O uso de telas hexagonais sem qualidade coloca em riscos as obras civis

A utilização de telas hexagonais na estruturação do concreto para prevenir as trincas e as fissuras ou em cercas e alambrados, quando se faz a opção por produtos importados com preços mais baixos e sem qualidade, pode estar colocando em risco as obras civis em relação à sua durabilidade. Esse alerta do gerente executivo do Instituto de Metais Não Ferrosos (ICZ), Ricardo Goes, baseia-se em dados obtidos no mercado consumidor e nas importações registradas nos órgãos que controlam o comércio exterior brasileiro. De acordo com esses dados, as importações de telas hexagonais, principalmente originárias da Ásia – em especial da China – vêm crescendo ano a ano e atingiram volumes, em 2008, 14 vezes maiores do que em 2003, na média mensal.

Segundo Goes, um dos principais problemas encontrados nas telas hexagonais importadas é que boa parte delas não atende às exigências da NBR 10122 em quatro itens fundamentais:

  • O primeiro deles relaciona-se à galvanização de baixa qualidade, com o revestimento de zinco aplicado em gramatura abaixo das especificações da norma, propiciando o aparecimento de focos de ferrugem, inutilizando prematuramente o produto;
  • O diâmetro externo do rolo da tela menor que o especificado na norma técnica, causando o chamado efeito mola, quando da sua abertura ou, ainda, deformando o produto ao longo de toda a sua extensão, devido à sua excessiva compactação;
  • Ausência completa da identificação do produto na etiqueta que acompanha o rolo;
  • Irregularidade nas dimensões da abertura das malhas.

 

Conforme destaca o gerente, a norma especifica a camada mínima de galvanização para as telas hexagonais. “A não-conformidade com a norma pode ser verificada no caso de a tela se apresentar com traços de ferrugem, pois a galvanização é responsável pela proteção contra a corrosão do arame. Análise feita pelo Sindicato Nacional da Indústria de Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos (Sicetel), com base nos resultados de ensaios realizados em laboratório, no Centro Universitário da FEI – Instituto de Pesquisa e Estudos Industriais, Relatório de Análise nº 61.498/08 e Certificado nº 59.364/08, indica que alguns produtos não estão em conformidade com a norma, inclusive com amostras contaminadas por metais pesados”, explica. Diz ainda que, de acordo com o ensaio em laboratório, e segundo a NBR 10.122, a ilustração abaixo demonstra a grande diferença na proporção da camada de zinco aplicada nos fios BWG 24. O fio em conformidade apresentou 20 g/m2 e o fio em não-conformidade aproximadamente 1/5 da camada aplicada ou apenas 5,6 g/m2.

Outro problema, apontado pelo gerente, é que o padrão nacional exige que as etiquetas de identificação do produto, inseridas nos rolos das telas hexagonais, contenham as informações obrigatórias relativas à marca; identificação do número da norma e do tipo de tela; diâmetro do fio, em milímetros e alternativamente em BWG; altura do rolo em metros; comprimento do rolo em metros; gramatura mínima da camada de zinco ou liga de zinco, em gramas por metro quadrado; e identificação do fabricante ou do importador. Essas informações são essenciais para a verificação da conformidade das telas importadas com a norma brasileira.

“A não conformidade aos requisitos da NBR 10122 pode trazer diversos tipos de prejuízos para os usuários das telas hexagonais. Entre os mais importantes, podemos citar: grande dificuldade de manuseio, devido às irregularidades dimensionais e de abertura dos hexágonos, entre outras falhas de fabricação que causam o chamado efeito mola devido à má compactação do rolo, que fica com diâmetro muito reduzido, ele não se abre uniformemente, dificultando bastante a sua utilização e, muitas vezes, chegando a inutilizar o material; e desgaste acelerado das telas, conforme demonstra a foto 4, caso não se atenda aos requisitos de camada mínima de galvanização, conforme prescrito pela norma brasileira. Sem a aplicação da camada mínima de galvanização, as telas tendem a oxidar e a sofrer um processo acentuado de corrosão”, alerta.

Para ele, essas irregularidades, além de caracterizar a não-conformidade com a norma brasileira, infringem também o Código de Defesa do Consumidor (CDC – Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990), que em seu artigo 39, inciso VIII, proíbe a colocação, ao mercado consumidor, de qualquer produto ou serviço em desacordo com as normas expedidas pelos órgãos oficiais competentes ou, se normas específicas não existirem, pela Associação Brasileira de Normas Técnicas ou outra entidade credenciada pelo Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Conmetro). “Além disso, o artigo 12 do CDC estabelece que “o fabricante, o produtor, o construtor, nacional ou estrangeiro, e o importador respondem, independentemente da existência de culpa, pela (…) apresentação ou acondicionamento de seus produtos, bem como por informações insuficientes e inadequadas sobre suas utilizações e riscos”.  O CDC determina ainda, em seu artigo 31, que a oferta e apresentação de produtos ou serviços devem assegurar informações corretas, claras, precisas, ostensivas e em língua portuguesa sobre suas características, qualidades, quantidades, composição, preço, garantia, prazo de validade e origem, entre outros dados, bem  como sobre os riscos que apresentam à saúde e á segurança dos consumidores”.

Dessa forma, frisa o gerente, o uso de telas hexagonais que não apresentam conformidade com as exigências da norma brasileira é um exemplo claro do ditado popular o barato pode custar caro, pelos danos e prejuízos potenciais que pode trazer aos seus compradores. Além disso, as telas hexagonais importadas de países asiáticos, especialmente da China, atualmente custam quase o equivalente (cerca de 5% menos, no preço ao consumidor) ao preço ao consumidor das telas hexagonais fabricadas no Brasil. Estas, porém, seguem rigorosamente a NBR 10.122 e, assim, oferecem garantia de procedência, de qualidade e durabilidade, com a gramatura do revestimento de zinco correta; de dimensões e de trabalhabilidade.

“Assim, construtores, arquitetos e engenheiros que especificam ou executam obras precisam atentar para a questão da qualidade e durabilidade das obras e da segurança de seus funcionários e usuários de edificações e locais nos quais são utilizadas telas hexagonais. Uma tela em não-conformidade pode colocar em risco a vida de operários e de pessoas que trabalham ou utilizam espaços que empregam telas hexagonais em funções de segurança. Portanto, para obter durabilidade, qualidade e segurança é fundamental utilizar telas hexagonais em conformidade com as normas brasileiras”, finaliza.

Siga o blog no TWITTER

Mais notícias, artigos e informações sobre qualidade, meio ambiente, normalização e metrologia.

 

Coletânea Gestão Ambiental

A Gestão ambiental se configurou como uma das mais importantes ferramentas de eliminação de barreiras e de facilitação de negócios, com vistas a atuação em mercados mais competitivos. O emprego destas ferramentas como forma de agregar valor a produtos e processos industriais vem, cada vez mais, crescendo em importância, em especial no acesso e manutenção de mercado. Com preço reduzido, são livros e CD-ROMS que os gestores podem adquirir e implementar os programas de qualidade em suas empresas. Clique para mais informações.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: