O ruído na vida dos seres humanos

NBR 10151: Como avaliar o ruído em áreas habitadas, visando o conforto
No levantamento de níveis de ruído deve-se medir externamente aos limites da propriedade que contém a fonte, de acordo com item 5.2.1 da norma. Na ocorrência de reclamações, as medições devem ser efetuadas nas condições e locais indicados pelo reclamante, de acordo com 5.2.2 e 5.3, devendo ser atendidas as demais condições gerais. Em alguns casos, para se obter uma melhor avaliação do incômodo à comunidade, são necessárias correções nos valores medidos dos níveis de pressão sonora, se o ruído apresentar características especiais, Clique para mais informações.

ruídoA presença do ruído em um ambiente de trabalho pode lesionar o sistema auditivo dos trabalhadores e causar perda da audição, quando os níveis são excessivos . No início o dano prejudica a audição nas frequências mais altas, em torno de 4.000 Hz, e depois afeta progressivamente as frequências mais baixas. Os indivíduos só percebem esta perda, que é irrecuperável, quando são afetadas as frequências da conversação, o que prejudica sua relação com as demais pessoas. O risco de perda auditiva varia de pessoa para pessoa e começa a ser significativo quando o trabalhador é submetido continuamente a um nível de exposição diária ao ruído superior a 80 dB.

Além da perda da audição, o ruído pode causar problemas cardiovasculares e digestivos. Níveis elevados de ruído podem provocar transtornos do sono, irritabilidade e cansaço. O ruído também diminui o nível de atenção e aumenta o tempo de reação do indivíduo frente a estímulos diversos e isso favorece o crescimento do número de erros cometidos e de acidentes que repercute negativamente na qualidade e produtividade. A avaliação do ruído deve ser feita com medições que devem considerar o nível de ruído e o tempo de exposição do trabalhador.

Os métodos de avaliação do ruído, as características dos equipamentos de medição, bem como os métodos de calibração dos equipamentos constam de normas de higiene ocupacional. O nível de exposição diário ao ruído deve ser mantido abaixo de 80 dB(A). Isto se consegue através do isolamento das fontes de ruído, colocação de barreiras acústicas, aumento da absorção de paredes e tetos, ou diminuindo o tempo de exposição do trabalhador.

Em alguns casos, mesmo após a adoção de todas as medidas de prevenção e controle, é possível que seja necessário, ainda, o uso de protetores auditivos. A forma afetiva como se percebe o som – com prazer ou sem ele – não está claramente associado a menor ou maior capacidade lesiva pelo que, na definição de ruído, entra-se principalmente com as variáveis intensidade e duração. Ou seja, um som, mesmo que desagradável, se for pouco intenso e/ou pouco duradouro, não afetará a saúde. Em contrapartida, o hábito de ouvir a 8ª Sinfonia de Beethoven, a 120 dB durante mais tempo que o devido, poderá provocar lesões auditivas irreversíveis O efeito mais conhecido é a surdez.

Quando a agressão não é demasiado intensa, a surdez corresponde apenas a perturbação funcional e é reversível. Por exemplo, a audição de um som de 90 dB durante sete dias provoca surdez reversível durante cerca de uma semana e a audição de um som de 100 dB durante uma hora e meia provoca surdez reversível que leva cerca de oito horas a recuperar. Já a audição dos mesmos 100 dB durante sete dias provoca uma pequena surdez permanente (pouco mais de 10 dB do zero audiométrico) correspondente a lesão orgânica das células ciliadas da cóclea.

Os seres humanos, quando jovens ouvem sons num intervalo entre os 18 e os 20.000 Hz, embora as frequências mais importantes no relacionamento social sejam as relacionadas com a conversação, entre os 500 e os 2000 Hz, daí que a surdez mais incapacitante seja a que envolve estas últimas frequências. Felizmente que a surdez devida ao ruído industrial inicia-se geralmente numa frequência ainda pouco incapacitante – 4000Hz – dando oportunidade, caso sejam feitas audiometrias periódicas, detectar os que vão desenvolver a surdez e tomar as devidas providências ainda numa fase não incapacitante.

Nem todos ensurdecem quando sujeitos à mesma dose de ruído, pois a susceptibilidade ao ruído é efetivamente muito diferente de pessoa a pessoa. Atualmente, ainda não existe forma de diferenciar preditivamente os que são dos que não são susceptíveis. Isto, aliado ao fato de a hipoacúsia ter início nas frequências dos 4000 Hz e não ser percebida pelo própria pessoa, pois essas frequências não são utilizadas na conversação, o que faz com que as audiometrias periódicas sejam extremamente importantes para detetar ainda em fase inicial os mais susceptíveis ao ruído.

Como já foi referido, quando a surdez se alarga aos 3,000, 2,000, e sobretudo aos 1,000 e 500 Hz, torna-se impeditiva de uma comunicação oral normal. É por isso que a avaliação da incapacidade de uma hipoacúsia leva em consideração a surdez média aos 500, 1.000, 2.000 e 4.000Hz com ponderação superior para os 1.000Hz. Quando a surdez é classificada como de causa profissional é passível de várias formas de compensação, incluindo a compensação monetária a partir dos 35 dB. Acompanha a surdez geralmente zumbidos, por ser uma lesão neurossensitiva.

Existem ainda os conhecidos efeitos psicológicos, alguns inerentes à própria incomodidade do ruído (depressão, ansiedade, agitação e irritabilidade), outros como consequência da impossibilidade de comunicação social (incapacidade de aprendizagem da linguagem por parte da criança) e outros ainda por mecanismos mal conhecidos (por ex.: o ruído diurno altera a qualidade do sono noturno). Estes efeitos são mais graves em pessoas já com debilidades psicológicas. Finalmente, é conhecido o efeito hipertensor e de acarretar taquicardia do ruído devido à maior sensibilização às catecolaminas existentes. As consequências da hipertensão – hipertrofia e enfarte do miocárdio, acidente vascular cerebral, etc. – diminuem obviamente a esperança de vida.

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MASP: os fundamentos para uma abordagem experimental

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Claudemir Oribe

Se de um lado as abordagens totalmente intuitivas são arriscadas e pouco confiáveis, e as analíticas são demoradas, exigindo competências cada vez menos presentes, sobra espaço para novos métodos, derivados de abordagens intermediárias, e que possam minimizar as condições negativas desses extremos. O método da indução experimental de Galileu Galilei e o método hipotético-dedutivo de Karl Popper podem servir de inspiração para o desenho de uma abordagem resolutiva que cumpre esse propósito.

Durante a revolução científica, que ocorreu nos séculos XVII e XVIII, um novo modelo de construção do saber foi desenvolvido sobre as bases da experimentação, que pressupõe a validação dos novos conhecimentos por meio da práxis, observações, experimentos e medidas, utilizando instrumentos cada vez mais precisos. Galileu descobriu, por exemplo, em sua experiência com o plano inclinado, que uma esfera aumenta a velocidade na medida em que desce uma rampa. Embora ele não conseguisse explicar por que – a lei da gravidade só seria formulada por Newton alguns anos mais tarde – ele conseguiu verificar a presença de um fenômeno e até mesmo uma relação matemática de como ele funciona.

Em termos metodológicos, a novidade aqui, é a prioridade da observação sobre as idéias da mente. Naquela época, os conhecimentos aceitos eram contaminados por inferências metafísicas, filosofia Aristotélica e escolástica, influenciada pela Igreja Católica e imposta sob o julgo da santa inquisição. O que se propôs, a partir daquele momento, foi dar mais atenção às observações. Os órgãos dos sentidos, visão, audição, tato, olfato e paladar são as entradas para as quais podemos observar a natureza e os fenômenos e, assim, extrair leis à luz de experiências sensatas e demonstrações necessárias.

Simultaneamente a Galileu, Francis Bacon desenvolveu a indução por eliminação da hipótese falsa, que tem por premissa a construção de axiomas ou leis a partir da observação onde o fenômeno se apresenta, onde não se apresenta e os casos em que se apresenta com maior ou menor intensidade. Para ele isso só é possível diante da união entre duas faculdades, a experimental e a racional. Assim, Bacon reconhece o valor da intuição como ponto de partida, mas defende ferozmente a submissão das idéias à demonstração, por meio de técnicas experimentais. Bacon defendia que o conhecimento deve ser criado para servir o homem em suas necessidades básicas e, por isso, foi considerado o filósofo da era industrial.

Posteriormente, em meados do século passado Karl Popper, cria o método hipotético-dedutivo que reúne as idéias do empirismo e do racionalismo numa única estrutura de pesquisa. Ao invés da eliminação, Popper prefere a verificação e a tentativa de falseamento, ou seja, além de tentar provar a tese, é preciso também tentar refutá-la e, se ela resistir a essa tentativa, pode então ser considerada válida. Assim, para Popper, quer nós verifiquemos ou refutemos, de qualquer forma fazemo-lo com a ajuda de duas ferramentas: a lógica e a confrontação com os fatos. As teorias são julgadas por dois juízes: consistência lógica e conformidade com os fatos. A diferença entre os dois modelos situa-se apenas em saber se “os fatos condenam os pecadores ou canonizam os santos”.

Tais fundamentos, retirados da metodologia científica, são argumentos válidos para que o método hipotético-dedutivo seja aplicado na resolução de problemas nos ambientes organizacionais, embora adaptado, e sem o mesmo grau de rigor exigido em trabalhos de natureza acadêmica. No entanto, mesmo que a experimentação já esteja presente na investigação científica, falta um método que oriente as organizações na resolução sistemática e estruturada de problemas e que seja mais rápido e mais fácil, bem como as ferramentas específicas para levar a cabo tal intento.

Tal método surgiria como uma alternativa aos métodos analíticos mais estruturados, como o MASP, onde a premissa básica é encontrar os “porquês”, explicar o problema até seus níveis mais profundos e atacar a causa raiz. Como em grande parte dos problemas, os “porquês” mais profundos não precisam necessariamente serem levantados, a imposição dessa regra acaba, frequentemente, agindo como um obstáculo intransponível às pessoas, sobretudo aquelas menos dotadas de habilidades lógicas e analíticas.

No método experimental, a experiência comprova as relações entre o problema e suas causas e a ocorrência de problemas pode ser controlada por meio da ação deliberada sobre as causas, mesmo ignorando inicialmente os “porquês”. Nessa linha, a conhecida ferramenta “5 Porquês” não seria utilizada no princípio da análise, mas ao fim, somente para as causas comprovadamente existentes. Usar o “5 porquês” no início de uma análise de problema tem se mostrado penoso para as pessoas, sobretudo novos entrantes no ambiente de trabalho, onde a experiência e conhecimentos limitados restringem o uso da intuição e limitam o desdobramento, preciso e sem saltos, que essa ferramenta exige. Na verdade, em muitas atividades profissionais, as pessoas trabalham com regras e conhecimentos prévios, das quais nem se conhecem os “porquês” da maior parte das coisas.

Um exemplo são os cozinheiros, sejam eles profissionais ou amadores. Provavelmente, muito pouco deles conhecem todos os fenômenos físicos, químicos e biológicos que estão por trás das reações de massas, líquidos e ingredientes. Talvez a grande maioria ignora até mesmo o fato de que aquelas disciplinas formam o pano de fundos de seu trabalho. Mas isso não os impedem de trabalhar bem e de obter resultados maravilhosos, pois observaram as reações e os resultados de combinações e de processos de aquecimento, de mistura, de conservação etc. Aprenderam com a experiência própria ou passada de uns para outros, embora poucos saibam, exatamente, os “porquês” de aquelas coisas acontecerem em suas panelas e fornos.

A título de exemplo, todo mundo sabe, mesmo o leigo, que o arroz japonês gruda, mas pouquíssimas pessoas sabem que é devido ao baixo teor de amilose no grão de arroz oriental. Se um restaurante deseja ter um excelente sushi em seu cardápio, poderia experimentar cada marca de arroz para escolher a mais adequada, sem que, para isso, seja necessário medir o nível de amilose ou descobrir como cultivar um arrozal para ter o nível mínimo de amilose necessário. Mesmo que isso seja possível, não é da responsabilidade do proprietário do restaurante ou do sushiman. Essa tarefa cabe aos agrônomos e produtores. Este é um exemplo de atividade onde, o simples conhecimento das relações entre causas e problemas, pode ser suficiente para o trabalho ser adequadamente realizado. Outras atividades com as mesmas características e com potencial de aplicação de um método experimental são: o desenvolvimento de novos produtos, a manutenção, o marketing, as vendas, a produção, os recursos humanos e várias outras. Assim, conhecendo as regras e leis, podemos trabalhar com ela, mesmo não sabendo exatamente ou completamente os porquês envolvidos.

Pode-se dizer que a uma abordagem experimental é um meio caminho para a abordagem científica, mas, nem por isso, deixa de ter boa dose de cientificidade. Basta dizer que, praticamente, todos os filósofos que lançaram as bases para a metodologia científica, defendiam a verificação dos fatos por meio de experimentos para formulação de leis, ou vice-versa, no processo de desenvolvimento de conhecimento. A utilização dessa abordagem na resolução de problemas não se destina a poupar recursos ou encurtar o tempo, mas sim para se apresentar como alternativa quando um método estruturado, como o MASP, Seis Sigmas ou outro, seja considerado inviável, devido ao excesso de prioridades, à falta de recursos ou quando se estiver diante do fato de que uma solução boa é suficiente, muito embora não seja a ideal.

Claudemir Y. Oribe é mestre em administração de empresas PUC Minas/Fundação Dom Cabral e sócio consultor da Qualypro – claudemir@qualypro.com.br

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Ou acesse o site do MASP da Qualipro:

http://www.masp.inf.br/site/

Curso:
A reciclagem obrigatória na NR 10

A Norma Regulamentadora n.º 10, constante da Portaria n.º 598 de 07/12/2004 do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) que estabelece os requisitos e as condições mínimas para a implementação de medidas de controle e sistemas preventivos de acidentes com eletricidade. Atualmente, observa-se uma grande quantidade de acidentes de trabalho que vem ocorrendo nesta atividade, principalmente em mortes de trabalhadores que lidam com alta tensão. A terceirização de trabalhadores que atuam no ramo tem contribuído muito para a elevação de acidentes. Ou seja, os terceirizados acabam não recebendo o treinamento e equipamentos adequados, o que os tornam as principais vítimas de fatalidades. Clique para mais informações.

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