Os riscos das explosões em edifícios industriais e comerciais

As explosões estão na origem de grandes danos pessoais e materiais em instalações onde são desenvolvidas atividades econômicas e a segurança contra esses riscos devem ser aumentada, principalmente na redução da eclosão de um incêndio que normalmente é o início de todo o processo.

Mauricio Ferraz de Paiva

Os gases inflamáveis, como o hidrogênio, metano, gás natural e o GLP, entre outros, quando combinados com o ar em determinadas faixas de concentração, formam uma mistura explosiva. Estas faixas de concentração são geralmente muito baixas (a do metano vai de 5 a 15% ), e como consequência, se nestas condições houver o aparecimento de uma chama aberta ou uma centelha provocada pela operação de um equipamento elétrico, haverá uma explosão.

Um exemplo que vem ocorrendo em São Paulo e que tem chamado bastante a atenção da mídia é o caso do Shopping Center Norte, que entrou na lista de áreas contaminadas críticas da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) por causa da existência do gás metano no terreno, que foi utilizado durante décadas como depósito de lixo antes da construção do estabelecimento, nos anos 80. Até a Prefeitura entrou no processo e determinou a suspensão de todas as atividades do shopping e aplicou uma de R$ 2 milhões por descumprimento da Lei de Crimes Ambientais.

No ambiente industrial, as regiões que possuem possibilidade de ocorrência de atmosferas explosivas são chamadas de áreas classificadas. Como os equipamentos elétricos e eletrônicos produzem centelhas quando em funcionamento, apenas tipos especiais podem ser empregados nestes locais. Além das substâncias e processos serem c onhecidos e controlados por profissionais treinados, os equipamentos atendem aos requisitos das normas técnicas. Portanto, há todo um contexto para minimização dos riscos.

Porém quando estas substâncias inflamáveis escapam para o ambiente urbano, encontram não só o desconhecimento e despreparo da população, como a falta de recursos e procedimentos específicos que estabeleçam as ações necessárias à segurança. O risco poderá se manifestar no simples ato de se jogar uma ponta de cigarro num bueiro de águas pluviais. Deve-se ressaltar que as substâncias inflamáveis já estão sendo encontradas no ambiente urbano com muita frequência, como em áreas contaminadas, em vazamentos em instalações de gás encanado, vazamentos em postos de gasolina, e o metano das redes de esgotos. Embora o ambiente industrial tenha sido o pioneiro nas considerações sobre explosões, podemos hoje dizer que o conceito está extrapolando para o ambiente urbano devido à uma série de fatores, que vão desde inobservância das normas técnicas, até inoperância dos órgãos fiscalizadores governamentais, passando por condições irregulares de instalação e manutenção das instalações.

Para a proteção, devem ser usados extintores portáteis e/ou sobre rodas de pó BC, quando existir somente líquidos, ou pó ABC quando é possível um incêndio em sólidos; detectores automáticos de incê ;ndio; sistema de hidrantes para o resfriamento e proteção de prédios e instalações vizinhas; chuveiros automáticos ou sprinklers; sistemas de água nebulizada para refrigeração de tanques de líquidos ou gases; sistemas fixos ou manuais de espuma para extinção de incêndios em líquidos, ou para sua prevenção em caso de derrame; e detectores de gases inflamáveis no interior e/ou no exterior dos prédios.

Mauricio
MAURICIO FERRAZ DE PAIVA

Por tudo isso, a sociedade precisa conhecer e aplicar a norma NBR 15662 que estabelece os requisitos para elaboração de programa de gerenciamento de riscos de explosão, a ser desenvolvido para projetos industriais elou comerciais e para instalações existentes que contenham riscos de explosão. Na verdade, o gerenciamento de riscos de explosão deve ser um programa desenvolvido para projetos industriais e/ou comerciais e para instalações existentes que contenham riscos de explosão. Os riscos de explosão devem ser eliminados elou minimizados usando a prevenção para evitar formação de atmosferas explosivas; para evitar a presença de fontes de ignição; e para limitar os efeitos de uma explosão.
O desempenho do programa de gerenciamento de riscos de explosões e seu emprego dependem da natureza e explosividade da substância combus tível e ou suas misturas; do desenvolvimento de temperatura, pressão, turbulência, característica do escoamento do produto etc.; do tamanho e geometria do vaso; da efetividade dos dispositivos de proteção ou da supressão da explosão; do desempenho característico dos dispositivos de proteção e ou supressores de explosão. Dessa forma, a elaboração e/ou validação do programa de gerenciamento de riscos de explosão para um perigo específico pode exigir outros métodos de trabalho elou avaliação teórica. Essa interpretação e aplicação devem ser realizadas por profissional habilitado ou especialista com experiência comprovada em prevenção elou proteção contra explosões.
A própria norma detalha qu e esse gerenciamento deve ser aplicado para projetos de instalações industriais e/ou comerciais que contenham riscos de ocorrer explosão dentro de seus limites de propriedade, decorrente da ignição de uma mistura explosiva. O gerenciamento de riscos de explosão se aplica a todas as fases de projeto industrial e/ou comercial. As fases de projeto são as seguintes: conceitual, preliminar, projeto básico, detalhamento, construção, – ensaios e pré-partida. Ele também se aplica para as fases operacionais de uma instalação industrial e/ou comercial existente. As fases operacionais são as seguintes: qualificação, partida, operação, parada, manutenção, aumento, ampliação ou redução de produção, descontaminação e desativação. A responsabilidade na coordenaçã o da elaboração, manutenção, revisão e atualização do gerenciamento de riscos de explosão é do gerente da instalação ou do profissional de nível superior na hierarquia funcional da instalação.
Enfim, todo esse processo deve ser realizado em projetos de instalações industriais e/ou comerciais e também para instalações industriais e/ou comerciais existentes, por meio de verificações técnicas da aplicação de ações ou instrumentos específicos capazes de garantir a segurança contra explosão e demonstrado no cronograma físico da instalação, nas suas diversas fases de projeto. No Anexo A há uma tabela com um checklist preliminar de segurança contra a explosão que os gestores pode m aplicar. Já no Anexo B encontra-se as diretrizes para procedimentos. Com tudo isso, a empresa pode quantificar a quantidade de substâncias passíveis de conduzir a uma explosão de vapores, gases e ou pós na instalação, e as características de explosividade dessas substâncias. Relacionar os parâmetros importantes para se determinar o grau de risco da instalação elou sua operação utilizados nesta instalação.
Alguns desses parâmetros são fundamentais: o tipo e o nível de inflamabilidade da substância, limites de explosividade (ou inflamabilidade), ponto de fulgor, temperatura de ebulição, temperatura de autoignição, pressão de explosão, temperatura minima de ignição, concentração minima de ignição, e nergia minima de ignição, concentração minima de oxigênio, resistividade, índice máximo de explosão, formação de subprodutos ou produtos decomposição, etc.

Mais informações sobre a norma NBR 15662 de 01/2009, clique no link:

NBR15662Sistemas de prevenção e proteção contra explosão – Gerenciamento de riscos de explosões

Mauricio Ferraz de Paiva é engenheiro eletricista, especialista em desenvolvimento em sistemas, presidente do Instituto Tecnológico de Estudos para a Normalização e Avaliação de Conformidade (Itenac) e presidente da Target Engenharia e Consultoria – mauricio.paiva@target.com.br

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Do Princípio Dilbert à administração pós-moderna: o passado, o presente e o futuro da gestão da qualidade

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http://www.qualypro.com.br/novosite/default.asp

Ou acesse o site do MASP da Qualipro:

http://www.masp.inf.br/site/

Claudemir Y. Oribe

Na década de 90, eram bastante populares as tirinhas de um personagem caricato do ambiente de trabalho chamado Dilbert. Esse personagem foi criado por Scott Adams, um americano e empregado típico – submisso e obscuro – de duas grandes corporações. As tirinhas cômicas mostravam como os trabalhadores eram colocados diante de situações ridículas e absurdas por chefes incompetentes, insanos e até mesmo, sádicos. Diante disso, é fácil deduzir que elas caíram rapidamente no gosto do público. O livro Princípio Dilbert ocupou o topo da lista dos mais vendidos do New Yor Times e Dilbert chegou a ser considerado uma das 25 pessoas mais influentes dos EUA. No ano de 1997, Dilbert apareceu na capa da revista Time, como uma das 25 figuras mais influentes dos EUA (America’s 25 Most Influential People) Fonte: Time, ed. 21 April 1997. Disponível em http://www.time.com/time/covers

Scott Adams não perdoava nada. Toda e qualquer técnica ou método de gestão em uso, foi alvo de ironias impiedosas, pois ele se aproveitava de falhas ou insucessos para generalizar um princípio de que tudo que acontece no ambiente de trabalho foi cuidadosamente elaborado para alienar as pessoas. A ISO 9000 não foi exceção. Dilbert usou criatividade e senso crítico incomuns para identificar sentimentos negativos e hilários provocados por implementações de sistemas da qualidade exagerados, mal feitos ou sem sentido. No fundo, ele mesmo viria a reconhecer que queria só fazer rir e ganhar dinheiro. Mas o recado sobre o que pensava sobre Qualidade permanecia. Eu uma de suas tiras, Dilbert está tomando café quando uma pessoa chega para fixar etiquetas em tudo o que vê pela frente. Indagado por Dilbert sobre a necessidade disso, o funcionário afirma que é a ISO 9000 que exige. Dilbert responde que só um idiota faria isso, enquanto assiste seu colega deixar a sala com a tal adjetivo escrito em suas costas.

Passados cerca de 15 anos, vale a pena revisitar Dilbert para analisar como implementamos sistemas de gestão no passado, como o fazemos hoje e como faremos no futuro. Na época de Dilbert, a norma ISO 9001 em vigor era a versão 1994 – uma tímida evolução da primeira versão de 1987. Naquele tempo havia muitas dúvidas sobre como implementar SGQs. As consultorias se proliferaram e as poucas empresas certificadas eram constantemente visitadas. Fóruns de discussão aconteciam a todo tempo e em todos os lugares, e as experiências eram repassadas em numerosos artigos e, principalmente, de boca em boca.

Os sistemas de gestão da qualidade, que eram denominados de sistemas de garantia da qualidade, costumavam ser imensos, com centenas de documentos e formulários para tudo, incluindo, servir café. A ordem era escrever o que você faz e fazer o que você escreve e, pecar por excesso, era o critério aceitável para o tamanho do trabalho a ser feito. Tudo devia ser etiquetado e marcado para que qualquer um pudesse identificar. O temor de não passar numa auditoria superava o temor de perder um cliente. As pessoas eram treinadas para receber o auditor e a preocupação com a qualidade chegava a ser secundária. Tais práticas ocupavam exageradamente as pessoas no mero cumprimento do que foi escrito, nem sempre de forma útil, servindo, portanto, como um prato cheio para Scott Adams.

De lá para cá, tivemos duas revisões na norma, a versão 2000 e o amendment 2008. A versão 2000, houve uma radical alteração de conceitos e princípios. A gestão de processos, o desdobramento de competências, a melhoria contínua e a medição da satisfação de clientes, comprometimento da direção, o foco no resultado e a concepção sistêmica são apenas alguns dos novos elementos publicados há quase dez anos e que estão aí, à disposição das organizações para servir de referência à construção de modelos de gestão próprios e que sirva aos propósitos organizacionais e aos mercados que atendem.

No entanto, embora a norma seja farta de boa fundamentação das diversas perspectivas da administração, Dilbert ainda teria motivos para muitas charges. Embora um esforço enorme seja dispendido o tempo todo para manter as organizações certificadas, pouco tem sido feito no sentido de transformar o sistema de gestão da qualidade em procedimentos úteis. Uma única questão, dirigida à cada prática elaborada com a suposta intenção de manter o certificado, pode comprovar tal assertiva: “─ Quem usa este procedimento/registro?” Se a resposta for “só o auditor”, eis aí uma evidência fortíssima de que aquela prática não é adequada aos propósitos da organização. Deve-se acrescentar que A ISO 9000 possui requisitos relativos à formalização, definição de responsabilidades e autoridades, políticas e práticas que remetem as teorias Clássicas, Neoclássicas, Estruturalista, Administração por Objetivos, Abordagem Sistêmica, Intitucionalista, Relações Humanas, Contingencial e sobretudo da Gestão da Qualidade, se constituindo um verdadeiro mosaico de aprendizado acumulado em mais de 100 anos de história administrativa.

Claudemir Y. Oribe é mestre em administração de empresas PUC Minas/Fundação Dom Cabral e sócio consultor da Qualypro – claudemir@qualypro.com.br

Normas comentadas

Confira quais as normas comentadas disponíveis. Elas oferecem mais facilidade para o entendimento e são muito mais fáceis de usar: http://www.target.com.br/portal_new/produtossolucoes/NBR/Comentadas.aspxNBR 14039Instalações elétricas de média tensão de 1,0 kV a 36,2 kV. Possui 140 páginas de comentários

NBR 5410Instalações elétricas de baixa tensão – Comentada – para windows, versão 2004

NBR ISO 9001 – COMENTADASistemas de gestão da qualidade – Requisitos

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