No Brasil, por trás de muitas viroses e intoxicações estão a higiene e a produção de alimentos de forma inadequada

Com o crescimento do mercado de alimentação, tornou-se imprescindível criar um diferencial competitivo por meio da melhoria da qualidade dos produtos e serviços oferecidos, para que esse diferencial determine quais permanecerão no mercado. A qualidade é aquilo que satisfaz o cliente, e o controle de qualidade é a manutenção dos produtos e serviços dentro dos níveis de tolerância aceitáveis para o consumidor. Desse modo, para avaliar a qualidade de um produto alimentar, deve ser mensurado o grau em que o produto satisfaz os requisitos específicos, sendo que esses níveis de tolerância e requisitos se expressam por meio de normas, padrões e especificações.

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Mauricio Ferraz de Paiva

Em geral, as doenças transmissíveis por alimentos podem ter duas origens: química e microbiológica ou parasitária. As substâncias químicas podem ocorrer de modo natural nos alimentos ou resultar da incorporação intencional ou acidental, em qualquer etapa da cadeia alimentar, de substâncias nocivas à saúde. Constituem exemplos mais frequentes os pesticidas como os organoclorados ou organofosforados, fármacos como os antibióticos, hormônios como os anabolizantes, metais pesados e aditivos.

Recentemente, o caso do Toddinho, fabricado pela Pepsico, em que ocorreram falhas no processo produtivo na fábrica de Guarulhos (SP). O erro fez com que embalagens de Toddynho contivessem produtos de limpeza em vez de achocolatado, em que uma máquina produziu um pequeno lote que não tinha Toddynho e sim uma solução usada para lavar a máquina: água e uma concentração de detergentes de 2%, podendo conter soda cáustica. Outro problema, também em discussão, são os alimentos transgênicos que podem estar aumentando as rinites alérgicas.

Já os problemas causados por diversos agentes de origem endógena, na qual os agentes já se encontram nos alimentos antes de sua obtenção; e de origem exógena, na qual os alimentos são contaminados durante sua manipulação. Em resumo, como fatores de controle devem ser considerados, os materiais de embalagem, as temperaturas de armazenamento, uma eficaz rotação de estoques e o ambiente das instalações. Relativamente aos manuseadores, eles devem ter roupa de trabalho adequada (casacos, botas, toucas, mascaras, etc.) e formação apropriada em práticas de higiene e nos processos devendo estes ter conhecimento das instruções, normas, especificações, legislação aplicável (ou outros). É indispensável avaliar a sua higiene pessoal e ser efetuado o controle da saúde quer definido pela legislação, quer especificado em outro documento. Quanto às instalações, deve estar definida a sua concepção higiênica assim como os requisitos para os processos de limpeza.

Os equipamentos devem ter a manutenção adequada, e quando aplicável, verificados e/ou calibrados para assegurar que se mantêm capazes de operar de acordo com os requisitos especificados. Devem ser considerados todos os equipamentos de inspeção, medição e ensaio cujo resultado possa afetar a qualidade do produto final. Na restauração o equipamento de medição de temperaturas é crítico. Todas as calibrações devem ser rastreadas a padrões internacionais (sempre que aplicável). O plano da qualidade deve identificar os pontos de controle para inspeções e ensaios a matérias primas e embalagem em curso e finais. A análise de risco pode ser usada para identificar os pontos de controle.

Após execução das inspeções e ensaios os problemas detectados devem ser identificados, deve estar definido método de identificação do estado de inspeção para prevenir a utilização inadvertida. Como exemplo de identificações: Passou/Falhou; Aceito/Recusado, Aguardando Inspeção que marquem de forma clara o produto. Sempre que for detectado um produto não conforme, identificado pelas inspeções, reclamações de clientes ou auditorias da qualidade internas. O sistema da qualidade deve prevenir a utilização inadvertida desses produtos até que seja tomada uma decisão de como lidar com eles. Deve ser feita a rastreabilidade do lote desse produto de forma a possibilitar a segregação de potenciais produtos não conformes.

Uma vez que um problema é identificado, há a necessidade de não apenas corrigir a situação de imediato como também identificar, quando possível, as causas. Uma vez que tenham sido identificadas, devem ser tomadas ações para evitar novas ocorrências. As ações corretivas devem ser endereçadas à área responsável, como exemplo auditorias de higiene e análises microbiológicas. Quando apropriado a utilização de técnicas de análise de risco devem ser aplicadas para preencher todos os aspectos preventivos da norma NM ISO 22000, de 2008, da Associação Mercosul de Normalização, que especifica requisitos para sistema de gestão da segurança de alimentos, onde uma organização na cadeia dos alimentos precisa demonstrar sua habilidade em controlar os perigos a fim de garantir que o alimento está seguro no momento do consumo humano. Na verdade, a segurança de alimentos está relacionada a presença de perigos veiculados pelos alimentos no momento do consumo (pelo consumidor). Como a introdução de perigos pode ocorrer em qualquer estágio da cadeia de produção de alimentos, é essencial o controle adequado através desta cadeia.

Assim, a segurança de alimentos deve ser garantida com esforços combinados de todas as partes participantes da cadeia produtiva de alimentos. As empresas da cadeia produtiva de alimentos se estendem desde os produtores de alimentos para animais e produtores primários até os produtores de alimentos para consumo humano: operadores de transporte e estocagem, distribuidores varejistas e serviços de alimentação, incluindo as inter-relacionadas tais como produtores de equipamentos, materiais de embalagem, produtos de limpeza, aditivos e ingredientes. Os prestadores de serviços também estão inclusos.

Dessa forma, essa norma especifica os requisitos para o sistema de gestão da segurança de alimentos que combinam os elementos chave geralmente reconhecidos para garantir a segurança ao longo da cadeia até o consumo final: comunicação interativa; sistema de gestão; programa de pré requisitos; e os princípios de Análise dos Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC). Ela pode ser aplicada independentemente de outras normas de sistema de gestão.

No fundo, a análise dos perigos é a chave para um sistema de gestão da segurança de alimentos eficaz, que auxilia na organização do conhecimento requerido para estabelecer uma combinação eficaz de medidas de controle. Isso requer que todos os prováveis perigos, considerando toda a cadeia produtiva de alimentos, sejam identificados e avaliados, incluindo os que podem estar associados ao tipo de processo e instalações utilizadas. Assim, é fornecido o sentido para determinar e documentar porque certos perigos precisam ser identificados e controlados. Importante é que, para facilitar a sua aplicação, a norma foi desenvolvida como uma norma auditável, mas, as empresas são livres para escolher os métodos necessários e apropriados para suprir estes requisitos.

Uma coisa boa também é que essa norma permite que uma empresa seja ela de que porte for implemente uma combinação de medidas de controle desenvolvidas externamente. A intenção é harmonizar os requisitos de gestão da segurança de alimentos para negócios na cadeia produtiva de alimentos. É particularmente direcionada para aplicação por organizações que procuram um sistema de gestão da segurança de alimentos mais focado, integrado e coerente que o normalmente requerido pela legislação. Isso requer que a empresa atenda a quaisquer requisitos regulamentares e estatutários aplicáveis à segurança dos alimentos através do seu sistema de gestão.

Mais informações sobre a norma NM ISO 22000 de 02/2008, clique no link:

NM-ISO 22000 – Sistema de gestão para segurança de alimentos – Requisitos para qualquer organização na cadeia produtiva de alimentos (ISO 22000:2005, IDT)

Mauricio Ferraz de Paiva é engenheiro eletricista, especialista em desenvolvimento em sistemas, presidente do Instituto Tecnológico de Estudos para a Normalização e Avaliação de Conformidade (Itenac) e presidente da Target Engenharia e Consultoria – mauricio.paiva@target.com.br

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O mercado, o governo e a mídia na nova economia verde

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Vilmar Sidnei Demamam Berna

greenO mercado não faz política. Quem faz política é o governo. O mercado aproveita as oportunidades que a política oferece. Os políticos, por sua vez, procuram estar sintonizados com o que a sociedade espera dela. Mercado, políticos e sociedade dependem de informações para fazerem escolhas e tomarem decisões, e é aí que a imprensa deve ser capaz de cumprir com seu papel social de informar e esclarecer ao publico sobre fatos e tendências.

Quando se fala em política, é preciso lembrar sobre a importância não só do Poder Executivo, mas principalmente dos Parlamentos, na elaboração das leis e no Judiciário, na fiscalização destas leis. É no Congresso Nacional, nas Assembleias Legislativas Estaduais, nas Câmaras de Vereadores que as leis são feitas. Elas resultam quase sempre de um amplo debate democrático onde forcas e interesses antagônicos se confrontam até que surja o consenso sobre o que é possível, como está ocorrendo agora com o Código Florestal, como aconteceu com a Lei Nacional de Resíduos Sólidos que demorou vinte anos para ser aprovada.

Não é verdade que o mercado prefira uma economia suja em vez da limpa. Para o mercado, o que importa é atender às demandas da sociedade, obedecendo ao que as leis determinam e aproveitando dos benefícios e incentivos que oferece. Neste sentido, o mercado mantém um olho no público e em suas tendências, e outro nas leis que estabelecem políticas e incentivos. Quanto mais bem sucedido o empresário for a interpretar a vontade do consumidor e aproveitar dos benefícios que as leis e as políticas oferecem, maiores as chances de ser bem sucedido nos negócios.

E hoje, o negocio é ser limpo e sustentável. A economia suja, de uso intensivo em recursos naturais, de grande pegada carbônica, poluidora e desperdiçadora, terá cada vez mais dificuldade para prosperar. Quem precisa aprovar novos empreendimentos que causarão grandes danos ao meio ambiente ja se apercebeu dessa nova realidade. A sociedade continua demandando por progresso e desenvolvimento, mas não aceita mais que isso se de em desrespeito ao meio ambiente ou de qualquer jeito. A chamada economia verde já aponta como fonte de lucros e oportunidades.

O governo, por exemplo, tem lançado edital para a compra de energia eólica ou solar ou de biomassa. Trata-se oportunidade de novos negócios e empregos onde antes a produção de energia suja dominava. Antes, os investimentos em meio ambiente e sustentabilidade eram divulgados timidamente em mídias ambientais especializadas.

Hoje, estão ganhando as paginas das mídias de massa, demonstrando para o grande publico os avanços e resultados no campo da sustentabilidade. Não se trata de um marketing mentiroso apenas para enganar o publico. Essa época já passou. Agora a sustentabilidade ganha cada vez mais o coração e as mentes do publico em geral deixando os pequenos círculos de iniciados em meio ambiente..

Por outro lado, se é verdade que muito já vem sendo feito no rumo da sustentabilidade, também é verdade que as forcas do atraso e do progresso a qualquer preço ainda dão as cartas e dominam. Veja a situação do lixo, atribuição dos municípios. Ao lado de experiências modelos de aterros bem gerenciados que aproveitam inclusive o metano como energia, ainda convivemos com milhares de lixões e ‘enterros’ sanitários revelando um enorme nicho de oportunidade de negócios para o mercado que resolver investir na solução deste problema.

Os entulhos, sobras de construção civil, geralmente um enorme problema para os municípios, se em vez de cobrados para despejar nos aterros já lotados e com a vida útil comprometida, fossem isentos de pagamento se entregues numa usina de reciclagem de entulho, poderiam ainda ajudar na construção de casas populares virando agregado para a fabricação de tijolos ecológicos, feitos prensados, a frio. Ao adotar políticas de compra sustentável dos ingredientes da merenda escolar ou servida nos hospitais, por exemplo, os governos poderiam incentivar a produção orgânica e local, oferecendo produtos sem agrotóxico e com menor pegada carbônica e ainda incentivar a produção e a fixação das famílias nas áreas rurais do município ou imediações, evitando as migrações para as favelas urbanas.

São exemplos de que é perfeitamente possível mudar por que são mudanças que já estão ocorrendo em diversas cidades brasileiras. Estamos vivendo numa época em que estas duas economias estão convivendo, lado a lado, e os bons e os maus exemplos disso estão por todos os cantos. A divulgação dos bons exemplos ajuda a que a sociedade cobre de seus governantes políticas de mudanças para a sustentabilidade, assim como a divulgação dos excessos, dos maus exemplos, ajudam a sociedade a exigir limites e multas cada vez mais pesadas para aqueles que preferem a velha economia, intensiva no uso dos recursos naturais, que não se importa com a pegada carbônica.

A sociedade pode ajudar a acelerar este processo passando a acompanhar mais, através das redes sociais e da internet, o trabalho de seus representantes políticos e interagir com os mandatos deles, com sugestões e criticas. As ONGs, do chamado Terceiro Setor, podem ajudar, por exemplo, organizando debates públicos e fóruns permanentes de acompanhamento de políticas para manter acesa a chama da mudança para a sustentabilidade e da economia verde, convidando parlamentares, promotores públicos e representantes do governo, exibindo vídeos com os usos e abusos da economia suja sobre a sociedade e as possibilidades e potenciais que a nova economia verde oferece. E quanto mais a sociedade tiver acesso a informações sobre a nova economia verde e sobre a sustentabilidade, melhores serão suas escolhas, tanto de consumo quanto da pressão por políticas publicas, e maior será a velocidade da mudança no rumo da sustentabilidade.

Vilmar Sidnei Demamam Berna é escritor e jornalista, fundou a REBIA – Rede Brasileira de Informação Ambiental (www.rebia.org.br) e edita deste janeiro de 1996 a Revista do Meio Ambiente.

Quanto custa manter um carro?

Reinaldo Domingos

Quando se tem um dinheiro extra, muitos brasileiros decidem utilizar para pagar a primeira parcela da compra de um carro, realizando assim um sonho. Isso representa um sinônimo de liberdade, possibilitando o deslocamento para onde quiser sem depender dos transportes públicos. Entretanto, na realização desse sonho está o risco do descontrole financeiro. O brasileiro que não detém a cultura de controlar seu dinheiro adequadamente, dificilmente perceberá os reflexos que isso trará no seu bolso, principalmente pelo custo de manutenção deste veículo.

Mas, quanto custa o seu veículo? Hoje com a facilidade de aquisição por meio de financiamentos alongados, chegando até 84 meses (sete anos), o que fica registrado na cabeça do jovem é que o custo do veiculo será somente a prestação mensal. Aí é que mora o perigo. Tem que prever o custo de manutenção mensal deste, que muitas vezes será maior do que o valor da prestação.

Se colocarmos no papel gastos como combustível, seguro, IPVA, DPVAT, manutenção, depreciação, estacionamentos, lavagem e eventuais multas; ao fim do mês, veremos que ele será responsável por grande parte dos custos de nosso orçamento. Para se ter uma idéia, um carro popular de 25.000 reais terá um impacto mensal médio de 875 reais nas contas de seu proprietário. Por isso a decisão de adquirir um carro próprio deve ser muito bem pensada, avaliando os prós e os contras e observando sempre se realmente se têm condições de arcar com esses custos. Na maioria das vezes a pessoa pode esperar um pouco mais antes de adquirir, formando uma boa reserva de dinheiro, que será fundamental no futuro de sua saúde financeira. A opção de adquirir um segundo veiculo deve ser também pensada, no caso de não ser extremamente necessária, deverá ser descartada.

O proprietário de um veículo deve ter em mente que é fundamental evitar o uso do mesmo desnecessariamente, uma boa alternativa é revezar caronas ou mesmo utilizar o transporte público quando possível, além de economizar, você estará colaborando com o meio ambiente. Caso o veiculo seja totalmente indispensável, algumas ações podem ser tomadas visando economizar seu dinheiro. O principal item é o combustível (que representa o maior custo de um veículo). Você deve desconfiar de preços muito baixos do combustível vendido. Nesses casos, você deverá pesquisar os postos credenciados e regularizados e que tenham testes de sua autenticidade, porém não se acomode com o posto escolhido, visto que poderá existir outros postos com a mesma qualidade e melhor preço, pesquise mensalmente este item de custo. Uma outra opção que tem sido muito praticada é a transformação do veículo para combustíveis alternativos como o GNV e o álcool.

Antes de sair com seu veículo da concessionária ou agência, faça o seguro. Não se esquecendo de pesquisar entre as seguradoras, visto que existe uma grande flutuação de preços junto às mesmas, devido ao sinistro de cada uma delas. Também uma opção que vem crescendo no mercado de seguros são as empresas de proteção do veículo via satélite, que em alguns casos o investimento poderá ser a opção mais em conta. Enfim, é muito bom ter um veículo, nos trás muita comodidade, entretanto é muito melhor termos o domínio de nosso dinheiro, sabendo que com ele você poderá realizar todos os seus sonhos. Basta que você saiba utilizar seu ganho, focando e materializando seus sonhos antes mesmo de gastar seu dinheiro, o sucesso financeiro deve-se principalmente pelo respeito que é dado a cada centavo que ganhamos, portanto, comece hoje a valorizar e traçar tudo aquilo que você deseja obter em sua vida.

Reinaldo Domingos é educador financeiro, autor do livro Livre-se das Dívidas (Editora DSOP) e presidente do Instituto DSOP de Educação Financeira, www.dsop.com.br

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Departamento de Honestidade

Como elaborar corretamente os trabalhos acadêmicos e os projetos de pesquisas
A produção acadêmica no Brasil vem passando por um crescimento quantitativo e qualitativo e isso pode servir para debates e reflexões: afinal, por que, para quem, o que e como se estão sendo produzidos as pesquisas e os estudos acadêmicos. Na verdade, a produção acadêmica deve ter um caráter científico e pode, muito bem, ser divulgada para além do meio acadêmico, sendo que uma questão não pode excluir a outra. Assim, os trabalhos científicos devem ser divulgados para um público o mais amplo possível. De toda maneira, é positivo o fato de que a produção acadêmica e científica esteja no centro de diversos debates atuais, pois são diversas as análises que demonstram o caráter produtivo da ciência para o capital e para toda a sociedade. Clique para mais informações.

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Claudemir Oribe

A questão sobre a responsabilidade pela qualidade é um dos temas recorrentes no estudo e na prática da gestão desde que essa subdivisão da administração foi criada. Muito provavelmente, todo profissional da qualidade já esteve às voltas com essa discussão, sobretudo no momento da análise de problemas. Esses são verdadeiros órfãos, pois nascem e crescem, sem que algum responsável se apresente para assumir a paternidade.

Do ponto de vista da teoria da administração, a responsabilidade normalmente discutida é a do gerente que, para efeito de análise, pode ser o gestor, proprietário ou aqueles que detém o poder e a quem cabe a administração do negócio. No caso do homem profissional, a responsabilidade é uma disciplina do campo sociológico e mesmo psicológico, uma vez que, a maneira que cada indivíduo lida com isso, é bastante particular.

A responsabilidade existe no ambiente de trabalho, por que a realidade humana é mutante, mesmo dentro de contextos de pouca mudança. O pensamento, a consciência, a compreensão do mundo que o rodeia se alteram a cada minuto, fazendo com que o indivíduo reformule o entendimento de seu papel, com reflexos perceptíveis no comportamento. Aliás, tentativas de controlar o comportamento humano são o cerne de muitos dos estudos organizacionais e já existiam, muito antes da administração se tornar disciplina acadêmica. Sobretudo as correntes de pensamento organizacionais mais antigas, como a administração científica de Taylor ou a burocracia de Max Weber, tinham como objetivo velado o controle do comportamento do trabalhador. E mesmo naquela época, em que sindicatos e a sociedade não eram organizados o suficiente, haviam sérios problemas para que os trabalhadores aceitassem responsabilidades, mesmo restritas a poucas atividades. Charles Chaplin ilustrou bem essa situação no filme Tempos Modernos, ilustrando a desumanização do homem no ambiente produtivo.

O enquadramento de responsabilidades dentro de certos limites define uma função. Já as posições ocupadas pelas pessoas definem cargos. Muitas pessoas ainda não conhecem ou talvez não conseguem discernir a diferença entre cargo e função. Algumas funções podem ser exercidas por várias pessoas, que ocupam vários cargos. Um exemplo disso é a satisfação de clientes, que é uma função que pode ser exercida por várias pessoas, segundo o tipo de interação e o relacionamento com alguma parte que represente o cliente. A função é, pois, um conjunto de atividades necessárias para o desenvolvimento de uma missão específica. A função está relacionada à realização de algo, enquanto que o cargo à existência de um papel. A função se associa à operação enquanto que o cargo se associa a ocupação. E ainda, a função desenvolve um resultado enquanto que o cargo pode ser apenas preenchido. As organizações, departamentos, a estrutura, a estratégia e mesmos os cargos possuem, portanto, várias funções a serem cumpridas para os quais são necessários recursos, tempo, planejamento e disposição. Para compreender isso, podemos nos referir às empresas em fase inicial, quando as poucas pessoas, eventualmente até da mesma família, trabalham duro para fazer o negócio prosperar, executando uma série de funções sem, no entanto, pertencer a nenhum cargo. Ao contrário do cargo que dá uma conotação estática (meu cargo é…), a função possui uma dimensão dinâmica (minha função é fazer com que…).

Além disso, para facilitar a interação e gerenciar o agrupamento de pessoas, as empresas lançam mão da estrutura organizacional, criando divisões por função ou especialidade. Existem muitas formas de desenho de estrutura e quase sempre, a função da qualidade fica concentrada num componente do organograma. Infelizmente, toda a estrutura de remuneração das organizações não se baseia sobre a função exercida, mas no cargo ocupado. As pessoas recebem por aquilo que são e não por aquilo que fazem. A dificuldade de acompanhar o desempenho e o clima de constante mudança restringem a prática da remuneração funcional e, consequentemente, sua adoção generalizada pelas organizações. Isso representa uma barreira ao desempenho de funções comuns, que não podem ser limitadas a qualquer tipo de divisão como cargos, departamentos ou áreas. Diante dessa realidade, funções importantes da empresa do terceiro milênio, como a qualidade, continuam a serem cumpridas precariamente. Por outro lado, a criação de cargos e departamentos da Qualidade prejudica o desenvolvimento da função qualidade nas demais divisões internas, principalmente quando atua como herói, assumindo responsabilidades alheias e compactuando com a omissão e com a falta de compromisso.

As empresas e organizações precisam entender que a função da qualidade não é algo que possa ser dividida, mas sim compartilhada. Veja, por exemplo, o caso da ética, uma disciplina filosófica que estuda a conduta humana. O crescimento da consciência ética vem crescendo no mundo empresarial. Então, ao perceber este movimento da sociedade, uma empresa bem intencionada poderia decidir criar o departamento de ética na empresa, com a função de congregar e promover valores éticos! Ou então, imagine criar um Departamento de Honestidade na empresa! Isso evidentemente não funcionaria, pois haveria uma forte tendência a associar a ética ao departamento, ao invés de ser tratado como um componente individual holístico. Da mesma forma que a ética, a participação das pessoas na gestão da Qualidade não é facultativa, mas imperativa. Não creio assim, que a departamentalização da função qualidade seja compatível com um mundo caracterizado pelo dinamismo, pela competição, pela incerteza, pelos ciclos de vida curtíssimos, pelas margens reduzidas e alta competição, pois essas condições exigem tipos de estruturas mais orgânicas, flexíveis e sistêmicas. Na verdade, os teóricos da qualidade sempre defenderam essa idéia, mas ela nunca foi tão verdade quanto hoje, pois os argumentos se acumulam na medida em que o tempo passa.

Numa empresa, apenas em poucos casos, é tão acentuada a confusão entre cargo e função quanto na gestão da qualidade. Apesar de algumas pessoas ocuparem cargos relacionados à gestão da qualidade, como Inspetores, Analistas, Gerentes e Auditores, a responsabilidade pela qualidade não é uma exclusividade desses cargos, mas sim uma função, que deve ser distribuída por todos os setores, departamentos e cargos da que compõem a estrutura organizacional.

Quando isso não ocorre, o sintoma mais típico é a omissão, cuja conseqüência é a ocorrência de problemas de toda natureza, sem que qualquer ninguém se julgue responsável, ou sequer relacionado com o fato. Numa situação dessas, as pessoas parecem esperar que alguém tome alguma iniciativa. E, também da mesma forma, os ocupantes dos cargos da qualidade, não fazem algo para se livrar da expectativa de que a iniciativa só cabe a eles. Isso só contribui para acomodar ainda mais as pessoas num padrão de comportamento omisso, gerando frustração, isolamento e a falta de iniciativas que imobilizam a estrutura e enfraquecem o potencial de geração de resultados.

Os que ocupam responsabilidades na área da qualidade se frustram com o comportamento omisso generalizado, pois seus esforços pelo comprometimento não encontram eco na organização. A responsabilidade não assumida, e por ocasiões sequer conhecida, é uma conseqüência de um conjunto de variáveis que precisam ser melhor discutidas internamente. Sabermos que a qualidade é função de todos, mas suas práticas e atividades parecem sofrer um fenômeno de repulsão das áreas, que se manifestam na forma de folga social, rejeição da palavra “qualidade” e pela frequência com que possuem outras prioridades. O resultado disso é que as tarefas tendem, invariavelmente, a se concentrar nas pessoas que possuem cargos relacionados à Qualidade. O RD que o diga.

As pessoas parecem não querer admitir o fato de que o mundo hoje exige mais responsabilidades e que seu trabalho, qualquer que seja ele, é de natureza multidisciplinar. Estamos num caminho sem volta e os cargos nunca mais serão especializados como já foram, passando a acumular cada vez mais funções. Essa é a realidade. E a função da qualidade faz parte desse contexto.

Claudemir Y. Oribe é mestre em administração de empresas PUC Minas/Fundação Dom Cabral e sócio consultor da Qualypro – claudemir@qualypro.com.br

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As ferramentas de administração do tempo

tempo3Alípio Silva Pereira

Listar os problemas não é difícil. A maioria das pessoas conhece bem as suas dificuldades no tocante à administração do tempo. Mais difícil é encontrar soluções para essas dificuldades. As soluções não passam de bom senso. Mas o mais difícil de tudo é seguir esse bom senso. Para o excesso de tarefas, é necessário saber que as coisas que temos a fazer são, frequentemente, de natureza bastante diversa. Algumas delas são para ser feita ao longo do tempo, e podem se desdobrar em várias tarefas, prolongando-se por meses e anos (como escrever um livro). Outras podem ser episódicas e rápidas, envolvendo uma só tarefa (como pagar a conta de luz). Algumas dizem respeito ao nosso serviço e são urgentes (terminar o relatório para a reunião do Conselho Diretor na próxima segunda feira). Outras têm que ver como nossa vida pessoal e não têm maior urgência (aprender a dançar ou perder uns quilinhos). Algumas são desagradáveis (terminar um noivado ou um casamento de vários anos), outras prazerosas (sair de férias e passar duas semanas na praia). A primeira coisa a fazer é separar, entre aquelas coisas que desejamos ou precisamos fazer, aquelas que se constituem verdadeiros projetos, envolvendo várias tarefas, e aquelas coisas que, pela sua natureza, já são agendáveis enquanto tais. As primeiras vão para uma Lista Mestra (“Master List”); as segundas, para uma “Lista de Lembretes” (“To Do List”).

A Lista Mestra é aquela lista dos projetos que você quer ou precisa desenvolver a curto, médio e longo prazo. Deve incluir coisas como “Preparar Relatório Anual do Departamento”, “Escrever Artigo sobre Tendências Atuais de Marketing”, “Planejar Reforma da Casa”, “Aprender Inglês”, “Perder 10 kg”, etc. Ela deve incluir também os seus projetos de vida, como “Estar financeiramente independente dentro de seis anos”, “Ir morar na França daqui a dez anos”, etc. Depois de elaborada e revista a lista, ela dever  ser priorizada. A cada um dos projetos nela incluídos dever  ser atribuída uma prioridade, que reflete o seu grau de importância em relação aos outros projetos. A forma mais fácil de fazer isso é comparar, dois a dois, projeto por projeto, decidindo qual deles é mais importante, até que a lista esteja ordenada segundo suas prioridades. Mas o problema de priorização será discutido em maior detalhe adiante.

Alguns desses projetos são relativamente simples no tocante aos meios necessários para realizá-los. Para aprender inglês, por exemplo, basta procurar uma boa escola e se matricular. Outros projetos são bem mais complexos. Quais são os meios que nos levam à independência financeira em seis anos? O que devemos fazer para ter condições de morar na França daqui a dez anos? Para que você realize esses projetos dentro do prazo previsto, possivelmente é preciso que comece já a fazer aquelas coisas que são condições necessárias para o sucesso do projeto. Esclarecidas essas questões, você terá que quebrar seus projetos prioritários em tarefas, até que elas sejam suficientemente pequenas para poder ser incluídas em sua Lista de Lembretes para agendamento.

A Lista de Lembretes incluirá todas as coisas que você tem que fazer e que podem ser incluídas em sua agenda diária como um item. Nada nessa lista deve, portanto, em princípio, levar mais do que quatro, ou, talvez, do que duas horas por dia. Essa lista vai incluir coisas de todos os tipos, desde “Retirar talão de cheques no Banco” até “Fazer levantamento bibliográfico para artigo sobre Marketing”. A primeira tarefa pode ser executada em 15 minutos (dependendo da proximidade do banco), a segunda pode não estar concluída ao cabo de quatro horas, tendo que permanecer na lista. É com base nessa lista que você vai compor sua agenda diária, que vai incluir outras coisas como reuniões de rotina, reuniões especialmente convocadas, atendimento de clientes, etc.

Antes de discutir a elaboração da agenda (semanal e diária), é preciso analisar um pouco mais a questão da priorização. Alguns estudos de administração têm sido virtualmente unânimes em apontar o que é frequentemente chamado de Princípio de Pareto. Não importa a área ou a atividade, 80% dos retornos que você obtém provêm de 20% de seus investimentos: 80% dos lucros de uma empresa provêm das vendas de 20% de seus produtos, 80% dos votos de um candidato provêm de 20% de locais, e assim por diante. Esse princípio, também chamado de princípio dos 80/20, provavelmente se aplica a você. 80% do sucesso que você obtém, ou virá a obter, depende, ou dependerá, de20% de suas atividades. Isso significa que se você se contentar com apenas 80% do sucesso que você aspira a alcançar, você poderá eliminar 80% das coisas que hoje faz!

O problema, porém, é saber identificar quais são os 20% que respondem (ou responderão) por 80% de seu sucesso. Só sabendo fazer essa identificação é que você será capaz de dar prioridade àquilo que realmente merece prioridade. A primeira coisa a manter constantemente em mente é a distinção entre o importante e o urgente. Para você poder identificar o que realmente é importante para você é preciso responder com clareza à seguinte pergunta: O que você realmente quer na vida ou da vida? Riqueza? Poder? Sabedoria e conhecimento? Tranquilidade e paz de espírito com um mínimo de segurança financeira e profissional? O quê? Importantes serão aquelas coisas que contribuem para que você atinja seus objetivos maiores de vida. Urgentes serão aquelas coisas que precisam ser feitas, mesmo que você não veja como elas possam se encaixar em seus objetivos mais abrangentes.

Se, em relação a uma tarefa específica, você tem dúvidas se ela é importante para você, tente investigar o que de pior poderá lhe acontecer se você simplesmente deixar de fazê-la. Se a tarefa diz respeito ao seu serviço, pergunte: Você receberá uma repreensão de seu superior? Você perderá a oportunidade de ser promovido? Você será despedido? Caso a resposta seja negativa a todas essas perguntas, procure descobrir se o tempo que você dedicaria a essa tarefa poderia ser mais bem aproveitado fazendo uma outra tarefa que poderia lhe render maiores dividendos profissionais em termos de seus objetivos maiores.

Não se esqueça de que, em relação às coisas que você contempla fazer, há sempre quatro possibilidades: Elas são importantes e urgentes; Elas são importantes e não urgentes; Elas são não importantes e urgentes; e Elas são não importantes e não urgentes. Começando com os extremos, se a tarefa que você contempla fazer é importante e urgente, dê-lhe prioridade e agende-a imediatamente; se não é nem importante nem urgente, esqueça-a e passe para a seguinte. A dificuldade maior está em lidar com coisas importantes, mas não urgentes e urgentes, mas não importantes. Minha sugestão é que você dedique tanto tempo quanto possível às tarefas importantes, para as quais você se sentirá naturalmente motivado (a despeito de sua não urgência). Quanto às tarefas urgentes, mas que não são importantes em termos de seus objetivos maiores de vida, contemple as seguintes possibilidades:

Se você tem subordinados, investigue a possibilidade de delegá-las a algum deles. Cuidado, porém, para não delegar apenas “abacaxis”. Se você não tem subordinados, procure descobrir algum colega que goste de realizá-las e seja competente para fazê-las bem (geralmente existe alguém!), e sugira ao seu superior que aquela pessoa talvez seja mais bem indicada para essas tarefas (explicando porquê). Faça o exercício de investigar o que de pior poderá lhe acontecer se você simplesmente deixar de realizar a tarefa. Muitas coisas são tidas como urgentes mais por hábito ou tradição, não tendo nenhuma importância. Elimine-as, neste caso.

Se eliminá-las não for possível, procure substituí-las: use sua criatividade examinando qual a finalidade da tarefa e procurando encontrar outra maneira de atingir os mesmos objetivos sem realizar a tarefa específica em questão, e realizando outras que você considere mais importantes, por lhe trazerem mais dividendos e/ou satisfação. Caso não haja como delegá-las, transferi-las, eliminá-las ou substituí-las, concentre-as todas em um só bloco de tempo e tente se livrar delas de uma vez. Procure tratar delas como se bebe um remédio amargo: de uma só vez, e de preferência em horário não nobre.

Alípio Silva Pereira é consultor organizacional da Leme Consultoria e Crescer Group – apereira@crescergroup.comqualipio@gmail.com

Normas comentadas

Confira quais as normas comentadas disponíveis. Elas oferecem mais facilidade para o entendimento e são muito mais fáceis de usar: http://www.target.com.br/portal_new/produtossolucoes/NBR/Comentadas.aspxNBR 14039Instalações elétricas de média tensão de 1,0 kV a 36,2 kV. Possui 140 páginas de comentários

NBR 5410Instalações elétricas de baixa tensão – Comentada – para windows, versão 2004

NBR ISO 9001 – COMENTADASistemas de gestão da qualidade – Requisitos

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