São Paulo: uma relação de amor e ódio

25 de janeiro de 2011:  a cidade de São Paulo está comemorando 457 anos. Por isso, aqui é feriado, Em uma área de 1.525 km² espalham-se mais de 11 milhões de pessoas – um crescimento populacional bastante grande que veio acompanhado do agravamento das questões sociais e urbanas, como o desemprego, violência, transporte coletivo inadequado, habitações em áreas de risco, favelização, problemas ambientais, etc. Quando os padres da Companhia de Jesus escalaram a serra do mar chegando ao planalto de Piratininga não imaginavam o que seria dessa cidade. Pois eles aqui encontraram “ares frios e temperados como os de Espanha” e “uma terra mui sadia, fresca e de boas águas”.

Do ponto de vista da segurança, a localização topográfica de São Paulo era perfeita: situava-se numa colina alta e plana, cercada por dois rios, o Tamanduateí e o Anhangabaú. Nesse lugar, fundaram o Colégio dos Jesuítas em 25 de janeiro de 1554, ao redor do qual se iniciou a construção das primeiras casas de taipa que dariam origem ao povoado de São Paulo de Piratininga. Em 1560, o povoado ganhou foros de vila e pelourinho, mas a distância do litoral, o isolamento comercial e o solo inadequado ao cultivo de produtos de exportação, condenou a vila a ocupar uma posição insignificante.

Em 1681, São Paulo foi considerada uma espécie de capital da Capitania de São Paulo e, em 1711, a vila foi elevada à categoria de cidade. Apesar disso, até o século XVIII, São Paulo continuava como um quartel-general de onde partiam os bandeirantes atrás dos silvícolas para escravizar e dos minerais preciosos nas montanhas distantes. Ainda que não tenha contribuído para o crescimento econômico de São Paulo, a atividade bandeirante foi a responsável pela ampliação do território brasileiro.

Hoje, a cada ano, mais de 10 milhões de visitantes vêm à cidade para alavancar os negócios ou estreitar contatos profissionais, fazer compras ou aproveitar um calendário cultural linkado no mundo. Estar em São Paulo é vivenciar uma urbe 24 horas, com um estilo de vida que sua trabalho e sorri pelo lazer como se fossem dois lados como se fossem céu e inferno.

Antiga terra da garoa, hoje se transformou na terra das enchentes e do trânsito parado por 24 horas. Para alguns, viver em São Paulo se transformou em um martírio. Para outros, continua a ser o lugar de conquistar os sonhos e a esperança de uma vida melhor.

O escritor Antônio de Alcântara Machado explorou as inovações urbanas ocorridas no período dos anos 20 e 30, quando teve início a industrialização na cidade de São Paulo e, em especial, nos bairros ocupados por imigrantes italianos, cujo registro de traços comportamentais e linguísticos se encontra bem caracterizado em Brás, Bexiga e Barra Funda (1927): “Ali na Rua Oriente a ralé quando muito andava de bonde. De automóvel ou carro só mesmo em dia de enterro. De enterro ou de casamento. Por isso mesmo o sonho de Gaetaninho era de realização muito difícil. Um sonho. O Beppino por exemplo. O Beppino naquela tarde atravessara de carro a cidade. Mas como? Atrás da tia Peronetta que se mudava para o Araça. Assim também não era vantagem. Mas se era o único meio? Paciência.”

Outro que sempre elogiou a cidade foi Adoniran Barbosa.

“Não posso ficar nem mais um minuto com você

Sinto muito amor, mas não pode ser

Moro em Jaçanã,

Se eu perder esse trem

Que sai agora as onze horas

Só amanhã de manhã.

Além disso mulher

Tem outra coisa,

Minha mãe não dorme

Enquanto eu não chegar,

Sou filho único

Tenho minha casa para olhar

E eu não posso ficar.”

Enfim, São Paulo são várias cidades dentro de uma megalópolis. Com diversidade de culturas, comidas, lazer, trabalho, etc. A Região Metropolitana se tornou uma área que inclui, além de São Paulo, outros 38 municípios que a circundam. Como em toda metrópole de grandes dimensões, a densidade demográfica é grande e quase não se vê a divisão entre os municípios. Ao todo, são 20 milhões de pessoas, muitas vindas de vários pontos do Brasil e do mundo. Um caos sem soluções, mas quem vive aqui acostuma ou vicia. Ou sonha em mudar. Mas nunca vai embora! 

Hayrton Rodrigues do Prado Filho

hayrton@uol.com.br

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