Etanol e gasolina: um problemão para a sociedade brasileira

Além de sua qualidade bem abaixo do padrão mundial e de sua excessiva carga tributária, os preços da gasolina e do etanol vão sempre ser um problema para o governo e para a sociedade, pelo menos nos próximos dois ou três anos, mesmo se houver um planejamento estratégico por parte dos responsáveis pelo setor de combustíveis no Brasil. O que parece é que no país não há a lei da oferta e procura. Segundo o especialista em energia Adriano Pires, essa falta de aceitação proposital ou por falta de conhecimento está na raiz da explicação dos problemas atuais do mercado de combustíveis no Brasil.

“Todos se espantam que agora no começo da safra o etanol anidro tenha aumentado seu preço em 15% na última semana. Ora a explicação é a lei da oferta e da demanda. Com o aumento do consumo de gasolina que possui 25% de etanol anidro, provocou a elevação do preço desse último combustível. E porque cresceu o consumo de gasolina e etanol hidratado? Outra vez a explicação é a lei da oferta e da demanda. Com a chegada da crise econômica no final de 2008, o governo brasileiro decidiu incentivar o consumo de bens não duráveis, dentre os quais a compra de automóveis. Ocorreu um boom de vendas e praticamente todos os carros novos foram flex. Num primeiro momento, todos optavam por abastecer com etanol hidratado. O problema é que devido a crise as usinas com dificuldade de obter financiamentos desaceleraram os investimentos em aumento da produção. Mais uma vez entra a lei da oferta e da demanda. Com a produção crescendo menos que o consumo o preço do etanol disparou e os donos de automóveis foram para a gasolina”.

Ou seja, aponta Pires, o mercado de combustíveis apresenta um desequilíbrio estrutural provocado por um total desbalanceamento entre oferta e demanda. Como no curto prazo não é possível aumentar nem a produção de gasolina e etanol, esse ano e em 2012 e quem sabe em 2013, com certeza continuaremos a importar gasolina e a ter preços elevados tanto da gasolina como etanol. Ele informa, ainda, que a publicação da Medida Provisória do Etanol 532/2011 já era esperada por todos e vem como resposta a crise que o mercado de combustíveis vem passando neste ano.

“As consequências mais visíveis foram um significativo avanço nos preços, tanto do etanol quanto da gasolina C, e a crescente necessidade de importação da gasolina e mesmo de etanol. Segundo o governo, a medida é o inicio de um processo de regulação mais amplo, pois envolverá também o biodiesel. A proposta de aperfeiçoar a regulação dos biocombustíveis é bem vinda, o que preocupa é o fato do governo quase sempre confundir regulação com uma maior intervenção no mercado. Ela altera a classificação do insumo de produto agrícola para combustível, prática que permite que a ANP possa atuar na fiscalização, comercialização, estocagem, exportação e importação do produto, dando ao etanol o status de produto estratégico. Não há dúvida que o atual momento pelo qual passa o etanol é culpa de uma omissão do governo e de uma falta de visão dos produtores. Nesse sentido, a MP tenta corrigir a omissão do governo ao dar o poder de regulação a ANP. Porém, há controvérsias sobre a capacidade de atuação da agência, já que a ANP passou, nos últimos anos, por um grande processo de esvaziamento, e tornou-se uma entidade sujeita mais às pressões governamentais do que preparada para cumprir seu papel de ente regulador e fiscalizador. Os produtores perderam a oportunidade de se antecipar ao governo e propor uma regulação, baseada em regras de mercado, no momento onde o etanol era o grande queridinho dos combustíveis. Faltou aos produtores visão e oportunidade de mercado”, assegura.

Enfim, na visão dos consumidores, a intervenção no mercado de etanol não trará uma solução de longo prazo, o que só será possível apenas quando for elaborada uma política que englobe todos os combustíveis. Esse tipo de ação somente irá alterar os investimentos da Petrobras para os biocombustíveis, os produtores que terão seu risco aumentado e reduzirão seus investimentos no etanol, os consumidores que ficarão nas mãos do governo pois os preços serão determinados por questões políticas e o país que deixa de ter a produção e as decisões de investimento sobre o etanol, baseadas no setor privado comprometendo o futuro dessa energia renovável no país.

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