Missão impossível

 
 
Quantas vezes eu já me deparei com a definição da missão da empresa que não quer dizer nada. Virgílio Ferreira Marques dos Santos (virgilioms@gmail.com), da EDTI – Melhoria de Processos e Análises de Dados, assegura que a maioria é recheada de obviedades do tipo oferecer o máximo valor aos nossos clientes e aos nossos acionistas. Constam em muitas missões também palavras da moda como sustentabilidade, responsabilidade e ética. Poucas declarações são focadas na criação de empolgação, aprendizagem, foco, desafio e compromisso. “Algumas empresas que visitamos, geralmente micro e pequenas empresas, utilizam exemplos dos manuais de cursos de empreendedorismo para cunhar sua declaração de propósitos, preocupando-se muito mais com a forma do que com o conteúdo. Às vezes, frases ou mesmo o estilo do líder da empresa, empolga e direciona mais do que lindos cartazes e placas sem vida espalhados pela empresa. Muitas consultorias definem visão, missão, valores, propósitos, mantras, gritos de guerra, hinos e outras coisas do gênero de maneira rigorosamente distintas, através de manuais e explicações sobre a importância de cada uma delas para o sucesso do negócio, mas na realidade (e na nossa experiência), não faz muita diferença para o sucesso do negócio se a missão ou visão estão trocadas ou se empresa não segue a nova moda de declarar mantras. O mais importante, é que a empresa ache formas de dizer ao mundo e à sua equipe, de maneira verdadeira e enobrecedora, o que é e o porquê existe. Em nossas consultorias auxiliando micro e pequenas empresas a melhorarem sua competitividade, sempre questionamos seus proprietários sobre sua missão e visão e poucos lembram o que escreveram em seu site ou nas lindas placas que estão afixadas na entrada da empresa. Porém, ao questionarmos seu real propósito, seu legado e o que esperam conquistar no futuro, os empresários mais bem sucedidos e de crescimento mais acelerado tem uma resposta clara e precisa que vem do fundo do coração. É característica dos bem sucedidos transmitir esta empolgação e orgulho aos demais colaboradores e clientes, que pela proximidade com o proprietário, geralmente compartilham do seu propósito.”, explica

Segundo ele, quando os clientes procuram ajuda na criação da estratégia, o conselho é começar sem formalismos, deixando o empresário livre para expor o que realmente sente e quer para sua empresa, apelando para seus melhores instintos. “Deste modo, forçamos nossos clientes a fugir das declarações plásticas, porém genéricas, feitas da boca para fora e tiradas muitas vezes das revistas de negócios, auxiliando-os a criarem uma declaração que se aplique unicamente a sua empresa, permitindo um direcionamento suficientemente claro para os próximos anos. Faz parte da análise estratégica também, a revisão anual do propósito, visão e missão declarados no ano anterior, para confirmarmos se realmente a empresa acredita e pratica o conteúdo declarado. É avaliando o progresso da empresa, através dos indicadores estratégicos que podemos discutir e avaliar os progressos alcançados”.

Muitas vezes a visão e a missão são confundidas, gerando consequentemente confusão em cascata que inevitavelmente atinge toda a organização interna e externamente, uma vez que visão e missão sempre acabam num quadro na recepção e no restaurante da empresa. Missão refere-se ao propósito da empresa. É uma descrição precisa do que a organização entrega a seu mercado no contexto do negócio em que está inserida. Na missão, encontram-se objetivos gerais, princípios, detalhes da operação e como a empresa está organizada. Em resumo, pode-se dizer que a visão aponta para um ideal e a missão explica como chegar lá.

Um bom começo para quem ainda não tem clara a missão da empresa é articular, mesmo que superficialmente, nesta fase: Quais os produtos e serviços que sua empresa pode promover com qualidade? Quais os clientes que sua empresa quer servir? Quais as necessidades destes clientes que seus produtos estão suprindo? Qual sua capacidade de abrangência, ou cobertura geográfica? Qual seu diferencial? Por que o cliente escolheria sua empresa para comprar? O quão rápido todas as respostas às questões listadas acima se modificam?

Um ótimo exercício é enviar estas perguntas, individualmente, a cada dirigente da empresa e analisar as respostas em grupo. O objetivo, além de testar se há consenso entre os líderes, será primordialmente refinar a definição do que, afinal, é o negócio da empresa!

“Na EDTI, o que nos une é a paixão pelo aprendizado e por transmiti-lo de maneira objetiva e aplicada aos nossos clientes. Gostamos de auxiliá-los a superar desafios e problemas complexos que afetem seus clientes, através da utilização de um método para melhoria. Não faz parte de nossos valores atribuir a responsabilidade ao pessoal pelo não alcance das metas, pois cremos que simplesmente definir metas sem definir claramente o método pelo qual atingi-las, é questão de crueldade e não de liderança. Trabalhamos para que a empresa melhore de forma sistêmica, avaliando a capacidade real do processo e não simplesmente pedindo aos funcionários que trabalhem mais ou forçando metas irreais. Buscamos transmitir aos nossos clientes nossos valores e nossa paixão por ajudá-los”, esclarece Virgilio.

É importante destacar que a missão é da empresa, mas os propósitos são das pessoas e são eles que levam ao comprometimento que leva aos resultados. São bons resultados que levam ao sucesso. Portanto, os propósitos devem ser claros, específicos, objetivos e envolventes. Porque é o envolvimento que vai levar ao comprometimento para a execução da visão. Enquanto a missão nos mostra para onde estamos indo, e tem conexão direta com a estratégia da empresa, a visão nos mostra o que queremos ser dentro de um período, é o sonho da empresa.

Além disso, a missão reflete uma relação direta entre o mercado de atuação e a empresa. É fundamental ter consciência de que os mercados estão em constante mudança. Portanto, a missão deve ser dotada de flexibilidade no sentido de se verificar a real validade no contexto atual do mercado. Se for preciso mudar parte ou toda a missão, é melhor fazê-lo do que enfrentar as rejeições naturais a uma empresa que não consegue justificar sua existência.

Alguns pontos que devem ser levados em consideração incluem: O que a empresa deve fazer? Para quem deve fazer? Para que deve fazer? Como deve fazer? Onde deve fazer? Qual responsabilidade social deve ter? Que visão de futuro deve ter? A missão da empresa seja transmitida para todos os funcionários, a comunicação deve ser de tal forma que nos diversos níveis hierárquicos seja decodificada de maneira que as pessoas entendam.

Esse sistema de comunicação deve ser eficiente tanto para o público externo, como para o interno. É preciso transformar informação em compreensão. O contexto também deve ser entendido. Relacionando o que se sabe e o que não se sabe, todos aprendem e o clima e cultura da organização se transforma e permite um aprendizado mais rápido e completo. A principal preocupação de quem quer vender um produto ou uma idéia e ter sucesso é garantir que novo produto ou idéia se relacione com alguma coisa que o mercado já conheça.

Alguns exemplos de missão empresarial de empresas, sem citar o nome delas:

  • Oferecer soluções de produtividade na utilização de pneumáticos com a finalidade de satisfazer as expectativas do cliente com qualidade superior e alta tecnologia, em qualquer local do país, com responsabilidade social de gerar empregos, impostos e preservar o meio ambiente.
  • Nossa Missão é o diagnóstico e tratamento clínico-cardiológico, fundamentados em base ética, buscando a excelência e utilizando a tecnologia disponível.
  • Oferecer soluções seguras para fundidos ferrosos para partes e componentes da indústria de base, fundamentadas na pontualidade, competitividade e interesse garantidos.
  • A nossa missão é prestar serviços à indústria e atuar na engenharia de concreto dentro dos princípios éticos e de excelência, assegurando a satisfação dos seus clientes e a justa remuneração do capital e trabalho.
  • Somos empresa naturalmente ética. Desempenha sua missão de prover a necessidade de saúde das pessoas, com produtos de excelente qualidade, aliando técnica e inovação, com padrão internacional de fabricação na área farmacêutica, promovendo a oportunidade de desenvolvimento econômico e social, gerando empregos e realização para os funcionários, diretoria e fornecedores.
  • Nossa missão é atender as necessidades de transporte de nossos clientes, aprimorando nossos produtos e serviços, prosperando como empresa e proporcionando retorno aos acionistas.
  • Conquistar e manter clientes, com remuneração adequada ao capital e satisfação crescente dos colaboradores.

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Confiabilidade de instrumentos de medição

Em qualquer processo produtivo, deve-se garantir que as medições realizadas sejam confiáveis e para isso, além de especificar adequadamente os instrumentos de medição, deve-se garantir a rastreabilidade de tais medições. Embora a rastreabilidade seja assegurada com as calibrações dos instrumentos, a correta interpretação e aplicação dos resultados obtidos (erro e incerteza) bem como a manutenção da calibração são fundamentais, pois a desconsideração desses fatores pode comprometer a produção.

A manutenção da confiabilidade metrológica dos instrumentos de medição/padrões visa assegurar que as medições realizadas com esses instrumentos/padrões sejam confiáveis e rastreáveis. O ponto principal do plano de manutenção da confiabilidade metrológica é o plano de calibração dos instrumentos ou padrões

Já um plano de calibração objetiva manter a confiabilidade e rastreabilidade desses instrumentos de medição. A rastreabilidade é garantida quando o instrumento ou padrão é calibrado de forma a ter evidenciada sua rastreabilidade. A norma ISO/IEC 17025 estabelece a rastreabilidade ao Sistema Internacional (SI) dos seus próprios padrões e instrumentos de medição, por meio de uma cadeia ininterrupta de calibrações ou comparações, ligando-os aos padrões primários das unidades de medida SI correspondentes. Essa norma indica ainda que, quando forem utilizados serviços externos de calibração, a rastreabilidade da medição deve ser assegurada pela utilização de serviços de calibração de laboratórios que possam demonstrar competência, capacidade de medição e rastreabilidade.

A calibração é uma atividade fundamental nos procedimentos de garantia da confiabilidade metrológica de instrumentos ou sistemas de medição. Se efetuada a intervalos de tempo criteriosamente definidos, pode-se garantir confiabilidade dos resultados medidos e rastreabilidade aos padrões nacionais ou internacionais reconhecidos. A exigência de procedimentos de calibração formalmente documentados e de sua aplicação a intervalos de tempo preestabelecidos está especificada nas normas ISO 10012-1 e ISO 9001. A calibração é uma atividade onerosa que normalmente demanda muito tempo, exige pessoal qualificado e reduz a disponibilidade do instrumento ou sistema de medição no processo produtivo. Nesse sentido, o perfeito entendimento dos objetivos da calibração e da aplicação de seus resultados é essencial.

Assim, os resultados de uma calibração destinam-se: a obter a curva e/ou tabela com as características metrológicas do instrumento ou sistema de medição visando determinar se nas condições em que foi calibrado está em conformidade com uma norma, especificação legal ou um erro máximo adotado pela empresa; a obter a curva e/ou tabela com valores de tendência e sua incerteza, com o objetivo de corrigir efeitos sistemáticos visando reduzir a incerteza do resultado da medição; a analisar o comportamento operacional e metrológico do sistema ou instrumento de medição, nas suas fases de desenvolvimento, aperfeiçoamento e comprovação de adequação, incluindo o estudo dos efeitos das grandezas de influência sobre seu comportamento.

No Brasil, o órgão responsável por manter os padrões primários e dar a rastreabilidade às medições é o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro). Quanto ao intervalo de calibração dos instrumentos de medição, pode ser dizer que vem especificado no manual ou na sua especificação. Este intervalo de tempo deve ser seguido até obter-se um histórico do comportamento do instrumento/padrão. Quando a evidência da estabilidade do instrumento permita o aumento do intervalo entre calibrações.

O intervalo de calibração também pode ser determinado pela experiência dos técnicos da empresa com instrumentos similares, mas para isso é necessário um histórico de informações referentes a calibrações e verificações de instrumentos da mesma natureza. Mesmos com esse conhecimento é necessário à calibração em intervalos menores nos primeiros anos de utilização para averiguar se o instrumento em questão segue o padrão de comportamento dos instrumentos similares já utilizados pela empresa.

O intervalo de calibração pode ser definido como o período de tempo compreendido entre duas calibrações consecutivas de um determinado sistema ou instrumento de medição. Os principais fatores que influenciam na definição do intervalo inicial de calibração incluem: as condições e freqüência de uso do sistema ou instrumento de medição; as recomendações técnicas de normas ou de fabricantes; as características construtivas do sistema de medição; o nível de incerteza requerido para a medição.

Apesar da escolha inicial do intervalo de calibração ser na maioria da vezes de natureza subjetiva é muito importante que a escolha seja a mais consistente possível. Isso é justificado pelo fato de que usualmente esse intervalo selecionado permanece constante nas primeiras calibrações, já que uma mudança adequada do intervalo só é possível após um razoável conhecimento das características metrológicas do sistema de medição através da análise dos dados históricos das calibrações.

É necessária a revisão contínua do intervalo de calibração. Basicamente, alguns fatores contribuem para isso: aumentar a confiabilidade entre os intervalos (redução do risco de não conformidade) e minimização dos custos com as calibrações periódicas; possibilidade de alterações das características metrológicas do sistema ou instrumento de medição ao longo do tempo; possibilidade de mudanças das condições de utilização do sistema ou instrumento de medição ao longo de sua vida útil.

Existem várias metodologias para os ajustes dos intervalos iniciais de calibração. A norma ISO 10012-1 apresenta no seu anexo A as diretrizes para determinação de intervalos de comprovação para equipamentos de medição cinco métodos de ajustes de intervalos iniciais de calibração independentemente do sistema ou instrumento de medição utilizado. Como não existe um método ideal aplicável à toda gama de sistemas de medição, cabe à empresa estudar o mais adequado às suas necessidades.

É importante ressaltar que, além de garantir a confiabilidade metrológica dos instrumentos, o plano de calibração auxilia na manutenção da confiança do processo no qual a medição esta envolvida. Todo instrumento, quando enviado a calibração, fica inoperante pelo período de translado e que esta no laboratório sendo calibrado, devendo desta forma, ser verificado junto a seu usuário a possibilidade de substituição ou retirada de operação durante período de calibração.

Para instrumentos utilizados em processos críticos. deve-se ter ao menos um instrumento reserva com a calibração em dia para que, caso haja uma quebra do instrumento ou retirada para calibração, exista outro instrumento para substituir o inoperante prontamente. O gestor do plano de calibração deve considerar a necessidade da existência de instrumentos replicados e garantir que em momento algum exista conflito de datas de calibração de modo que a empresa não fique desamparada. Já a escolha do laboratório responsável pela execução da calibração deverá levar em conta a incerteza requerida pelo processo produtivo. A capacidade de medição de cada laboratório pertencentes à Rede Brasileira de Calibração (RBC) e Rede Brasileira de Laboratórios de Ensaios (RBLE).

Em relação ao intervalo de calibração, que na maioria dos casos é indicado pelo fabricante, pode ser alterado para melhoria da confiabilidade e redução de custos. A determinação do intervalo depende, entre outros fatores, da freqüência de utilização do instrumento ou padrão. A definição de um pequeno intervalo nos primeiros anos para melhor conhecimento do equipamento é viável uma vez que se faça um estudo e acompanhamento do seu comportamento. Os instrumentos com grande freqüência de utilização e de vital importância no processo produtivo devem ter uma freqüência de verificação compatível com sua importância. Quando já se tem estabelecido um histórico de calibrações de um instrumento/padrão pode-se, considerando alguns fatores, aumentar o intervalo entre as calibrações.

Um desses fatores é analise da tendência do comportamento do instrumento. Esta análise nos permite inferir o comportamento futuro do padrão e o comportamento em operação entre as calibrações. Essa análise permite determinar um fator temporal de correção que pode ser acrescido ao erro para maior confiabilidade na medição que pode ser também somado à incerteza.

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