil / Inpe

  2005 2006 2007 2008 2009 2010
Maio * 356 400 626 435 893
Junho 26 508 675 1127 686 2031
Julho 635 468 1141 2264 1578 6044
Agosto 1035 1620 11750 4595 2645 14629
Setembro 2842 2420 23832 10125 7166 34151
Total 4538 5372 37798 18737 12.510 57748
    Fonte: Inpe/NOAA15 Noite
      * registros começaram em 28.06.2005

Com quase duas décadas de estudos dedicados ao cerrado, a pesquisadora e professora do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade de Brasília (UnB), Mercedes Bustamante, comenta que as queimadas anuais aumentam a fragmentação do bioma, prejudicando, por exemplo, espécies que precisam de grandes áreas para sobreviver, como as onças, promovem uma redução no porte da vegetação e dificulta a recuperação do Cerrado, que já perdeu metade da vegetação original. “O aumento explosivo no número de focos certamente se deve a um clima favorável às queimadas alimentado pela ação humana, e se traduzirá em mais emissões de CO2 e outros gases de efeito estufa pelo bioma”.

Entre 2002 e 2008, as emissões médias anuais de gases de efeito estufa do Cerrado foram de aproximadamente 232 milhões de toneladas de CO2, conforme o governo federal. O desmatamento ainda é a maior fonte de emissões no Brasil. Também não se pode esquecer dor prejuízos à saúde. Uma pesquisa liderada pela Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz/RJ) comprovou que pessoas constantemente expostas à fumaça das queimadas podem sofrer com asma, bronquite, enfisema, pneumonia, arritmia, hipertensão e até infarto. Crianças e idosos são os mais afetados.

Frente a toda essa problemática, Bustamante espera do governo uma ampla análise sobre os prejuízos que as queimadas provocaram este ano ao Cerrado, verificando os tipos de vegetação e as regiões mais atingidas. “É preciso analisar se as áreas queimadas estavam em frentes de avanço da agropecuária, se os incêndios foram naturais ou intencionais. É importante que a chegada das chuvas não interrompa o monitoramento sobre o bioma e as ações contra as queimadas”, ressaltou.

A secretária-geral do WWF-Brasil, Denise Hamú, lembra que as mudanças climáticas aumentam a tendência de mais dias sem chuva e de agravamento do quadro de queimadas no Cerrado nos próximos anos. “Daí a importância de políticas públicas permanentes e efetivas para a proteção, recuperação e aproveitamento sustentável do bioma, que já perdeu metade de sua vegetação original”, ressaltou.

Para Mara Moscoso, as queimadas que devastaram o Cerrado este ano acontecem por fatores naturais potencializados pela ineficiência do poder público. “Faltam campanhas de informação pública e mais fiscalização contra queimadas ilegais. Sem isso, cresce o clima de impunidade. No Mato Grosso, um dos estados onde mais se registraram focos este ano, as queimadas estavam proibidas. É uma grande lição para o próximo ano”, ressaltou.

Também falta maior integração entre instituições, aponta José Felipe Ribeiro. Para ele, governos e pesquisadores devem encontrar o melhor meio para unir esforços e disseminar informações e ações sobre manejo e controle do fogo. “É preciso descobrir as causas de tantos focos de incêndios este ano. Se for por desconhecimento, é preciso educação. Se for por maldade, precisamos ampliar a fiscalização e a aplicação da lei”, disse. Por recomendação do Inpe, foram usados neste balanço os dados do satélite NOAA15 Noite, que capta os focos mais persistentes de queimadas.

Outro aspecto no que diz respeito às queimadas é que os gases emanados atuam no efeito estufa. Monitorados por satélites, os focos de queimadas no Brasil estão crescendo em um ritmo alarmante, causando a emissão de toneladas de gases que contribuem para o aumento do efeito estufa, responsável pelo aquecimento global, mudanças climáticas e outras possíveis devastações ecológicas.

O aspecto mais preocupante no que diz respeito à natureza das queimadas no Brasil é que a maior parte delas poderia ser evitada ou minimizada, pois são diretamente causadas pela irresponsabilidade de produtores rurais que ateiam fogo em pastagens ou lavouras para, posteriormente, iniciar uma nova cultura no local. Além disso há, também, o descaso e o descuido que as provocam, como um simples cigarro aceso jogado da janela de um automóvel, na beira de uma estrada ou, ainda, a criminosa prática de “soltar balões”, principalmente durante a época das secas.

 Siga o blog no TWITTER

Mais notícias, artigos e informações sobre qualidade, meio ambiente, normalização e metrologia.