A insustentabilidade da indústria do alumínio

    
Norma simplifica construção de aterros sanitáriosJá está valendo, desde 14 de julho, norma técnica que especifica os requisitos mínimos para localização, projeto, implantação e operação de aterros sanitários de pequeno porte, para a disposição final de resíduos sólidos urbanos. A nova norma vai permitir a adoção de soluções adequadas à realidade geográfica de cada município, facilitando a construção dos aterros e impedindo a proliferação dos lixões. Antes de sua aprovação, a norma exigida para a construção de um aterro era a mesma, por exemplo, para uma cidade do porte de São Paulo e para um dos menores municípios brasileiros, como Torá, também em São Paulo. Clique para mais informações.

Todos os anos a indústria de alumínio comemora o seu índice de reciclagem, já que, em 2009, 98,2% das latas vendidas foram recicladas e ao todo 198,8 mil toneladas de alumínio, das 202,5 mil toneladas vendidas, foram recicladas. Com a reciclagem do alumínio das latas, foram economizados 2,9 mil GWh. Com esta energia, seria possível atender à demanda anual de uma cidade como Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, que tem 1,2 milhão de habitantes.

O processo de recuperação do alumínio não é complicado. Após coletadas, as latas de alumínio seguem para uma empresa de recolhimento e/ou cooperativa de catadores, para que se faça uma triagem, sendo essencial que se separe o ferro e os possíveis resíduos de vidro, areia ou outros tipos de metais, através de um imã específico, para que o processo de reciclagem não seja danificado. Então, as latinhas são prensadas e enfardadas e seguem para as indústrias de fundição. São derretidas e transformadas em lingotes que seguem para os fabricantes de lâminas de alumínio. As chapas de alumínio serão vendidas para a fabricação de novas embalagens, num processo que dura aproximadamente 42 dias.

Contudo, se o alumínio é elogiado pelo seu processo de reciclagem, ele é alvo de críticas por parte de alguns médicos. Dizem que a intoxicação por alumínio (Al) tem sido cada vez mais estudada e está associada à constipação intestinal, cólicas abdominais, anorexia, náuseas, fadiga, alterações do metabolismo do cálcio (raquitismo), alterações neurológicas com graves danos ao tecido cerebral. Na infância pode causar hiperatividade e distúrbios do aprendizado. Inúmeros estudos consideram que o alumínio tem um papel extremamente importante no agravamento do mal de Alzheimer (demência precoce). O excesso de alumínio interfere com a absorção do selênio e do fósforo. Os alimentos ácidos aumentam a absorção do alumínio e aumentam a liberação do alumínio das panelas fabricadas com este metal.

Nos casos mais importantes de contaminação por alumínio é muito importante que todas as panelas da casa sejam trocadas por panelas de aço inoxidável (inclusive a panela de pressão que pode ser de inox ou revestida de teflon). Outras fontes de contaminação com alumínio são: medicações antiácidas, utensílios de cozinha de alumínio, papel aluminizado, cremes para a pele com alumínio, farinha branca de trigo, fermentos em pó, queijo (o fosfato de alumínio é usado como emulsificante) água gaseificada, tubos de pasta de dente de alumínio e desodorantes antiperspirantes.

Das fontes de contaminação por alumínio a água potável é uma das mais importantes. O alumínio está presente naturalmente na água, devido ao contato com o solo, sendo sua concentração dependente do pH da água, que varia de acordo com a região do planeta. O alumínio também é usado no tratamento da água potável, como um quelante, reduzindo o número de partículas, visando melhorar o aspecto da água. Esse processo pode aumentar os níveis de alumínio na água, mas se o processo de tratamento estiver funcionando corretamente a adição de alumínio pode até diminuir a concentração do metal na água.

O papel do alumínio no Mal de Alzheimer tem sido estudado nos últimos 40 anos. Embora os resultados dos estudos ainda não sejam conclusivos, uma vez que essa doença é provavelmente devida a múltiplos fatores, o papel do alumínio vem sendo cada vez mais enfatizado. Nas autópsias, foi encontrado uma quantidade muito maior do metal no cérebro de pessoas portadoras do Mal de Alzheimer falecidas, inclusive com teor maior de alumínio nas regiões do cérebro mais comprometidas, em relação ao cérebro de pessoas falecidas que não haviam apresentado nenhuma doença cerebral. Estudos epidemiológicos também evidenciaram uma incidência maior de casos de Alzheimer em regiões aonde o teor de alumínio na água é maior.

Alguns pesquisadores têm encontrado evidências de que o uso prolongado de desodorantes com antiperspirantes, que são produtos que contem uma grande quantidade de alumínio, está associado a uma chance maior de desenvolver o Mal de Alzheimer. A doença de Parkinson é uma das condições neurológicas mais freqüentes e sua causa permanece desconhecida. As estatísticas disponíveis revelam que a prevalência da doença de Parkinson na população é de 150 a 200 casos por 100.000 habitantes e a cada ano surgem 20 novos casos por 100.000 habitantes. Alguns estudos têm associado essa doença à intoxicação por alumínio, tanto a maior frequência da doença de Parkinson em países onde as taxas de alumínio na água são maiores, quanto às lesões cerebrais causadas pela intoxicação pelo alumínio.

A Associação Brasileira do Alumínio (Abal) se defende dizendo que o alumínio é o terceiro elemento mais abundante encontrado na natureza, depois do oxigênio e do silício, e representa 8% da crosta terrestre. Ele também está presente em todos os órgãos, tecidos e fluidos do corpo humano desde o nascimento sob diversas formas, no solo, água, no ar, através dos alimentos e em produtos utilizados para tratamentos de saúde.

Segundo a Abal, o alumínio ingerido é eliminado em sua maior parte nas fezes e a pequena quantidade de alumínio solúvel que é absorvida é transportada pela corrente sanguínea e excretada na urina. O organismo possui barreiras naturais eficazes à absorção do alumínio como os pulmões, o trato digestivo, a pele e a barreira hematoencefálica.

Quer dizer que o alumínio não representa riscos à saúde humana e essa afirmação é amparada pela comunidade científica e médica, entre elas a U.S. Food and Drug Administration (FDA) que classifica o alumínio na categoria dos produtos reconhecidamente seguros (GRAS – Generally Recognized as Safe), legitimando a sua utilização em remédios, utensílios domésticos, embalagens de alimentos e produtos de higiene pessoal, entre outros, não representando riscos à saúde.

Alguns pesquisadores dizem que o alumínio não desempenha qualquer papel biológico no organismo, ou seja, o organismo não necessita dele para o desempenho das suas funções vitais. No entanto, possui mecanismos para a sua eliminação. Sendo assim e, dentro de valores normais, não se pode considerar um tóxico nem tão pouco um xenobiótico (algo estranho para o organismo), pois ele pode ser encontrado praticamente em todos os fluidos do organismo. Convém reforçar a ideia que esta aparente inocuidade só é verificada se a exposição ao alumínio não for extensiva e, se o indivíduo não apresentar qualquer patologia que o impeça de efetuar a eliminação do metal dentro dos parâmetros normais.

O aporte médio de alumínio proveniente de diversas fontes é de cerca de 10mg/dia e está distribuído da seguinte forma: alimentos base – 5,7 mg; aditivos alimentares e alimentos industriais – 3,8 mg; migração de materiais de embalagem e utensílios de cozinha-0,1 a 0,4mg; meio ambiente – 5μg; e medicamentos – 50 a 1000 mg (10 vezes o aporte médio)

Nos estudos até agora efetuados ainda não foi comprovado que a exposição a estes níveis de alumínio representa toxicidade. Segundo a FDA a quantidade de alumínio presente nos utensílios de cozinha, no papel de alumínio, nos desodorizantes e antiácidos não apresenta perigo para a saúde pública.

Outro problema da sustentabilidade do alumínio se relaciona com a sua cadeia produtiva, ou seja, os impactos ambientais ao meio ambiente decorrentes de sua mineração e refinação e consequente aspectos como florestas destruídas, água contaminada com resíduos de alumínio, vales férteis e ecossistemas inexplorados submersos. A conversão da bauxita, o minério de alumínio, em alumínio primário é também o processo industrial que mais consome energia no mundo, e os produtores de alumínio utilizam mais eletricidade do que qualquer outra indústria. A indústria do alumínio é um importante contribuinte para o aquecimento global.

O alumínio primário é produzido em três estágios – no primeiro, o minério denominado bauxita é extraído, depois é refinado em óxido de alumínio, ou alumina, e finalmente é fundido em lingotes de alumínio, utilizando grandes quantidades de eletricidade. O ciclo da produção de alumínio começa com a extração da bauxita, que contém de 45-60% de óxido de alumínio e é tipicamente extraído em minas abertas, exigindo a remoção completa da vegetação e da camada superior do solo. São necessárias de quatro a cinco toneladas de bauxita para produzir duas toneladas de alumina, que por sua vez pode ser refinada para produzir uma tonelada de alumínio primário. A bauxita é extraída do solo, e depois enfrenta uma limpeza e processamento extensivos. O minério é triturado até atingir um tamanho pequeno através do processo denominado britagem, e depois é submetido à lavagem.

Uma grande quantidade de resíduos de rocha resulta do processo de mineração, que precisa ser descartado. Mesmo se a camada superior do solo for restaurada após a mineração, o solo perde sua capacidade de reter água, tornando-se inadequado para cultivos anuais. A mineração de minas abertas exerce efeitos sobre a fauna e flora locais e favorece a erosão do solo. Com a maior parte da bauxita é extraída por todos os trópicos, a sua mineração é uma causa significativa da destruição da floresta tropical.

Pelo tratamento conhecido como processo Bayer, o minério de bauxita é triturado e dissolvido numa solução de hidróxido de sódio (soda cáustica) sob alta temperatura e pressão. O óxido de ferro insolúvel, titânio, sódio, sílica e outros óxidos são removidos por filtração como borra chamada lama vermelha. A solução é então limpa e direcionada para um tanque de precipitação onde uma pequena quantidade de hidróxido de alumínio é adicionada para facilitar a cristalização do hidróxido de alumínio e do hidróxido de sódio.

Os cristais são então lavados, desidratados a vácuo, e direcionados para um forno giratório. O resultado é um pó fino, branco, chamado alumina ou óxido de alumínio. Para cada tonelada de alumina produzida, entre duas a três toneladas de minério de bauxita devem ser processadas e os resíduos do processo são descartados como lama vermelha. Esse descarte é cáustico, quase sempre com um pH acima de 13,2, sendo um problema ambiental significativo. Normalmente, a lama vermelha é despejada em áreas já mineradas. Além de penetrar no lençol freático e nos córregos, a lama vermelha eleva o teor de sódio dos poços artesianos vizinhos.

Outros impactos incluem poluição do ar proveniente da refinação da alumina, onde gases, aerossóis cáusticos, e outras poeiras corrosivas são liberados na atmosfera. A queima de óleos com alto teor de enxofre na usina libera gases ácidos, dióxido de enxofre e trióxido de enxofre, levando à chuva ácida.

Por meio do processo chamado Hall-Héroult, a alumina é colocada dentro de células eletrolíticas ou cubas, cheias de criolita fundida. Dentro de cada pote, uma corrente elétrica positiva é transportada pela criolita por meio de um ânodo de carbono submerso a uma temperatura acima de 1.200° C. Os átomos de oxigênio são atraídos para os ânodos de carbono, e o alumínio fundido pode então ser despejado do fundo do pote. O processamento do alumínio primário é a fase mais poluente da cadeia de produção do alumínio, resultando em emissões atmosféricas, resíduos do processo, e outros resíduos da fase sólida. As emissões dos processos de redução do alumínio incluem o fluoreto de hidrogênio gasoso e fluoretos particulados, alumina, monóxido de carbono, elementos orgânicos voláteis, e dióxido de enxofre das células de redução; e fluoretos, elementos orgânicos vaporizados e dióxido de enxofre dos fornos de cozimento de ânodo.

Existem uma variedade de dispositivos de controle como células fechadas e wet scrubbers (lavadores úmidos) são utilizados para reduzir emissões. As águas residuais geradas do processamento de alumínio primário são produzidas durante a clarificação e precipitação, embora grande parte desta água seja reutilizada no processo.

Dois tipos de ânodos podem ser utilizados durante o processo de redução – ou uma pasta de ânodo (chamada ânodo Soderberg) ou um ânodo pré-cozido. O ânodo Soderberg produz gases residuais, incluindo o fluoreto, que são mais difíceis de serem coletados, bem como quantidades significativas de hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, incluindo o benzopireno.

Um dos maiores problemas ambientais para a indústria do alumínio é o que fazer com os revestimentos das cubas de fundição. Os revestimentos de aço gradualmente absorvem materiais do eletrólito fundido e, quando estão prontos para serem descartados após sua vida útil de três a oito anos, são contaminados com fluoretos e cianeto. Seu volume é significativo – são 20 toneladas de revestimentos gastos das cubas para cada 1.000 toneladas de alumínio produzido. Enquanto a indústria tentar encontrar formas de reutilizar revestimentos de cubas, como tem sido feito em caráter experimental em algumas usinas, eles são armazenados em locais como resíduos tóxicos.

Por fim, alguns especialistas apontam que a cadeia de produção do alumínio impõe riscos à saúde de diversas naturezas aos trabalhadores. A mineração da bauxita causa problemas respiratórios e na pele, além de outras doenças relacionadas à mineração e às indústrias pesadas. Os trabalhadores das refinarias de alumina estão expostos a diversos produtos químicos, e muitos sofrem do que é chamado de sensibilidade química múltipla.

Os trabalhadores das fundidoras de alumínio estão sujeitos aos efeitos do envenenamento por fluoreto. Os sintomas abrangem osteosclerose (endurecimento dos ossos), problema nos seios da face, perfuração do septo nasal, dores torácicas, tosses, distúrbios da tireóide, anemia, vertigens, fraqueza e náuseas. Uma variedade de distúrbios respiratórios que afetam os trabalhadores das fundidoras foi denominada asma do revestimento de cubas.

Por tudo isso, uso cada vez menos o alumínio em minha vida pessoal e de minha família Líquidos em latas de alumínio não uso, prefiro o vidro, e panelas de alumínio estão fora da minha cozinha, com a minha preferência pelo aço inoxidável ou ferro. Exceção para a folha de papel de alumínio que uso para forrar assadeiras para cozer alguns alimentos no forno. Não sou contra o alumínio, apenas penso que se posso diminuir o seu consumo devo fazer.

Impactos da cadeia de produção do alumínio (Fonte: Agência para Proteção Ambiental dos Estados Unidos – US EPA)

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Na América Latina, o Brasil tem um papel de destaque como fabricante de manufaturados de couro, detendo o terceiro lugar no ranking dos maiores produtores mundiais, tendo ainda importante participação na fatia de calçados femininos que aliam qualidade a preços competitivos. Os embarques para o exterior vêm crescendo anualmente para mais de uma centena de países, confirmando a capacitação para atuar no comércio internacional.

Apesar de a concentração das empresas de grande porte estar localizada no Rio Grande do Sul, a produção brasileira de calçados está gradualmente sendo distribuída para outros pólos, localizados nas regiões do Sudeste e Nordeste do país, sendo destacado o interior do estado de São Paulo (cidades de Jaú, Franca e Birigui), bem como estados emergentes como Paraíba, Ceará e Bahia. Há também crescimento na produção no estado de Santa Catarina (região de São João Batista) e em Minas Gerais (região de Nova Serrana e Belo Horizonte).

A indústria calçadista brasileira é responsável por mais de 300 mil empregos e as importações brasileiras de calçados aumentou significativamente: em1999 o país recebia o calçado importado de 45 países, comprando por volta de sete milhões de pares num total de US$ 50 milhões. Em 2008 estes números se elevaram, uma vez que foram 55 países com os quais o Brasil realizou negócios, importando mais de 39 milhões de pares a um valor total de US$ 307 milhões. É um crescimento de 460% em pares e 515% em dólares importados na comparação de 1999 a 2008. Os produtos vieram principalmente da China, Indonésia e Vietnã.

Essa importação teve uma queda a partir da aprovação, em caráter definitivo, da aplicação da tarifa antidumping sobre a importação de calçados chineses. A medida vale por cinco anos e estipula alíquota de US$ 13,85 pelo par de calçado trazido da China. A partir da adoção dessa tarifa, as vendas para as grandes redes de lojas instaladas no país, que antes preferiam importar da China, já substituem seus fornecedores pelos brasileiros.

E a qualidade na cadeia produtiva da indústria de calçados? Principalmente, nos produtos de couro, ela tem como principais fornecedores de matéria prima as empresas químicas, indústrias de máquinas e componentes e, principalmente, os curtumes, os quais podem fornecer o couro em estágios distintos de processamento. Por sua vez, a produção de calçados se destina ao mercado externo, através das grandes empresas exportadoras, cadeias de lojas e atacadistas, e ao mercado doméstico, representado pelos distribuidores domésticos, cadeias de lojas e, em menor freqüência, as lojas dos próprios fabricantes.

Cadeia produtiva do calçado de couro

Quanto ao processo produtivo do chamado calçado de couro (cujo cabedal é feito de couro) as principais etapas são: modelagem, corte, pesponto, solado, montagem e acabamento ou plancheamento. Dentre as etapas do processo produtivo àquelas consideradas mais importantes, por conseqüência que requerem maior qualificação do operário, são o corte do couro, a costura e a montagem. Em relação ao mercado de calçados de couro existe a pressão dos chamados calçados sintéticos (cabedal de materiais plásticos e tecidos) cujo uso têm crescido entre a população. Tal processo de substituição do cabedal de couro pelo cabedal de material sintético teve início na década de 70, de tal forma que não apenas a indústria calçadista fosse prejudicada, mas também a indústria de curtumes. Um dos principais determinantes para este processo foi o surgimento e avanço do uso de tênis esportivos produzidos com outros materiais que não o couro. A popularidade no uso de tênis esportivos tem crescido no sentido de acompanhar os movimentos da moda e da valorização de práticas esportivas.

As fábricas brasileiras que produzem calçados para a exportação estão mais atentas ao controle da qualidade de seus produtos, uma vez que a diferenciação apresenta-se como a única estratégia prática para elas conquistarem espaço no mercado internacional. Já a produção das fábricas brasileiras, voltadas para o mercado interno, não atentam para a qualidade, em virtude de alguns fatores. O baixo poder aquisitivo da maioria da população brasileira não permite que ela compre comprar calçados de qualidade, desenvolvidos a partir de pesquisas inovadoras. Em segundo lugar, tem-se que o consumidor brasileiro é pouco exigente, pois há a falta de parâmetros para comparações. E, por fim, o aspecto transitório, descartável, da moda, o que favorece a fabricação de produtos que tenham vida curta e, por conseguinte, baixa qualidade.

Assim, uma vez que no Brasil não existe uma preocupação, nem por parte do consumidor, nem por parte do produtor com a qualidade dos calçados, também não existe empecilho à produção de massa confeccionada com matéria prima inferior. As implicações de tal prática, entretanto, são lesivas. Há a constatação de doenças articulares, circulatórias, dermatológicas, posturais, acidentárias, decorrente do uso contínuo de calçados inadequados. Em relação ao conforto dos calçados, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) desenvolveu algumas normas: ABNT NBR 14834:2008 – Conforto do calçado – Requisitos e Ensaio; ABNT NBR 14835:2008 Calçados – Determinação da massa do calçado; ABNT NBR 14836:2008 Calçados- Determinação dinâmica da distribuição da pressão plantar; ABNT NBR 14837:2008 Calçados -Determinação da temperatura interna do calçado; ABNT NBR 14838:2008 Calçados – Determinação do índice de amortecimento do calçado; ABNT NBR 14839:2008 Calçados – Determinação do índice de pronação do calçado e ABNT NBR 14840:2008 Calçados – Determinação dos níveis de percepção do calce.

A qualidade está relacionada com os aspectos dos materiais; no desenho; no processo; durabilidade; etc. Já o conceito de conforto costuma ser relacionado com os níveis de percepção, onde a maior ou menor satisfação que um calçado confere ao usuário, O ideal seria unir os parâmetros de conforto com os de qualidade.

Tanto a avaliação qualitativa como a quantitativa têm grande importância para a determinação das características de conforto de um calçado. As avaliações feitas pelos laboratórios são através de testes físicos, biomecânicos e perceptivos. Um selo de conforto ou uma marca de conformidade só pode ser concedido com a realização de ensaios de acordo com as normas. Após a avaliação, a marca é concedida para os calçados que atingirem o índice Confortável ou Muito Confortável de acordo com a NBR 14834. 

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