Por que não dá certo a venda de medicamentos fracionados no Brasil?

The Memory Jogger II - Serviços de Saúde (Português) (ISBN 9788589705424)

The Memory Jogger II – Serviços de Saúde (Português)

Esse livro é para o aprimoramento contínuo de qualidade nas operações das empresas do setor de saúde. A proposta é permanecer competitiva em um mundo de comunicação instantânea e avanços tecnológicos. Essas organizações precisam satisfazer ou ultrapassar as expectativas do cliente ao mesmo tempo em que mantém uma posição competitiva de custo. O ACQ é uma abordagem sistemática que abrange toda a organização com o objetivo de melhorar continuamente todos os processos que fornecem produtos e serviços de qualidade, é a estratégia que muitas organizações estão adotando para superar os desafios de hoje e para se preparar para aqueles que virão. Clique para mais informações.

 Também existe no Congresso Nacional um projeto de lei, n° 7029, que estabelece estabelecer em lei constitucional o fracionamento de remédios. Mas, na verdade, o fracionamento já está aprovado há cinco anos, por meio do decreto presidencial. No entanto, a venda de fracionados não teve a adesão necessária dos agentes econômicos e não chegou a fazer diferença para o consumidor.

Até agora, alguns laboratórios obtiveram o registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para produzir 175 tipos de medicamentos fracionados, cuja lista está disponível no site do órgão: www.anvisa.gov.br/fracionamento/lista_fracionados.htm O consumidor também pode ligar para o 0800 61 1997 para saber o preço dos remédios fracionados.

O objetivo do fracionamento é permitir que a população possa comprar remédios na quantidade necessária para o tratamento, gastando menos e evitando desperdício. E, no Brasil, o desperdício de medicamentos é alto. Em 2005, a Anvisa estimou que 20% de toda a produção farmacêutica no Brasil foi para o lixo. Isto corresponde a uma quantia de 4 bilhões de reais. Ainda segundo o órgão, 28% de todos os casos de intoxicação atendidos pela rede pública hospitalar, nos últimos dez anos, foram causados por uso indevido de medicamentos guardados em casa.

O fracionamento já é uma prática antiga e bem-sucedida nos EUA e na maioria dos países europeus. Ele é adotado também em alguns de nossos vizinhos da América Latina. Um dos fatores é o desconhecimento do consumidor brasileiro a respeito do medicamento fracionado. Poucos sabem que laboratórios e farmácias podem vendê-los, uma vez que existe lei determinando que assim seja feito. Os próprios médicos não receitam remédio fracionado.

Outro ponto nevrálgico é comercial. As farmácias supõem que vão perder dinheiro com o fracionamento e não se interessam em estabelecê-lo. Há ainda a indústria que alega precisar investir muitos recursos para adaptar a produção ao fracionamento.

Só a conscientização fará o fracionamento sair do papel e virar prática na sociedade. As empresas (indústrias e comerciais) podem torná-lo realidade. É uma questão de responsabilidade social. Uma pesquisa do Instituto Ethos e a Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste) concluiu que a venda de remédios de forma fracionada está autorizada há cinco anos no país. Entretanto, quem for à farmácia comprar uma quantidade de comprimidos diferente da contida na embalagem original dificilmente conseguirá. No estudo, os pesquisadores tentaram comprar remédios de forma fracionada em 49 farmácias de cinco capitais do país (Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro). Nenhuma delas vendia.

Com o objetivo de mudar este quadro, as entidades anunciaram também hoje o lançamento de uma campanha em que defendem que a venda de remédios fracionados deixe de ser facultativa e torne-se obrigatória em todas as farmácias do país. Para a coordenadora institucional da Proteste, Maria Inês Dolci, dessa forma, o consumidor poderia comprar a quantidade exata de comprimidos receitada pelo seu médico. Com isso, o risco de uso indevido de remédios e de automedicação seria menor. “O consumidor não guardaria mais os remédios que sobram em sua casa”, disse. “Assim, diminuiriam os casos em que o consumidor toma remédios sem passar por uma consulta ou mesmo remédios que estão fora do prazo de validade”, completou.

O presidente do Instituto Ethos, Oded Grajew, disse ainda que o consumidor poderia economizar comprando seus remédios de forma fracionada. Pagaria só pelos comprimidos que teria de tomar para completar seu tratamento. “As pessoas compram assim [em caixas] porque pensam que é assim, não conhecem a forma fracionada”, afirmou. “Mas a venda fracionada poderia ajudar em uma economia muito grande”.

De acordo com Grajew, dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estimam que 20% dos remédios comprados nas farmácias acabam indo para o lixo. Em um ano, R$ 20 bilhões em medicamentos são descartados por algum motivo. “O fracionamento é uma questão econômica”, disse. “As empresas não querem perder parte do que elas estão faturando com a venda de remédios como ela está sendo feita atualmente”.

Assim, o medicamento fracionado, usado também em outros países como Espanha, deveria ser uma boa saída para o problema. Acontece que entre o papel e a prática há um grande hiato. O Brasil poderia ter muito mais remédios fracionados. A previsão é de, pelo menos, 600. Acontece que por não ser obrigatório, nem farmácias, nem a indústria farmacêutica se empenham em adotar o modelo. Para vender o remédio fracionado, é preciso embalagens adequadas, a presença das informações da bula ou na embalagem ou junto com o vendedor. Assim, tanto comércio quanto indústria tem que se adequar. As empresas dizem que não há demanda para esses produtos. Além disso, o comércio reclama que não há espaço para o código de barras nas embalagens, o que atrapalha a comercialização. Na verdade, a portaria está aí, mas pouca gente sabe que pode pedir remédio fracionado. E as empresas não têm interesse em investir no assunto. Os órgãos de defesa do consumidor apóiam o projeto de lei que torna obrigatório o uso de fracionado.

A Proteste criou no link http://www.proteste.org.br/tratamentos/remeeacute-dios-fracionados-exija-seu-direito-s526751.htm uma petição online para pressionar o congresso e exigir esse direito dos consumidores. Para a associação, apesar das vantagens financeiras para o consumidor e da redução do risco de acidentes, a venda de medicamentos fracionados não é obrigatória e não é fácil encontrá-los. Assim, em parceria com o Instituto Ethos, está lutando pela aprovação do projeto de lei nº 7.029, de 2006, que obriga a venda de medicamentos fracionados. As assinaturas arrecadas nesta petição online serão encaminhadas para os deputados federais, a fim de fazermos pressão política pela aprovação. Preencha os dados e ajude o país a mudar essa realidade. Além de tornar a venda fracionada obrigatória a petição demanda ao governo uma campanha para conscientização da população. De nada adianta uma lei que a população desconheça e não possa, portanto, tirar proveito de seus benefícios. Participe!

Siga o blog no TWITTER

Mais notícias, artigos e informações sobre qualidade, meio ambiente, normalização e metrologia.

Anúncios

Uma resposta

  1. Concordo plenamente iremos acabar com o grande desperdício.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: