A cultura do desperdício

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O Brasil é um país onde a abundância de recursos naturais acarretou uma cultura do desperdício de água, alimentos, matéria prima, etc. Essa cultura do desperdício esta enraizada no brasileiro, o que torna o país menos competitivo em termos de oportunidades, eficiência e redução de custos. No caso dos alimentos, o desperdício se dá em todas as fases de sua produção, desde o seu plantio e colheita, até o consumidor final. Calcula-se que hoje, no Brasil, 20% de toda a sua produção agrícola se perde durante a colheita e que outro tanto durante o transporte ou devido a embalagens inadequadas. Esta perda só não se compara aos países do primeiro mundo, onde ela é menor, mas há países que perdem até 70% de sua produção devido a causas diversas. Tudo isso determina a incineração de milhares de toneladas de alimentos devido à sua má conservação, deterioração ou contaminação por agrotóxicos.

No caso da água, o país detém 77% das águas de superfície da América do Sul e é um dos que mais sofrem com o desequilíbrio entre a oferta e a demanda, o desperdício, a poluição ambiental e a violação das áreas de preservação dos cursos de águas. Calcula-se que 40% da água são desperdiçadas, Um índice considerado muito alto. Por exemplo de 100 litros usados 40 poderiam ter sido poupados. Apenas 16% dos esgotos sanitários são tratados e o restante é jogado in natura nos rios. – 45% da população brasileira ainda não tem acessos aos serviços de água tratada e 96 milhões de pessoas vivem sem esgotamento sanitários. – 72% dos leitos hospitalares são ocupados por pacientes vítimas de doenças transmitidas através da água com disnteria, hepatite, cólera e esquistossomose.

Armando Marsarioli Filho, diretor geral do Instituto Nacional da Manutenção (Inaman), comenta sobre o assunto que o impressiona nesse “Brasil de Meu Deus” é o desperdício que se vê em certos departamentos, num período de colapso dos países economicamente fortes, em que se deveria explorar, ao máximo, os recursos e as oportunidades para, de uma vez por todas, a nação se consolidar nesse ringue mercadológico em que peleja. “Enquanto importantes competidores estão nocauteados em pé, atuamos de forma irresponsável, consumindo recursos imprescindíveis para a consolidação da nossa perenidade. Gastos e desperdícios invisíveis que poderiam prontamente subsidiar o salto, tão necessário, para a evolução tecnológica do setor da manutenção. Lesões gerenciais que afetarão o provisionamento de recursos e que, inevitavelmente, inibirão a nossa performance para nos tornarmos ícones de competitividade nessa arena global. A nossa cultura de estoque de peças para reposição, utilizadas pela manutenção de máquinas, equipamentos, veículos etc., é a evidência prática do pecado do desperdício e o exemplo vivo de que o diabo realmente existe”.

Segundo ele, de forma geral, as empresas concordam que possuem, em estoque de peças sobressalentes, algo em torno de 10% a 20% do custo da manutenção – acreditem, há empresas em que esse custo chega a 40%. Estima-se, com isso, que temos no Brasil cerca de R$ 15 bilhões em estoque de peças para manutenção, armazenados nas empresas de todo tipo de segmento (industrial, automotivo, agrícola etc.), em todo o território brasileiro. Logicamente, que nesta cifra não estão contempladas as peças estocadas nas empresas de distribuição, quais ainda não foram vendidas para o usuário final.

“Um custo desnecessário. Desperdício gerado pela falta de planejamento dos setores de manutenção. Como se isso não bastasse, trazemos do passado a cultura de pensar que, pelo fato de possuirmos peças de reposição estocadas em nossos armazéns, temos disponibilidade desses itens para qualquer emergência que possa surgir. Para que esses componentes sejam bem aproveitados quando necessária a sua montagem, temos que mantê-los vivos durante o período em que estão estocados, ou seja, são produtos que precisam de procedimentos que os mantenham utilizáveis, tais como: para motores elétricos deve-se, periodicamente, dar um quarto de volta em seu eixo para evitar que o peso do rotor sobrecarregue e danifique os rolamentos. No caso de rolamentos, não se pode armazená-los em locais muito quentes, onde haja trepidações, além do que, é necessário, de tempos em tempos, mudar sua posição de armazenagem. Correias têm posição correta para estocagem, que devem ser inspecionadas periodicamente. Adesivos ou outros produtos químicos possuem prazo de validade que devem ser observados de forma metódica etc., etc. A manutenção e a limpeza das estantes devem ser realizadas, sistematicamente, para evitar poeira e outros tipos de sujeiras que possam comprometer a vida útil desse tipo de investimento. É dinheiro parado, em forma de peças, das quais temos de tirar o melhor proveito e que, sem dúvida, vão influenciar no retorno dos investimentos dos ativos”, acrescenta.

Marsarioli diz, ainda, que tudo isso para dizer que poucas são as empresas que possuem um plano de procedimentos para manter a vida desses produtos durante o tempo de estocagem, o que nos tem levado a deparar com situações em que 60% a 70% das peças armazenadas estão impróprias para utilização. “Ou seja, o que foi um gasto para conservação dos ativos se transformou em sucata, pois aquilo que foi investido em disponibilidade, resultou em componentes inadequados para o uso, que já estão com sua vida útil comprometida antes mesmo de serem montados e que, inevitavelmente, sofrerão algum tipo de falha nos primeiros períodos de operação, condenando tal equipamento ou veículo a voltar, em breve, para as bancadas da manutenção”, conta.

Outra evidência da síndrome da deficiência da gestão de estoques para a manutenção são os procedimentos falhos quais classificam nomes diferentes para os mesmos itens, números diferentes para as mesmas denominações, fazendo com que a mesma peça tenha nomes diferentes ou números de referência distintos. Isso faz com que se compremos produtos que não são necessários e os que são necessários não são comprados. E com isso, outra cifra alarmante reside no fato de que, apesar do alto valor estocado, mais de 80% do que é necessário para as atividades diárias da manutenção é adquirido como compra urgente. “Enfim, alguém tem de botar a boca no trombone. Os responsáveis pelo setor não podem continuar enfiando a cabeça num buraco esperando, confiantes, que o problema vai se resolver por si só. É verdade que, no Brasil, em muitas empresas, ainda a manutenção é considerada “um mal necessário” pela alta direção. Porém é preciso demonstrar nossa competência numericamente. Precisamos mais do que tecnologia e formação técnica. O profissional brasileiro precisa de mais atitude empreendedora, atitude de liderança, atitude de gestão, atitude, atitude, atitude… E para isso é necessário ter iniciativa e, ao longo dessa tão necessária revolução comportamental, vamos perceber que para exercitar iniciativa, algumas vezes é melhor pedir desculpas do que pedir permissão. Não é o nosso conhecimento que define o que somos; são as nossas atitudes”, conclui.

Opinião:verba volant, scripta manent

Fabio Arruda Mortara, presidente da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf Nacional) e do Sindicato das Indústrias Gráficas no Estado de São Paulo (Sindigraf-SP)

A frase em latim do título (“Palavras voam, a escrita permanece”) sintetiza, com absoluta precisão e coerência, as respostas àqueles que continuam céticos com relação à sobrevivência e ao crescimento da indústria gráfica ante o advento das mídias digitais. Ambas não são concorrentes, mas meios complementares destinados a prover informação, conhecimento, educação, cultura, emoção e entretenimento.

A comunicação impressa, contudo, desfruta do consenso mundial quanto à confiança depositada nos conteúdos. Afinal, a cultura da presente civilização foi construída com tinta sobre o papel. As pessoas tendem a acreditar mais no que leem, veem e tateiam nos impressos. No livro “Interactivity by design – Creating & Communicating with New Media”, de Ray Kristof e Amy Satran, os autores observam: “Por causa de sua idade e maturidade, o impresso tem o poder de atribuir credibilidade às informações. Qualquer conteúdo pertencente a um material impresso é rapidamente aceito como verídico. O impresso é um meio de expressão extremamente rico. Livros, revistas ou catálogos apresentam conteúdo organizado para o leitor, através simplesmente de tamanho, formato e layout”.

De fato, neste momento de grandes transformações no Planeta, com produção compulsiva de conteúdos e multiplicação de mídias, incluindo a internet, a confiabilidade no impresso confere peculiar diferencial mercadológico à indústria gráfica. Esta, felizmente, tem conseguido responder à demanda e expectativa, com o aporte de novas tecnologias, mesclando o digital e o analógico, enriquecidas com novos acabamentos, texturas, formatos e cheiros, de modo a atender às crescentes exigências mercadológicas.

O setor parece ter cada vez mais consciência estratégica sobre a importância do serviço que presta, num processo de reconhecimento tácito ao valor de seu produto e trabalho. Isto, porém, amplia as exigências! Significa priorizar qualidade, atendimento e capacidade de oferecer soluções amplas e criativas aos clientes. Sobretudo, implica a imensa responsabilidade de quem produz informação para a posteridade!

Sim, o papel é perene, como testemunham livros muito antigos, dentre eles alguns exemplares da Bíblia remanescentes da primeira impressão feita pelo germânico Johannes Gutenberg, inventor da prensa com tipos móveis, que democratizou o acesso à leitura em meados do Século 15. Uma dessas obras de arte encontra-se na Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, em ótimo estado de conservação. Os impressos também apresentam baixo custo de arquivamento, são recicláveis e têm matéria-prima renovável (no Brasil, 100% do papel destinado à indústria gráfica advêm de árvores provenientes de florestas cultivadas).

Não é sem razão que o ensaísta e escritor italiano Umberto Eco, com a autoridade que lhe confere sua biblioteca de 50 mil volumes, referenda de modo enfático a frase latina sobre a longevidade da tinta sobre o papel: “Eletrônicos duram dez anos; livros, cinco séculos”. Tal crença, aliás, lhe valeu convite do colega francês Jean-Phillippe de Tonac, para analisar o estimulante tema com outro irredutível e aficcionado bibliófilo, o escritor e roteirista Jean-Claude Carrière. O resultado do feliz encontro foi uma interessante obra, cujo título não deixa qualquer dúvida: “Não contem com o fim do livro”. É ler pra crer!

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